A Seleção Brasileira teve, em 2026, sua segunda pior posição da história em copas, repetindo a 11ª colocação de 1966. A pior foi em 1934, quando ficou em 14º lugar. A derrota para a Noruega escancara o problema enfrentado pelo Brasil em Copas do Mundo, além da Copa América e das Eliminatórias.
A preocupação é o ciclo pós-copa da Seleção e o modo como Carlo Ancelloti vai preparar os jogadores e a tática da equipe para os próximos compromissos. O calendário inicial tem amistosos contra Austrália e Índia nas Datas Fifa do segundo semestre de 2026, a fim de testar o time. As competições principais antes de 2030 são as eliminatórias Sul-americanas e a Copa América de 2028.

Histórico da Seleção em Copas do Mundo
A Seleção Brasileira participou de todas as edições de Copas do Mundo da história. Dessas 23 edições, foi campeã em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Já as piores campanhas foram em 1934 (14° lugar), 1966 e 2026 (11° lugar).
Enquanto em 1934 e 1966, nas Copas da Itália e da Inglaterra, respectivamente, a competição contou com 16 seleções, em 2026 foram 48 equipes em três países: Estados Unidos, México e Canadá.

A eliminação em 2026 revela a baixa da seleção brasileira. De acordo com Alexandre Simões, jornalista e coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia, a Lei Pelé, que faz com que os jogadores estejam nas mãos dos agentes e não dos clubes, é responsável pela saída de jovens talentos para o futebol europeu. Para Simões, isso é prejudicial para o desenvolvimento do atleta. O grande número de estrangeiros de qualidade duvidosa nos times diminui as chances de inclusão do jovem jogador na equipe, o que também afeta o planejamento da Seleção.
A CBF aposta na maior aproximação da seleção com o torcedor brasileiro para reconstruir a confiança para 2030. Simões destaca que a aplicação do Fair Play Financeiro, investimento em tecnologias para a arbitragem e projetos de ajuda ao desenvolvimento do futebol e outros centros, pode ser um ponto importante.
Já para o jornalista Cahê Mota, que acompanha e cobre a seleção brasileira, o Brasil precisa utilizar mais os jogadores jovens nos amistosos contra seleções com menor nível técnico, o que determina a renovação contínua do elenco. Cahê também destaca a importância do jornalismo para cobrar o desempenho do grupo brasileiro, respeitando o ciclo e apoiando a equipe na busca pelo hexacampeonato.
O impacto histórico da CBF na seleção
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), desde 1989, enfrenta problemas de gestão. Cinco de seus ex-presidentes foram afastados por corrupção, sendo eles:
- Ricardo Teixeira (1989-2012): Renunciou ao cargo após 23 anos no poder em meio a denúncias e investigações sobre corrupção, propina e lavagem de dinheiro. Foi banido do futebol permanentemente pela FIFA em 2019. A punição ao ex-presidente ocorreu devido ao recebimento de propinas e subornos em contratos de direitos de transmissão e marketing de competições.
- José Maria Marin (2012-2015): Sucessor de Ricardo Teixeira, foi preso em 2015 em Zurique na Suíça, após operação do FBI conhecida como Fifagate. Extraditado para os Estados Unidos, foi condenado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Após a prisão, Marin retornou ao Brasil em 2020 por liberdade antecipada em função da pandemia da Covid-19. Marin morreu aos 93 anos, em decorrência de um AVC, em São Paulo no ano de 2025.
- Marco Polo Del Nero (2015-2017): Após Marin, Nero também acabou acuado por investigações do Fifagate. Foi banido de atividades relacionadas ao futebol pela Fifa por suborno e corrupção. Para não ser preso, o ex-presidente evitou viagens internacionais.
- Rogério Caboclo (2019-2021): Foi afastado da presidência e punido após virem a público três denúncias de assédio moral e sexual feitas por uma funcionária da CBF.
- Ednaldo Rodrigues (2021-2025): Afastado do cargo por decisão judicial decorrente de suspeitas de fraude na sua eleição à presidência da CBF. O caso de Ednaldo ainda está sob investigação.

A sequência de dirigentes envolvidos em escândalos prejudicou um projeto esportivo de longo prazo. Além disso, a alta rotatividade de técnicos e, consequentemente, de jogadores dificulta o trabalho.
Simões analisa que a manutenção de Tite como treinador por duas copas, 2018 e 2022, trouxe resultados abaixo do esperado, ainda que o segundo ciclo tenha sido mais positivo. “A Copa é uma competição de tiro curto e de certa forma o sucesso fica muito relacionado ao sucesso do trabalho da comissão técnica, o que o Brasil não tem conseguido nas últimas Copas”, afirma Alexandre.
Alexandre Simões alerta que o desgaste da Seleção não pode chegar à comissão técnica e à equipe de Carlo Ancelotti:
“A CBF vive uma crise política. O futebol dá muito poder e essa batalha está longe do fim. O passo principal é blindar Ancelotti e sua comissão, para que o trabalho se desenvolva”,
O caminho até 2030 não depende apenas da capacidade técnica de Carlo Ancelotti ou da renovação do elenco. A Seleção Brasileira também precisará superar a instabilidade que marcou a gestão da CBF nas últimas décadas. Com jogadores novos, planejamento de longo prazo e uma estrutura administrativa mais estável, o Brasil terá quatro anos para reconstruir a equipe e recuperar a confiança do torcedor. O desafio vai ser transformar a pressão por resultados imediatos em um projeto capaz de preparar a Seleção para voltar a disputar o protagonismo no futebol mundial.
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