{"id":32470,"date":"2026-07-17T20:22:38","date_gmt":"2026-07-17T23:22:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=32470"},"modified":"2026-07-17T20:22:39","modified_gmt":"2026-07-17T23:22:39","slug":"sergio-utsch-a-vida-e-o-sacerdocio-jornalistico-de-um-correspondente-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/sergio-utsch-a-vida-e-o-sacerdocio-jornalistico-de-um-correspondente-internacional\/","title":{"rendered":"S\u00e9rgio Utsch: a vida e o sacerd\u00f3cio jornal\u00edstico de um correspondente internacional"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio ao som de explos\u00f5es, aos riscos de uma guerra e ao sil\u00eancio que sucede grandes trag\u00e9dias, um jornalista brasileiro construiu a carreira fazendo da reportagem um compromisso permanente com a realidade. Ao longo de quase tr\u00eas d\u00e9cadas de profiss\u00e3o, S\u00e9rgio Utsch, de 52 anos, transformou o mundo em seu campo de trabalho, percorrendo mais de 80 pa\u00edses e acompanhando alguns dos acontecimentos mais importantes do s\u00e9culo XXI. Correspondente internacional pelo SBT, Utsch tornou-se uma das principais refer\u00eancias do jornalismo brasileiro em coberturas de conflitos armados, crises humanit\u00e1rias e eventos de repercuss\u00e3o global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trajet\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7ou em grandes centros internacionais nem diante das c\u00e2meras dos principais telejornais do pa\u00eds. Ela teve in\u00edcio em Belo Horizonte, onde nasceu e recentemente esteve para palestrar e conceder esta entrevista. Sentado no est\u00fadio do Campus S\u00e3o Gabriel da PUC Minas, vestindo uma cal\u00e7a preta e um blazer bege, com um sorriso simp\u00e1tico no rosto, S\u00e9rgio conta que sempre quis ser jornalista. \u201cDesde pequeno, eu, \u00e0s vezes, abandonava a partida de futebol que eu jogava na rua para ficar narrando os gols dos meus amigos. Ent\u00e3o, esse problema (n\u00e3o saber o que quer ser) n\u00e3o tive, eu sempre soube que eu seria jornalista.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da convic\u00e7\u00e3o desde cedo, S\u00e9rgio n\u00e3o tinha jornalistas na fam\u00edlia. Ele \u00e9 o \u00fanico entre os parentes mais pr\u00f3ximos. Ainda assim, reconhece que cresceu em um ambiente onde a escrita ocupava lugar importante. \u201cTem uma veia liter\u00e1ria na fam\u00edlia. Meu pai, depois de aposentado, escreveu v\u00e1rios livros. A minha av\u00f3, mesmo sendo semialfabetizada, tamb\u00e9m escrevia. Talvez tenha um pouco dessa minha veia liter\u00e1ria que veio dali\u201d, reflete.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A certeza sobre o futuro profissional n\u00e3o esteve acompanhada de facilidades. Vindo de uma fam\u00edlia que n\u00e3o tinha tantos recursos, a trajet\u00f3ria para realizar a gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo no Centro Universit\u00e1rio de Belo Horizonte (UniBH) teve alguns desafios. S\u00e9rgio conta que estudava \u00e0 noite, e que, em certos momentos, chegava a ter tr\u00eas empregos para conseguir pagar a faculdade e o local onde morava.<strong> <\/strong>\u201cEu cheguei a ter tr\u00eas empregos, um de manh\u00e3, um \u00e0 tarde e outro aos domingos. Um deles era, inclusive, num hospital psiqui\u00e1trico. Mas foi a partir da\u00ed, eu acho, que eu comecei a ganhar musculatura de jornalista, porque a\u00ed eu comecei a fazer um est\u00e1gio aqui, outro ali.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Trajet\u00f3ria profissional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a gradua\u00e7\u00e3o, S\u00e9rgio come\u00e7ou a ter experi\u00eancia pr\u00e1tica em ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e a construir uma rede de contatos no jornalismo mineiro. Trabalhou na <em>R\u00e1dio Itatiaia<\/em>, uma das mais tradicionais do estado, al\u00e9m de atuar na <em>CBN, Band, Record<\/em> e no jornal <em>O Tempo<\/em>. Essas experi\u00eancias permitiram que ele desenvolvesse habilidades em diferentes formatos jornal\u00edsticos, desde o radiojornalismo \u00e0 televis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi, por\u00e9m, na <em>TV Globo Minas<\/em> que consolidou uma etapa fundamental da carreira. Ficou aproximadamente oito anos na emissora, sendo metade como rep\u00f3rter do Jornal Nacional. Na \u00e9poca, o caminho at\u00e9 os telejornais de rede seguia uma l\u00f3gica mais gradual. Os jornalistas come\u00e7avam em coberturas locais, passavam por programas regionais e, somente depois, chegavam aos grandes telejornais nacionais.