{"id":6319,"date":"2021-05-05T17:00:00","date_gmt":"2021-05-05T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=6319"},"modified":"2021-05-05T17:11:10","modified_gmt":"2021-05-05T20:11:10","slug":"caca-as-bruxas-feminismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/","title":{"rendered":"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo"},"content":{"rendered":"\n<p>A fogueira ainda queima. As bruxas ainda s\u00e3o ca\u00e7adas e n\u00e3o t\u00eam caminho de fuga. A queimada \u00e9 inevit\u00e1vel quando se \u00e9 mulher. Seja por usar uma saia curta demais, levantar a voz ou no simples ato de dizer \u201cn\u00e3o\u201d, a mulher vive em perigo constante.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/X942iUooHqxT1OBB0LDJhYDmR9YAc5dv-kq6gqkSBRdGB_5t6-ptZHrJdmbwPC5xzRVOSv7Y9ncPPjsuhsAZM0fhlv4hDpXzG1w2XWwBxJ9ZVfGPc8XoBG8zfAfnElCLk0myatXr\" alt=\"\" width=\"247\" height=\"330\"\/><figcaption>Silvia Federici, autora feminista <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Silvia_Federici\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Silvia_Federici<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O movimento que se iniciou no s\u00e9culo XV, na Europa, com o pretexto de que mulheres \u201cque sabiam demais\u201d estavam envolvidas com magia e, por isso, tornavam-se uma amea\u00e7a para a sociedade ainda vigora, s\u00f3 que em outros moldes.<\/p>\n\n\n\n<p>A ca\u00e7a \u00e0s bruxas n\u00e3o surgiu por acaso e n\u00e3o continuou por menos que isso. Foi e ainda \u00e9 uma mobiliza\u00e7\u00e3o focada em controlar todos os aspectos de ser mulher e as lutas contra a cultura patriarcal.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Silvia Federici, historiadora italiana, pesquisadora feminista e autora de \u201cMulheres e a Ca\u00e7a \u00e0s Bruxas\u201d e \u201cCalib\u00e3 e a Bruxa\u201d, entre outros livros, defende em sua obra que: \u201c\u00c9 necess\u00e1rio entender de onde vem a viol\u00eancia, quais s\u00e3o suas ra\u00edzes e quais s\u00e3o os processos sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos que a sustentam para entender que mudan\u00e7a social \u00e9 necess\u00e1ria.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os prim\u00f3rdios da ca\u00e7a \u00e0s bruxas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Com a onda crescente do antropocentrismo (homem como centro do universo) no s\u00e9culo XV, o teocentrismo (Deus como o centro do universo) foi entrando em decad\u00eancia, o que n\u00e3o agradou os l\u00edderes religiosos que mantinham a Europa sob controle at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse distanciamento entre a religi\u00e3o cat\u00f3lica e os fi\u00e9is tamb\u00e9m significou que a arte, a ci\u00eancia e a filosofia n\u00e3o giravam mais em torno da igreja e dos fundamentos implementados por ela. Com a instabilidade proclamada, a Igreja Cat\u00f3lica deu in\u00edcio ao processo que visava lev\u00e1-la novamente ao topo do poder.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram instaurados ent\u00e3o, os Tribunais de Inquisi\u00e7\u00e3o, formados pelas judicaturas da Igreja Cat\u00f3lica, que perseguiam, julgavam e puniam pessoas acusadas de se desviar das normas de conduta da \u00e9poca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no final do s\u00e9culo XV, os cercamentos come\u00e7aram a surgir na Europa, principalmente na Inglaterra. De acordo com Silvia Federici em seu livro \u201cMulheres e a ca\u00e7a \u00e0s bruxas\u201d, lan\u00e7ado em 2019, esse fen\u00f4meno, juntamente com os processos de Inquisi\u00e7\u00e3o, foram respons\u00e1veis por fazer as primeiras v\u00edtimas do capitalismo: as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cOs cercamentos foram um fen\u00f4meno ingl\u00eas pelo qual a classe propriet\u00e1ria de terras e membros abastados da classe camponesa cercaram terras comuns, colocando fim aos direitos consuetudin\u00e1rios e desalojando a popula\u00e7\u00e3o de agricultores e colonos que delas dependiam para sobreviver. [&#8230;] As mulheres mais velhas foram as mais afetadas por esses acontecimentos, pois a combina\u00e7\u00e3o de alta dos pre\u00e7os e perda de direitos consuetudin\u00e1rios as deixou sem ter de onde tirar o sustento, ainda mais se fossem vi\u00favas ou n\u00e3o tivessem filhos e filhas com capacidade ou disposi\u00e7\u00e3o para ajud\u00e1-las.