{"id":33293,"date":"2026-10-02T14:43:28","date_gmt":"2026-10-02T17:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=33293"},"modified":"2026-10-02T18:09:21","modified_gmt":"2026-10-02T21:09:21","slug":"corpos-impedidos-no-pais-do-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/corpos-impedidos-no-pais-do-futebol\/","title":{"rendered":"Corpos \u201cimpedidos\u201d no pa\u00eds do futebol"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses mais violentos do mundo para as pessoas LGBT+<sup data-fn=\"507c29a2-02bf-48f3-9f6a-8da205bab601\" class=\"fn\"><a href=\"#507c29a2-02bf-48f3-9f6a-8da205bab601\" id=\"507c29a2-02bf-48f3-9f6a-8da205bab601-link\">1<\/a><\/sup>. Conforme o <a href=\"https:\/\/grupogaydabahia.com.br\/257-mortes-violentas-237homicidios-e-20-suicidios\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Grupo Gay da Bahia<\/a>, foram registradas 257 mortes violentas dessa parcela da popula\u00e7\u00e3o em 2025. \u00c9 uma morte a cada 34 horas. J\u00e1 o Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ABSP) indica que, entre 2024 e 2025, houve <a href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/anuario-2026.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aumento<\/a> de 35,6% nos casos de homofobia ou transfobia. Incluindo tamb\u00e9m, no mesmo relat\u00f3rio, um avan\u00e7o de 7,3% nos casos de les\u00e3o corporal dolosa contra LGBTQIAPN+.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo territ\u00f3rio, o futebol, considerado uma paix\u00e3o nacional, \u201cainda \u00e9 o lugar onde muitos homens constroem suas identidades e masculinidades e que tamb\u00e9m muitas mulheres entendem n\u00e3o ser um espa\u00e7o para elas\u201d, problematiza a jornalista Ana J\u00falia Amorim, que \u00e9 pesquisadora de estudos sobre g\u00eanero, homofobia e futebol na internet.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cOs homens precisam entender que \u00e9 poss\u00edvel viver em um mundo em que mulheres tamb\u00e9m jogam, em que outros corpos possam existir, praticar e torcer, que o futebol seja para todos, e que isso n\u00e3o fere a masculinidade deles\u201d, defende Ana Julia Amorim.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No artigo <a href=\"https:\/\/periodicos.pucminas.br\/dispositiva\/article\/view\/32303\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cO \u00e1rbitro Igor Benevenuto e a sa\u00edda do arm\u00e1rio no futebol\u201d<\/a>, publicado em 2024 na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/periodicos.pucminas.br\/dispositiva\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Dispositiva<\/em><\/a>, a pesquisadora Ana J\u00falia Amorim investiga a repercuss\u00e3o de um epis\u00f3dio do podcast <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/4j6JvUaa33kWPQINjKpTj5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Nos arm\u00e1rios do futebol<\/em><\/a><em>.<\/em> No conte\u00fado, aborda o debate p\u00fablico promovido ap\u00f3s Igor Benevenuto se assumir gay e falar dessa experi\u00eancia no esporte. No artigo, Ana J\u00falia explica que a homofobia e a misoginia s\u00e3o formas de preconceitos que se complementam e n\u00e3o andam separadas dentro da categoria esportiva. \u201cAo debochar de Benevenuto, o usu\u00e1rio aproxima gays e mulheres e explicita que, no futebol, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para nenhum dos dois grupos\u201d, escreve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora, a constru\u00e7\u00e3o da identidade masculina homof\u00f3bica e mis\u00f3gina no futebol nasce da naturaliza\u00e7\u00e3o de comportamentos permitidos e incentivados na inf\u00e2ncia. \u201cA naturaliza\u00e7\u00e3o de piadas, do incentivo \u00e0 viol\u00eancia entre meninos como m\u00e9todo de solu\u00e7\u00e3o de problemas e da viol\u00eancia de meninos contra meninas, todos esses mecanismos t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de ensinar aos homens um \u00fanico tipo de masculinidade\u201d, aponta Ana J\u00falia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Alianza Minas: um time LGBT+<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Alianza Minas \u00e9 um time de Fut7 LGBT+ fundado em 2024 a partir da \u201calian\u00e7a\u201d entre tr\u00eas outras equipes da mesma categoria, que foram idealizadas por atletas da comunidade que sentiam medo de se expor e sofrer preconceito em equipes heteronormativas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Fut7 \u00e9 uma modalidade de futebol praticada em quadras de grama sint\u00e9tica com duas equipes de sete jogadores cada. A equipe acolhe ex-atletas e amantes do esporte que querem um espa\u00e7o seguro para jogar.