O cenário do empreendedorismo no Brasil vem passando por transformações significativas, especialmente com o protagonismo crescente da juventude. Dados divulgados pelo Sebrae mostram que os empreendedores entre 18 e 29 anos somam mais de 4 milhões no país, representando um aumento de 23% na última década.
Impulsionados por sonhos, inovação e, muitas vezes, pela ausência de oportunidades no mercado formal, esses jovens têm apostado em pequenos negócios para garantir renda e independência. Apesar dos desafios como informalidade, falta de incentivo e instabilidade financeira, muitos jovens encontram maneiras criativas de crescer e se manter no mercado.

É nesse contexto que surgem histórias como a de Vitor Lúcio, mais conhecido nas mídias sociais como “WELUCIO”. Aos 27 anos, o jovem encontrou no universo da beleza feminina não apenas uma profissão, mas também uma missão: promover autoestima e empoderamento.
Crescido entre escovas e espelhos, inspirado pela mãe e pela avó, ambas cabeleireiras, Vitor transformou o ambiente familiar em motivação para construir uma carreira sólida. “Da minha família não tive muitos apoios, sabe? Isso me deixou muito chateado, até me deu um bloqueio assim de criação no início, mas Deus é muito bom me mostrando quem é quem e eu fui vivendo e deixando a autenticidade ganhar”, compartilha.
Ele também relembra os obstáculos que enfrentou por seguir uma área muitas vezes considerada “feminina”: “Quando era criança, adolescente, eu vi que iria ser um tabu pra mim, ser uma barreira. Mas fui tentando fazer com que esse preconceito de alguma forma não fosse me atrapalhar a começar, sabe? Foi difícil, não foi fácil”.
Histórias como a de Vitor mostram como o empreendedorismo jovem no Brasil não é apenas sobre inovação, mas também sobre resistência. Resistir aos estigmas, à falta de apoio e aos próprios medos. E se no universo da beleza ele encontrou seu lugar, no da moda outra jovem também trilha seu caminho: Beatriz Issa, fundadora da marca de roupas Citrus.

Aos 22 anos, Beatriz começou cedo a cultivar o desejo de empreender. Criativa desde a infância, usava pulseiras e croquis para expressar sua visão de moda. A Citrus nasceu oficialmente em 2022, mas a ideia já habitava seu imaginário desde a adolescência. Mesmo com pouco apoio no início, ela reformulou o conceito da marca várias vezes até encontrar o tom certo. Enfrentou o desafio de se impor como jovem mulher à frente de um negócio, sendo subestimada em reuniões e precisando adaptar sua postura para ganhar autoridade.
Hoje, a marca é reconhecida nas redes sociais por sua estética e proximidade com o público. Beatriz é o rosto da Citrus e compartilha sua rotina empreendedora como forma de criar identificação. “As pessoas não compram só roupa. Compram o que a marca representa”, afirma. Com essa visão, ela construiu um negócio que vai além do produto: oferece estilo, afeto e pertencimento.
O crescimento do empreendedorismo entre os jovens brasileiros mostra que muitos têm buscado criar seus próprios caminhos com coragem e propósito. Para que esse movimento se fortaleça, é essencial que a sociedade reconheça essas iniciativas e amplie o acesso a oportunidades. Assim, o empreendedorismo pode deixar de ser apenas uma resposta à crise e se tornar uma via real de transformação social e econômica.
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Reportagem desenvolvida por Letícia Souza, Marina Morena e Thiago Brene, supervisionada pelas professoras Adriana Ferreira, Dulce Albarez e Verônica Soares da Costa.




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