\u201d (p. 61)<\/p><cite>Trecho retirado do livro &#8220;Mulheres e a ca\u00e7a \u00e0s bruxas&#8221; (2019)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O per\u00edodo da Inquisi\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/gwQtB1ZaZYAXsa1CRbCtdp7wyt69xdQMf3kBf-vEYfdqzWF7AsbRdlFjBFYN9k_L0vvt7DftaSlQu9hIK2alrRYancFM3dYRoSxpF9uvhD11QNI2dLCrF5Ux3ZJ06eW7BZZanC1X\" alt=\"\" width=\"324\" height=\"451\"\/><figcaption>Inquisi\u00e7\u00e3o medieval contra mulheres condenadas de bruxaria (dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/br.pinterest.com\/pin\/392165080046754702\/\">https:\/\/br.pinterest.com\/pin\/392165080046754702\/<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Os Tribunais de Inquisi\u00e7\u00e3o defendiam veementemente que aqueles que n\u00e3o seguissem os dogmas impostos pela Igreja Cat\u00f3lica fossem punidos de forma violenta. O objetivo era tanto fazer exemplo das v\u00edtimas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o que ousasse desrespeitar as normas, quanto \u201cse livrar\u201d das chamadas bruxas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Myriam Bahia Lopes, autora, historiadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Inquisi\u00e7\u00e3o foi um processo que surgiu com os novos moldes do capitalismo, especificamente no per\u00edodo em que havia grande investimento de pa\u00edses como Espanha, Portugal e Inglaterra na expans\u00e3o e influ\u00eancia sobre novos territ\u00f3rio, em fun\u00e7\u00e3o do Imperialismo e Colonialismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA Inquisi\u00e7\u00e3o vai surgir em um momento espec\u00edfico do capitalismo, em que voc\u00ea tem certa coordena\u00e7\u00e3o ali na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica para fazer esse movimento de conquista em n\u00edvel planet\u00e1rio. Vai existir uma mudan\u00e7a de escala de deslocamento muito grande com todo o processo da conquista da Am\u00e9rica e pro Oriente tamb\u00e9m\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A pesquisadora explica, ainda, que isso implicava em toda uma mobiliza\u00e7\u00e3o de poder, assim como uma redefini\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is e reafirma\u00e7\u00e3o de autoridade. \u201cEnt\u00e3o, o \u201cmal\u201d tem origem em uma pessoa que estaria fora desse grupo. A bruxa vai corporificar esse movimento de jogar a viol\u00eancia em mulheres&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os Tribunais de Inquisi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m serviram para punir toda e qualquer pessoa que n\u00e3o seguisse o catolicismo. Outros alvos comuns eram os judeus e os crist\u00e3os-novos, como eram chamados os rec\u00e9m-convertidos ao Catolicismo, acusados de continuarem praticando o Juda\u00edsmo secretamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O papel das mulheres<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/UYSbNabprB6BABk_ARvSzRfPwl5kwBTqSr_P5g3dy8hAnCGnSvb0Y9HbjK5gtqkU5AXhPijhfVggtgRZMIXxo1TNMtGBmBUZkMFBi0uqshi9Q3HcZuoaRc3rTwywZFvpIbaLVzhS\" alt=\"\" width=\"334\" height=\"317\"\/><figcaption>Representa\u00e7\u00e3o da mulher com obriga\u00e7\u00e3o de gerar filhos e obedecer ao marido (dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/victorianweb.org\/art\/illustration\/leech\/38.html\">https:\/\/victorianweb.org\/art\/illustration\/leech\/38.html<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas porque as mulheres foram os alvos mais prejudicados de regimes como a Inquisi\u00e7\u00e3o e o Cercamento? As mulheres sempre carregaram um sentido de m\u00e1xima import\u00e2ncia na sociedade. Por serem capazes de engravidar, det\u00e9m o poder de dar seguimento \u00e0 vida na Terra. Al\u00e9m disso, desde os prim\u00f3rdios da humanidade, era papel das mulheres criar os filhos, transferindo conhecimento sobre como funciona a natureza, as esta\u00e7\u00f5es do ano, o plantio, quais os animais e plantas perigosos e, consequentemente, come\u00e7aram a aprender como funciona o corpo humano, como combater uma febre ou gripe, at\u00e9 mesmo uma dor de dente, com o uso de plantas medicinais.