{"id":5290,"date":"2020-12-14T16:52:52","date_gmt":"2020-12-14T19:52:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=5290"},"modified":"2020-12-14T17:38:23","modified_gmt":"2020-12-14T20:38:23","slug":"quando-a-representatividade-sera-suficiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/quando-a-representatividade-sera-suficiente\/","title":{"rendered":"Quando a representatividade ser\u00e1 suficiente?"},"content":{"rendered":"\n<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais de 2020 foram marcadas pelo aumento da diversidade entre pessoas eleitas. Minorias pol\u00edticas como negros, ind\u00edgenas e membros da comunidade LGBTQI+ mostraram sua for\u00e7a nas urnas este ano, indicando ser poss\u00edvel haver ruptura com o hist\u00f3rico de representatividade pol\u00edtica, majoritariamente composta por homens brancos e heterossexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como observado em todo o territ\u00f3rio nacional, as elei\u00e7\u00f5es no estado de Minas Gerais resultaram em um maior n\u00famero de candidatos que representam grupos minorit\u00e1rios. Na capital mineira, por exemplo, a candidata com o maior n\u00famero de votos foi Duda Salabert (PDT), uma professora transsexual. <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-11-16\/belo-horizonte-elege-sua-primeira-vereadora-trans-duda-salabert-que-faz-historia-com-votacao-recorde.html\">Duda recebeu 37.613 votos e foi considerada a candidata mais votada na hist\u00f3ria de Belo Horizonte<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conversa com a vereadora eleita, ela afirma prezar por um mandato do povo e acredita que a representatividade de minorias nas c\u00e2maras comp\u00f5e a resist\u00eancia face ao governo Federal. Al\u00e9m dela, Paulete Blue (PSDB) e Gilvan Masferrer (DC), de Bom Repouso (MG) e Uberl\u00e2ndia (MG), respectivamente, representam uma parte dos transexuais eleitos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao pleito de 2016, a propor\u00e7\u00e3o de candidatos negros eleitos em Minas Gerais apresentou aumento de 26,6% para 29,9% entre os prefeitos e de 41% para 43,9% entre os vereadores, de acordo com dados do TSE. A cientista pol\u00edtica Viviane Freitas observa mudan\u00e7as significativas nas elei\u00e7\u00f5es no que diz respeito \u00e0 diversidade, devido \u00e0s crescentes movimenta\u00e7\u00f5es sociais em plataformas digitais. A participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico na pol\u00edtica por meio das m\u00eddias sociais possibilitou um aumento do di\u00e1logo e uma altera\u00e7\u00e3o no quadro pol\u00edtico tradicional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><strong><em>&#8220;N\u00e3o \u00e9 porque h\u00e1 mais mulheres e negros na C\u00e2mara Municipal que teremos mais facilidade de aprovar projetos que tratem dos direitos das mulheres ou dos negros&#8221; <\/em><\/strong><\/p><cite>Viviane Freitas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Entretanto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), pretos e pardos representam 53,3% dos habitantes em Minas Gerais. Isso quer dizer que, apesar do aumento do n\u00famero de candidatos negros, eles ainda ocupam menos da metade das cadeiras nas c\u00e2maras municipais, o que n\u00e3o condiz com a propor\u00e7\u00e3o de habitantes negros do estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, apesar de haver um aumento no n\u00famero de pessoas que n\u00e3o correspondem ao padr\u00e3o usualmente observado de homens brancos nas c\u00e2maras municipais, percebe-se que estes vereadores ainda representam uma parcela pequena em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero total de candidatos eleitos nas elei\u00e7\u00f5es de 2020, como mostra o mapa abaixo. Das cidades representadas, Paracatu, Uberl\u00e2ndia e Diamantina possuem as maiores propor\u00e7\u00f5es de candidatos n\u00e3o pertencentes ao padr\u00e3o mencionado. Em contrapartida, observa-se em Pouso Alegre, Muria\u00e9 e Governador Valadares os menores n\u00fameros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"810\" height=\"606\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5291\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem.png 810w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-300x224.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-768x575.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-370x277.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-270x202.