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cFoi a fus\u00e3o de tr\u00eas equipes LGBT de Belo Horizonte. N\u00f3s entendemos que separados n\u00e3o conseguir\u00edamos atingir nosso objetivo, que era se tornar uma equipe altamente competitiva\u201d &#8211; Alysson Costa, presidente do Alianza Minas.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"534945\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #534945;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-1024x683.avif\" alt=\"Atletas do Alianza Minas em enfileirados com fei\u00e7\u00f5es alegres ap\u00f3s vit\u00f3ria. S\u00e3o 12 pessoas, sendo elas, 8 homens cis e 3 mulheres trans. \" class=\"wp-image-33299 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-1024x683.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-300x200.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-768x512.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-370x247.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-270x180.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-570x380.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-740x493.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo-150x100.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.Minas-1-grupo.avif 1080w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Atletas do Alianza Minas comemorando vit\u00f3ria. | Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a produ\u00e7\u00e3o da reportagem, o <strong>Colab<\/strong> acompanhou a estreia do Alianza Minas na <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/org__mtfut7\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Copa MT Ousadia<\/a> contra a equipe Cabral FC. A copa \u00e9 um campeonato amador de Fut7 masculino disputado na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escudo da equipe carrega tanto a bandeira do arco-\u00edris, que \u00e9 a mais popular da comunidade LGBT+, quanto a bandeira rosa, azul e branco, que remete aos <a href=\"https:\/\/www.ongarco.org\/post\/dicion%C3%A1rio-lgbtqiap-descomplicando-a-diversidade?gad_source=1&amp;gad_campaignid=20969771998&amp;gbraid=0AAAAAqP4Sf51YVDfpa4Z4KyxjsL9zr1js&amp;gclid=Cj0KCQjw8c3VBhCsARIsAA_xJ92jzA6HKc9W0oyIuWppYm8zBAdd531M8y-sbkVrnpi99J0pP-oBZuQaAmiTEALw_wcB\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">homens e \u00e0s mulheres transg\u00eanero<\/a>. O presidente do Alianza Minas, Alysson Costa, 36 anos, afirma que a escolha dos s\u00edmbolos \u00e9 proposital, j\u00e1 que o Alianza Minas tem no seu plantel atletas gays, h\u00e9teros e transg\u00eaneros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das bandeiras, o escudo tamb\u00e9m possui uma f\u00eanix dourada de asas abertas. \u201cUma f\u00eanix, para n\u00f3s, tem exatamente o significado dela. Renascimento das cinzas, jamais desistir, sempre ressurgir das cinzas\u201d, explicou Costa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"852e49\" data-has-transparency=\"true\" style=\"--dominant-color: #852e49;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"577\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-1024x577.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-33301 has-transparency\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-1024x577.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-300x169.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-768x433.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-370x209.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-270x152.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-570x321.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-740x417.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited-150x85.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Captura-de-tela-2026-10-02-132901-edited.avif 1112w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Escudo do Alianza Minas. A equipe foi criada em 2024 ap\u00f3s diverg\u00eancias com outras equipes LGBT+. | Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pernambucano Robson Lima, 37, \u00e9 capit\u00e3o do Alianza Minas e ex-atleta de futebol de base com passagens pelo Sport e N\u00e1utico. Ele se mudou para Minas Gerais depois da perda da m\u00e3e, que realizou o sonho de ver o filho jogar futebol de base profissional, mesmo que por pouco tempo. \u201cEu perdi a alegria de jogar futebol\u201d, diz, referindo-se \u00e0 \u00e9poca da morte da m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao chegar em Belo Horizonte, Lima se afastou dos gramados, come\u00e7ou a trabalhar e perdeu a alegria ao jogar bola. Na tentativa de retornar ao esporte, sendo um homem gay, deparou-se com um ambiente machista e homof\u00f3bico. \u201cEu estava quase sendo obrigado a apresentar uma namorada. Estava em uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fazia sentido eu estar ali, essa press\u00e3o psicol\u00f3gica me fez desanimar um pouco do futebol\u201d, desabafou.