Zuzileison de Oliveira Moreira, filho de Paulo Afonso Moreira e Risoleta de Oliveira Moreira, nascido em Belo Horizonte, no dia 19 de novembro de 1973. Passou parte da infância no conjunto IAPI na Lagoinha, Região Noroeste da capital, e outra parte no Cidade Nova, na Região Nordeste. Entre idas e vindas, com 13 anos se mudou com a família para a Vila Santa Rosa, na Região da Pampulha.

Mais conhecido como Zu Moreira, o apresentador do programa Rolê nas Gerais, da Globo Minas, teve a vivência escolar marcada pela atuação nos grêmios estudantis, diretórios acadêmicos e executivas. Durante o curso técnico de mecânica no Cefet, ajudou a reorganizar o grêmio, demonstrando engajamento político.
A jornada acadêmica teve início em julho de 1994, fazendo o curso de Jornalismo na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (Fafi-BH, atual Uni-BH), onde se formou em 1998. Na faculdade fez parte do Centro Acadêmico de Comunicação. Foi diretor do DCE da Fafi, fez parte da diretoria da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecos), e, pouco tempo depois de se formar, já estava atuando no jornalismo impresso e em assessoria de imprensa.
A paixão pela arte
Zu é um admirador da literatura e da música, diante dessa paixão, no jornal Diário da Tarde, o jornalista criou o projeto Almanaque do Samba, em que trazia os perfis de sambistas mineiros.
“As pessoas não sabiam que em Minas Gerais tinha sambista, tinha compositor, tinha movimentos de samba. Então eu passo a falar desse movimento no jornal; disso, vejo que tem uma demanda que tem assim um trabalho a ser feito nessa linha, de resgate.” Além do projeto musical, Zu escreveu o livro Uma praça, uma saudade – resgate histórico e sentimental.

“Paralelamente a isso, eu tinha banda de música, tocava. Eu participava de festivais, sempre gostei de música, sempre gostei de cantar. Então, isso também sempre abarcou a minha trajetória”, conta Zu Moreira.
Experiências diversificadas
Zu trabalhou por seis meses em Divinópolis na assessoria de imprensa de um candidato a deputado estadual. “Volto para a capital de Minas Gerais e começo a trabalhar em jornais do Centro de Belo Horizonte, que se chamava Hipercentro, de um empreendedor que era o Júlio Gomes. Um dos primeiros empreendedores negros que a gente tem aqui em Belo Horizonte com uma história incrível”, relembra Zu Moreira.
Em 2011 deixou o jornalismo impresso e voltou à assessoria de imprensa. Em 2014 virou coordenador de uma assessoria de comunicação em uma Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Estado de Minas, onde permaneceu até o início de 2019.
Rolê nas Gerais
Conhecido pela trajetória e pelos projetos de samba, Zu passou a comentar sobre o movimento musical na TV Globo, e, após surgir uma vaga no programa Rolê nas Gerais, foi convidado a apresentar o programa ao lado de Renata do Carmo.
Zu conta que, por vir do jornalismo impresso e ter tido pouca experiência com audiovisual, sentiu-se desafiado ao entrar na maior emissora de televisão da América Latina. “Só que o Rolê te permite esses desafios, porque ele é isso. O Rolê me permite ser quem eu sou.”