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-570x426.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-740x554.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-80x60.png 80w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/mapa-diversidade-reportagem-150x112.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption>Mapa das Comarcas de MG. Fonte: Aplicativo de resultados do Tribunal Regional Eleitoral<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-1024x682.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5292\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-1024x682.png 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-300x200.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-768x512.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-370x247.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-270x180.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-570x380.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-740x493.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto-150x100.png 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/FOTO-da-homepage-header_duda-salabert-foto.png 1280w\" \/><figcaption>Duda Salabert, vereadora mais votada da hist\u00f3ria de BH.<strong><br><\/strong>Arquivo pessoal \/ Duda Salabert<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cN\u00f3s n\u00e3o temos acesso nem a banheiro ainda\u201d<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/politica\/2020\/11\/15\/interna_politica,1205317\/com-mais-de-30-mil-votos-duda-salabert-e-eleita-vereadora-em-bh.shtml\"><strong>A vereadora mais votada de Belo Horizonte<\/strong><\/a><strong>, Duda Salabert, conta sobre sua candidatura e sua luta como mulher transsexual no meio pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>As elei\u00e7\u00f5es municipais de 2020 para a C\u00e2mara dos Vereadores e a Prefeitura de Belo Horizonte chamam a aten\u00e7\u00e3o para um dado divulgado pelas pesquisas: este ano, o Brasil teve recorde de candidatos LGBTQI+ concorrendo a uma vaga. Historicamente, o Brasil teve poucos nomes que representaram os direitos dos gays, l\u00e9sbicas, bissexuais e transsexuais no Poder Legislativo, o que faz com que este ano represente um marco para a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/exame.com\/revista-exame\/diversidade-nas-urnas\/\">Dados da revista Exame apontam cerca de 60 candidatas que se identificam como mulheres transsexuais<\/a>, dentre elas <a href=\"http:\/\/www.instagram.com\/duda_salabert\">Duda Salabert <\/a>(PDT), a vereadora eleita mais votada de Belo Horizonte. Em entrevista ao Colab, a representante fala sobre sua jornada, perspectivas e lutas pela ocupa\u00e7\u00e3o de altos cargos por representantes da comunidade LGBTQI+.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Colab &#8211; Por que voc\u00ea manifestou interesse pela candidatura?<\/h4>\n\n\n\n<p><strong>Duda Salabert &#8211;<\/strong> Eu nunca tive o objetivo de me candidatar politicamente. At\u00e9 porque minha forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se deu dentro do anarquismo cl\u00e1ssico, que tem uma vis\u00e3o muito contr\u00e1ria e cr\u00edtica \u00e0s institui\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias e \u00e0 forma como o poder se cristaliza dentro dessas organiza\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, na verdade, ap\u00f3s o golpe que ocorreu com a Dilma e as manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013, eu senti a necessidade de estar em um partido, justamente para poder buscar, por meio dessas ferramentas partid\u00e1rias, a luta pela democracia no Brasil. E h\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o importante: os n\u00fameros do grupo que fa\u00e7o parte justificam tamb\u00e9m um pouco da minha entrada em um partido pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata pessoas travestis e transexuais do planeta. N\u00f3s lideramos esse ranking h\u00e1 11 anos, 80% dos assassinatos contra pessoas travestis e transexuais ocorre com uma viol\u00eancia exagerada, significa paus enfiados no \u00e2nus, corpos esquartejados. Dificilmente uma travesti \u00e9 morta s\u00f3 com um tiro aqui no Brasil, dificilmente uma travesti \u00e9 morta com uma facada s\u00f3 no pa\u00eds.