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse conhecimento foi passado de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o, de m\u00e3e para filha e, com isso, a mulher garantia seu valor na sociedade. No entanto, \u00e0 medida que essas mulheres, as antigas enfermeiras, m\u00e9dicas, professoras, estudiosas de qualquer segmento, come\u00e7aram a questionar seu papel at\u00e9 ent\u00e3o inferiorizado pelos homens, a Igreja Cat\u00f3lica, dominada por ideias patriarcais, percebeu uma amea\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Silvia Federici em \u201cMulheres e a ca\u00e7a \u00e0s bruxas\u201d, o simples ato de n\u00e3o concordar com a opini\u00e3o imposta por um homem, j\u00e1 era motivo de suspeitarem de bruxaria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cPrimeiro, as bruxas n\u00e3o eram apenas v\u00edtimas. Eram mulheres que resistiam \u00e0 pr\u00f3pria pauperiza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o social. Amea\u00e7avam, lan\u00e7avam olhares reprovadores e amaldi\u00e7oavam quem se recusava a ajud\u00e1-las; algumas se tornaram inconvenientes, aparecendo de repente, e sem serem convidadas, na soleira de vizinhas e vizinhos que viviam em melhor situa\u00e7\u00e3o ou realizando tentativas inadequadas de se tornarem aceitas ao oferecer presentinhos para criancinhas.\u201d (p. 63)<\/p><cite>Trecho retirado do livro &#8220;Mulheres e a ca\u00e7a \u00e0s bruxas&#8221; (2019)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa forma de rejeitar a marginaliza\u00e7\u00e3o era vista com maus olhos pela sociedade e motivo de puni\u00e7\u00e3o para a Igreja. A mulher foi se tornando o s\u00edmbolo da amea\u00e7a, a personifica\u00e7\u00e3o do mal, que iria desestabilizar a paz e o progresso do capitalismo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com B\u00e1rbara Caldeira, pesquisadora e doutoranda em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela UFMG, que pesquisa feminic\u00eddios e o jornalismo como fogueira simb\u00f3lica onde se &#8220;queimam&#8221; as mulheres v\u00edtimas desses crimes, todo essa tradi\u00e7\u00e3o secular que agia contra as mulheres n\u00e3o passava de um preconceito de <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/genero-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">g\u00eanero<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO feminismo olha pra esse per\u00edodo da hist\u00f3ria, da ca\u00e7a \u00e0s bruxas, e&nbsp; mostra que foi um fen\u00f4meno generificado, pautado por g\u00eanero, porque a maior parte das pessoas que morreram nas fogueiras eram mulheres. Ali havia uma persegui\u00e7\u00e3o de mulheres por seus costumes, por seus h\u00e1bitos, uma tentativa de controle do corpo da mulher.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A fogueira<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Por mais que as mulheres fossem, em sua maioria, presas e condenadas \u00e0 fogueira, qualquer um poderia ser classificado como praticante de bruxaria. N\u00e3o praticantes do catolicismo, tamb\u00e9m alvos frequentes, eram submetidos a \u201cjulgamentos\u201d antes de serem condenados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente, n\u00e3o poderiam ser mortos antes de confessarem sua liga\u00e7\u00e3o com o diabo ou se foram ou n\u00e3o c\u00famplices de atos pecaminosos de terceiros. Para obter essas informa\u00e7\u00f5es, as bruxas e os bruxos eram presos e torturados das maneiras mais cru\u00e9is poss\u00edveis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os historiadores e autores da pesquisa \u201cAs mulheres e a Igreja na Idade M\u00e9dia: misoginia, demoniza\u00e7\u00e3o e ca\u00e7a \u00e0s bruxas\u201d publicada em 2014, Vera Lucia Souza e Daniel Luciano Gevehr, as acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria eram feitas em anonimato, por vizinhos, conhecidos, familiares e amigos que n\u00e3o queriam se tornar c\u00famplices.