
Fonte:https://www.omelete.com.br/oscar-2026/oscar-2026-indicados
Por Bernardo Carvalho Marujo
2025 marcou a história do cinema com a primeira vitória brasileira na categoria de Melhor Filme Internacional, além das nomeações aos prêmios de Melhor Atriz e Melhor Filme. Ainda Estou Aqui (2024) e Fernanda Torres representaram toda uma nação e coroaram uma nova safra de ouro do cinema brasileiro, que agora, em 2026, volta aos Estados Unidos para competir pelos prêmios de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco (O Agente Secreto), Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Fotografia (Adolpho Veloso), sendo o ano com mais nomeações brasileiras ao Oscar
da história.
Tudo isso para dizer: seja você um amante ávido de cinema ou um brasileiro doido para ver nosso país no palco mundial, os Oscars deste ano são completamente imperdíveis. Por isso, compus um pequeno guia crítico para garantir que ninguém esteja perdido com a quantidade imensa de filmes indicados.
O grande vencedor em termos de nomeações foi Pecadores (2025), com um total recorde de 16, batendo as antigas 15 de All About Eve (1950), Titanic (1997) e La La Land (2016). O filme do diretor Ryan Coogler misturou música, terror e drama histórico para fazer um clássico moderno, que mais do que rompeu a maldição de filmes de terror não serem valorizados pela Academia. Pecadores conquistou um público grande e aprovação crítica e, apesar de não ter vencido muitos outros festivais, vem para os Oscars com muita força. É quase impossível que não leve pelo menos algumas estatuetas, considerando o número de indicações, mas a pergunta é se ficará com os principais prêmios: Melhor Filme, Melhor Ator com Michael B. Jordan, Melhor Diretor com Ryan Coogler (seria a primeira vez que um diretor negro ganharia o prêmio), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz e Ator Coadjuvantes, com Wunmi Mosaku e Delroy Lindo. Destaque também para Ludwig Göransson, que busca seu terceiro Oscar, novamente em colaboração com Coogler, assim como em Pantera Negra.
O segundo mais indicado foi o épico de Paul Thomas Anderson, Uma Batalha Após a Outra (2025), com um total de 13. Com elementos de sátira política, ação, comédia e um núcleo emocional muito forte na relação entre pai e filha, o filme vem com força, especialmente após as vitórias no Globo de Ouro, e era considerado o favorito antes das nomeações. Em especial, temos a disputa do diretor que, apesar de já ter sido nomeado 14 vezes, nunca venceu; Leonardo DiCaprio tentando repetir o feito de O Regresso (2015) e levar outra estatueta para casa; e um grupo de coadjuvantes verdadeiramente impressionante com Benicio Del Toro, Sean Penn e Teyana Taylor.
Temos três filmes com 9 indicações, começando por Marty Supreme (2025), do agora diretor solo Josh Safdie. Mascarado como um drama esportivo, o filme traz todos os elementos que consagraram os Safdie com Bom Comportamento (2017) e Jóias Brutas (2019), mas agora com escala e refinamento muito maiores, criando uma absoluta obra-prima caótica, liderada por uma performance ontológica de Timothée Chalamet, que, espelhando o filme, aparenta estar suando e sangrando pela vitória. Apesar de ter tudo para conquistar uma das principais estatuetas, especialmente com Chalamet, o filme foi prejudicado por controvérsias, em especial a escolha de Kevin O’Leary, que tem se tornado uma figura proeminente da direita canadense, para um papel coadjuvante, além do ressurgimento de uma polêmica no set de Bom Comportamento, em que um maior de idade mostrou o pênis para uma menor enquanto Josh dirigia a cena — fatores que reduzem consideravelmente as chances na premiação.
Frankenstein (2025), apesar de não ter passado pelos cinemas, também marca presença. A colaboração da Netflix com Guillermo del Toro trouxe uma representação mais fiel do clássico gótico de Mary Shelley, com ótimas atuações, cenários e fotografia. Apesar de pecar em alguns aspectos do roteiro, o filme ainda foi indicado a Roteiro Adaptado e, por ser de longe a adaptação mais famosa, é possível que saia vencedor. Destaque para a performance muito forte de Jacob Elordi como coadjuvante, que, em um ano menos competitivo, seria praticamente garantido como vencedor.