O Rolê nas Gerais é um programa que destaca a história e amplia a voz das pessoas que moram nas periferias e nos aglomerados da região metropolitana de Belo Horizonte. Zu trata o programa como uma missão, por ir além do jornalismo tradicional, tornando-se inovador ao permitir que os personagens narrem as próprias histórias. Para exemplificar, o jornalista conta sobre uma produção gravada em outubro deste ano para o Rolê nas Gerais.
”Dona Gilda é uma senhora artesã, que mora em frente ao Córrego do Capão, em Venda Nova. Em frente à sua casa, que era um ponto de tráfico de drogas, resolve fazer um jardim, chamando-o de Jardim Esperança. Então nós vamos até lá e contamos a história da Dona Gilda. Isso é maravilhoso, é um trabalho que inspira as pessoas no entorno da comunidade. Ela tem um trabalho que nem ela mesmo imaginava. Ela não imaginava que teria essa importância.”
Por um jornalismo inclusivo
O jornalista lembra que enfrentou diversas barreiras na profissão e, mesmo diante das dificuldades, continuou lutando pelas causas em que acreditava. Uma delas foi durante a faculdade, quando protestou contra a legislação que impedia a contratação de estudantes de Jornalismo para estágios, e outra foi na mobilização a favor da democratização do acesso à comunicação.
“Na minha época, de cinco a sete famílias controlavam todo o sistema de comunicação no Brasil. Então, nós, enquanto estudantes, lutávamos pela democratização do acesso à comunicação. E, como na época ainda não existiam as redes sociais, um dos caminhos era a rádio comunitária ou a rádio universitária.”
Além da dificuldade de acesso ao estágio no jornalismo, Zu relata que também não havia tantas referências negras na TV aberta, estando grande parte no jornalismo impresso, como o repórter Antônio Melane, do Estado de Minas, e o radialista Acir Antão.
“A minha geração [de jornalistas negros] nunca sonhou em estar na televisão. Ethel Corrêa, por exemplo, é uma guerreira. É uma guerreira, porque a televisão não era para a Ethel, não era para o Zu, não era para a Edilene Lopes, não era para a Aline Aguiar e nem para a Fabiana Almeida.”
Zu não esconde que passou por situações de racismo velado, como abordagens policiais, olhares, questionamentos e julgamentos. “As pessoas não estão preparadas ali para esse tipo de situação: um repórter negro, entrevistando o presidente da Fiemg, da Fiat, da Visa, da Mannesmann, da Vale.”
O jornalista também destaca como a profissão proporcionou feitos, realizações e reconhecimento. A primeira viagem para o exterior foi proporcionada pela profissão, assim como o acesso a lugares e pessoas que ele imaginava ser impossível. Hoje Zu celebra o reconhecimento como comunicador, que é sentido pelo carinho de conhecidos e desconhecidos, de diversas classes sociais e regiões de Belo Horizonte.
Zu considera que projetos como Rolê nas Gerais são necessários para a visibilidade de pessoas comuns, que moram nos bairros e para além da capital, garantindo projeção ao trabalho e aos projetos sociais realizados nas comunidades. Revela a vontade incansável de um povo que deseja mudar a realidade de lugares que quase sempre são mostrados por causa da violência e do crime.
“A mídia vai contribuir para essa tomada de consciência a partir do momento que ela produzir mais [desse modo]. E eu acho que ela vem produzindo mais. A gente mesmo lá na Globo, a gente tem produzido muitos conteúdos que vão nessa direção. Trazer essas histórias, essas realidades das periferias, sendo um ponto de vista que não seja um ponto de vista da violência e da carência.”
Conselhos
Para os novos jornalistas, Zu Moreira destaca que, diante do jornalismo atual, mais dinâmico, multifacetado e exigente, é necessário ter conhecimento de todos os processos, da edição à apresentação e escrita. Segundo ele, é exigido do profissional conhecimentos diversificados para além da técnica.
“Tentem não ficar numa coisa só, porque vai ter uma hora que eles vão te pedir mais. Então, acho que isso também é uma dica interessante. Hoje, quanto mais você consegue dominar sobre vários assuntos, maior a resiliência no mercado.”
Zu acredita que o jornalismo deve ser vivido e praticado desde a faculdade. Seja fazendo estágios, realizando leituras e adquirindo aprendizados, para além da área que o estudante gosta ou queira trabalhar. O importante é conhecer e aprender sobre a comunicação e seu grande leque de possibilidades.
Vocês estão mais preparados para criarem seus próprios produtos e conteúdos
Zu Moreira, apresentador do Rolê nas Gerais
“Hoje, eu acho que vocês estão mais preparados para criarem seus próprios produtos e conteúdos, vocês tem espaço para fazer isso com um investimento muito menor do que na minha época. Hoje a gente tem acesso, hoje com um celular você faz um jornal.”
Conteúdo produzido por Ana Maria Campolina, Enzo Samuel Aguiar da Cunha, Irvin Jardim Marques da Silva, Isabella de Freitas Sena Mançur e Pedro Henrique da Silva Pinto na disciplina Apuração, Redação e Entrevista, sob a supervisão da professora e jornalista Fernanda Sanglard.
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Que história linda do Zu moreira e conselho maravilhoso para os estudantes de jornalismo.