O número de candidaturas caiu no ano de 2026, segundo dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em comparação com o último pleito federal, o registro é de quase 8.500 candidatos a menos, totalizando mais de 20 mil pessoas disputando algum cargo este ano. O número também representa uma queda na representatividade de candidatos. Entre negros, mulheres, quilombolas, indígenas, LGBTQIAPN+ e pessoas com algum tipo de deficiência, apenas o último grupo apresentou aumento. Já os dados sobre orientação sexual e quilombolas não eram coletados e divulgados em 2022, o que impede a comparação.
Neste ano, das 20.987 candidaturas, a ampla maioria é composta por homens (65%). As mulheres compõem apenas um terço (35%), com 7.366 candidaturas oficializadas. A estatística se difere pouco da divulgada em 2022, quando representou 34% das 29.262 candidaturas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Porque mulheres são minoria na política?
Para a doutoranda em Ciência Política Diana de Azeredo, a comparação do número de mulheres candidatas não se altera muito no decorrer dos anos e já pode ser vista como uma sub-representação na largada.
A pesquisadora explica que, em razão da divisão sexual do trabalho, as mulheres são culturalmente socializadas para assumir, desde cedo, responsabilidades domésticas e de cuidado. São elas que, com frequência, ficam encarregadas da limpeza da casa, dos cuidados com as crianças e outros familiares. Essa realidade contribui para limitar as oportunidades de inserção e visibilidade em outros espaços, inclusive na política.
Mesmo quando ingressam no mercado de trabalho, muitas mulheres ocupam funções que oferecem menor reconhecimento e retorno financeiro do que aquelas tradicionalmente ocupadas por homens, que já são, desde cedo, encorajados a ocuparem à a esfera pública.
Para Azeredo, por mais que os números mostrem uma pequena evolução, ainda falta incentivo para as mulheres entrarem e permanecerem na vida política. Essa dificuldade se reflete diante do funcionamento dos próprios partidos. Antes mesmo de uma campanha começar, homens e mulheres não partem da mesma linha de largada. Enquanto candidatos podem ser incentivados a ocupar cargos de confiança e funções que dão maior exposição pública, as mulheres ainda são menos favorecidas nessas oportunidades.
Cotas para mulheres
Para tentar mitigar essa diferença no âmbito político, em 2009, a legislação eleitoral estabeleceu, por meio da Lei 12.034, regras que obrigam os partidos a reservarem, pelo menos, 30% das candidaturas para mulheres. Em 2018, 30% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) também passa a ser, obrigatoriamente, destinado para as candidaturas femininas.
Em 2020, primeira eleição com a regra do Fundo Partidário sendo aplicada, o número de mulheres candidatas aumentou 2% em comparação com a eleição municipal anterior. Para Diana, a destinação de parte desse fundo funcionou como um incentivo, mas que não perdurou diante da gestão dos partidos, já que em 2024 o número de mulheres concorrendo voltou ao mesmo patamar de 2016. No cenário federal o panorama não se altera muito do municipal. Na comparação de 2022 com 2026, o número de mulheres na disputa caiu nos principais cargos para deputado ou cabeça de chave nos governos federal e estadual. A vaga para o senado foi a única que apresentou um aumento, com 12 mulheres a mais.
Na análise da pesquisadora, a autonomia dos partidos em definir como os valores serão repassados e a falta de fiscalização na aplicação dessas leis leva os partidos a encontrarem brechas. “A gente vê casos de mulheres sendo colocadas como candidatas à vice para compor uma chapa, onde a liderança vai ser ocupada por um homem. A vice vai ser ocupada por uma mulher que por sua vez pode captar os recursos, esses 30%, e acabar financiando, indiretamente, campanhas de homens”. Dessa forma, a candidatura feminina cumpre a função estabelecida pela legislação, sem, necessariamente, representar uma candidatura feminina competitiva para o cargo principal.