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cEu chegava no jogo e me perguntavam: \u2018cad\u00ea a namorada do Robson? Deixa eu trazer minha cunhada para te conhecer?\u2019 Eles n\u00e3o procuravam me conhecer para saber quem eu era de fato. Ent\u00e3o, isso me fez dar uma desanimada total do futebol\u201d &#8211; Robson Lima, hoje capit\u00e3o do Alianza Minas.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a pesquisadora Ana J\u00falia Amorim, a homofobia vem sempre acompanhada de misoginia, porque \u201co preconceito \u00e9 constru\u00eddo na ideia de que os homens homossexuais, especialmente, por n\u00e3o performarem um padr\u00e3o de masculinidade, podem ser comparados com mulheres e, para a l\u00f3gica da heteronormatividade, a mulher est\u00e1 sempre nesse lugar de inferioridade\u201d, defende.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img data-dominant-color=\"474b43\" data-has-transparency=\"false\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"813\" height=\"529\" sizes=\"auto, (max-width: 813px) 100vw, 813px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited.avif\" alt=\"Robson Lima atuando pela equipe do Alianza Minas em uma quadra Society com grama artificial verde escura. Lima \u00e9 um homem pardo de estatura baixa e est\u00e1 vestido com o uniforme tradicional da equipe que \u00e9 quase totalemnete branco com detalhes em vermelho vinho na lateral da camisa.\" class=\"wp-image-33303 not-transparent\" style=\"--dominant-color: #474b43; width:840px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited.avif 813w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-300x195.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-768x500.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-370x241.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-270x176.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-570x371.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-740x482.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Imagem-3-Robson-Lima-jogando-edited-150x98.avif 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Robson lima durante partida da equipe. | Foto: <strong>chris_photoclick<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lima voltou a jogar quando um colega que fazia parte de uma equipe LGBT+ o convidou para compor o time. De in\u00edcio ele ficou em d\u00favida se participaria. Como sempre enxergou o futebol como um esporte competitivo, acreditava que a equipe pudesse ser meramente inclusiva. Por\u00e9m, surpreendeu-se ao encontrar um ambiente melhor do que imaginava. \u201cEu n\u00e3o perdi mais essa alegria de jogar. O futebol LGBT, de fato, trouxe todo o esp\u00edrito que eu sempre tive, mesmo que n\u00e3o seja profissional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cVou (para) fazer um teste, ver como era, e nunca mais saio [&#8230;]. Ent\u00e3o, estar aqui hoje no Alianza [Minas] disputando um campeonato h\u00e9tero, eu estou duplamente feliz. Uma, por estar jogando futebol, que eu sempre quis, e outra, por estar com os meus amigos, com as pessoas que me apoiam\u201d, celebra Robson Lima.<\/strong> <strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u201cN\u00e3o existia ambiente para mim\u201d<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nicole Rose, 41, \u00e9 uma mulher trans que dedicou a vida ao futebol. Aos 21 anos, pouco antes de fazer sua transi\u00e7\u00e3o, chegou ao futebol profissional. Mas decidiu largar o esporte para poder assumir a orienta\u00e7\u00e3o sexual. \u201cMinha vida mudou, e na \u00e9poca n\u00e3o existia equipes LGBT ainda\u201d, relembra a ex-atleta e, hoje, t\u00e9cnica do Alianza Minas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A treinadora reconhece que n\u00e3o havia espa\u00e7o para ela, como atleta no futebol profissional, por isso deixa de pratic\u00e1-lo. Na vis\u00e3o da pesquisadora Ana J\u00falia Amorim, o preconceito trabalha desde a inf\u00e2ncia tentando ensinar meninas e meninos que existem \u201ctipos de masculinidade e de exigirem tamb\u00e9m uma performance das mulheres\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cEu fiquei 11 anos sem jogar futebol, porque n\u00e3o existia ambiente pra mim\u201d, declara Nicole Rose.