O futebol consegue transformar coincidências “bobas” em destino.
Entre Hollywood e a Champions League, algo que pode parecer improvável aconteceu mais uma vez. Considere até mesmo superstição. Quem viveu 2006 sente algo diferente ao ver isso acontecer novamente. Vinte anos após o lançamento de “O Diabo Veste Prada”, chega agora, em 2026, a continuação do filme. Coincidentemente ou não (óbvio que não), o Arsenal esteve na final da Champions League. A última vez que isso aconteceu? Pasmem: em 2006.
Pode parecer uma ligação extremamente incomum – e é -, assim como o futebol também é inconstante e incomum. Mas isso começa a mudar quando se vê a relação de Anne Hathaway com o time, já que a atriz é torcedora declarada do clube inglês. É a segunda vez do clube na final, e o segundo filme também.
No ano de 2006, em abril, o Arsenal chegava pela primeira vez à final da Champions League. Meses depois, Anne apareceu nos cinemas em “O Diabo Veste Prada”, um filme que atraiu milhões de espectadores. Duas décadas depois, os caminhos parecem se cruzar novamente.
Como torcedora nata de futebol, posso dizer: no fundo, o torcedor gosta disso porque o futebol vai muito além dos 90 minutos em campo. Ele também é feito de sinais, coincidências e superstições que parecem pequenas demais para fazer sentido e, justamente por isso, acabam fazendo tanto. Muito se fala de diretoria, mas pouco sobre como o próprio torcedor cria a sua “Anelka’s Feeling”.
Foi assim com Taylor Swift e o Corinthians, quando torcedores perceberam que o clube não perdia partidas nas semanas de lançamento dos álbuns da cantora, considerando os jogos anteriores e posteriores às estreias. A coincidência virou teoria coletiva. Montagens da cantora com a camisa do clube circulavam pela internet em datas próximas aos lançamentos dos álbuns, até abril de 2024, quando o Corinthians perdeu por 2 a 0 para o Juventude, justamente dois dias antes do lançamento de “The Tortured Poets Department”, quebrando a mística construída pela torcida.
Será que esse talvez seja o destino de toda superstição no futebol? Falhar em algum momento? Pode ser. Mas, desta vez, a “coincidência” entre Anne Hathaway e Arsenal manteve um roteiro amargo. Afinal, em 2006, quando o primeiro filme de “O Diabo Veste Prada” chegou aos cinemas, o Arsenal também estava em uma final de Champions – e perdeu. Em 2026, vinte anos depois, com a continuação dos filmes chegando às telas, o clube inglês voltou à decisão. Perdeu novamente.
Sem sombra de dúvidas, o mais importante, afinal, não é “acertar o resultado”. O torcedor não cria essas teorias porque acredita racionalmente nelas. Ele cria porque o futebol, indiretamente – ou não -, humaniza as coincidências. Porque faz o mundo girar em torno de datas, filmes, músicas e artistas dentro do futebol. O que vincula diretamente o esporte e a cultura de uma forma muito mais real do que se imagina. No fim, o que parece destino, olhando mais a fundo, é superstição. Mas acreditar nos sinais também faz parte de torcer.
Inspirado em: A coincidência que une Anne Hathaway e Arsenal finalista da Champions / Metrópoles.
Crônica assinada por Ester Teixeira / Jornalismo campus Lourdes




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