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se lembrar que 91% das travestis e transexuais de Belo Horizonte n\u00e3o conclu\u00edram o segundo grau. Se 91% das travestis e transexuais n\u00e3o conclu\u00edram o segundo grau, mostra que a escola tradicional \u00e9 muitas vezes um espa\u00e7o de reprodu\u00e7\u00e3o de \u00f3dio, viol\u00eancia e intoler\u00e2ncia com a diversidade, ent\u00e3o n\u00e3o existe evas\u00e3o escolar para travestis e transexuais, o que existe \u00e9 expuls\u00e3o escolar, porque a escola tradicional brasileira \u00e9 intolerante \u00e0 diversidade, e mais intolerante ainda contra as pessoas travestis e transexuais. Por isso \u00e9 raro uma pessoa trans que tenha conclu\u00eddo o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, 90% das travestis e transexuais est\u00e3o na prostitui\u00e7\u00e3o. Quarenta e um por cento das travestis e transexuais com HIV, ou seja, a cada duas travestis que voc\u00ea vir, possivelmente uma est\u00e1 com HIV e estima-se que nossa expectativa de vida n\u00e3o supere 35 anos no Brasil. Ent\u00e3o esses n\u00fameros mostram que n\u00f3s nunca fomos pauta, nem no centro, nem na esquerda, nem na direita.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s nunca fomos pauta da pol\u00edtica p\u00fablica na hist\u00f3ria do Brasil. N\u00f3s temos que ocupar nossos espa\u00e7os e fazer pol\u00edticas p\u00fablicas a partir dos nossos olhares e das nossas viv\u00eancias, ent\u00e3o, por isso, eu entrei em um partido pol\u00edtico, justamente por entender que \u00e9 necess\u00e1rio estarmos nesse espa\u00e7o para rivalizar a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Mas isso n\u00e3o justifica eu me candidatar \u00e9 s\u00f3 estar em um partido pol\u00edtico para construir ideias de projetos para serem reverberadas pelos candidatos e pelos pol\u00edticos eleitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu vivi intensamente o partido do qual fazia parte, que era o meu Psol, h\u00e1 uma frase do apocalipse que eu amo, que diz \u201cDeus vomitar\u00e1 os mornos\u201d, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 nada pior que uma pessoa morna, uma vida morna, uma f\u00e9 morna, uma pol\u00edtica morna. Ent\u00e3o vivi intensamente aquele partido, eu fui convidada para disputar o governo do Estado em 2018. Rejeitei disputar o governo, porque n\u00e3o queria me candidatar. Depois me convidaram para disputar para deputada estadual e federal, tamb\u00e9m rejeitei. Se eu tivesse disputado, possivelmente teria ganho. Eu fiz tr\u00eas vezes mais votos do que o deputado eleito A\u00e9cio Neves, eu vou levar isso para a minha l\u00e1pide. Depois me convidaram para disputar no Senado, eu aceitei por entender que n\u00f3s vivemos na maior crise da hist\u00f3ria do capitalismo daquela \u00e9poca, hoje j\u00e1 se aprofundou, mas naquela \u00e9poca j\u00e1 era uma crise no sistema capitalista. E toda vez que ele entra em crise, h\u00e1 um achatamento da humanidade, que \u00e9 nos reduzir a coisa, m\u00e1quina e objeto. E coisa, m\u00e1quina e objeto s\u00f3 trabalha, s\u00f3 produz. E uma das grandes resist\u00eancias que n\u00f3s podemos fazer em um contexto de crise, \u00e9 disputar a dimens\u00e3o simb\u00f3lica.<\/p>\n\n\n\n<p>A dimens\u00e3o simb\u00f3lica \u00e9 tudo aquilo que n\u00e3o \u00e9 concreto, tudo que n\u00e3o \u00e9 material, mas \u00e9 aquilo que nos humaniza. Ent\u00e3o, por exemplo, o amor n\u00e3o \u00e9 algo concreto, n\u00e3o \u00e9 algo material, uma m\u00e1quina n\u00e3o ama. Ent\u00e3o quanto mais amor n\u00f3s temos, mais humanos n\u00f3s somos. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 algo concreto, n\u00e3o \u00e9 algo material, mas algo que nos humaniza. Quanto mais f\u00e9 n\u00f3s temos, mais humanos n\u00f3s somos. Os sonhos, as paix\u00f5es, as utopias est\u00e3o na dimens\u00e3o simb\u00f3lica. E a\u00ed eu entendi que a minha candidatura teria uma dimens\u00e3o simb\u00f3lica, porque a palavra Senado, em sua etimologia significa \u201csenhores\u201d. \u00c9 um espa\u00e7o para senhores. E ter uma travesti disputando o Senado daria uma dimens\u00e3o simb\u00f3lica porque \u00e9 uma travesti querendo penetrar o espa\u00e7o dos senhores.