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cQualquer suspeita de bruxaria merecia uma averigua\u00e7\u00e3o. Um simples espalhafato servia para colocar em a\u00e7\u00e3o o aparelho judici\u00e1rio e todo o seu medonho arsenal, procedendo \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m persegui\u00e7\u00e3o da pessoa suspeita. Qualquer acontecimento que possu\u00edsse um car\u00e1ter imprevisto era atribu\u00eddo a um sortil\u00e9gio. Possuir o h\u00e1bito de ir frequentemente \u00e0 igreja, baixar os olhos quando fosse falado sobre bruxaria ou ser possuidor de uma cruz com um dos bra\u00e7os quebrados j\u00e1 era motivo suficiente para desconfian\u00e7a das autoridades.\u201d (p. 8)<\/p><cite>Trecho retirado da pesquisa \u201cAs mulheres e a Igreja na Idade M\u00e9dia: misoginia, demoniza\u00e7\u00e3o e ca\u00e7a \u00e0s bruxas\u201d (2014)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Eram queimadas na fogueira todas as culpadas de bruxaria pelos l\u00edderes da Inquisi\u00e7\u00e3o. Aquelas que sustentavam sua inoc\u00eancia eram queimadas vivas. As que confessavam por meio de tortura eram enforcadas e tinham o corpo queimado logo em seguida. Em pa\u00edses como a Alemanha e Fran\u00e7a, eram usadas madeiras verdes nas fogueiras para prolongar o sofrimento das v\u00edtimas. Na It\u00e1lia e Espanha, as bruxas eram sempre queimadas vivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar dos s\u00e9culos, o s\u00edmbolo da fogueira evoluiu, juntamente com o que \u00e9 considerado pecaminoso. A pesquisadora B\u00e1rbara Caldeira afirma que os processos de inquisi\u00e7\u00e3o ainda existem e que a mulher continua subjugada pelas condi\u00e7\u00f5es impostas pelo patriarcado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje, as mulheres passam por in\u00fameras viol\u00eancias. Essas viol\u00eancias v\u00e3o se atualizando ao longo do tempo. Ent\u00e3o, quando os feminic\u00eddios acontecem e eles s\u00e3o justificados porque aquela mulher, por exemplo, era muito sensual e o homem supostamente teria medo de que ela fosse infiel, usam a justificativa de que o homem matou porque ele teve um surto, foi a mulher que levou ele a fazer isso. \u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o de um argumento que est\u00e1 na B\u00edblia, de que a mulher \u00e9 desobediente, que \u00e9 mais propensa ao pecado como Eva foi, por exemplo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O guia contra as bruxas&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/1SLlZqqt0RjnK7nxTyUdON6HN_x4aphmYHebrohjXgp5sS5TUJ5tD5yeVaVP48_S9gX6hSFUbfjQR0BULwkphI8h8qW0017xzDnj68vLx87FqOCw6336roMGdVFQWejZYprWsC3S\" alt=\"\" width=\"257\" height=\"381\"\/><figcaption>Capa do livro \u201cMartelo das Bruxas\u201d, publicado em 1484 na Alemanha. (dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.record.com.br\/produto\/o-martelo-das-feiticeiras-2\/\">https:\/\/www.record.com.br\/produto\/o-martelo-das-feiticeiras-2\/<\/a>)<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O processo de ca\u00e7a \u00e0s bruxas que se deu in\u00edcio no s\u00e9culo XV e teve seu \u201cfim\u201d no s\u00e9culo XVIII foi divulgado em diversas formas de comunica\u00e7\u00e3o entre esses s\u00e9culos, de forma expl\u00edcita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1484, o livro escrito pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger \u201cO Martelo das Feiticeiras\u201d, foi usado como um manual de como identificar e punir bruxas em toda a Europa, al\u00e9m de trazer as justificativas que eram tidas como dogmas do movimento. \u00c9 considerado o livro mais famoso sobre o assunto e foi respons\u00e1vel por orientar a morte de mais de 100 mil mulheres por crimes de bruxaria.