{"id":26917,"date":"2025-12-14T14:33:00","date_gmt":"2025-12-14T17:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=26917"},"modified":"2026-04-14T14:34:32","modified_gmt":"2026-04-14T17:34:32","slug":"os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\/","title":{"rendered":"Os impactos da minera\u00e7\u00e3o que redesenham Ouro Preto"},"content":{"rendered":"\n<p>A disputa em torno da minera\u00e7\u00e3o em Ouro Preto deixou de ser apenas um embate t\u00e9cnico sobre licen\u00e7as ambientais e passou a reorganizar a vida cotidiana de quem vive na cidade. A anula\u00e7\u00e3o de acordos, as investiga\u00e7\u00f5es por fraude no licenciamento e o avan\u00e7o sobre \u00e1reas sens\u00edveis transformaram a atividade miner\u00e1ria em um fator de tens\u00e3o permanente, capaz de alterar rotinas, expectativas e rela\u00e7\u00f5es entre comunidade, empresas e poder p\u00fablico. As decis\u00f5es recentes da Justi\u00e7a, as investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal e o ritmo acelerado das opera\u00e7\u00f5es reacenderam o debate sobre quais atividades devem prevalecer em um munic\u00edpio que, <a href=\"https:\/\/www.monografias.ufop.br\/handle\/35400000\/5535\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">historicamente, equilibra turismo, patrim\u00f4nio e explora\u00e7\u00e3o mineral<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A controv\u00e9rsia n\u00e3o est\u00e1 restrita aos gabinetes ou aos autos processuais. Ela atinge bairros, altera paisagens, provoca medo e mexe diretamente no valor de pequenas propriedades familiares. Em diferentes pontos do munic\u00edpio, moradores relatam barulho constante, poeira que n\u00e3o assenta, cursos d\u2019\u00e1gua alterados e um sentimento crescente de inseguran\u00e7a. A rotina de comunidades inteiras passou a ser moldada por caminh\u00f5es, detona\u00e7\u00f5es, sondagens e pela incerteza sobre o que vir\u00e1 a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que hist\u00f3rias individuais se tornam retratos de um problema coletivo. Entre elas est\u00e1 a de Shirley Xavier, que vive em Ouro Preto desde os 2 anos de idade e, hoje aos 69, acumula \u201c67 anos\u201d de conviv\u00eancia com a cidade. Moradora antiga do centro hist\u00f3rico, ela decidiu se mudar h\u00e1 23 anos para a localidade de <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=A4MNM3VN85U\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Botafogo<\/a>, em busca do sil\u00eancio da serra, da mata nativa e da \u00e1gua pura \u2014 refer\u00eancias que, segundo ela, come\u00e7aram a desaparecer \u00e0 medida que a minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7ou sobre a regi\u00e3o. O que aconteceu com Shirley nos \u00faltimos anos ajuda a entender, em detalhes, como essas mudan\u00e7as deixaram de ser dados t\u00e9cnicos e passaram a invadir a vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00edtio vivem ela, o marido e o pai, de 96 anos, que se mudou para o local por recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica devido \u00e0 pureza do ar. Shirley conta que, quando chegou, n\u00e3o havia atividade mineradora ao redor. \u201cN\u00e3o tinha minera\u00e7\u00e3o nenhuma.\u201d <a href=\"https:\/\/brasil.mongabay.com\/2025\/04\/ouro-preto-e-seu-patrimonio-na-mira-das-mineradoras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A primeira movimenta\u00e7\u00e3o ocorreu em 2020<\/a>, quando empresas fizeram pesquisas na serra, levando os moradores a organizarem o \u201cprimeiro grito \u2018minera\u00e7\u00e3o aqui n\u00e3o\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/manuelzao.ufmg.br\/mineracao-avanca-sobre-botafogo-ouro-preto-e-ameaca-patrimonio-ambiental-e-historico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Desde que as opera\u00e7\u00f5es se intensificaram, h\u00e1 cerca de dois anos, Shirley afirma que a qualidade de vida diminuiu rapidamente<\/a>. Ela relata barulho constante das m\u00e1quinas e do basculamento das ca\u00e7ambas, al\u00e9m do aumento da poeira e do tr\u00e2nsito de caminh\u00f5es. A \u00e1gua dos c\u00f3rregos tamb\u00e9m mudou: \u201cEra clarinha, hoje est\u00e1 amarelada.