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos que lembrar que o banheiro feminino s\u00f3 foi constru\u00eddo no senado em 2016, porque \u00e9 um espa\u00e7o para senhores. At\u00e9 a \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, a idade m\u00ednima para disputar no senado era 35 anos. Trinta e cinco anos \u00e9 a expectativa de vida de uma travesti no Brasil, ent\u00e3o \u00e9 mais simb\u00f3lica ainda a candidatura. E o Senado sempre foi um espa\u00e7o ocupado por moralistas. Todo senador sempre foi um moralista. E meu corpo, que \u00e9 visto como um corpo imoral, rivaliza o conceito de moralidade daquele espa\u00e7o. Ent\u00e3o \u00e9 por isso que eu aceitei disputar aquela elei\u00e7\u00e3o, que foi uma disputa da dimens\u00e3o simb\u00f3lica, porque a gente n\u00e3o quer s\u00f3 o concreto, a gente tamb\u00e9m quer o simb\u00f3lico. A gente n\u00e3o luta s\u00f3 pelo p\u00e3o, a gente luta pela poesia. A gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida, a gente tamb\u00e9m quer a bebida, a divers\u00e3o e a arte, ent\u00e3o foi por isso que eu aceitei.<\/p>\n\n\n\n<p>E este ano, 2020, eu aceitei novamente disputar para vereadora por entender que a pauta LGBT e dos direitos humanos corre risco em Belo Horizonte. Temos que entender que n\u00f3s somos a primeira capital do Brasil a aprovar em primeiro turno o projeto \u201cEscola Sem Partido\u201d, que \u00e9 um projeto que criminaliza o que estamos fazendo aqui agora, que censura o que estamos fazendo aqui agora, que \u00e9 discutir g\u00eanero. E esse projeto quer criminalizar esse debate. \u00c9 um projeto antidemocr\u00e1tico, ent\u00e3o entendo que \u00e9 necess\u00e1rio eu estar como vereadora desta capital, lutar contra esses projetos, lutar contra o avan\u00e7o desses setores antidemocr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 a import\u00e2ncia de haver pessoas LGBTQI+ na C\u00e2mara?<\/h4>\n\n\n\n<p>N\u00f3s temos que entender que, em \u00e2mbito federal, o Congresso Nacional nunca aprovou uma lei voltada para a popula\u00e7\u00e3o LGBT. Durante toda a hist\u00f3ria do Brasil, o Congresso Federal, a C\u00e2mara dos Deputados e o Senado, nunca aprovaram uma lei para melhorar a qualidade de vida das pessoas LGBT. Todos os avan\u00e7os que tivemos em \u00e2mbito federal, veio por parte do STF (Superior Tribunal Federal). Ent\u00e3o, a criminaliza\u00e7\u00e3o da LGBTfobia, o casamento homoafetivo, a ado\u00e7\u00e3o, nunca veio perante lei em \u00e2mbito federal mas que acaba reverberando em \u00e2mbito municipal tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s n\u00e3o temos leis municipais voltadas para a melhoria da popula\u00e7\u00e3o LGBT, ent\u00e3o n\u00f3s temos que ocupar esses espa\u00e7os, porque nenhuma transforma\u00e7\u00e3o na sociedade ocorre se n\u00e3o for pela pol\u00edtica, ou melhor dizendo, toda transforma\u00e7\u00e3o ocorre por meio da pol\u00edtica. Se n\u00f3s queremos que os direitos humanos tamb\u00e9m perten\u00e7am a n\u00f3s, temos que ocupar aquele espa\u00e7o para fazer pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Voc\u00ea \u00e9 uma candidata muito ativa nas redes sociais e possui muito contato com adolescentes e jovens adultos. Na sua opini\u00e3o, qual \u00e9 o papel deste grupo de novos eleitores no que diz respeito \u00e0 luta contra a LGBTQI+fobia?<\/h4>\n\n\n\n<p>Eu entendo que o que muda a sociedade n\u00e3o s\u00e3o novas leis. As leis s\u00e3o importantes para garantir direitos, mas elas n\u00e3o promovem mudan\u00e7as profundas na sociedade. As mudan\u00e7as ocorrem por meio de mudan\u00e7a de consci\u00eancia. Quando n\u00f3s conseguimos mudar a consci\u00eancia das pessoas, a gente muda o pa\u00eds. N\u00f3s temos uma lei no Brasil que criminaliza o racismo, n\u00f3s temos uma lei que pro\u00edbe o racismo no Brasil, quantas pessoas j\u00e1 foram presas por racismo no Brasil? N\u00f3s temos um presidente abertamente racista eleito. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, mais do que leis, n\u00f3s temos que ampliar o debate sobre g\u00eanero e sexualidade em sala de aula. Essa nova gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 vindo carrega consigo esse anseio de transforma\u00e7\u00e3o e todas as transforma\u00e7\u00f5es que t\u00eam ocorrido ultimamente v\u00eam por parte da juventude. Vamos lembrar que em junho de 2013 a juventude foi para a rua, a juventude \u00e9 o motor de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade. \u00c9 a juventude que traz uma nova consci\u00eancia. Ent\u00e3o, n\u00f3s temos que entender que \u00e9 importante a juventude ocupar esses espa\u00e7os pol\u00edticos justamente para fazer transforma\u00e7\u00f5es na sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como fala aquele cantor Belchior, &#8220;o passado \u00e9 uma roupa que n\u00e3o me serve mais&#8221;. Se o passado \u00e9 uma roupa que n\u00e3o