<\/p>\n\n\n\n<p>Baseado inteiramente em pr\u00e1ticas mis\u00f3ginas, \u201cO Martelo das Feiticeiras\u201d procurava legitimar a posi\u00e7\u00e3o de \u201csexo fr\u00e1gil\u201d encubido \u00e0s mulheres e como era perigoso deix\u00e1-las sob a ordem do diabo, sem control\u00e1-las devidamente. As ideias proferidas no livro, divulgadas s\u00e9culos depois com um pref\u00e1cio atualizado, est\u00e3o divididas em tr\u00eas partes: a primeira engrandece o diabo com poderes divinos e liga suas a\u00e7\u00f5es com a bruxaria. Na segunda parte, a obra ensina a reconhecer e a neutralizar a bruxaria no dia a dia da popula\u00e7\u00e3o. Na terceira parte, est\u00e3o descritos o julgamento e as senten\u00e7as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O complexo de Eva<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/hhQnlLHlJwvo5I1aIpdV_xpKRfLSqNv_YydDb_eKxkz-pdAWMXBC6VuSCoNNydnZHHdTHV2Gs1waORxs184QnAx1oosG_oln5ZrQn5NrvDWgl0Q1-7yWR9i8jSPKevOPNqjBllx4\" alt=\"\"\/><figcaption>Em ordem: Figura das mulheres Eva, Medusa, Pandora e Pers\u00e9fone<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A demoniza\u00e7\u00e3o da imagem da mulher n\u00e3o come\u00e7ou com a ca\u00e7a \u00e0s bruxas. Mulheres como <strong>Eva, Medusa, Pandora e Pers\u00e9fone<\/strong> s\u00e3o alguns dos exemplos de figuras femininas interpretadas como a personifica\u00e7\u00e3o do mal e da destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Come\u00e7ando por Eva, que foi a respons\u00e1vel por cair na tenta\u00e7\u00e3o da ma\u00e7\u00e3 proibida e levar ao fim do jardim do \u00c9den, enquanto o homem tentava a todo custo proteg\u00ea-lo. Medusa, a mulher com cabelos de serpente que transformava homens em pedra e apresentava uma amea\u00e7a a toda Gr\u00e9cia, s\u00f3 poderia ser derrotada por um guerreiro que se mostrasse valoroso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pandora, considerada a primeira mulher na mitologia grega, foi enviada como um presente dos deuses aos homens e causou destrui\u00e7\u00e3o ap\u00f3s abrir a caixa com que foi entregue ao mundo mortal, que continha todos os males poss\u00edveis, acabando com a suposta paz criada pelos homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Pers\u00e9fone tamb\u00e9m foi descrita na mitologia grega como uma das filhas de Zeus, a qual Hades raptou, seduziu e levou para o submundo. Ele deu \u00e0 Pers\u00e9fone uma rom\u00e3, que a tornou prisioneira definitiva. Desde ent\u00e3o, sempre que estava com Hades, Pers\u00e9fone era a respons\u00e1vel por transformar a terra no inferno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplos como esses se manifestam constantemente na hist\u00f3ria, nas artes, na literatura, em can\u00e7\u00f5es. A mulher, por ser considerada como o \u201csexo fr\u00e1gil\u201d \u00e9 associada \u00e0 incapacidade e a ru\u00edna do homem, que, por sua vez, \u00e9 associado \u00e0 integridade, \u00e0 for\u00e7a e quem luta para manter a paz na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Simone de Beauvoir, escritora, ativista pol\u00edtica, feminista e te\u00f3rica social francesa, em seu livro \u201cO segundo sexo\u201d, publicado em 1949, os mesmos homens que cultivavam a ideia da ca\u00e7a \u00e0s bruxas alegando que, desse jeito, estariam protegendo o mundo das for\u00e7as do mal, percebiam a mulher apenas como um dano colateral, que seria facilmente crucificada pelo menor dos atos e transformada na vil\u00e3 universal.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA humanidade \u00e9 masculina, e o homem define a mulher n\u00e3o em si, mas relativamente a ele; ela n\u00e3o \u00e9 considerada um ser aut\u00f4nomo.\u201d Ainda continua: \u201cOp\u00f5e-se por vezes o \u201cmundo feminino\u201d ao universo masculino, mas \u00e9 preciso sublinhar mais uma vez que as mulheres nunca constitu\u00edram uma sociedade aut\u00f4noma e fechada; est\u00e3o integradas na coletividade governada pelos homens e na qual ocupam um lugar de subordinadas; est\u00e3o unidas somente enquanto semelhantes por uma solidariedade mec\u00e2nica.