O Cinema frente ao avanço da Covid-19 no mundo

Créditos: Todos os direitos reservados à Disney Entertainment

Por Thayrone Soares.

A pandemia do novo coronavírus está afetando o mundo todo e a indústria cinematográfica é um dos setores atingidos. O rombo sofrido é estimado em R$ 5 bilhões até o momento. Todas as produções foram paralisadas, obedecendo às regras da OMS, que incluem a não aglomeração e o isolamento social obrigatórios. Além disso, as obras audiovisuais que já estavam prontas para um lançamento tiveram suas estreias adiadas indeterminadamente devido ao fechamento de todas as salas de exibição.

Produções como a versão em live-action de “Mulan”, prevista para ser uma das maiores arrecadações do ano da Disney, está aguardando uma melhora no cenário global para “ver a luz da projeção”. “Dois Irmãos”, uma animação do estúdio Pixar, também da Disney, segundo a Superinteressante, teve o “pior final de semana de estreia de todos os filmes da Pixar” até hoje (BATTAGLIA, 2020). Segundo a publicação, isso ocorreu devido ao fechamento dos cinemas na China, que é um dos maiores mercados do gênero no mundo. O arrecadamento esperado para as bilheterias dos filmes que “estão na gaveta”, perante a presente situação, ainda é vislumbrado como uma possibilidade de reerguer os estúdios depois da crise que se estabelece atualmente.

Entretanto, algumas grandes empresas resolveram aplicar diferentes estratégias para outras produções, uma vez que períodos de crise também impulsionam a reavaliação de antigos padrões. O audiovisual já vinha numa constante onda de mudança, se adaptando aos novos hábitos dos espectadores desde o surgimento das plataformas de streaming. Sendo assim, ainda de acordo com a matéria publicada pela Revista Superinteressante, diversos filmes serão lançados diretamente em plataformas de streaming, inclusive obras cinematográficas de elevado orçamento. Ao desconsiderar o valor de arrecadação de uma bilheteria, as produtoras reavaliam a posição do cinema no mundo frente à popularidade crescente de serviços como a Netflix, por exemplo. No dia 24 de março, conforme Battaglia (2020) ressaltou em matéria online, “a Netflix superou a Disney em valor de mercado. Enquanto as ações da empresa do Mickey despencaram 40%, as da plataforma de streaming cresceram 9%. A Netflix ficou valendo US$ 158 bilhões; a Disney, US$154,8 bilhões”.

Segundo estimativa apontada no site Olhar Digital (2020), devido à pandemia, a projeção de crescimento da Netflix para esse ano já foi batida quase que em dobro. Ao longo dos anos, a empresa passou de simples plataforma de exibição de produções externas para produtora de obras originais de muito sucesso comercial. A Disney +, plataforma de streaming da Disney, lançada no final de 2019 nos EUA e ainda sem uma data definida para chegar ao Brasil, já avalia utilizar grandes produções, que possivelmente estreariam em altas posições no cinema, como estratégia para lançamento de sua plataforma em diversos países. Até a edição do Oscar do ano que vem, um dos eventos de maior repercussão do cinema, aceitará filmes lançados diretamente em streaming devido ao cenário da pandemia.

Acreditamos que ainda seja precoce falar em completa reformulação da experiência do cinema, como conhecemos hoje, ou do futuro da indústria cinematográfica. Mas o comportamento da população pós-pandemia, com a reabertura das salas de exibição e a bilheteria das próximas produções a serem lançadas, será um forte indicativo de qual caminho o setor audiovisual passará a seguir daqui em diante.

Além disso, como estamos falando sobre produções audiovisuais num momento de pandemia, deixamos como indicação a série documental “Explicando – Coronavírus” (Coronavirus, Explained), lançada em abril. A série é uma produção original Netflix e está disponível para assinantes.

Leia mais sobre o assunto.

Thayrone Soares é mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da PUC Minas.

Referências

BATTAGLIA, Rafael. Como o coronavírus pode mudar, para sempre, a indústria do cinema. Revista Superinteressante. 27 de março de 2020. Cultura. Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/como-o-coronavirus-pode-mudar-para-sempre-a-industria-do-cinema/. Acesso em: 15 de maio de 2020.

SANTINO, Renato. Netflix ganha mais de 15 milhões de novos assinantes com a pandemia. Olhar Digital. 21 de abril de 2020. Coronavírus. Disponível em: https://olhardigital.com.br/coronavirus/noticia/netflix-ganha-mais-de-15-milhoes-de-novos-assinantes-com-a-pandemia/99736. Acesso em: 15 de maio de 2020.


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