nos serve mais, \u00e9 a juventude que vai transformar a sociedade. N\u00f3s temos gera\u00e7\u00f5es antigas, anteriores a n\u00f3s, que tinham posturas e pensamentos preconceituosos relacionados a alguns grupos. Eu, sendo muito honesta, n\u00e3o me preocupo muito em transformar a consci\u00eancia dessas gera\u00e7\u00f5es anteriores porque muitos deles nem querem se transformar, at\u00e9 porque foram criadas nesse tipo de pensamento. Eu me preocupo com essas novas gera\u00e7\u00f5es. A juventude que est\u00e1 vindo a\u00ed \u00e9 uma juventude que tem tudo para transformar a pol\u00edtica e transformar o pa\u00eds, numa perspectiva n\u00e3o s\u00f3 da popula\u00e7\u00e3o LGBT, mas tamb\u00e9m pela quest\u00e3o ambiental, pela quest\u00e3o dos direitos humanos, pela quest\u00e3o das religiosidades, pela quest\u00e3o do respeito. Ent\u00e3o eu tenho muita confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Voc\u00ea consegue perceber mudan\u00e7as significativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o LGBTQI+ na pol\u00edtica nos \u00faltimos dez anos?<\/h4>\n\n\n\n<p>Sim, n\u00f3s tivemos mudan\u00e7as que s\u00e3o conquistas. Essas conquistas s\u00e3o nas ruas, temos que entender que a pol\u00edtica partid\u00e1ria institucional acaba sendo um reflexo, uma consequ\u00eancia do que \u00e9 constru\u00eddo nas ruas e os movimentos sociais est\u00e3o muito organizados. Assim como tem os movimentos ambientalistas, tem o movimento feminista e outros diversos, o movimento LGBTQI+ tamb\u00e9m \u00e9 um movimento organizado, e essa organiza\u00e7\u00e3o tem resultado em conquistas de ocupa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica partid\u00e1ria institucional, n\u00f3s temos por exemplo deputadas estaduais eleitas que s\u00e3o travestis e transexuais e \u00e9 inconceb\u00edvel em gera\u00e7\u00f5es anteriores termos uma transsexual eleita, devido ao processo de preconceito que existe no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso mostra que hoje, parte da sociedade j\u00e1 se sente representada por determinados grupos sociais, como o LGBTQI+. Vale lembrar que quando eu me candidatei ao Senado em 2018, eu fiz a candidatura dando aula, 50 aulas por semana e terminamos a elei\u00e7\u00e3o com 351 mil votos, fato que me coloca como a quarta mulher mais bem votada na hist\u00f3ria das elei\u00e7\u00f5es de Minas Gerais e a\u00ed voc\u00ea me pergunta se isso \u00e9 minha maior vit\u00f3ria, e eu falo que n\u00e3o. Eu fui votada nos 853 munic\u00edpios, ou seja, Minas Gerais tem 853 cidades e eu fui votada em todas, por menor que seja a cidade eu tive voto e a\u00ed voc\u00ea fala, ent\u00e3o essa \u00e9 sua maior vit\u00f3ria? E eu falo que n\u00e3o. A minha maior vit\u00f3ria \u00e9 saber que por onde eu passo tem pessoas que falam assim: \u201cDuda meu pai n\u00e3o me aceita, mas disse que votou em voc\u00ea\u201d, ai eu respondo para elas que o pai aceita ela sim, ele tem dificuldades para aceitar seus pr\u00f3prios preconceitos e seu pai n\u00e3o votou em mim n\u00e3o, foi nele mesmo, dizendo que a partir daquele dia ele iria olhar para a diversidade de outra forma. <\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, eu acho que essa \u00e9 a minha vit\u00f3ria, saber que menor que seja a cidade, teve 2% de pessoas se sentindo representadas por uma trans, essa \u00e9 uma vit\u00f3ria de consci\u00eancia, porque nossos sonhos n\u00e3o cabem nas urnas, as transforma\u00e7\u00f5es profundas s\u00e3o nas consci\u00eancias e 351 mil pessoas come\u00e7aram a pensar diferente. Essa vit\u00f3ria \u00e9 dif\u00edcil de mensurar na consci\u00eancia, mas n\u00f3s temos vit\u00f3rias concretas j\u00e1&nbsp; de parlamentares ocupando cargos, como a \u00c9rica que \u00e9 deputada estadual em S\u00e3o Paulo, ela \u00e9 transexual e negra.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Qual \u00e9 o sentimento de este ano ter um recorde de candidatos LGBTQI+ concorrendo nas elei\u00e7\u00f5es?<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c9 uma not\u00edcia \u00f3tima! J\u00e1 \u00e9 um avan\u00e7o. Agora, n\u00f3s temos que ir para o segundo passo: entender qual estrutura os partidos v\u00e3o dar para estas candidaturas. Porque voc\u00ea percebe o apoio que o partido d\u00e1 para a candidatura, pela estrutura dada. Simplificando, n\u00f3s percebemos o valor que o partido d\u00e1 para uma causa, atrav\u00e9s do valor financeiro que ele disponibiliza para aquela candidatura. Ent\u00e3o \u00e9 um avan\u00e7o haver pessoas trans se candidatando, mas n\u00f3s temos que lutar agora para conseguir maior estrutura. Mas j\u00e1 \u00e9 uma vit\u00f3ria!