<strong> <\/strong>\u201cIsso me ajudou muito. Foi um privil\u00e9gio ter tido aquela escola de telejornalismo, com figuras que eram muito experientes, ent\u00e3o foi interessant\u00edssimo para mim\u201d, lembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mudan\u00e7a para SP e coberturas internacionais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2005, um novo cap\u00edtulo come\u00e7ou. S\u00e9rgio mudou-se para S\u00e3o Paulo para integrar um projeto de reformula\u00e7\u00e3o do jornalismo do SBT, junto da jornalista Ana Paula Padr\u00e3o. A partir de ent\u00e3o, passou a viajar frequentemente para acompanhar eventos de grande relev\u00e2ncia global. Cobriu os Jogos Ol\u00edmpicos de Pequim, fez a primeira cobertura de guerra (Hamas contra Israel), narrou o terremoto no Haiti, atuou em elei\u00e7\u00f5es e produziu reportagens em pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contato com o jornalismo internacional ocorreu aos poucos. E ser correspondente n\u00e3o era algo que ele sonhava, aconteceu por acaso. Com o passar do tempo, a experi\u00eancia acumulada transformou-o em um profissional especializado em coberturas fora do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"8b8881\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #8b8881;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-1024x576.avif\" alt=\"Na imagem, o jornalista S\u00e9rgio Utsch est\u00e1 em uma varanda ou cobertura de pr\u00e9dio, usando capacete preto e colete \u00e0 prova de balas identificado com a palavra \u201cPress\u201d. Ele segura um microfone do SBT e usa fone de ouvido. Ao fundo, aparecem casas e edif\u00edcios sob a luz do dia.\" class=\"wp-image-32628 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-1024x576.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-300x169.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-768x432.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-1536x864.avif 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-2048x1152.avif 2048w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-370x208.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-270x152.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-570x321.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-740x416.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-8-Sergio-colete-1-3-150x84.avif 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O jornalista S\u00e9rgio Utsch durante cobertura internacional para o SBT, utilizando capacete e colete de identifica\u00e7\u00e3o da imprensa enquanto faz uma entrada ao vivo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Londres como nova casa<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se tornou correspondente internacional, S\u00e9rgio Utsch estabeleceu sua base em Londres. A \u201cTerra da Rainha\u201d passou a ser seu ponto de partida para coberturas realizadas em diversas partes do mundo. S\u00e9rgio brinca que sempre foi meio \u201ccigano\u201d, e que, rapidamente, sentiu-se em casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil se sentir em casa em Londres, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil assim. E Londres \u00e9 e sempre foi, nesses 15 anos que eu moro l\u00e1, a minha base. Eu viajo demais, assim, viajo muito. E hoje \u00e9 o lugar que eu chamo de casa. Mas, n\u00e3o sei, amanh\u00e3 eu posso ter outro lugar para chamar de casa.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio brinca ao revelar o que torna a adapta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida: \u201ca minha casa \u00e9 onde estiver a minha cole\u00e7\u00e3o de smurfs, que sempre anda comigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"92756b\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #92756b;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"999\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-1024x999.avif\" alt=\"Diversas miniaturas dos personagens Smurfs est\u00e3o dispostas sobre uma superf\u00edcie de madeira. Em primeiro plano, alguns Smurfs azuis com gorros e cal\u00e7as brancos aparecem em destaque, enquanto outras figuras, incluindo Gargamel, est\u00e3o ao fundo desfocadas. A fotografia utiliza foco seletivo, destacando os personagens centrais e criando um efeito de profundidade.