\u201d Ela ainda relata as consequ\u00eancias, \u201cem uma chuva forte, o rejeito desceu do morro e assoreou a lagoa do rapaz que criava peixe\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de trabalhadores desconhecidos e as mudan\u00e7as do clima deixam a moradora insegura. \u201cJ\u00e1 encontrei senhores com fac\u00e3o na m\u00e3o. Inc\u00eandios se tornaram mais frequentes, inclusive fora de \u00e9poca\u2026 este ano teve queimada at\u00e9 outubro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ativismo em Ouro Preto<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Hoje, professora aposentada do Instituto Federal de Ouro Preto, Shirley tem uma longa atua\u00e7\u00e3o social: trabalhos volunt\u00e1rios, participa\u00e7\u00e3o em associa\u00e7\u00f5es de bairro e 15 anos dedicados \u00e0 ressocializa\u00e7\u00e3o de presos. Hoje, sua milit\u00e2ncia concentra-se na defesa da <a href=\"https:\/\/dspace4.ufes.br\/items\/3c43bf9a-0f2b-4792-b979-1fca5815c289\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Serra de Ouro Preto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela critica a falta de transpar\u00eancia das mineradoras. Segundo Shirley, os projetos chegam \u00e0s comunidades \u201ccomo um pacote pronto\u201d, sem di\u00e1logo real: <strong>\u201cEles vendem uma minera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel que n\u00e3o existe.\u201d<\/strong> Para ela, os impactos s\u00e3o inevit\u00e1veis e conhecidos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Onde tem minera\u00e7\u00e3o que a qualidade de vida \u00e9 boa?\u201d &#8211; Shirley Xavier.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Shirley afirma que empresas buscam apoio comunit\u00e1rio com estrat\u00e9gias de convencimento. Ela cita um coquetel oferecido por uma mineradora, \u201coferecem banquetes, com lou\u00e7a chique, prato e copo de vidro como forma de comprar uma comunidade pobre\u201d. Tamb\u00e9m relata que as empresas trabalham sem considerar o bem estar dos moradores, preocupando em cuidar apenas quando h\u00e1 algu\u00e9m de fora da cidade, \u201ca poeira s\u00f3 para quando percebem que algu\u00e9m vai visitar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela critica ainda o poder p\u00fablico. \u201cN\u00e3o temos apoio do executivo nem do legislativo.\u201d Segundo Shirley e companheiros, o prefeito e o secret\u00e1rio de Meio Ambiente defendem que Ouro Preto \u00e9 \u201cmin\u00e9rio dependente\u201d. Ela rebate: \u201cQuem \u00e9 min\u00e9rio dependente s\u00e3o os pol\u00edticos, para fazer campanha. A cidade vive de turismo e universidade.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A moradora integra o movimento que defende o <a href=\"https:\/\/mapadeconflitos.ensp.fiocruz.br\/conflito\/populacao-luta-para-promover-tombamento-estadual-da-serra-do-botafogo-e-impedir-a-continuidade-da-mineracao-que-ameaca-o-patrimonio-cultural-natural-e-arqueologico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">tombamento da Serra de Ouro Preto<\/a>. O projeto foi elaborado por especialistas e busca impedir a atividade mineradora em uma \u00e1rea que ela define como \u201ccaixa d\u2019\u00e1gua da cidade\u201d, regi\u00e3o estrat\u00e9gica de recarga h\u00eddrica, respons\u00e1vel pela capta\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o dos recursos que abastecem Ouro Preto e munic\u00edpios do entorno, garantindo a quantidade e a qualidade da \u00e1gua; encontrada nas bacias hidrogr\u00e1ficas dos rios S\u00e3o Francisco, Doce e Das Velhas. Dessa forma, o grupo recolhe assinaturas para apresentar uma a\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos impactos ambientais, Shirley aponta a desvaloriza\u00e7\u00e3o da terra. Segundo ela, um terreno como o seu, que poderia valer \u201c1 milh\u00e3o e 200 mil\u201d, hoje teria oferta \u201cde 20 mil por hectare\u201d. Para sua fam\u00edlia, diz, abandonar o local \u00e9 impens\u00e1vel: \u201cEu comprei essa terra para morar. N\u00e3o pretendemos vender.