\u201d (p. 363)<\/p><cite>Trecho retirado do livro &#8220;O segundo sexo&#8221; (1949)<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Mesmo sendo retratadas como detentoras de uma beleza sobrenatural, de causar inveja, as mulheres acabam sendo crucificadas pelos mesmos motivos. Em entrevista ao Colab, Pri Ferraz, jornalista, bruxa, criadora e apresentadora do canal de YouTube \u201cDi\u00e1rio da Bruxa\u201d afirma que o ciclo da imagem da mulher passou por diversas mudan\u00e7as, chegando at\u00e9 \u00e0 condi\u00e7\u00e3o que conhecemos hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA liberdade feminina vai ser sempre muito temida. Ela come\u00e7a sendo admirada, mas aquilo que \u00e9 admirado demais, come\u00e7a a ser invejado e aquilo que come\u00e7a a ser invejado, come\u00e7a a dar medo e a\u00ed \u00e9 um passo pra virar \u00f3dio. S\u00e3o assim todas as hist\u00f3rias de massacre no mundo. Se voc\u00ea for ver todo o \u00f3dio, ele vem como um sintoma do medo. Ent\u00e3o, mulheres que s\u00e3o muito conscientes dos seus corpos, que s\u00e3o muito conscientes do seu poder, d\u00e3o medo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O resgate da imagem da bruxa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/qCwKRlIWBKKKTgcMspdBb07qqPxlQVTw0LbXHTAeBwm_UqPvi1Tc8QarW4HK7OfspWkPoE7zf-kGd8ylfSutaVJbOiIZvf3jVsUqmiyHyflbD7w2D_OpZdv0r6OWD51FMbvedmkk\" alt=\"\"\/><figcaption>Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.rawpixel.com\/image\/2802538\/premium-psd-feminism-human-rights-womens-rights<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O \u00f3dio contra a mulher deixou marcas profundas. De acordo com dados coletados pela Rede de Observat\u00f3rio da Seguran\u00e7a e divulgados pela <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/2021\/03\/04\/por-dia-cinco-mulheres-foram-vitimas-de-feminicidio-em-2020-aponta-estudo\">CNN<\/a> em mar\u00e7o deste ano, pelo menos cinco mulheres foram assassinadas ou v\u00edtimas de viol\u00eancia por dia em 2020.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por defini\u00e7\u00e3o, feminic\u00eddio \u00e9 o termo usado para descrever crimes de \u00f3dio baseado no g\u00eanero, ou seja, quando uma mulher \u00e9 violentada, morta ou abusada de qualquer maneira apenas pelo simples fato de ser mulher.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por se tratar de um movimento sem fundamentos, baseado apenas em g\u00eanero e na conserva\u00e7\u00e3o do poder da Igreja, a ca\u00e7a \u00e0s bruxas no per\u00edodo medieval foi um verdadeiro genoc\u00eddio contra a mulher e as consequ\u00eancias disso permanecem at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com a crescente onda feminista, mais mulheres lutam pela igualdade de g\u00eanero e pelo reconhecimento do seu papel na sociedade. Como forma de ressignificar o passado, a verdadeira imagem da bruxa foi resgatada, no sentido religioso, cultural, pol\u00edtico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com a jornalista Pri Ferraz, a bruxa, hoje, assim como a natureza, \u00e9 ambivalente e vive em constante mudan\u00e7a, passando de ciclos em ciclos.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cA bruxa \u00e9 a mulher que se conecta com a natureza e se enxerga como retrato dessa natureza. Ela vai entender que esses ciclos da natureza tamb\u00e9m v\u00e3o operar dentro dela e ela n\u00e3o vai negar os aspectos que s\u00e3o ambivalentes dessa natureza.