Em 2026, segundo dados do TSE, foram oficializadas 34 candidaturas femininas para governador, enquanto para o cargo de vice-governador é mais que o dobro (85). Em Minas Gerais, Indira Xavier (UP) é a única mulher concorrendo para o governo entre 11 candidatos. Nas últimas eleições estaduais ela também concorria, mas dividia a disputa com outras quatro mulheres. Já na posição de vice, mulheres têm ganhado destaque no estado. Após a oficialização de sua candidatura em agosto, Gabriel Azevedo (MDB) prometeu, ainda sem citar nomes, que sua vice seria uma mulher. Dias depois a vereadora de Montes Claros, no norte de Minas, Maria Helena de Quadros Lopes foi confirmada na chapa do MDB. Além dela, ocupam o cargo de vice Ellen Miziara na chapa do PL com Flávio Roscoe e a professora Diana de Cássia do PSTU, junto com Rafael Duda. Diana de Azevedo explica que a escolha feminina para a chapa se tornou estratégica diante da mobilização popular por mais representatividade. Segundo ela, essa cobrança passou a constranger os líderes partidários diante de uma estrutura política ainda marcada pelo pensamento patriarcal.
Hoje em dia eles já têm mais medo. Eles já se sentem mais constrangidos de colocar uma chapa só com homens
Diana de Azeredo, pesquisadora sobre mulheres em parlamentos
Indo de encontro a análise da pesquisadora, na chapa para a presidência, os principais candidatos apontados nas pesquisas correm ao lado de homens.
Importância da representatividade
Diana de Azeredo cita a escritora Iris Marion Young para explicar a necessidade da diversidade de representações em locais de poder. “Ela disse: ‘Para qualidade das decisões que são tomadas, nós precisamos ter diferentes diferentes pessoas pensando, diferentes perspectivas.”
A pesquisadora explica que quando essas pessoas trazem experiências compartilhadas para um espaço de decisão, a tendência é que a qualidade das decisões tomadas naqueles espaços seja melhor e mais inclusiva, aprimorando o teor das decisões políticas e legislativas.
Na obra “Representação política, identidade e minorias”, Young examina os dilemas da inclusão democrática nas sociedades de massa contemporâneas e argumenta que a diversidade nos locais de poder é um pré-requisito fundamental para a qualidade das decisões públicas.
No Brasil, as mulheres correspondem a 51,5% da população. São 6 milhões de mulheres a mais do que homens, de acordo com o Censo de 2022. Ainda assim, essa maioria não se equivale ao percentual ocupado por mulheres nos cargos de decisão. Apesar de 52% do eleitorado brasileiro ser feminino, segundo a União Interparlamentar (UPI), organização global dos parlamentos nacionais, que reúne dados acerca dos parlamentos de diversos países, as mulheres compõem apenas 17,15% do Congresso Nacional. Para Diana, a discrepância nos números torna impossível considerar uma representatividade política real. “É natural a gente pensar que mulheres pensando sobre essa lei, mulheres ajudando a propor essa lei ou ajudando a aprimorar essa lei, é melhor do que apenas homens pensando nessa lei”.
Quando esses grupos ganham voz e assento nos espaços de deliberação, o resultado prático tende a ser o aprimoramento das decisões tomadas. O texto de Iris Marion Young aponta que, na ausência dessa diversidade, as instâncias de poder tendem a ser dominadas por grupos hegemônicos, que têm pontos de vista que mascaram parcialidades sob um falso rótulo de neutralidade universal.


Mulheres avançam, mas ainda são minoria na ALMG
Em Minas Gerais, o resultado das eleições de 2022 produziu um marco: 15 mulheres foram eleitas para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), formando a maior bancada feminina da história do Parlamento estadual, configurando Minas Gerais como o segundo maior estado com mais mulheres eleitas deputadas estaduais naquele pleito, atrás apenas de São Paulo, segundo dados do TSE Mulheres. Apesar de histórico, o número não chega a alcançar 20% das cadeiras no parlamento.