\u201d Ainda assim, denuncia que a desvaloriza\u00e7\u00e3o representa um risco financeiro para muitos moradores de l\u00e1, que precisam recorrer \u00e0 mudan\u00e7a mas n\u00e3o encontram recursos para isso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m defende mudan\u00e7as legais. Entregou a uma deputada uma carta solicitando uma lei que proteja propriet\u00e1rios dessa desvaloriza\u00e7\u00e3o, especialmente idosos e pessoas vulner\u00e1veis. \u201cUma pessoa de 70 anos n\u00e3o tem como come\u00e7ar de novo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A minera\u00e7\u00e3o em Ouro Preto e regi\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 analisada por institui\u00e7\u00f5es que atuam na defesa dos recursos h\u00eddricos e na mobiliza\u00e7\u00e3o de comunidades atingidas. Entre elas, est\u00e1 o <a href=\"https:\/\/guaicuy.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Guaicuy<\/a>, instituto ligado ao <a href=\"https:\/\/manuelzao.ufmg.br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Manuelz\u00e3o<\/a> e que h\u00e1 anos desenvolve a\u00e7\u00f5es para proteger a popula\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 nossa reportagem, Ronald de Carvalho Guerra, vice-presidente do Guaicuy, afirma que a expans\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o em Minas Gerais ocorre dentro de um processo de fragilidade institucional e falta de planejamento. \u201cO territ\u00f3rio de Minas Gerais est\u00e1 sendo gradativamente degradado, com o aval do Estado. Seja administra\u00e7\u00e3o, governo de direita ou esquerda, n\u00e3o tem ideologia que evite isso, n\u00e3o. Todos os governos, historicamente, t\u00eam sido parte dessa tend\u00eancia de permitir a minera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a aus\u00eancia de um ordenamento territorial robusto impede que a atividade miner\u00e1ria seja conduzida de forma respons\u00e1vel. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos visto um movimento harm\u00f4nico de planejamento do territ\u00f3rio, n\u00e3o. Isso \u00e9 uma coisa que poderia acontecer, n\u00f3s temos legisla\u00e7\u00e3o que permitiria isso acontecer, mas n\u00f3s nunca tivemos administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas maduras o suficiente para fazer isso&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca que a minera\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMinera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente algo prejudicial ao meio ambiente. A gente minera desde sempre. Nunca existiu Homo sapiens sem minera\u00e7\u00e3o. Se a gente quiser fazer, por exemplo, usina e\u00f3lica, a gente precisa de minera\u00e7\u00e3o. Se a gente quer deixar de usar combust\u00edvel f\u00f3ssil para mitigar a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a gente precisa de minera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essa atividade econ\u00f4mica traz muitos benef\u00edcios para a sociedade, inclusive benef\u00edcios ambientais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, segundo ele, est\u00e1 na forma como a atividade \u00e9 executada hoje.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>O grande desafio \u00e9 gerenciar essa atividade. Ent\u00e3o, o que a gente deveria estar fazendo e planejando o territ\u00f3rio, definir \u00e1reas onde a gente pode ou n\u00e3o pode minerar, ser mais rigoroso no controle e na fiscaliza\u00e7\u00e3o da minera\u00e7\u00e3o, ter medidas mais rigorosas de mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o, ter uma distribui\u00e7\u00e3o dos dividendos ou dos royalties ou <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/anm\/pt-br\/acesso-a-informacao\/perguntas-frequentes\/contribuicao-financeira-pela-exploracao-mineral-2013-cfem\">CFEM<\/a> e outros impostos indiretos da minera\u00e7\u00e3o, uma divis\u00e3o mais inteligente, que fortale\u00e7a o poder p\u00fablico e as comunidades impactadas para tomarem as r\u00e9deas dos seus pr\u00f3prios destinos&#8221; &#8211; Ronald de Carvalho Guerra.