Em Aguada Nova, município a 297 km de Belo Horizonte, 20 famílias passarão a ter acesso a um bem banalizado por muitos: a água tratada. A mudança faz parte do programa Universaliza Minas, que já alcança oito municípios do Vale do Jequitinhonha, com 2.898 novas ligações e R$13,9 milhões investidos. Segundo o coordenador do programa, João Paulo Rigotto, milhares de moradores da região passarão a contar com um serviço essencial que antes parecia distante. Até então, os moradores dependiam de poços rasos, cacimbas e soluções improvisadas, muitas vezes sujeitas à contaminação.
O investimento, segundo João Paulo Rigotto, já alcança todo o Vale do Jequitinhonha: são oito municípios, 15 localidades e 23 sistemas incluídos. A estimativa é de que muitas famílias passem a ter acesso a serviços essenciais que antes estavam fora de alcance. Segundo a companhia, o saneamento básico reduz casos de diarreia e parasitoses, alivia o orçamento das famílias que antes arcavam com tratamentos de saúde e desafoga o sistema público “impulsiona a agricultura familiar” e movimenta a economia local
Outras localidades beneficiadas
Em Araçuaí, Aguada Nova é a primeira comunidade escolhida pelo projeto, mas outras poderão ser incluídas em fases futuras, conforme critérios técnicos. Além dela, os municípios de Medina, Jequitinhonha, Berilo e Francisco Badaró também estão na lista de beneficiados.
Rigotto reconhece, porém, que os desafios para ampliar o acesso ao projeto ainda são grandes: “A dispersão geográfica, a baixa densidade populacional e a escassez hídrica típica do semiárido tornam cada ligação mais cara e complexa”. O uso de mananciais subterrâneos exige tratamento específico para garantir a qualidade da água. “Projetar e operar sistemas em um território tão desafiador demanda soluções técnicas criativas e sustentáveis”, informou o coordenador do Programa Universaliza Minas.
No entanto, para superar essas barreiras, a comunidade local tem sido chamada para participar de reuniões e visitas técnicas desde o início do processo. Também estão previstas campanhas de adesão e educação sanitária, considerado um facilitador para que as famílias compreendam os benefícios e façam as ligações domiciliares.
Saúde, qualidade de vida e desenvolvimento
Para a Copasa, o impacto do saneamento é direto na vida das famílias. “O saneamento básico é um divisor de águas para a saúde pública. A redução de doenças de veiculação hídrica, como diarreia e parasitoses, é imediata, liberando recursos das famílias e do sistema de saúde. Além disso, o acesso seguro à água fortalece a agricultura familiar, fomenta o comércio local e abre novas perspectivas de desenvolvimento para o Vale do Jequitinhonha, tradicionalmente uma das regiões mais carentes de Minas Gerais”.
Com quase 3 mil ligações em andamento no Vale do Jequitinhonha, a Copasa avalia que o Universaliza Minas pode servir de modelo replicável para outras regiões de Minas Gerais. “Essa estratégia integrada demonstra que é possível universalizar o saneamento em áreas historicamente marginalizadas, oferecendo um caminho de transformação social e ambiental.”

Rigotto destacou que a maioria das localidades rurais do Vale do Jequitinhonha está sob o escopo da Serviços de Saneamento Integrado do Norte e Nordeste de Minas Gerais S/A (Copanor), subsidiária da COPASA dedicada exclusivamente ao atendimento rural nas regiões do Jequitinhonha e do Mucuri. O Universaliza Minas surge como uma ação paralela e complementar da Copasa, voltada para atender as áreas onde a Copanor não atua.
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