A participação feminina ainda está distante da paridade. Desde 1963, quando as primeiras deputadas assumiram o cargo, apenas 47 mulheres passaram pela Assembleia de Minas, que contabiliza 645 parlamentares ao longo da sua história. A presença feminina, no entanto, triplicou desde 2014, quando cinco mulheres ocupavam as cadeiras, correspondendo a 6,5% do total. Entre as 15 deputadas eleitas em 2022, apenas quatro são mulheres negras. No cenário nacional, as mulheres negras correspondiam a apenas 7% dos deputados estaduais e distritais eleitos em 2022.
Neste pleito, 645 mulheres concorrem a um cargo por Minas Gerais. Do total, 97% das candidaturas estão concentradas na ALMG (363) ou na Câmara dos Deputados (263). O MDB lidera o ranking de mulheres concorrendo, com 47 candidatas. A ampla maioria concorre a deputado estadual (24) e federal (20). Em seguida aparece o Podemos, com uma candidata a menos que o MDB. No partido, todas as mulheres disputam cargos para deputado estadual (28) ou federal (18). Para compor o TOP 3, 42 mulheres concorrem pelo PL, maioria também a deputado estadual (23) ou federal (18). Não há um número relevante de mulheres concorrendo a cargos de liderança. O número de candidaturas femininas dentro desses partidos representa menos da metade do total de candidaturas.
A proporção de candidaturas femininas entre as siglas concorrendo é de 30% a 40%. Apenas o Cidadania possui 50% de mulheres na disputa. Apesar do número parecer expressivo, a quantidade não significa efetivamente uma representação feminina forte, já que o partido têm apenas 6 candidatos na base, registrando um grande avanço no Legislativo estadual. Das deputadas eleitas em 2022, seis foram reeleitas e nove chegaram à Assembleia para o primeiro mandato.
Representatividade por raça nas Urnas
A proporção de candidaturas femininas entre as siglas concorrendo é de 30% a 40%. Apenas o Cidadania possui 50% de mulheres na disputa. Apesar do número parecer expressivo, a quantidade não significa efetivamente uma representação feminina forte, já que o partido têm apenas 6 candidatos na base, registrando um grande avanço no Legislativo estadual. Das deputadas eleitas em 2022, seis foram reeleitas e nove chegaram à Assembleia para o primeiro mandato.
As regras para a candidatura de pessoas negras se difere das estabelecidas para as mulheres. Enquanto os partidos precisam reservar pelo menos 30% das candidaturas para cada gênero, não existe uma cota que determine um percentual mínimo de candidatos pretos ou pardos. O que existe é uma regra para distribuição dos recursos eleitorais, que deve acompanhar proporcionalmente a presença de candidatos negros nas listas partidárias.
Nessas eleições, há uma polarização dos perfis raciais dentro dos partidos, mas alguns grupos ainda apresentam uma proporção expressiva de filiados bracos. O Partido Liberal (PL) é o que menos possui candidatos negros, com 25.79%. A maioria dos partidos concentra entre 40% a 60% de candidaturas negras. Partidos como Cidadania, Democracia Cristã (DC), e Agir se destacam pela composição de mais de 70% de candidaturas negras. Já a Unidade Popular (UP) é a única sigla que possui mais de 60% de candidatos pretos. Por outro lado, não há uma diversidade de raça no partido, uma vez que não possui candidatos que se declaram pardos, amarelos ou indígenas.
Mulheres negras
Já quando os dados são separados por gênero, o número de mulheres negras cai quase 24%, passando de 472 candidatas para 359 neste pleito. Para o bacharel em Direito, coordenador nacional de Memória e Reparação do Movimento Negro Unificado (MNU) e coordenador estadual do movimento, José Carlos de Souza, a queda no número de candidaturas reflete a falta de incentivo para que mulheres negras ocupem cargos públios.
Diana de Azeredo explica, a partir do trabalho pioneiro da escritora e ativista Lélia González, que a mulher negra brasileira é vista, historicamente, como representantes da beleza e do cuidado, não sendo levadas a sério. “A mulher é colocada como a musa carnavalesca que reina naqueles quatro dias de folia ou então aquela mãe preta que tudo acolhe, que é muito solícita e que não vai oferecer uma certa resistência. Muitas vezes são só esses dois lugares que a mulher negra no Brasil pode ocupar”.