\u201d<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":6320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[582,584,583,581,359,19,580,232],"class_list":["post-6319","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-bruxas","tag-bruxasdamodernidade","tag-cacaasbruxas","tag-causasfeministas","tag-colab","tag-feminismo","tag-feministas","tag-pucminas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo Colab Sociedade -<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo Colab Sociedade -\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Colab\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/colabpucminas\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2021-05-05T20:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2021-05-05T20:11:10+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"512\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"288\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Stela Cambraia\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@colabpucminas\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@colabpucminas\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Stela Cambraia\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"13 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Stela Cambraia\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/4aa13b5bc6bc8022580bfa9f4d0630d2\"},\"headline\":\"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo\",\"datePublished\":\"2021-05-05T20:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2021-05-05T20:11:10+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/\"},\"wordCount\":2902,\"commentCount\":5,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/05\\\/unnamed.jpg\",\"keywords\":[\"bruxas\",\"bruxasdamodernidade\",\"ca\u00e7a\u00e0sbruxas\",\"causasfeministas\",\"colab\",\"feminismo\",\"feministas\",\"pucminas\"],\"articleSection\":[\"Sociedade\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/\",\"name\":\"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo Colab Sociedade -\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/05\\\/unnamed.jpg\",\"datePublished\":\"2021-05-05T20:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2021-05-05T20:11:10+00:00\",\"description\":\"Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/05\\\/unnamed.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/05\\\/unnamed.jpg\",\"width\":512,\"height\":288},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/caca-as-bruxas-feminismo\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/\",\"name\":\"Colab\",\"description\":\"Experimenta\u00e7\u00e3o, conte\u00fado e colabora\u00e7\u00e3o em Jornalismo Digital\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#organization\",\"name\":\"Colab :: Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Digital da FCA \\\/ PUC Minas\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/03\\\/Avatar-Colab.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/03\\\/Avatar-Colab.jpg\",\"width\":1682,\"height\":1682,\"caption\":\"Colab :: Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Digital da FCA \\\/ PUC Minas\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/colabpucminas\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/colabpucminas\",\"https:\\\/\\\/www.instagram.com\\\/colabpucminas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/company\\\/colab-puc-minas\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UC14mKIqnnGCOgVr4DG6FPkA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/4aa13b5bc6bc8022580bfa9f4d0630d2\",\"name\":\"Stela Cambraia\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/23e9bd54104fd26eee527e3d93e02fa77a0ba0d9da3e0da87b5cfd61e21a8dde?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/23e9bd54104fd26eee527e3d93e02fa77a0ba0d9da3e0da87b5cfd61e21a8dde?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/23e9bd54104fd26eee527e3d93e02fa77a0ba0d9da3e0da87b5cfd61e21a8dde?