Eisenstein e Cortes de Bazin

Por Marina Marques

Nos primórdios do cinema, a montagem ainda não era presente, tendo em vista que os primeiros filmes eram concebidos em pequenas bobinas que registravam, em média, um minuto de uma única cena estática (como por exemplo “A Chegada do Trem Na Estação” dos Irmãos Lummière).

Organicamente, com a evolução do cinema e suas tecnolgias, foi surgindo a necessidade de ordenação de cenas, troca de planos etc. e, com isto, o conceito de montagem começou a se formar de fato. Atualmente, ela se mostra essencial, não só para organização narrativa, mas também como ferramenta de construção temática, sendo parte crucial do processo criativo.

Essa função criativa da montagem cria vertentes diferentes deste processo, havendo uma “distinção entre uma montagem que se limite a ser o instrumento de uma narração clara e uma montagem que tente produzir choques estéticos eventualmente independentes de toda ficção.” (AUMONTetal.,64-65)

Os pioneiros Edwin Porter e D. W. Griffith foram os primeiros a estabelecer as bases para a continuidade de ação em uma trama e introduziram ideias importante que conhecemos hoje, como por exemplo, o conceito de closes dramáticos e da montagem paralela.

Outra figura que contribuiu grandemente para a técnicas de montagem foi o russo Sergei Eisenstein, cineasta, filmólogo, que contribuiu para que o cinema fosse um lugar de expressão artística. O trabalho do cineasta Sergei Eisenstein é com certeza, de suma importância para a montagem. Para o crítico de cinema Marcel Martin (2002) o cineasta russo foi quem proporcionou a classificação de montagem mais completa e satisfatório, onde cabiam todos os tipos de montagens, das mais simples até as mais complexas. Para Jacques Aumont o cinema de Eisenstein é ambíguo, para Edgardo Pígoli e Carlos Canela, termos que definiriam o russo, seriam o choque. Ismail Xavier chama a proposta de Eisenstein de “montagem figurativa”.

Segundo o artigo “Os Fundamentos Históricos e Teóricos da Montagem Cinematográfica”: Para Eisenstein, a montagem não era uma simples sucessão de planos, como uma mera ligação de partes. O plano não era um simples “elemento” da montagem, mas era a sua “célula”, tal como sucede com o elemento biológico, por exemplo, se uma célula for dividida, surgirá um organismo, uma outra informação.

Ele foi o criador e defensor de diversas teorias como: montagem métrica; montagem rítmica; montagem tonal; montagem harmónica e montagem intelectual.

Ainda citando o artigo “Os Fundamentos Históricos e Teóricos da Montagem Cinematográfico”: Eisenstein descobriu a força da montagem e da composição de imagens, e converteuse num mestre desta arte. Ele é reconhecido como um teórico, mas, tal como Griffith, foi igualmente um grande realizador (Dancyger, 2006).

O Modelo de André Bazin

André Bazin à defende um cinema mais “realista”, onde através de duas abordagens, a montagem é decomposta em menores partes, que são: a durabilidade e a concepção visual. O autor defende o uso do plano-sequência em substituição aos os cortes frequentes, considera que a profundidade de campo corresponde à focalização do objeto, e o enquadramento para obter maior nitidez, como elementos fundamentais na constituição de um cinema, que é para ele, o cinema realista.

O modelo de André Bazin:

1-Progressão rumo a um estilo narrativo cada vez mais realista.

2-Defende inclusão do som para ampliaçãode tal realismo.

3-Afinidade entre narração cinematográfica e estilo romanesco “objetivo” e “de reportagem”.

4-Faz a crítica radical dos teóricos russos, minimizando o papel da montagem.

5-Reinadodacontinuidade.Desenvolvimentocontínuodaimagemsemcortes.

6-Combate também à decupagem clássica. Superação de tal método.

No A Montagem Proibida, autor parte do princípio que define a lei estética do ‘realismo’, onde o que deve ser respeitado é a unidade espacial do acontecimento: “Quando o essencial de um acontecimento depende de uma presença simultânea de dois ou mais fatores da ação, a montagem fica proibida”; e ou em um plano deve reunir os elementos que anteriormente foram dispersos pela montagem. Ou seja, quando o essencial de um acontecimento depende da presença simultânea de dois ou mais fatores da ação (BAZIN, 2014), o que para ele assegura a perspectiva estética da montagem narrativa, através da manutenção da integridade do que foi capturado pela câmera, diante de um espaço-temporal fidedigno à imagem do real.

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