Os mascotes da Copa do Mundo representam a cultura, a tradição e a fauna do país-sede, conquistando torcedores, divulgando o torneio e marcando a história da competição. Animais, humanos e até frutas já viraram mascotes. Os mascotes marcaram gerações e misturam até hoje esporte e tradição. A divulgação dos mascotes faz parte do marketing da Copa. O comitê organizador de cada edição aproveita o movimento e o rendimento para vender produtos e pelúcias, gerando mais renda e aumentando o comércio local.

A jornalista esportiva Emanuelle Ribeiro, que atua no Globo Esporte, relata que os mascotes da Copa do Mundo representam a forma de manter a tradição do torneio e deixar uma marca registada. “[Como se] a gente lembrar daquela edição da Copa e ligar ela ao mascote, que tem uma referência cultural, ambiental do país. Tipo, a de 2014 no Brasil, né? A gente logo lembra do Tatu Bola [Fuleco]. Acho que cria uma conexão para as crianças, para as famílias, principalmente”.

A primeira mascote surgiu na Copa de 1966, na Inglaterra. Um leão com a camisa da Grã-Bretanha chamado Willie. Em 1970, no México, foi o Juanito, um menino com sombreiro escrito “México 70”.

Em 1974, na Alemanha Ocidental, foi a dupla Tip e Tap, dois meninos, sendo um com o escrito “WM”, que significa Copa do Mundo em alemão, e outro com o número 74, referente ao ano realizado. Os dois representam a união e a amizade em tempos da Alemanha dividida entre Oriental e Ocidental.

Em 1978, mais um garoto é considerado mascote, na copa da Argentina, Gauchito foi a estrela da vez. Ele usava chapéu, um lenço amarrado no pescoço e um chicote na mão. O nome vem da referência aos povos gaúchos.

Em 1982, foi escolhido algo inovador para representar o Mundial de Seleções: uma fruta. Naranjito é uma laranja, típica da Espanha, país-sede daquela Copa. Assim como as anteriores, usa a camisa do país-sede e segura uma bola de futebol. Ganhou uma animação própria, sendo exibida na televisão espanhola.

Em 1986, houve uma mudança em relação ao país-sede. A Copa iria ser realizado na Colômbia, porém, por motivos políticos, o país sul-americano não poderia sediar o evento. Então, a FIFA buscou por um substituto e México foi o escolhido, 16 anos depois da última Copa realizada no país. Para representar a cultura mexicana, foi criado o Pique, uma pimenta com bigodes e sombreiro.


Em 1990, na Copa da Itália, houve uma mudança no traço do mascote, passando de uma caricatura fofa para um design moderno, Ciao, que significava “Oi” e “Tchau” em italiano. Suas figuras eram geométricas com as cores da bandeira e tinha cabeça de bola.
Em 1994, nos Estados Unidos, pela primeira vez, um cachorro foi o escolhido. Striker, que significa “artilheiro”, foi produzido pela Warner Bros., e vestia uma camisa com as cores da bandeira norte-americana escrito “USA 94”.

Em 1998, na França, foi escolhido um galo, símbolo nacional, para ser mascote daquela edição. Footix, juntando Football e Asterix, personagem dos quadrinhos. Tem a cabeça vermelha e o corpo azul com a escrita “FRANCE 98”. 21 anos depois, quando o país sediou a Copa do Mundo Feminina, a pintinha Ettie foi a mascote, filha de Footix.
No século XXI, mascotes 3D
Em 2002, a primeira Copa do século XXI e a primeira com dois países sediando, com Coreia do Sul e Japão, também teve a primeira mascote (ou mascotes) 3D. O trio Spheriks, composto por Ato, Kaz e Nik, de cores amarelo, roxo e azul. Eles praticam o “Atombol”, um esporte semelhante ao futebol.

A repórter Emannuelle Ribeiro relembra que as produções dos mascotes em 3D inovaram a estética da competição, em meio a transformação digital do planeta. “Eu acho que é uma forma de manter essa atualização, acompanhar essa evolução digital e trazer isso também para os mascotes, que é esse símbolo de união, de representação da Copa, de fazer com que a interação com os torcedores também mude de uma coisa mais física, visual, para uma coisa também digital, de ampliar esse universo, de como acessar também o mascote, de globalizar e fortalecer a marca da Copa”.

Em 2006, na Alemanha, o mascote da edição não foi um desenho e sim uma pelúcia; Goleo VI é um leão de dois metros com uma bola falante chamada Pille. O nome é uma junção de Gol e Leo, que é Leão em latim. A empresa que criou o mascote foi a falência às vésperas da Copa e a escolha do animal dividiu opiniões.

Em 2010, aconteceu a primeira Copa do Mundo no continente africano, na África do Sul. Zakumi é um leopardo com as escritas “ZA” que siginifica a abreviação de África do Sul em holandês e “Kumi” é dez em africano. O mascote nasceu em 1994, ano de mudanças para a África do Sul, com o fim do Apartheid e o reestabelecimento da democracia no país.

Em 2014, no Brasil, a organização da Copa escolheu um tatu-bola-da-caatinga, representando uma espécie em extinção da Região Nordeste do país. Seu nome é Fuleco, que foi escolhido pela maioria dos usuários como o nome do mascote que significa Futebol e Ecologia, numa votação pela internet com 1.7 milhão de votos. Apesar da divulgação, o mascote foi criticado em meio aos protestos contra a realização da Copa.

Em 2018, na Rússia, o público escolheu entre três animais para ser o mascote e o escolhido foi o lobo sibério, o animal escolhido foi apresentado num programa de TV russo e foi apelidado de Zabivaka, que vem da denominação em russo como “aquele que sabe fazer gol”.

Em 2022, no Catar, uma figura inusitada como mascote foi revelada para representar o Oriente Médio, que sedia a Copa pela primeira vez. La’eeb é um lenço de cabeça usado pela população do país, o nome significava “jogador super-habilidoso” e tem como referência ao Emir Tamim bin Hamad Al-Thani. Durante sua apresentação no sorteio, em abril de 2022, ele se transporta para o “Mascoteverso”, um metaverso onde vivem mascotes anteriores da Copa do Mundo, entre eles, o Fuleco.
Em 2026, por fim, a Copa é sediada pela primeira vez por três países: Canadá, Estados Unidos e México, todos da América do Norte. Para celebrar esta marca, a organização decidiu criar três mascotes, um de cada país, para simbolizar a união e a diversidade dos países. Representando o México, o animal é a onça-pintada Zayu. Pelos Estados Unidos, Clutch, uma águia e no Canadá, Maple, um alce.




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