A alma Boêmia de BH

Por: João Gabriel Ferreira

 

A Boêmia é um estilo de vida que rege a maioria dos Belo Horizontinos. Conhecida carinhosamente como “a capital dos bares’’, BH ostenta com orgulho seu título que vai muito além da quantidade de estabelecimentos pela cidade. Ir a um bar é mais que apenas sair para beber, é quase que um ritual, seja após o expediente, nos fins de semana ou em encontros improvisados, os bares são pontos de encontro onde diferenças sociais, políticas e econômicas se dissolvem entre uma cerveja gelada e um prato de petiscos, como o famoso “torresmo de barriga” ou a “costelinha com ora-pro-nóbis”. Muitos negócios são fechados ali, amizades são seladas e histórias de vida se entrelaçam nas mesas desta bela cidade.

Na tese de doutorado da UFMG, “Autenticidade e nostalgia na experiência dos consumidores de bares e botecos de BH” defendida por Geórgia Caetano de Oliveira Santos em novembro de 2022, é dito que “não é só a juventude que está ali, todas as classes sociais, todos os estilos de vida compartilham o mesmo ambiente de bar, e isso é muito democrático, é muito a cara de Belo Horizonte.” ilustrando assim a importância que esses locais apresentam para as diversas camadas
da amada e vivida Belo Horizonte.

 

Os bares também são palco de diversas inovações da cultura mineira. Muitos deles investem em música ao vivo, literatura de bar, rodas de samba e até feiras gastronômicas, estimulando assim que os artistas locais cresçam além de fortalecer a economia criativa. Projetos como o Comida di Buteco, criado em BH no ano 2000, transformaram a culinária de boteco em patrimônio reconhecido nacionalmente, mostrando como a cozinha popular pode ser sofisticada em sabor e autenticidade. Cada edição do concurso movimenta milhares de pessoas, fomenta o turismo e estimula pequenos empreendedores, tornando os bares protagonistas não apenas da vida social, mas também do desenvolvimento econômico da cidade.

 

Esses locais se transformam ao variar público ou local que está inserido. A partir da pesquisa de mestrado “Quando o bar se torna estádio: um estudo acerca do torcer em bares de Belo Horizonte”, de Felipe Vinícius de Paula Abrantes, da UFMG, é abordado como esses locais se transformam em espaços de expressividade esportiva, em dias de jogos. Mostrando assim que não são somente para o lazer comum, mas também possuem uma construção de identidade coletiva, de pertencimento social, da cultura do torcer.

 

Mais do que simples pontos de encontro, os bares de Belo Horizonte são o coração pulsante da cidade. É neles que o tempo desacelera, que as conversas se transformam em memórias e que a vida cotidiana ganha sabor e ritmo próprios. Entre o som dos copos, a música de fundo e o cheiro do torresmo, BH reafirma sua essência acolhedora e boêmia, uma cidade que se reconhece, se celebra e se reinventa a cada mesa ocupada.

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