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisadora, o preconceito acontece na \u201cambi\u00eancia futebol\u00edstica\u201d, seja nos jogos, nos treinos, seja nos espa\u00e7os de visibilidade do esporte. Na vis\u00e3o dela, isso torna a homofobia, a transfobia e o machismo natural. \u201cEssa cultura masculinista culmina na persona do jogador de futebol como uma refer\u00eancia de homem, um modelo a ser seguido que carrega valores, cren\u00e7as e determina as normas\u201d, define a estudiosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o futebol ainda ser um espa\u00e7o hostil para pessoas LGBT+, com o preconceito velado e ataques homof\u00f3bicos diretos, Alysson Costa declara que, para al\u00e9m do objetivo inicial de inclus\u00e3o social por meio do futebol, os atletas querem competir. \u201cO projeto do time \u00e9 tornar a equipe altamente competitiva, [para] competir em alto n\u00edvel em qualquer campeonato que estivermos\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"302f29\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #302f29;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-1024x683.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-33304 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-1024x683.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-300x200.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-768x512.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-370x247.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-270x180.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-570x380.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-740x493.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1-150x100.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/A.MInas-1.avif 1080w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: <strong>chris_photoclick<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Futebicha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde maio do ano passado, quando Carlo Ancelotti foi contratado pela Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, Lorenzo Porto produz <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lorenzoporto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">conte\u00fado<\/a> sobre futebol, misturando o universo esportivo \u00e0 cultura pop, especialmente, \u00e0s divas pop. O resultado \u00e9, pelas palavras dele, um jeito de falar sobre futebol para mulheres e gays.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta de produzir conte\u00fado voltado para mulheres e gays surgiu justamente da percep\u00e7\u00e3o de que havia espa\u00e7o para falar do esporte a partir de uma perspectiva que normalmente n\u00e3o aparece nos discursos tradicionais sobre futebol. \u201cEu decidi usar divas pop para um p\u00fablico gay, que eu falava de um jeito gay \u2014 ou de um jeito muito gay\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img data-dominant-color=\"745d3f\" data-has-transparency=\"true\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"488\" height=\"560\" sizes=\"auto, (max-width: 488px) 100vw, 488px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Lorenzo-2.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-33305 has-transparency\" style=\"--dominant-color: #745d3f; aspect-ratio:0.8714472588892853;width:389px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Lorenzo-2.avif 488w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Lorenzo-2-261x300.avif 261w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Lorenzo-2-370x425.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Lorenzo-2-270x310.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/Lorenzo-2-150x172.avif 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Porto participou de programas esportivos na m\u00eddia comercial durante a cobertura da Copa do Mundo. | Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia tamb\u00e9m acabou criando uma via de m\u00e3o dupla. Porto relata que recebe coment\u00e1rios de pessoas dizendo que utilizam seus v\u00eddeos para compreender melhor refer\u00eancias da cultura pop. Ao mesmo tempo, o futebol passa a ser apresentado para um p\u00fablico que talvez n\u00e3o se reconhe\u00e7a nas formas tradicionais de comunica\u00e7\u00e3o esportiva. \u201cAmbas as partes conseguem entender a superficialidade, tanto da diva do momento ou do momento do clube, quando \u00e9 o contr\u00e1rio\u201d, explica. Porto diz que a presen\u00e7a de pessoas LGBTQIAPN+ no futebol n\u00e3o deve ser vista como algo meramente simb\u00f3lico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cO espa\u00e7o \u00e9 hostil mesmo, machista, homof\u00f3bico, mas eu acho que, a partir do momento que tem esses corpos ocupando esse espa\u00e7o, a gente consegue ter uma no\u00e7\u00e3o maior de como esse espa\u00e7o \u00e9 hostil ou n\u00e3o\u201d, afirma Porto.