<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s temos que entender que, no Brasil, a categoria de humanidade n\u00e3o \u00e9 uma categoria dada, ela est\u00e1 em disputa. At\u00e9 120 anos atr\u00e1s, negros e negras n\u00e3o eram reconhecidos como humanos pelo Estado brasileiro. Precisou-se de quatro s\u00e9culos de lutas para negros e negras acessarem, mesmo que precariamente, a categoria de humanidade. E hoje, n\u00f3s, pessoas travestis e transexuais, n\u00e3o somos reconhecidas como humanas ainda pelo Estado. Basta perguntar qual \u00e9 a maior pauta do movimento trans no Brasil e na Am\u00e9rica Latina: nossa maior pauta ainda \u00e9 nome, banheiro, identidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O STF (Supremo Tribunal Federal), est\u00e1 h\u00e1 6 anos discutindo qual banheiro eu vou usar. Isso \u00e9 aviltante, \u00e9 humilhante. Se vamos no banheiro masculino, voc\u00eas n\u00e3o sabem a viol\u00eancia que somos expostas. Se vamos no feminino, n\u00f3s somos arrancadas pelo cabelo, como o epis\u00f3dio que aconteceu no STF. (\u2026) N\u00e3o acessamos ainda a categoria de humanidade, e essa categoria se d\u00e1, de n\u00f3s n\u00e3o termos acesso nem a banheiro ainda. Por isso, essas candidaturas s\u00e3o um avan\u00e7o. Ainda n\u00e3o h\u00e1 estrutura, mas lutemos tamb\u00e9m para disputarmos nos partidos para termos estrutura nas pr\u00f3ximas candidaturas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Diante de sua vit\u00f3ria, quais as maiores dificuldades de agir no Legislativo sob um governo Federal, principalmente um presidente, com hist\u00f3rico de discursos homof\u00f3bicos?<\/h4>\n\n\n\n<p>Eu acredito que est\u00e1 ocorrendo na Am\u00e9rica Latina um grande levante progressista. O Chile, depois de um ano do povo na rua, conseguiu direito a uma nova constitui\u00e7\u00e3o, sepultando uma constitui\u00e7\u00e3o que foi criada na \u00e9poca da ditadura militar do Pinochet. A Bol\u00edvia conseguiu barrar o avan\u00e7o do golpismo l\u00e1, a Argentina tem avan\u00e7ado tamb\u00e9m, e eu acredito que o Brasil vai ser o pr\u00f3ximo pa\u00eds a ter um levante progressista. Ent\u00e3o n\u00f3s temos percebido isso em candidaturas, por exemplo, como em S\u00e3o Paulo, a candidatura do Guilherme Boulos crescendo, Manuela D\u00e1vila no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro a Marta Rocha, que \u00e9 do partido do qual fa\u00e7o parte, uma delegada que foi a primeira delegada civil, primeira mulher delegada civil, na \u00e9poca dela n\u00e3o tinha banheiro na delegacia, ela conquistou banheiro na delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea v\u00ea que a pauta do banheiro \u00e9 uma pauta hist\u00f3rica, banheiro sempre foi feito s\u00f3 para homens, ent\u00e3o assim ela conquistou um banheiro, e hoje ela \u00e9 deputada estadual candidata a prefeita do Rio e est\u00e1 em segundo lugar, empatada com o Crivella, ent\u00e3o est\u00e1 tendo um avan\u00e7o. Aqui em Belo Horizonte, no pior dos cen\u00e1rios, o Kalil sendo eleito, pelo menos o Kalil \u00e9 um rapaz de centro, mas n\u00f3s temos a \u00c1urea Carolina em segundo lugar, ent\u00e3o assim, n\u00f3s temos avan\u00e7ado. Acredito que esse avan\u00e7o n\u00e3o tem como barrar n\u00e3o, por mais que n\u00f3s tenhamos um presidente que se posiciona contr\u00e1rio \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas para a popula\u00e7\u00e3o LGBT, para ind\u00edgenas, para negros e negras e para mulheres, eu acho que a soberania est\u00e1 em nossa Constitui\u00e7\u00e3o, \u201c<em>Todo poder emana do povo<\/em>\u201d, ent\u00e3o n\u00e3o importa o que o presidente fala, o que importa \u00e9 o que o povo fala.<\/p>\n\n\n\n<p>O povo est\u00e1 crescendo e vai ocupar as ruas, conseguiu barrar esse anseio do Bolsonaro de privatizar o SUS, fizemos um \u201ctuita\u00e7o\u201d l\u00e1 e ele voltou atr\u00e1s. Acredito que n\u00f3s vamos conseguir. Eleita, vou fazer do meu mandato um mandato popular, e \u00e9 isso. N\u00e3o quer? Ent\u00e3o vamos chamar o povo para a rua, chamar o povo para ocupar as c\u00e2maras, chamar o povo para fazer barulho e \u00e9 isso, fazer do mandato um mandato popular. Pressionando os vereadores e o prefeito a aprovar pautas a partir dos anseios populares.