Vindo da Dinamarca, Valor Sentimental (2025) trouxe um drama familiar impactante que conquistou público e crítica mundial. Com duas performances devastadoras de Renate Reinsve e Elle Fanning e um roteiro original muito impressionante, o filme de Joachim Trier é quase garantido de levar pelo menos um prêmio e é o maior competidor do Brasil na categoria de Filme Internacional.
Hamnet (2025) reúne dois aspectos que os Oscars adoram: o fator biográfico e o drama histórico, vindo com 8 indicações em categorias importantes. Após ganhar um Oscar por Nomadland (2020) e dirigir o medíocre Eternos (2021), da Marvel, Chloé Zhao havia se afastado do ciclo de premiações, mas agora retorna forte, especialmente nas categorias de Roteiro, Direção e, principalmente, Atriz, com Jessie Buckley dando um absoluto show.
Uma nova colaboração entre Yorgos Lanthimos e Emma Stone chega ao Oscar com Bugonia (2025), recebendo 4 indicações. Caracterizado pela mesma estranheza e comédia absurdista do diretor, e com performances muito fortes de Emma Stone e Jesse Plemons (que, de alguma forma, não foi indicado), o filme, apesar das poucas indicações, tem boas chances de render um terceiro Oscar a Emma Stone e consolidá-la como uma das atrizes mais premiadas da história.
Do Brasil, temos, é claro, O Agente Secreto (2025), de Kleber Mendonça Filho, que busca repetir o feito de 2025 — e talvez ir além. Muito premiado em Cannes, o filme concorre em 4 categorias, sendo mais provável vencer em Filme Internacional e Melhor Ator, com Wagner Moura. O azar é que este é um ano consideravelmente mais competitivo na categoria internacional, especialmente com Sirat (2025) e o já mencionado Valor Sentimental. Wagner Moura, apesar de não ser favorito, ainda tem chances, com uma performance sutil, mas emocionalmente efetiva.
Da Netflix, e também com 4 indicações, Sonhos de Trem (2025), do diretor Clint Bentley, é um filme que o Brasil deveria acompanhar com atenção. Isso devido à indicação de Melhor Fotografia para Adolpho Veloso, que optou principalmente pela luz natural para criar uma experiência visual impressionante. É a primeira nomeação brasileira da história na categoria, com ótimas chances de ser também a primeira vitória.
Encerrando os indicados a Melhor Filme, F1 (2025) surge como o azarão e o filme mais comercial da lista. Joseph Kosinski, de Top Gun: Maverick (2022), fez um filme de esportes que honestamente não se destacou em nenhum aspecto, repleto de clichês do gênero e atuações que não saíram da curva. Ainda assim, talvez por lobby ou apelo popular, F1 recebeu 4 indicações, sendo Edição a categoria mais competitiva.
Para os fãs de animação, a premiação deveria ser previsível. Com dois filmes medianos da Disney, Elio (2025) e Zootopia 2 (2025); dois excessivamente artísticos, Arco (2025) e A Pequena Amélie (2025); o vencedor mais provável é o sucesso da Sony, Caçadoras de Demônio K-Pop (2025), que já venceu o Globo de Ouro e é facilmente o mais bem-sucedido (e o melhor) entre os indicados. Apesar de a categoria de animação estar se tornando mais relevante, é improvável que saia do eixo Sony/Disney este ano.
2025 foi um ano absurdamente bom para o cinema e, tirando talvez F1, os candidatos apresentam um padrão de qualidade extremamente alto e valem muito a pena ser assistidos. A 98ª edição do Oscar acontecerá no dia 15 de março, às 20 horas, e, com a maior quantidade de brasileiros na história, é hora de subirmos ao palco do mundo mais uma vez e conquistarmos a valorização global que nosso cinema merece.