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o influenciador, a viol\u00eancia e a exclus\u00e3o presentes nas arquibancadas n\u00e3o est\u00e3o dissociadas da hist\u00f3ria do pr\u00f3prio futebol. \u201cAcho que se torna hostil porque a gente tem que pensar como o futebol foi constru\u00eddo\u201d, afirma Porto. A trajet\u00f3ria do esporte, segundo ele, ajuda a explicar por que determinados corpos e identidades ainda encontram resist\u00eancia para ocupar um espa\u00e7o historicamente associado \u00e0 masculinidade. \u201cAs mulheres demoraram a ter espa\u00e7o tamb\u00e9m\u201d, lembra. Porto sofreu um ataque homof\u00f3bico coordenado pela torcida organizada do Palmeiras em abril de 2025. \u201cFoi um divisor de \u00e1guas. Quando a gente sofre um ataque, quer dizer que a gente est\u00e1 fazendo um bom trabalho\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Torcedores combatem a homofobia&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A avalia\u00e7\u00e3o da hostilidade no futebol \u00e9 compartilhada pelo jornalista On\u00e3 Rud\u00e1, consultor de diversidade e fundador do <a href=\"https:\/\/canarinhoslgbtq.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+<\/a>. Para ele, o futebol n\u00e3o nasceu necessariamente preconceituoso, mas foi atravessado por uma cultura que, ao longo do tempo, estabeleceu quem poderia pertencer \u00e0quele lugar e de que maneira. \u201cO que torna o espa\u00e7o futebol\u00edstico hostil ao p\u00fablico LGBT+ \u00e9 a cultura que foi estabelecida nesse ambiente. O futebol n\u00e3o nasce sendo um esporte preconceituoso na sua ess\u00eancia\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"8e8483\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #8e8483;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-1024x682.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-33308 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-1024x682.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-300x200.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-767x511.avif 767w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-370x247.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-270x180.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-570x380.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-740x493.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1-150x100.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C.-1.avif 1280w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">On\u00e3 Rud\u00e1 no centro ao lado de  Gleyson Oliveira (esquerda) e Yuri Sena (direita). Os tr\u00eas atuam pelo Coletivo Canarinhos. | Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisadora Ana J\u00falia Amorim tamb\u00e9m argumenta que a cultura <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/racismo-no-futebol-linha-do-tempo-relatos-e-entrevistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">racista<\/a> e <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/as-consequencias-do-machismo-presente-no-futebol\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">machista<\/a> se manteve ao longo da hist\u00f3ria do esporte. \u201cA pr\u00f3pria Sele\u00e7\u00e3o Brasileira, que hoje \u00e9 marcada por grandes \u00eddolos negros, teve a presen\u00e7a [antes da Copa de 1938] de apenas dois atletas negros, o Fausto e o Le\u00f4nidas da Silva. E a\u00ed as mulheres, na mesma linha, s\u00f3 puderam jogar futebol sem serem agredidas ou at\u00e9 presas, l\u00e1 em 1983\u201d, relembra. Ela finaliza enfatizando os \u201cpactos de masculinidade\u201d presentes na cultura. \u201cE pode-se dizer que na ambi\u00eancia futebol\u00edstica, a discuss\u00e3o sobre a homofobia assume um car\u00e1ter mais superficial, mascarado por opini\u00f5es, piadas e regras internas que foram institucionalizadas quase como leis\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os programas esportivos, as mesas de debate e at\u00e9 a maneira como se fala sobre futebol nas plataformas passaram a reproduzir determinados padr\u00f5es de comportamento. Segundo Ana J\u00falia Amorim, a forma como a discuss\u00e3o se perpetua nas m\u00eddias precisa ser corrigida para impedir uma continua\u00e7\u00e3o da homofobia. \u201c [A] reprodu\u00e7\u00e3o do fato, apenas com inten\u00e7\u00f5es de impacto midi\u00e1tico, sem cr\u00edtica e constru\u00e7\u00e3o, s\u00f3 vai transformar viol\u00eancias em espet\u00e1culo para as redes.