\" class=\"wp-image-32629 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-1024x999.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-300x293.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-768x750.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-370x361.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-270x264.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-570x556.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-740x722.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs-150x146.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-Smurfs.avif 1080w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Cole\u00e7\u00e3o de smurfs faz S\u00e9rgio Utsch se sentir em casa. (Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O correspondente tamb\u00e9m tenta encontrar equil\u00edbrio na vida constru\u00edda em Londres. Entre pedaladas e corridas de vez em quando, uma das atividades preferidas do jornalista \u00e9 ir aos tradicionais <em>pubs<\/em> londrinos. Ele conta que, ao contr\u00e1rio do Brasil, seus amigos na capital brit\u00e2nica s\u00e3o pessoas que n\u00e3o s\u00e3o jornalistas, e que isso \u00e9 muito importante para dar uma \u201cquebrada\u201d na rotina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Haiti e suas marcas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos anos, o jornalista esteve presente em algumas das regi\u00f5es mais perigosas do planeta. Cobriu a guerra na Ucr\u00e2nia, acompanhou conflitos no Iraque, na S\u00edria e no Afeganist\u00e3o, al\u00e9m de realizar reportagens em Israel e na Palestina.<br><br>Entre todas as experi\u00eancias vividas ao redor do mundo, nenhuma marcou tanto S\u00e9rgio quanto a <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Sz5Y02FghXI\">cobertura do terremoto no Haiti<\/a>, em 2010. O desastre provocou a morte de cerca de 200 mil pessoas e destruiu grande parte do pa\u00eds. Ao chegar ao local, o jornalista se deparou com um cen\u00e1rio que descreveu como inesquec\u00edvel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu olhava para esquerda, para direita, para baixo, para cima. Tinha gente morta na rua. Ali foi uma dificuldade absurda. Foi muito dif\u00edcil, muito dif\u00edcil mesmo. E foi num momento, algo que me desestabilizou muito emocionalmente. Eu tenho at\u00e9 hoje aquele cheiro da morte na minha cabe\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio conta que presenciou fam\u00edlias tendo que enterrar parentes diante das pr\u00f3prias casas, pois o cemit\u00e9rio tamb\u00e9m estava tomado pela destrui\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O peso emocional da profiss\u00e3o&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista explica que, com o tempo, entre uma guerra e outra, acabou \u201cganhando casco\u201d em meio a tantos conflitos, e isso acabou diminuindo o desgaste emocional. Uma das coisas que o ajudaram a controlar essas emo\u00e7\u00f5es \u00e9 a psican\u00e1lise. Ele conta que o m\u00e9todo terap\u00eautico o ajudou muito a entender e a controlar essas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda assim, em meio a essas coberturas, \u00e0s vezes \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o desabar. Durante um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OSwBAUQMrlo&amp;list=PLw8bbUy6-HtTSnUZBT_ic300iQKzCmN-H\">trabalhos perto de Mossul, no Iraque<\/a>, ele conversava com uma crian\u00e7a que chorava e mostrava uma tatuagem no bra\u00e7o com o nome do pai, sequestrado pelo Estado Isl\u00e2mico. \u201cVoc\u00ea conhece o meu pai? Voc\u00ea conhece o meu pai? O nome dele est\u00e1 aqui.\u201d A cena marcou profundamente o jornalista. \u201cAquilo me derrubou. Eu lembro desse menino v\u00e1rias vezes at\u00e9 hoje.