Nascida na capital mineira, a jornalista, repórter e apresentadora Luciana Vianna, 40 anos, demonstrava interesse na área da comunicação ainda quando criança. Assistia aos telejornais e, em toda oportunidade que tinha, escutava noticiário de rádio no carro do pai. Entretanto, o caminho que a família de Vianna imaginava era outro. “Cresci ouvindo os familiares dizendo que eu seria a dentista da família, que eu cuidaria da saúde bucal dos familiares. Então havia aquela expectativa.”
Seguindo essa expectativa, aos 18 anos iniciou Odontologia na UFMG. Porém, mesmo concluindo o curso e mantendo grande admiração pelo ofício, a paixão pelo jornalismo falava mais alto. Motivada pela curiosidade e interessada em contar histórias, encontrou na comunicação o caminho ideal para produzir conteúdo jornalístico multifacetado.
Iniciou a graduação em jornalismo aos 25 anos, no Centro Universitário Newton Paiva, iniciando a carreira profissional ainda na faculdade, como estagiária na Rede Bandeirantes, onde trabalha atualmente como repórter e apresentadora. Vianna aprendeu a conjugar velocidade com rigor.
Para ela, “a comunicação pública exige cuidado, precisão, consciência do impacto que uma informação pode ter”, uma lição que, segundo a jornalista, demandou mudança de postura quanto à checagem, ao recorte dos fatos e ao respeito às fontes.
A apresentadora da Band afirmou que empatia, paciência para ouvir o próximo e disciplina com a conduta jornalística são pontos chave para impactar a vida das pessoas. “Ouvindo histórias, nós também transformamos a nossa história. Nós sempre nos inspiramos em bons exemplos, em dicas. Então, sempre queremos melhorar, e ouvindo essas histórias, com certeza as pessoas poderiam tirar ali algo de bom para a vida delas.” disse Vianna.
O poder da cultura
Como produtora de conteúdo cultural e autora da coluna “Artes e Espetáculos” na Rádio BandNews FM, Vianna vê a cobertura das artes não como entretenimento periférico, mas como possibilidade de análise social. Diz que a cultura é uma forte ferramenta de afirmação identitária e de manifesto, e se sente privilegiada por poder ajudar a dar visibilidade aos artistas.
Dentre as artes, Vianna tem predileção pelo cinema e relaciona as produções cinematográficas com o jornalismo. Ela vê na sétima arte uma escola de linguagem e de crítica.
Obras independentes e documentários são fontes constantes de pauta, porque, segundo ela, “contam realidades que não entram nos telejornais tradicionais”. Por isso, a curadoria de Vianna prioriza produções que desafiam olhares estereotipados e inauguram novos modos de ver e ouvir a cidade.
Ao aproximar cinema e jornalismo, ela busca não só informar, mas formar público, estimular curiosidade, empatia e participação cultural. Para Vianna, a arte é mais que um refúgio, uma lente do mundo que a ensina a desacelerar em meio ao caos de acompanhar de perto crimes e bastidores do poder.

Vianna destaca também a passagem que teve pela Rede Minas, onde apresentava o programa cultural Agenda. Segundo ela, foi uma experiência edificante na carreira. “Eu acredito que a cultura é uma das expressões mais poderosas de identidade, e de resistência também. Eu me sinto lisonjeada. Para mim é um privilégio poder amplificar a voz de artistas, de produtores, de criadores, que transformam o nosso dia a dia, o nosso cotidiano.”
O jornalismo entre a lei e a política
Ainda no início de carreira, após período trabalhando em veículos tradicionais de comunicação, Vianna se viu diante da possibilidade de se tornar assessora de comunicação na OAB de Minas Gerais.
Apesar de ter se revelado uma tarefa desafiadora, a jornalista decidiu abraçar a oportunidade, motivada por compreender a comunicação sob uma perspectiva institucional. “No espaço jurídico, nós, jornalistas, temos o desafio de decodificar essa linguagem técnica, torná-la mais compreensível para todos os públicos.” Vianna acredita que essa experiência trouxe disciplina, clareza e, especialmente, responsabilidade com a informação.
Além disso, destaca que se aproximou de debates importantes para a sociedade, tais como: cidadania, ética e justiça. Além de atuar na OAB MG, Vianna também atuou no ambiente da política institucional. Enquanto fazia pós-graduação em ciência política, ingressou como assessora de omunicação de Minas Gerais.
De acordo com ela, essa experiência possibilitou visão estratégica na relação entre imprensa e instituições. Aprendeu que na comunicação pública, a precisão dos fatos, o cuidado com as informações e a consciência do impacto é importante,
destacando o papel social do jornalista como tradutor da linguagem técnica dos assuntos judiciários e políticos para um dialeto acessível, possibilitando a compreensão e participação popular.
A batalha contínua da voz feminina
“Nós mulheres estamos ocupando o microfone com competência, com carisma, com profundidade e com responsabilidade”, defende a apresentadora, destacando a importância da presença feminina nos meios de comunicação.
Inspiração para jornalistas que desejam conquistar um espaço nas redações de rádio ou TV, a carreira de Vianna é marcada pelo esforço e também por conquistas. Apesar da crescente participação da mulher no ambiente comunicacional, a apresentadora não deixa de destacar que ainda existem barreiras sexistas fundamentadas em lógicas patriarcais que desfavorecem mulheres capacitadas para as funções.
Ela também destaca como o ambiente digital pode ser perverso para as mulheres. Se por um lado as redes sociais criaram ambiente de visibilidade, possibilitaram mais acesso à informação e que as mulheres tivessem visibilidade, ela acredita que isso também trouxe novos desafios, como o assédio digital. Isso serve de lembrete para o muito que ainda precisa ser feito contra os preconceitos de gênero.