\u201d. Para ela, \u00e9 nesse cen\u00e1rio que a presen\u00e7a LGBT+ deixa de ser apenas uma quest\u00e3o de visibilidade e passa a representar tamb\u00e9m uma disputa pelo direito de ocupar um espa\u00e7o que, historicamente, nem sempre esteve aberto a todos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O movimento das torcidas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia pessoal de Rud\u00e1 ajuda a dimensionar a rela\u00e7\u00e3o afetiva com o futebol. Aos 9 anos, ele foi pela primeira vez a um est\u00e1dio acompanhado do pai. Na Fonte Nova, assistiu a um jogo do Bahia e viu atuar o goleiro Emerson Ferretti, que anos depois se tornaria um dos poucos ex-jogadores brasileiros de destaque a assumir publicamente a homossexualidade. Posteriormente, Ferretti tornou-se presidente do clube.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rud\u00e1 associa a ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o futebol\u00edstico \u00e0 necessidade de transformar a cultura que sustenta o esporte. \u201cDentro da cultura precisa mudar a pr\u00f3pria cultura\u201d, resume. Para ele, n\u00e3o basta criar campanhas pontuais ou permitir que determinadas pautas apare\u00e7am ocasionalmente. A mudan\u00e7a precisa alcan\u00e7ar quem est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cotidiana do futebol, especialmente os clubes e as torcidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"9b776d\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #9b776d;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"974\" height=\"650\" sizes=\"auto, (max-width: 974px) 100vw, 974px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3.avif\" alt=\"\" class=\"wp-image-33310 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3.avif 974w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-300x200.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-767x512.avif 767w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-370x247.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-270x180.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-570x380.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-740x494.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/C.C3-150x100.avif 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rud\u00e1 com companheiros do LGBTricolor em dia de jogo do Bahia em frente a Arena Fonte Nova. | Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rud\u00e1 integra o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lgbtricolor\/\">LGBTricolor<\/a>, a torcida LGBTQ+ do Bahia. Segundo ele, grupos formados por torcedores LGBTQ+ ganham outra dimens\u00e3o, pois s\u00e3o movimentos que procuram disputar o futebol a partir de dentro, sem necessariamente reproduzir a estrutura das torcidas organizadas tradicionais. \u201cAs nossas torcidas n\u00e3o s\u00e3o torcidas organizadas. N\u00f3s movimentamos a pauta em torno dos clubes. Torcidas organizadas est\u00e3o em outro espectro\u201d, explica Rud\u00e1.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na vis\u00e3o dele, as chamadas torcidas-movimento t\u00eam como objetivo articular pautas relacionadas \u00e0 diversidade no futebol, enquanto as torcidas organizadas possuem outra estrutura e forma de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cQuem lida com o grosso do futebol, que s\u00e3o as torcidas, s\u00e3o os clubes. S\u00e3o eles que precisam trabalhar essa tem\u00e1tica junto com suas torcidas. Se eles n\u00e3o entrarem no \u2018game\u2019, vai ficar muito dif\u00edcil\u201d &#8211; On\u00e3 Rud\u00e1.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa distin\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajuda a compreender as dificuldades enfrentadas por esses grupos. Rud\u00e1 afirma que torcidas organizadas tradicionais muitas vezes evitam se posicionar publicamente ao lado de bandeiras LGBTQ+ por receio de se tornarem alvo de piadas ou rejei\u00e7\u00e3o. \u201cAs torcidas organizadas brasileiras t\u00eam medo de se colocar ao lado de bandeiras LGBT e virar \u2018chacota\u2019\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Resist\u00eancia continua<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da hist\u00f3ria do futebol brasileiro, diferentes grupos LGBTQ+ surgiram para ocupar as arquibancadas e construir espa\u00e7os de pertencimento. Lorenzo Porto cita a <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/coluna\/veja-gente\/primeira-torcida-gay-do-brasil-coligay-vira-serie-e-reforca-diversidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Coligay<\/a>, torcida do Gr\u00eamio formada por torcedores homossexuais na d\u00e9cada de 1970, como um dos exemplos de organiza\u00e7\u00e3o e representatividade no futebol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Porto afirma que a exist\u00eancia desses grupos demonstra que a presen\u00e7a LGBT+ no