Por Ana Paula Valentim
como em um relacionamento abusivo
eles dizem amar (a pátria), mas a destroem
objetos históricos, identidade nacional são depredados
seus atos ferem a constituição como se virassem uma xícara de café
para que todos os artigos sejam manchados
dizem serem contra o comunismo, mas o capitalismo é que vigora
muitos se mostraram pró-ditadura
nem sequer abriram um livro de história
consideram “manifestação” o desrespeito em decorrência da insatisfação pela derrota eleitoral de um ex-presidente por eles apoiado
será isso um golpe de estado?
o que sei é que as canções de Chico Buarque e Legião Urbana são atemporais
não valem apenas para 1964
aqueles que deveriam manter a segurança do país se mostram coniventes com invasões às instituições dos três poderes
mas são os mesmos que têm sangue frio para atacar mobilizações socias de minorias, como negros e professores
é difícil acordar e andar sobre essa terra injusta
onde o amanhã não simboliza esperança
golpistas contra a ordem e contra o progresso
eles se mostram, se entregam
consideraram-se heróis, nossa, que ego?
uma vergonha
eles nem ao menos sabem o que pregam
longe de ser uma revolução, isso foi um ataque à democracia
alegam agir de tal forma em prol da família, de cada cidadão
tudo se resume a hipocrisia
autodestruição
“supremo é o povo” – ditam
somente se o seu candidato perder a eleição
é nítida a perversidade de tantos ao simplesmente tentarem comparar o episódio a antigas rebeliões esquerdistas
evidentemente vocês não se importam com a nação
somente com o partido que fazem parte e sua posição
lastimável, péssima tarde de domingo
e o pior de tudo
tais ações são declaradas pelo nome de Jesus Cristo
desisto
por eles a realidade não é vista como é, eles a recriam como personagens fictícios
de explicar, eu desisto