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas S\u00e9rgio relata que os momentos mais dif\u00edceis nem sempre acontecem durante a cobertura. O impacto emocional costuma surgir quando a adrenalina diminui e o jornalista finalmente tem tempo para processar tudo o que viveu. \u201c\u00c9 o encontro de voc\u00ea com os traumas acumulados nos \u00faltimos dias, nas \u00faltimas semanas, com as mem\u00f3rias, que \u00e0s vezes n\u00e3o s\u00e3o nem t\u00e3o traum\u00e1ticas, mas s\u00e3o dif\u00edceis\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Falta de apoio emocional<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o jornalista, empresas de comunica\u00e7\u00e3o mais experientes em coberturas de guerra e crises humanit\u00e1rias costumam oferecer acompanhamento psicol\u00f3gico aos profissionais ap\u00f3s coberturas de impacto emocional. Ele defende que isso tamb\u00e9m seja adotado no Brasil. Na avalia\u00e7\u00e3o do jornalista, as empresas brasileiras ainda n\u00e3o t\u00eam maturidade para ofertar suporte a profissionais expostos a situa\u00e7\u00f5es extremas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Cobertura da guerra na Ucr\u00e2nia<\/strong><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio define a cobertura da Ucr\u00e2nia como a mais importante da carreira. Acompanhando o conflito desde 2014, quando a R\u00fassia anexou a Crimeia, o jornalista afirma que os anos de cobertura lhe deram \u201cmusculatura para entender o que \u00e9 a Ucr\u00e2nia e como esse conflito com a R\u00fassia \u00e9 complexo. Ao longo de mais de uma d\u00e9cada, ele acompanhou diferentes fases do conflito, observando n\u00e3o apenas os impactos militares, mas tamb\u00e9m as transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e culturais provocadas pelo confronto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o correspondente, compreender a guerra exige ir al\u00e9m dos acontecimentos no campo de batalha. Por isso, busca contextualizar nas reportagens os interesses geopol\u00edticos envolvidos e mostrar como o conflito afeta a vida da popula\u00e7\u00e3o ucraniana. \u201cUma cobertura de guerra \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 apenas estar ali na trincheira.\u201d Ao longo das viagens ao pa\u00eds, entrevistou soldados, civis, autoridades e lideran\u00e7as pol\u00edticas, buscando apresentar ao p\u00fablico as diferentes dimens\u00f5es do conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista tamb\u00e9m defende presen\u00e7a mais ativa da imprensa brasileira na cobertura internacional. Para ele, o Brasil ainda depende excessivamente de conte\u00fados produzidos por ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o estrangeiros e precisa fortalecer sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica sobre temas globais. \u201cN\u00f3s precisamos produzir o nosso conte\u00fado com a nossa vis\u00e3o (brasileira) de mundo\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Riscos e intimida\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as coberturas mais recentes na Ucr\u00e2nia, S\u00e9rgio acompanhou de perto o avan\u00e7o do uso de drones, tecnologia que redefiniu a din\u00e2mica dos combates e aumentou significativamente os riscos para jornalistas em campo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 o sil\u00eancio deve ser usado como instrumento de seguran\u00e7a para que a gente possa ouvir a aproxima\u00e7\u00e3o de drones.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio tamb\u00e9m testemunha os desafios enfrentados por rep\u00f3rteres em zonas de conflito. Se as marcas emocionais fazem parte da rotina, os riscos \u00e0 pr\u00f3pria seguran\u00e7a tamb\u00e9m caminham lado a lado com a profiss\u00e3o. Este ano, em cobertura da guerra na Ucr\u00e2nia, foi amea\u00e7ado ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/youtu.be\/9yRU-SwbbaI?si=DRkU3666emEk9KQn\">reportagem<\/a> produzida em parceria com o jornalista americano Jared Goyette, do Kyiv Independent. O conte\u00fado reunia relatos de testemunhas que denunciavam supostos casos de tortura praticados por uma unidade do Ex\u00e9rcito ucraniano composta por recrutas brasileiros. Entre as v\u00edtimas mencionadas estava um brasileiro de 28 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"675f5b\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #675f5b;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-1024x1024.avif\" alt=\"O jornalista S\u00e9rgio Utsch est\u00e1 em p\u00e9 em uma pra\u00e7a ao ar livre, usando casaco verde, cachecol xadrez e fone de ouvido. Atr\u00e1s dele, h\u00e1 um ve\u00edculo militar blindado danificado e enferrujado, exposto em espa\u00e7o p\u00fablico. Ao fundo, aparecem edif\u00edcios urbanos sob c\u00e9u azul e ensolarado. A imagem remete \u00e0 cobertura jornal\u00edstica da guerra na Ucr\u00e2nia.