esporte n\u00e3o \u00e9 uma novidade criada pelas discuss\u00f5es atuais sobre diversidade. Segundo o influenciador, esses grupos integram a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, ainda que muitas dessas experi\u00eancias tenham sido interrompidas ou apagadas. \u201cExistem essas hist\u00f3rias, mas foram interrompidas porque as pessoas perderam for\u00e7a\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Jornalismo em campo&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar em um <a href=\"https:\/\/periodicos.pucminas.br\/dispositiva\/article\/view\/32303\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo acad\u00eamico<\/a> o caso em que o \u00e1rbitro Igor Benevenuto se assume gay, a mestranda Ana Julia Amorim faz refer\u00eancia a um dos epis\u00f3dios do podcast do Globo Esporte, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/4j6JvUaa33kWPQINjKpTj5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Nos Arm\u00e1rios de Vesti\u00e1rios<\/em><\/a>. O mesmo produto jornal\u00edstico tamb\u00e9m entrevistou e contou, em outro epis\u00f3dio, a hist\u00f3ria de <a href=\"https:\/\/gshow.globo.com\/gnt\/conversa-com-bial\/noticia\/presidente-do-bahia-edson-ferretti-revela-como-conseguiu-contar-que-era-gay-20-anos-de-terapia.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Emerson Ferretti<\/a>. Ele \u00e9, justamente, o goleiro do Bahia que Rud\u00e1 viu jogar pela primeira vez na Arena Fonte Nova, muito anos antes dos dois se assumirem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, Nicole Rose, treinadora do Alianza Minas, tamb\u00e9m participou do podcast para contar parte da sua hist\u00f3ria no epis\u00f3dio <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/30s3Ba4MCcElo1A3ujXrwl?si=EKgMCI-vQRO45kMGg_9e2g\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cMasculinidade Ut\u00f3pica\u201d<\/a>. A converg\u00eancia entre atores que lutam contra a homofobia no futebol em um mesmo podcast de jornalismo esportivo traz quest\u00f5es sobre o papel da m\u00eddia no combate ao preconceito. A reportagem produzida pelos jornalistas Joanna de Assis e William de Lucca, publicada em 2022, \u00e9 um dos poucos casos em que o <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/pedro-spinelli-o-jornalismo-por-tras-das-cameras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">jornalismo esportivo<\/a> brasileiro investiga e discute a homofobia no futebol nacional.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u201cN\u00e3o podemos s\u00f3 reproduzir o discurso de \u00f3dio de maneira acr\u00edtica, como tem acontecido em not\u00edcias que trazem epis\u00f3dios de homofobia e machismo no futebol\u201d &#8211; Ana J\u00falia Amorim sobre o papel do jornalismo no combate \u00e0 homofobia e misoginia.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na vis\u00e3o de Ana J\u00falia Amorim, o jornalismo precisa atuar no combate ao preconceito dentro da cultura futebol\u00edstica. Segundo ela, os jornalistas devem trazer fontes especializadas no tema para aprofundar e problematizar o debate, impedindo assim uma discuss\u00e3o muito superficial sobre o assunto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cIsso transforma epis\u00f3dios que parecem isolados em um real problema social, cultural e institucional, permitindo que o jornalismo aponte os respons\u00e1veis e as solu\u00e7\u00f5es para isso\u201d, diz. E completa: \u201cN\u00e3o podemos s\u00f3 reproduzir o discurso de \u00f3dio de maneira acr\u00edtica, como tem acontecido em not\u00edcias que trazem epis\u00f3dios de homofobia e machismo no futebol\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ela, a falta de m\u00e9todo ao noticiar casos de homofobia no esporte \u00e9 prejudicial para a luta que os atletas do Alianza Minas continuam a travar no seu cotidiano. \u201cTratar o tema da homossexualidade como algo secund\u00e1rio, que n\u00e3o precisa ser noticiado, \u00e9 mais uma tentativa de colocar essas pessoas no arm\u00e1rio novamente, para que elas vivam sob restri\u00e7\u00f5es e totalmente invisibilizadas\u201d, conclui.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br> <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/as-consequencias-do-machismo-presente-no-futebol\/\">As consequ\u00eancias do machismo presente no futebol<\/a><\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n<ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"507c29a2-02bf-48f3-9f6a-8da205bab601\">Ao utilizar a sigla \u201cLGBT+\u201d, a reportagem preferiu manter as diferentes denomina\u00e7\u00f5es usadas pelas organiza\u00e7\u00f5es. 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