Projeto Rondon em Minas Gerais: um elo entre educação, cidadania e transformação social

Por João Pedro Diniz Santos

O Projeto Rondon, ação interministerial coordenada pelo Ministério da Defesa, é uma das mais relevantes iniciativas de extensão universitária no Brasil, e sua atuação em Minas Gerais tem se mostrado especialmente transformadora. Ao integrar o saber acadêmico à realidade de comunidades vulneráveis, o projeto fortalece a cidadania e impulsiona o desenvolvimento sustentável em diversas regiões do estado.

Em 2025, duas grandes operações do Rondon, “Sul de Minas I” e “Sul de Minas II”, foram realizadas, promovendo 1.829 oficinas práticas em áreas como saúde, educação, meio ambiente, cultura e tecnologia. Ao todo, cerca de 65.400 pessoas foram diretamente beneficiadas em 24 municípios mineiros. Além disso, a operação “Onça Cabocla”  atendeu 12 municípios com aproximadamente 700 oficinas que incluíram temas como gastronomia, primeiros socorros e promoção à saúde.

Essas ações foram conduzidas por 495 rondonistas, estudantes universitários e professores voluntários, vindos de diferentes partes do país. A diversidade não apenas enriquece o intercâmbio cultural, mas também proporciona aos universitários uma vivência prática e cidadã. Eles aplicam seus conhecimentos acadêmicos em contextos reais, enfrentando desafios sociais e aprendendo a trabalhar em equipe, com empatia e responsabilidade social. Trata-se de uma formação humana que nenhuma sala de aula isoladamente é capaz de oferecer.

O impacto do Projeto Rondon vai além da ação pontual. Em Paracatu, por exemplo, o projeto firmou parceria com o Ministério Público de Minas Gerais e com a prefeitura local para implantar o Programa Lixo e Cidadania. A iniciativa tem como foco a inclusão socioeconômica de catadores de recicláveis e o fortalecimento da educação ambiental, mostrando como o Rondon pode se adaptar às demandas específicas de cada município e promover mudanças estruturais de longo prazo.

 

A atuação do Projeto Rondon em Minas Gerais é um exemplo vivo de como a articulação entre universidades, governos e comunidades pode produzir resultados concretos, duradouros e socialmente relevantes. Ao mesmo tempo que transforma comunidades, o projeto também molda uma nova geração de profissionais conscientes, preparados para pensar o país de forma crítica, humana e coletiva.

Diante de seu alcance e de seu potencial de transformação, a continuidade e expansão do Projeto Rondon devem ser encaradas como prioridade para o fortalecimento da cidadania e da justiça social em Minas Gerais e em todo o Brasil.

A estudante de medicina Maria Clara Monteavaro, também conta um pouco da sua experiência no projeto:

“O que mais me marcou durante o projeto foi uma ação que fizemos com as grávidas da cidade, falando sobre doenças durante a gravidez e cuidados com o recém-nascido. Aquela ação me fez perceber como a informação é fundamental e pode mudar completamente o rumo de uma família. Ensinamos técnicas de amamentação e a técnica de desengasgo, que salva a vida de tantos recém nascidos, mas é pouco ensinada à família. Me senti lisonjeada de conseguir passar todos os meus conhecimentos, junto com as outras meninas estudantes da área da saúde (Ana Clara e Ingrid) e tornar a maternidade daquelas mães um pouco mais confortável.”.

“Acho que o maior desafio de todos foi fazer a população de Setubinha se abrir para o projeto e as ações que estávamos fazendo lá. No início eles não estavam muito receptivos com pessoas diferentes na cidade, mas depois foram vendo toda nossa movimentação e tudo que estávamos levando para acrescentar à cidade.”, completou a estudante.

Por fim, Maria Clara contou sobre sua experiência e aprendizados durante o tempo que atuou: “O Projeto Rondon me ajudou a enxergar as pessoas não só como pacientes e sim como histórias, contextos, experiências, cada um com sua individualidade. Não é fácil você entrar em uma realidade que não é a sua e ainda mais uma realidade muito longe do que você vive. O projeto me fez perceber o quanto o cuidado com o outro é importante, cada pessoa tem sua importância, todas merecem e devem ser ouvidas e acolhidas. Além disso, essa experiência fez mudar minha percepção sobre o que a Medicina deve contribuir na vida das pessoas e como eu, enquanto profissional da saúde, devo lidar com essas situações que estão totalmente fora da minha realidade, mas que também dizem respeito à minha futura profissão e à saúde pública.”.

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