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-1024x682.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5293\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-1024x682.png 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-300x200.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-768x512.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-370x247.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-270x180.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-570x380.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-740x493.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas-150x100.png 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/foto-interna_viviane-freitas.png 1280w\" \/><figcaption>Viviane Freitas, cientista pol\u00edtica e pesquisadora de pautas raciais e de g\u00eanero nas elei\u00e7\u00f5es. Arquivo pessoal \/ Tati Motta<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cA democracia e a sociedade s\u00f3 t\u00eam a ganhar com a amplia\u00e7\u00e3o dos grupos ainda considerados sub representados\u201d<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p><strong>A cientista pol\u00edtica <\/strong><a href=\"http:\/\/www.instagram.com\/vivianegf14\"><strong>Viviane Freitas<\/strong><\/a><strong> fala sobre como as desigualdades de g\u00eanero, sexualidade, ra\u00e7a, classe e tantos outros marcadores sociais t\u00eam se tornado mais percept\u00edveis entre a popula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jornalista e doutora em ci\u00eancia pol\u00edtica, Viviane Freitas estuda sobre pautas relacionadas a g\u00eanero, m\u00eddia, quest\u00f5es raciais e pol\u00edtica. \u00c9 autora de diversos livros e pesquisadora da Rede de Pesquisas em Feminismos e Pol\u00edtica e do Grupo de Pesquisa em Democracia e Justi\u00e7a da UFMG (Margem).<\/p>\n\n\n\n<p>Viviane vem discutindo e estudando sobre quest\u00f5es raciais e de g\u00eanero nas elei\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o de mulheres na pol\u00edtica e das candidaturas de mulheres negras em tempos de pandemia, ressaltando os v\u00e1rios aspectos e transforma\u00e7\u00f5es que a diversidade, os movimentos sociais e a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico atrav\u00e9s das redes sociais causam no cen\u00e1rio pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Nas elei\u00e7\u00f5es que aconteceram este ano, percebemos que houve um aumento significativo no n\u00famero de eleitos que n\u00e3o condizem com o padr\u00e3o encontrado na pol\u00edtica (homens brancos). Em Belo Horizonte, inclusive, a candidata eleita com mais votos foi Duda Salabert &#8211; mulher transsexual e l\u00e9sbica. Quais s\u00e3o os fatores, na sua percep\u00e7\u00e3o, que colaboraram para essa mudan\u00e7a?<\/h4>\n\n\n\n<p>Acredito que o sucesso de mais candidaturas de mulheres, pessoas negras e LGBTQI+, que rompem com a hegemonia de homens brancos, de classe m\u00e9dia e alta, seja um reflexo de mobiliza\u00e7\u00f5es que j\u00e1 v\u00eam ocorrendo h\u00e1 alguns anos, tanto nas ruas quanto nas redes sociais. Estamos vivendo um momento em que as plataformas digitais possibilitam uma capilaridade muito grande de debates, uma amplia\u00e7\u00e3o de discuss\u00f5es que ainda estavam no \u00e2mbito da academia ou dos movimentos sociais formalmente constitu\u00eddos sobre direitos, equidade e cidadania.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, falar sobre desigualdades de g\u00eanero, sexualidade, ra\u00e7a, classe e tantos outros marcadores sociais tem se tornado mais acess\u00edvel \u00e0 popula\u00e7\u00e3o \u2013 mesmo que, em alguns casos, a partir de argumentos pouco aprofundados. Popularizar tais discuss\u00f5es ajuda a mudar a mentalidade, favorecendo a luta por uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria, e de responsabilidade de todos n\u00f3s. A conscientiza\u00e7\u00e3o de que v\u00e1rios direitos conquistados h\u00e1 anos est\u00e3o fortemente amea\u00e7ados e de que \u00e9 necess\u00e1rio haver uma press\u00e3o p\u00fablica constantemente (seja por manifesta\u00e7\u00f5es e\/ou por representantes eleitos) \u00e9 outro fator que ajuda a explicar os resultados das elei\u00e7\u00f5es municipais para a verean\u00e7a em 2020.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Para voc\u00ea, quais as consequ\u00eancias que a atual polariza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds traz, no que diz respeito \u00e0 representatividade eleitoral?