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"Stela Cambraia\"},\"url\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/author\\\/stelacambraia\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo Colab Sociedade -","description":"Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo Colab Sociedade -","og_description":"Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.","og_url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/","og_site_name":"Colab","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/colabpucminas","article_published_time":"2021-05-05T20:00:00+00:00","article_modified_time":"2021-05-05T20:11:10+00:00","og_image":[{"width":512,"height":288,"url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Stela Cambraia","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@colabpucminas","twitter_site":"@colabpucminas","twitter_misc":{"Escrito por":"Stela Cambraia","Est. tempo de leitura":"13 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/"},"author":{"name":"Stela Cambraia","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#\/schema\/person\/4aa13b5bc6bc8022580bfa9f4d0630d2"},"headline":"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo","datePublished":"2021-05-05T20:00:00+00:00","dateModified":"2021-05-05T20:11:10+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/"},"wordCount":2902,"commentCount":5,"publisher":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed.jpg","keywords":["bruxas","bruxasdamodernidade","ca\u00e7a\u00e0sbruxas","causasfeministas","colab","feminismo","feministas","pucminas"],"articleSection":["Sociedade"],"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/","url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/","name":"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo Colab Sociedade -","isPartOf":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed.jpg","datePublished":"2021-05-05T20:00:00+00:00","dateModified":"2021-05-05T20:11:10+00:00","description":"Como o movimento feminista contempor\u00e2neo \u00e9 comparado \u00e0 ca\u00e7a \u00e0s bruxas que eclodiu no s\u00e9culo XV, na Europa, durante os cercamentos.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#primaryimage","url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed.jpg","contentUrl":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed.jpg","width":512,"height":288},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/caca-as-bruxas-feminismo\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A ca\u00e7a \u00e0s bruxas e o feminismo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#website","url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/","name":"Colab","description":"Experimenta\u00e7\u00e3o, conte\u00fado e colabora\u00e7\u00e3o em Jornalismo Digital","publisher":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#organization","name":"Colab :: Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Digital da FCA \/ PUC Minas","url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Avatar-Colab.jpg","contentUrl":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Avatar-Colab.jpg","width":1682,"height":1682,"caption":"Colab :: Laborat\u00f3rio de Comunica\u00e7\u00e3o Digital da FCA \/ PUC Minas"},"image":{"@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/colabpucminas","https:\/\/x.com\/colabpucminas","https:\/\/www.instagram.com\/colabpucminas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/company\/colab-puc-minas","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC14mKIqnnGCOgVr4DG6FPkA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/#\/schema\/person\/4aa13b5bc6bc8022580bfa9f4d0630d2","name":"Stela Cambraia","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/23e9bd54104fd26eee527e3d93e02fa77a0ba0d9da3e0da87b5cfd61e21a8dde?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/23e9bd54104fd26eee527e3d93e02fa77a0ba0d9da3e0da87b5cfd61e21a8dde?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/23e9bd54104fd26eee527e3d93e02fa77a0ba0d9da3e0da87b5cfd61e21a8dde?s=96&d=mm&r=g","caption":"Stela Cambraia"},"url":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/author\/stelacambraia\/"}]}},"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6319","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6319"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6319\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6326,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6319\/revisions\/6326"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}