\n\" class=\"wp-image-32693 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-1024x1024.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-300x300.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-150x150.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-768x768.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-370x370.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-270x270.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-570x570.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-740x740.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA-96x96.avif 96w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-3-SERGIO-UCRANIA.avif 1080w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">S\u00e9rgio Utsch cobre a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia desde 2014 (Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso mobilizou entidades que defendem a liberdade de imprensa em diversas partes do mundo. Rep\u00f3rteres Sem Fronteiras, Comit\u00ea para a Prote\u00e7\u00e3o dos Jornalistas e Associa\u00e7\u00e3o dos Correspondentes Estrangeiros em Londres manifestaram apoio. No Brasil, a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) tamb\u00e9m demonstraram solidariedade aos jornalistas. \u201c\u00c9 importante, porque n\u00e3o \u00e9 defender o jornalista. \u00c9 acima de tudo defender o jornalismo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jornalista conta que, apesar das amea\u00e7as, nunca deixou de refletir sobre os riscos envolvidos nas coberturas. Em cen\u00e1rios de guerra e pol\u00edtica, algumas decis\u00f5es podem trazer consequ\u00eancias para a seguran\u00e7a da equipe. Nesses momentos, o desafio n\u00e3o est\u00e1 necessariamente em recuar, mas em escolher qual caminho seguir. \u201cV\u00e1rias vezes eu j\u00e1 pensei, vou por esse caminho ou vou por aquele caminho? Qual caminho seguir? Essas escolhas s\u00e3o colocadas na frente em muitos momentos desses trabalhos mais dif\u00edceis, como o trabalho de cobertura de conflito armado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ouvir todos os lados<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mineiro afirma que entrevistou personagens com diferentes perspectivas sobre uma mesma hist\u00f3ria, incluindo integrantes de grupos armados. Ao ser perguntado sobre como consegue contato para fazer essas entrevistas com pessoas frequentemente vistas como \u201cvil\u00e3s\u201d, S\u00e9rgio brinca que usa do seu jeitinho mineiro para abordar as pessoas. \u201cOlha, eu sou muito mineiro na abordagem e eu acho que isso ajuda, sabe? Como pelas beiradas\u201d. Mas para al\u00e9m disso, o jornalista considera essencial chegar sem pr\u00e9-conceitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que eu acho da R\u00fassia n\u00e3o interessa, o que eu acho da Ucr\u00e2nia n\u00e3o interessa, eu estou ali para ouvir e para contar hist\u00f3rias.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Utsch, embora seja imposs\u00edvel eliminar completamente a subjetividade \u2014 j\u00e1 que toda escolha narrativa passa pela forma como cada profissional enxerga o mundo \u2014, a escuta deve vir antes do julgamento.<strong> <\/strong>\u201cTem uma grande coisa a\u00ed, que \u00e9 ir com cora\u00e7\u00e3o e mente abertos para ouvir as hist\u00f3rias\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele ent\u00e3o relembra um epis\u00f3dio vivido no Afeganist\u00e3o. Em um mirante em Cabul, enquanto gravava imagens da cidade, foi abordado por homens armados ligados ao Talib\u00e3, quando fizeram um convite de forma inesperada para ele.<strong> <\/strong>\u201c\u2018Vamos comer melancia?\u2019 Eu tive que ir comer, n\u00e9?\u201d, conta, aos risos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"60655b\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #60655b;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA.avif\" alt=\"O jornalista S\u00e9rgio Utsch est\u00e1 sentado sobre um tapete colorido em uma \u00e1rea gramada, cercado por homens vestidos com trajes tradicionais afeg\u00e3os. Alguns deles seguram fuzis. Sobre o tapete h\u00e1 peda\u00e7os de melancia cortada. Ao fundo, aparecem \u00e1rvores, um banco e uma \u00e1rea externa iluminada pela luz do dia. A imagem registra um momento de conviv\u00eancia durante uma cobertura jornal\u00edstica no Afeganist\u00e3o.\n\" class=\"wp-image-32778 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-300x300.