<\/h4>\n\n\n\n<p>A polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica vivenciada na elei\u00e7\u00e3o de 2018 teve como marcas a mobiliza\u00e7\u00e3o do #EleN\u00e3o, a chegada de representantes de alas tanto progressistas quanto conservadoras \u00e0s casas legislativas estaduais e federais, al\u00e9m da elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Percebo as elei\u00e7\u00f5es de 2020 ainda como um reflexo do pleito anterior, com v\u00e1rias disputas pol\u00edticas em jogo. Por exemplo, na C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte, o aumento de quatro para 11 vereadoras \u00e9 expressivo em n\u00famero e a respeito da agenda pol\u00edtica. Para a legislatura que come\u00e7a em 2021, teremos cinco vereadoras da ala progressita\/esquerda e seis da linha conservadora\/direita, em meio a um total de 41 cadeiras. Isso mostra que haver\u00e1 disputas e que o trabalho de verdade come\u00e7a daqui para frente.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Qual o impacto da constru\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas na diversidade eleitoral?<\/h4>\n\n\n\n<p>A inser\u00e7\u00e3o de grupos sub-representados na arena pol\u00edtico-institucional \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para a constru\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. No entanto, n\u00e3o podemos desconsiderar que nem sempre o\/a parlamentar est\u00e1 alinhada\/o com as tem\u00e1ticas de interesse daquele grupo espec\u00edfico. Em outras palavras, n\u00e3o \u00e9 porque h\u00e1 mais mulheres e negros na C\u00e2mara Municipal que teremos mais facilidade de aprovar projetos que tratem dos direitos das mulheres (como amplia\u00e7\u00e3o de creches e preven\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica) ou dos negros (pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas e de combate ao racismo, por exemplo). Significa, sim, que estes temas ser\u00e3o pautados com bem mais frequ\u00eancia do que anteriormente, uma vez que h\u00e1 mais pessoas que trazem esses assuntos como bandeiras, e que tamb\u00e9m haver\u00e1 muitos embates e disputas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Qual a sua perspectiva sobre a representatividade entre figuras eleitorais para um futuro pr\u00f3ximo?<\/h4>\n\n\n\n<p>Espero que os caminhos que est\u00e3o sendo abertos nos \u00faltimos anos possam incentivar mais pessoas a participar da pol\u00edtica institucional e, principalmente, que a popula\u00e7\u00e3o rompa com o entendimento que deslegitima mulheres, pessoas negras e LGBTQI+ de estarem nesses espa\u00e7os. A democracia e a sociedade s\u00f3 t\u00eam a ganhar com a amplia\u00e7\u00e3o dos grupos ainda considerados sub-representados. O assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018, fez florescer diversas sementes por todo o pa\u00eds, com a elei\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias mulheres negras para as Assembleias Legislativas j\u00e1 naquele ano. O resultado das elei\u00e7\u00f5es de 2020 segue a mesma perspectiva: em resposta a tentativas (por vezes, brutais) de silenciamento, v\u00e1rias outras vozes se levantam na luta por direitos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-text-align-center wp-block-heading\"><code><a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/mulheres-eleitas-na-politica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leia mais sobre mulheres na pol\u00edtica<\/a><\/code><a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/mulheres-eleitas-na-politica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><code>.<\/code><\/a><\/h2>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Reportagem desenvolvida por Ana Beatriz Tavares, Arthur Bacelar, B\u00e1rbara Fidelis, Brisa Paolinelli,&nbsp;Fl\u00e1via Assis, Gus D\u2019Avila, Isadora Pimenta, Let\u00edcia Avelar e Pedro Onofri para a disciplina de Apura\u00e7\u00e3o, Reda\u00e7\u00e3o e Entrevista, no semestre 2020\/2.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elei\u00e7\u00f5es para prefeitos e vereadores indicam diversidade da representatividade pol\u00edtica em MG<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":5294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[303,11],"tags":[],"class_list":["post-5290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-politica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Quando a representatividade ser\u00e1 suficiente? 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