O ativista do MNU ainda expõe que quando cotadas a cargos políticos essas mulheres são chamadas às pressas para “cumprir cotas” sem o preparo necessário para ocupar a função. “Há uma necessidade de trabalhar isso com mais tempo. Os recursos no período de campanha são insuficientes para a gente alcançar o objetivo de ser eleito”. Diana acrescenta que, mesmo quando eleitas, elas sofrem para quebrar estereótipos e conseguir competir no mesmo nível que os homens.
Diante dessa dificuldade em estabelecer uma candidatura forte, o coordenador do MNU reflete sobre a importância da educação racial para que a população pare de tratar o movimento negro como “mimimi” e entenda a história do Brasil e a luta dos abolicionistas pelo fim da escravidão. “As pessoas hoje, pelo fato de não conhecer a história, não conseguem sair dessas amarras e de fato entrar de peito aberto para disputar o nosso espaço na sociedade e, de fato, vivemos uma democracia”. Para José Carlos de Souza, falar da democracia brasileira é falar de uma conquista jovem que ainda há de ser plenamente efetivada. Ele afirma que para a população negra a democracia é falha quando se permite o racismo, seja ele institucional, estrutural, ambiental ou econômico.
Enquanto houver racismo não há democracia
coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU)
Diana de Azeredo concorda. Para ela, a história do país é essencial na análise feita por cientistas políticos. “A análise precisa ser interseccional. Não se pode mais apenas olhar para gênero. A gente precisa olhar para gênero e raça combinados”.
Presença indígena nas candidaturas
As eleições deste ano registraram um marco inédito para a presença dos povos originários na política brasileira: 191 candidaturas autodeclaradas indígenas foram homologadas pelo TSE. O levantamento é da Campanha Indígena, mantida pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). O volume representa um salto de 125% em doze anos, desde que o tribunal eleitoral passou a computar a cor e raça dos candidatos, em 2014, quando apenas 85 indígenas disputavam vagas.
No recorte demográfico, o Censo 2022 do IBGE mapeou 1,7 milhão de indígenas no país, o correspondente a 0,83% da população. No registro eleitoral de 2026, os 191 candidatos equivalem a aproximadamente 0,92% do total geral de postulantes. Embora a proporção inicial nas chapas espelhe o peso populacional, a disputa por cadeiras efetivas continua desigual contra estruturas tradicionais de financiamento.
O foco da mobilização indígena está na Câmara dos Deputados. São 75 candidaturas a deputado federal neste ano, o triplo das 25 registradas em 2014. As assembleias estaduais reúnem 99 nomes, além de três concorrentes a deputado distrital no DF, quatro ao Senado e três a governos estaduais.
São 84 mulheres indígenas disputando o voto (43,8% das candidaturas originárias), acumulando uma expansão de quase 190% frente às mulheres que concorreram em 2014. A representação envolve 64 etnias, espalhadas por 26 estados dos seis biomas do país. Os povos Macuxi (13 candidatos), Guarani Kaiowá (12), Guaraní (8), Munduruku (7), Mura (6) e Terena (6) reúnem as maiores bancadas declaradas. A Amazônia Legal concentra 41,9% de todos os registros.
Pessoas trans e travestis
O TSE divulgou dados sobre a identidade de gênero dos concorrentes, registrando 107 candidaturas transgênero (0,52% do total). Contudo, o monitoramento feito pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) aponta que a presença real é maior. A entidade identificou 116 candidaturas em 23 estados, revelando gargalos nos cadastros oficiais e a falta de uma listagem centralizada de fácil acesso no tribunal.
O número representa um crescimento de 45,6% frente às 79 candidaturas trans identificadas pela ANTRA em 2022 e um salto de 1.540% em relação a 2014, quando apenas sete concorriam.
O perfil mapeado pela ANTRA traz marcas sociais, 89,6% são mulheres trans e travestis, e 69% são pessoas pretas ou pardas. A grande maioria disputa vagas legislativas, 61 para as assembleias estaduais e 52 para a Câmara dos Deputados, onde Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL- MG), eleitas em 2022, buscam novo mandato.