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-150x150.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-768x768.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-370x370.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-270x270.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-570x570.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-740x740.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-4-TALIBA-MELANCIA-96x96.avif 96w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Em situa\u00e7\u00e3o inusitada, membros do Talib\u00e3 convidaram o correspondente a comer melancia com eles. (Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre esses homens, estava um jovem de cerca de 18 anos, hoje j\u00e1 com pouco mais de 20, natural de Kandahar, cidade considerada o ber\u00e7o do Talib\u00e3. Apesar da imagem associada ao grupo, S\u00e9rgio recorda do encontro. \u201cEsse menino me deu a m\u00e3o. A gente andou de m\u00e3o dada e ele com uma metralhadora enorme\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conversa com o rapaz revelou uma hist\u00f3ria marcada pela guerra. Duas gera\u00e7\u00f5es de sua fam\u00edlia foram mortas durante bombardeios dos Estados Unidos. \u201cEsse menino cresceu numa pegada de \u00f3dio por um outro pa\u00eds. Quem s\u00e3o os terroristas para esse menino?\u201d, questiona o jornalista. Para S\u00e9rgio, experi\u00eancias como essa ajudam a compreender os diferentes lados do conflito. \u201cO movimento internacional \u00e9 isso. Voc\u00eas t\u00eam que estar preparados para as contradi\u00e7\u00f5es, porque elas s\u00e3o muitas.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele fala que sentar, conversar e compartilhar uma melancia com aquelas pessoas foi uma oportunidade de entender quem elas eram para al\u00e9m dos r\u00f3tulos.<strong> <\/strong>\u201cEsse tipo de experi\u00eancia \u00e9 interessante, porque voc\u00ea senta ali e tenta entender quem s\u00e3o essas pessoas.\u201d<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"616b68\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #616b68;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA.avif\" alt=\"O jornalista S\u00e9rgio Utsch est\u00e1 em p\u00e9 sobre um gramado ao lado de dois homens vestidos com trajes tradicionais afeg\u00e3os, que seguram fuzis. Ele usa \u00f3culos escuros, colete bege, camisa escura e fones de ouvido. Ao fundo, h\u00e1 uma estrutura arquitet\u00f4nica com arcos brancos e uma \u00e1rea ajardinada sob c\u00e9u claro. A imagem foi registrada durante uma cobertura jornal\u00edstica no Afeganist\u00e3o.\" class=\"wp-image-32779 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-300x300.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-150x150.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-768x768.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-370x370.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-270x270.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-570x570.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-740x740.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-5-TALIBA-96x96.avif 96w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jornalista ao lado de dois jovens combatentes armados do Taliba, no Afeganist\u00e3o. (Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preserva\u00e7\u00e3o do que vivenciou<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S\u00e9rgio tamb\u00e9m reflete sobre preservar as hist\u00f3rias que produziu ao longo dos anos. O blog <a href=\"https:\/\/sergioutsch.blogspot.com\/\">Argumento<\/a>, onde ele reunia reportagens, reflex\u00f5es e registros de suas coberturas pelo mundo, ajudou nesse processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, dedica um pouco do tempo que encontra \u00e0 escrita de um livro sobre a Ucr\u00e2nia e as coisas que j\u00e1 viveu. Segundo o jornalista, um livro com muitas mem\u00f3rias e informa\u00e7\u00f5es. Acostumado a trabalhar com reportagens para televis\u00e3o e com uma escrita mais jornal\u00edstica, S\u00e9rgio explica que escrever um livro exige outra l\u00f3gica. \u201cEu n\u00e3o sou um escritor de livros. Eu trabalho com a escrita de uma outra maneira. Ent\u00e3o o livro tem sido um grande desafio para mim e que eu tenho colocado energia.