/ Foto: Reprodução
A voz que acolhe
Na visão da jornalista, o rádio possui uma qualidade intangível, que nenhum avanço tecnológico é capaz de replicar: a conexão emocional estabelecida pela voz humana. Vianna defende que, independentemente da plataforma, seja a rádio tradicional, um podcast ou alguma transmissão por streaming, a essência do meio permanece inalterada e insubstituível.
É a voz por trás do microfone que informa, que acompanha o ouvinte no dia a dia e, acima de tudo, que acolhe. Para Vianna, isso representa a resistência e relevância das mídias sonoras. “O rádio tem algo que, olha, nenhuma tecnologia substitui não, viu? Essa conexão emocional pela voz”.

Vianna não enxerga uma ameaça nos novos formatos midiáticos e compreende que o presente e o futuro do rádio estão na integração com as novas plataformas, utilizando delas para expandir o alcance e dialogar com novas gerações.
Segundo ela, o grande desafio é realizar essa expansão sem perder a “alma do bate-papo”, aquele tom de conversa próxima que caracteriza a experiência radiofônica. Apesar de citar o surgimento de ferramentas como a inteligência artificial, ela reforça que a autenticidade da emoção humana na comunicação é inigualável, mantendo o rádio como um meio vital e profundamente pessoal em um cenário midiático em constante mutação.
Conselhos aos futuros jornalistas
Vianna pontua que o jornalista deve ser dotado do combustível presente em todo ouvinte de histórias: a curiosidade genuína. “Concluiu ali aquele fato, aquela apuração, aquela notícia foi ao ar, você tem que acompanhar se há novidades em relação a ela, (produzir) as suítes, e, enquanto isso, outros novos fatos surgem.”
A ética é apontada por ela como um “norte” que todo jornalista deve seguir. E, para além disso, consciente do nível de exigência imposta pelo ofício, defende o valor do autocuidado, de olhar para si, de preservar a saúde física e mental. “É preciso, realmente, que não nos esqueçamos que por trás de toda notícia, de toda manchete, há uma pessoa como todas as outras.”
Conteúdo produzido por Brunno Gotelip, Diogo Barbosa, Felipe Miranda, Henrique Aguiar e Renan Ribeiro na disciplina Apuração, Redação e Entrevista, sob a supervisão da professora e jornalista Fernanda Sanglard. A monitora Izabella Gomes colaborou com a edição digital.
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É inspirador ver jovens jornalistas comprometidos com ética, com profundidade e com o real sentido da nossa profissão que é ouvir histórias para transformar positivamente outras histórias do vida
Agradeço profundamente aos estudantes Brunno Gotelip, Diogo Barbosa, Felipe Miranda, Henrique Aguiar e Renan Ribeiro, responsáveis pela produção dessa matéria, além da professora e jornalista Fernanda Sanglard, e da monitora Izabella Gomes.
Obrigada, de coração, pela escuta e por registrarem um pouco da minha caminhada e compartilharem essa história.
Sigam curiosos, sigam críticos, sigam inquietos e sigam acreditando na força da comunicação.
Bençãos e luz!
Com carinho,
Luciana Vianna
Estou à disposição para seguirmos juntos nesta jornada que transforma, inspira e fortalece o nosso jornalismo.