Embora 76,5% das concorrentes estejam em siglas de esquera e centro-esquerda (com destaque para PSOL, PT e PDT), o pleito de 2026 confirma presença de 20 candidaturas trans em legendas de centro e direita. Partidos com PSDB (6), MDB (4), Avante (2), Solidariedade (2), PP (2) PL e União contam com nomes como Léo Kret (União Brasil-BA), Sophia Barclay (PL-SP) e a ex-vereadora de Uberlândia Gilvan Masferrer (PSDB-MG).
Pessoas com deficiência estão nas Urnas?
Com 499 candidatos autodeclarados, as eleições de 2026 registraram o maior índice proporcional de pessoas com deficiência desde 2020. Os candidatos representam 2,4% dos concorrentes registrados pelo tribunal, superando a taxa de 1,6% de 2022 (476 concorrentes) e a média de 1% vista nas eleições municipais de 2024.
Entre os concorrentes que detalharam suas condições em 2026, 204 declararam ter deficiência física, 112 deficiência visual, 56 auditiva e 69 informaram diagnóstico de autismo.
Conforme dados da Pnad Contínua e do Censo do IBGE, 8,9% da população brasileira com dois anos ou mais vive com algum tipo de deficiência, o que equivale a cerca de 18,6 milhões de pessoas. Quase um em cada dez brasileiros têm deficiência, mas a presença nas urnas é de dois a cada cem candidatos.
O que são candidaturas fantasmas?
A baixa presença de grupos minoritários na política também pode ser agravada pela existência de candidaturas fictícias, conhecidas como candidaturas “laranjas”. Nesses casos, o registro eleitoral é realizado sem que haja, necessariamente, uma campanha efetiva. Segundo Diana de Azeredo, uma das formas de utilização dessas candidaturas é o cumprimento formal das exigências eleitorais. “Muitas vezes essas candidaturas são usadas apenas para cumprir a reserva de vagas, mas também podem ser usadas para desvio de repasses”, explica. Nesse caso, os recursos destinados a uma candidatura podem acabar sendo direcionados a outro concorrente, sem que a pessoa registrada desenvolva uma campanha efetiva.
Um levantamento realizado pelo G1, com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral, mostrou que 1.823 candidatos nas eleições municipais de 2024 não receberam nenhum voto. Entre os candidatos com votação zerada, 535 — 29,3% do total — eram mulheres pretas ou pardas. A votação zerada, porém, não é suficiente, por si só, para caracterizar uma candidatura fictícia. O TSE considera um conjunto de fatores para identificar possíveis irregularidades, como votação zerada ou inexpressiva, prestação de contas zerada, padronizada ou sem movimentação financeira relevante e ausência de atos efetivos de campanha. A análise depende, portanto, das circunstâncias de cada candidatura.
A Justiça Eleitoral estabelece mecanismos de fiscalização para acompanhar a utilização dos recursos destinados às candidaturas de grupos específicos. Para Azeredo, um dos obstáculos à fiscalização está no grande volume de informações produzidas durante uma eleição, principalmente nas disputas municipais. “Ainda a gente esbarra muito na investigação desses casos, na identificação desses casos, porque principalmente numa eleição municipal, são muitos dados”, afirma. Segundo a pesquisadora, outro fator que pode dificultar a identificação de irregularidades é o fato de parte das informações eleitorais ser declarada pelos próprios candidatos, o que exige o cruzamento de diferentes bases de dados.
As candidaturas fictícias, portanto, não representam apenas uma irregularidade no processo eleitoral. Elas também podem comprometer a participação de grupos historicamente sub-representados e dificultar a chegada dessas pessoas aos espaços de decisão. Para Azeredo, “a questão das candidaturas fictícias é um grande problema, é um ponto crítico na sub-representação política e na questão da violência política, porque não se trata apenas de uma irregularidade, mas é um mecanismo de exclusão”.




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