\u201d<strong> <\/strong>A publica\u00e7\u00e3o do livro representa um desejo de produzir algo mais autoral. Embora tenha participado do livro \u201cReportagem na TV: como fazer, como produzir, como editar\u201d, publicado em 2010, escrito em colabora\u00e7\u00e3o com outros profissionais da \u00e1rea, ele v\u00ea o novo livro como uma oportunidade de fazer um trabalho mais pessoal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Al\u00e9m das coberturas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando perguntado se tem vontade de voltar ao Brasil e cobrir hist\u00f3rias mais leves, S\u00e9rgio responde que n\u00e3o se v\u00ea retornando ao pa\u00eds por agora, mas destaca que esse tipo de narrativa mais leve continua despertando seu interesse. Ele cita o document\u00e1rio \u201cO Menino que Fez o Museu\u201d, um projeto que definiu como \u201csuper despretensioso\u201d, mas que acabou conquistando reconhecimento em festivais pelo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O filme foi realizado em parceria com um amigo mineiro, Emerson Penha, de outro amigo de Emerson e do brit\u00e2nico Louis Blair, cinegrafista que j\u00e1 havia acompanhado S\u00e9rgio em coberturas como a do Iraque. Na \u00e9poca, o jornalista sentia a necessidade de se afastar um pouco dos cen\u00e1rios de guerra e voltar a aten\u00e7\u00e3o para outras hist\u00f3rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi no cen\u00e1rio do Sert\u00e3o do Cariri,Cear\u00e1, que nasceu a hist\u00f3ria do document\u00e1rio, um menino que sonha em criar um museu com um sonho alimentado por tristezas e frustra\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para S\u00e9rgio, a produ\u00e7\u00e3o foi uma das melhores coisas que j\u00e1 fez. \u201cFoi um respiro ali com esse filme\u201d, conta. Apesar de n\u00e3o ter gerado retorno financeiro, o document\u00e1rio permanece como uma das experi\u00eancias mais gratificantes da carreira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"8a8784\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #8a8784;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1018\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-1024x1018.avif\" alt=\"O jornalista S\u00e9rgio Utsch e um menino usando \u00f3culos escuros que criou um museu, eles est\u00e3o sentados na frente de uma casa simples com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cMuseu do Luiz Gonzaga\u201d pintada na parede. Ao lado deles h\u00e1 uma c\u00e2mera de v\u00eddeo montada em um trip\u00e9. A cena ocorre em um ambiente rural, com a fachada desgastada do pr\u00e9dio ao fundo. \n\" class=\"wp-image-32782 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-1024x1018.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-300x298.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-150x149.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-768x764.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-370x368.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-270x269.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-570x567.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-740x736.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU-96x96.avif 96w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-6-O-MENINO-QUE-FEZ-UM-MUSEU.avif 1080w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Jornalista fez document\u00e1rio baseado na hist\u00f3ria de um menino do sert\u00e3o do Cariri que fez um museu. (Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pr\u00eamios marcantes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os trabalhos que mais marcaram sua trajet\u00f3ria est\u00e3o reportagens investigativas sobre a explora\u00e7\u00e3o sexual infantil e vulnerabilidade social no Vale do Jequitinhonha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao relembrar esses conte\u00fados, o jornalista destaca que algumas das consequ\u00eancias mais significativas vieram anos depois da publica\u00e7\u00e3o. Um dos exemplos \u00e9 o relato do jornalista brit\u00e2nico Matt Roper, fundador da ONG Casa Rosa, em Minas Gerais. Segundo Utsch, Max contou que uma das motiva\u00e7\u00f5es para criar o projeto, voltado ao acolhimento de meninas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, surgiu ap\u00f3s assistir a uma s\u00e9rie de reportagens produzidas por ele sobre o tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os e explora\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsse \u00e9 o maior pr\u00eamio que eu j\u00e1 recebi. Isso \u00e9 o que me faz sair da cama\u201d, afirma sobre impactar positivamente a vida das pessoas que mais precisam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reconhecimento tamb\u00e9m veio por meio de premia\u00e7\u00f5es importantes do jornalismo brasileiro. Em 2009, S\u00e9rgio foi finalista do Pr\u00eamio Esso com uma reportagem sobre a explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as no Vale do Jequitinhonha e recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa no Pr\u00eamio Vladimir Herzog pela s\u00e9rie<em> Inf\u00e2ncia Roubada. <\/em>Apesar disso, ele ressalta que o valor do trabalho est\u00e1 no impacto junto \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAquelas meninas, no caso do Vale do Jequitinhonha, me ajudaram mais do que eu ajudei elas\u201d, reflete. Para ele, reportagens desse tipo representam a ess\u00eancia do jornalismo investigativo: trabalhos constru\u00eddos com tempo, apura\u00e7\u00e3o aprofundada, sensibilidade e compromisso p\u00fablico, capazes de dar visibilidade a problemas muitas vezes ignorados.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Jornalismo como sacerd\u00f3cio&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a experi\u00eancia de quem percorre o mundo, S\u00e9rgio aborda a trajet\u00f3ria profissional com a sensa\u00e7\u00e3o de ter realizado tudo o que queria fazer dentro do jornalismo. Hoje, ele n\u00e3o fala em metas grandiosas ou conquistas para o seu futuro. Seu desafio agora \u00e9 outro: aperfei\u00e7oar aquilo que faz. \u201cTransformar aquilo em algo melhor, mais perfeito. Eu tenho muito compromisso em fazer as coisas e de entregar algo para as pessoas entenderem, gostarem, e para tirarem alguma mensagem daquilo.\u201d<strong> <\/strong>explica. Para ele, o jornalismo s\u00f3 faz sentido quando cumpre com a miss\u00e3o de aproximar o p\u00fablico dos acontecimentos e ajud\u00e1-lo a compreender o mundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"5c5a59\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #5c5a59;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-1024x683.avif\" alt=\"A imagem mostra dois homens conversando em uma sala de reuni\u00f5es. \u00c0 esquerda est\u00e1 o jornalista S\u00e9rgio Utsch, de terno azul. \u00c0 direita, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky gesticula enquanto fala. Outras pessoas aparecem ao fundo.\n\" class=\"wp-image-32785 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-1024x683.avif 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-300x200.avif 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-768x512.avif 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-370x247.avif 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-270x180.avif 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-570x380.avif 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-740x493.avif 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky-150x100.avif 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Foto-7-Sergio-e-Zelensky.avif 1200w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O jornalista j\u00e1 entrevistou v\u00e1rios tipos de pessoas e autoridades, como o Presidente da Ucr\u00e2nia, Volodymyr Zelensky. (Reprodu\u00e7\u00e3o: Acervo Pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando as c\u00e2meras se desligam, o correspondente tenta encontrar equil\u00edbrio na vida constru\u00edda em Londres. Entre pedaladas e corridas de vez em quando, uma das atividades preferidas do jornalista \u00e9 ir aos tradicionais <em>pubs<\/em> londrinos. Ele conta que, ao contr\u00e1rio do Brasil, seus amigos na capital brit\u00e2nica s\u00e3o pessoas que n\u00e3o s\u00e3o jornalistas, e que isso \u00e9 muito importante para dar uma \u201cquebrada\u201d na rotina.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Reportagem produzida pelas monitoras Ana Luiza Rodrigues e Cibelle Irias, sob a supervis\u00e3o da professora e jornalista Fernanda Nalon Sanglard.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao som de explos\u00f5es, aos riscos de uma guerra e ao sil\u00eancio que sucede grandes trag\u00e9dias, um jornalista brasileiro construiu a carreira fazendo da reportagem um compromisso permanente com a realidade. 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