A influência da mídia sobre Wicked Brasil

Por Mariana Lima

Wicked: A História Não Contada Das Bruxas De Oz é um musical da Broadway, estreado em 2003, que retrata o passado da amizade entre as personagens Elphaba, a Bruxa Má do Oeste, e Glinda, a Bruxa Boa do Norte. A obra é um prelúdio de O Mágico de Oz, inspirada no romance de Gregory Maguire, de 1995, e aborda temas como a busca incessante por poder e a origem do mal.

Em 2016, o musical ganhou uma adaptação no Brasil e, atualmente, está em cartaz pela terceira vez no teatro Renault, em São Paulo, protagonizado pelas incríveis Myra Ruiz (Elphaba) e Fabi Bang (Glinda). Nos últimos anos, a montagem tem recebido grande influência da mídia, que se expressa de diferentes formas: a adaptação para o cinema, lançada recentemente, reacendeu o interesse do público e trouxe novos olhares para a narrativa. Já as redes sociais impulsionaram tanto a divulgação da peça quanto o surgimento de gravações clandestinas, o que levou a produção a reforçar regras de comportamento. Por fim, a escolha de artistas populares para integrar o elenco ampliou ainda mais a visibilidade do espetáculo.

Sendo assim, o primeiro ato do filme Wicked chegou nas telonas em 2024, estrelado por Cynthia Erivo e Ariana Grande, dois grandes nomes da indústria musical. A produção conquistou dois Oscars, e o lançamento da segunda parte está previsto para novembro deste ano. De acordo com Myra Ruiz, em um vídeo publicado nas redes sociais de Wicked Brasil, o filme impactou diretamente a terceira montagem brasileira, que conta com alguns easter eggs inspirados na versão cinematográfica.

É uma percepção comum de que o teatro musical costuma atrair um público mais nichado. No entanto, o lançamento do filme ampliou esse alcance e conquistou novos espectadores para a peça, especialmente entre os jovens, o que tem se mostrado bastante positivo. Essa aproximação não apenas valoriza os artistas nacionais, como também desperta o interesse do público por outras produções do gênero.

No entanto, é fato que parte desse novo público ainda não está habituado ao ambiente teatral. Muitas pessoas, que conheceram as músicas pelo filme, passaram a cantá-las durante as apresentações, o que prejudicou não apenas os atores que, muitas vezes, não conseguiam ouvir a própria voz, mas também os demais espectadores. Isso porque o teatro musical conta uma história através das canções, de modo que ouvir e assimilar as letras é fundamental para a compreensão da narrativa. Por esse motivo, a produção de Wicked Brasil passou a exibir um aviso sonoro antes de cada sessão, pedindo para que o público não cante durante as performances e que guarde os aplausos para os momentos adequados, de forma a preservar a imersão de todos.

Outro pedido feito pela produção é para que não gravem a peça. As redes sociais têm influenciado bastante nesse aspecto, já que surgiram os chamados “proibidões”, que são vídeos não autorizados das apresentações publicados em perfis pessoais. Como parte da verba para a realização do espetáculo vem da bilheteria, disponibilizar trechos online pode levar muitas pessoas a deixarem de prestigiar a obra ao vivo, pois corre o risco de receberem spoilers antes mesmo de entrar no teatro.

Além disso, é interessante analisar como o diálogo com as redes sociais tem se intensificado, principalmente no TikTok. Os atores estão sempre atentos às tendências virais e buscam incorporá-las à peça, quebrando a distância entre a realidade e o universo do espetáculo.

A influência da mídia também se evidenciou na participação especial de Glória Groove na peça. A cantora participou de algumas apresentações no papel de Madame Morrible, se tornando a primeira drag queen do mundo a interpretar a personagem, e ficou em cartaz do final de agosto ao início de setembro. A escolha foi estratégica, pois não apenas atraiu maior atenção para o espetáculo ao convidar uma artista famosa, como também marcou um passo importante para a representatividade no teatro.

Portanto, Wicked Brasil é, sem dúvidas, um espetáculo à parte. A produção aposta em efeitos práticos que tornam a experiência ainda mais mágica, acompanhados por uma orquestra impecável e atores extremamente talentosos. Esta terceira montagem dialoga diretamente com o filme e abre espaço para a liberdade criativa dos artistas, especialmente na inserção de referências bem-humoradas vindas das redes sociais. É gratificante perceber como Wicked continua conquistando novos públicos e como, a cada dia, a arte teatral ganha mais visibilidade e valorização no cenário cultural brasileiro.

 

 

Referências:
DAUER, Letícia. Fãs de Wicked são criticados por gritos e cantoria excessiva durante sessões em SP: ‘parecia show de diva pop’. G1, 26 de março de 2025. Disponível em: <https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/03/26/fas-de-wicked-reclamam-de-gritos-e-cantoria-excessiva-durante-sessoes-em-sp-parecia-show-de-diva-pop.ghtml>. Acesso em: 25 de agosto de 2025.

DAVI, Fernanda Alves. Gloria Groove volta ao teatro como vilã em ‘Wicked’ e revela inspiração em madrasta da Cinderela e Carminha. O Globo, 22 de agosto de 2025. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2025/08/22/gloria-groove-volta-ao-teatro-como-vila-em-
wicked-e-revela-inspiracao-em-madrasta-da-cinderela-e-carminha.ghtml>. Acesso em: 25 de agosto de 2025.

LAMMERS, Tim. Oscar 2025: Quantos Oscars ‘Wicked’ ganhou? Forbes, 3 de março de 2025. Disponível em: <https://www.forbes.com/sites/timlammers/2025/03/03/oscars-2025-how-many-oscars-did-wicked-win/>. Acesso em: 25 de agosto de 2025.

MAGUIRE, Gregory. Wicked: the life and times of the Wicked Witch of the West. New York: HarperCollins, 1995.

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