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao analisar o cen\u00e1rio atual, ele afirma que os resultados t\u00eam sido preocupantes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode ficar dando autoriza\u00e7\u00e3o fragmentada, uma mina aqui, outra mina ali. Voc\u00ea tem que olhar o territ\u00f3rio, o que est\u00e1 acontecendo. Ent\u00e3o a gente que pesquisa, quando a gente olha o territ\u00f3rio, a gente fica preocupado, porque est\u00e1 aumentando a minera\u00e7\u00e3o e est\u00e1 diminuindo a biodiversidade. Ent\u00e3o se est\u00e1 havendo algum benef\u00edcio, esse benef\u00edcio aparentemente n\u00e3o \u00e9 maior do que o malef\u00edcio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Minera\u00e7\u00e3o em Ant\u00f4nio Pereira<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"596160\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #596160;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"597\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-id=\"27052\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FotoJet2-1024x597.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-27052 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FotoJet2-1024x597.webp 1024w, 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https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FotoJet7.webp 1200w\" \/><\/figure>\n<figcaption class=\"blocks-gallery-caption wp-element-caption\"><em>Distrito de Ant\u00f4nio Pereira, em Ouro Preto: barragem funcionava com uma tecnologia de alteamento cont\u00ednuo, o que ampliava seus impactos sobre os moradores. Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o (Instituto Guaicuy\/Flickr)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Ronald de Carvalho Guerra cita o distrito de Ant\u00f4nio Pereira, em Ouro Preto, como um caso emblem\u00e1tico das tens\u00f5es entre a opera\u00e7\u00e3o miner\u00e1ria e a conviv\u00eancia com popula\u00e7\u00f5es locais. Ele explica que a barragem do distrito funcionava com uma tecnologia de alteamento cont\u00ednuo, que ampliava seus <a href=\"http:\/\/guaicuy.org.br\/uma-decada-pedindo-socorro-o-caso-da-poeira-de-mineracao-em-antonio-pereira-mg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">impactos sobre os moradores<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAnt\u00f4nio Pereira, a barragem cresceu do lado do distrito e sempre causou danos por quest\u00f5es de poeira da opera\u00e7\u00e3o. Geralmente, as barragens passam por alteamentos de 10 em 10 metros, que v\u00e3o sendo licenciados. A de Ant\u00f4nio Pereira, por\u00e9m, usava outra tecnologia: ela ia em constante alteamento, porque utilizava parte do rejeito em um sistema de separa\u00e7\u00e3o para formar os diques e ampliar a estrutura. Ent\u00e3o, ela ficava em opera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e constantemente causando dano.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Guerra lembra que <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/04\/15\/atingidos-por-barragem-de-antonio-pereira-mg-lutam-para-manter-assessoria-tecnica\/\">a comunidade se mobilizou por anos<\/a> para provar os riscos da estrutura e cobrar provid\u00eancias. \u201cAnt\u00f4nio Pereira, eles se organizaram muito para provar que a barragem era a montante, que ela tinha que ser descomissionada. E eles fazem um enfrentamento muito grande. No passado, de paralisar a rodovia, fazendo frentes de luta, assim. Ent\u00e3o, eles provocam muito que as institui\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a tomem medidas dentro de um processo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Ele destaca ainda o sofrimento cont\u00ednuo provocado pela lentid\u00e3o dos processos de repara\u00e7\u00e3o. Segundo ele, as comunidades est\u00e3o muito desgastadas e adoecem diante dos longos tempos judiciais. Explica que, enquanto o <a href=\"https:\/\/guaicuy.org.br\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/PROCESSO_-5000885-66.2020.8.13.0461-CIVEL-ACAO-CIVIL-PUBLICA-5000885-66.2020.8.13.0461-1763062568255-417554-despacho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">caso de Fund\u00e3o<\/a> discute repara\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de dez anos e ainda h\u00e1 pessoas sem indeniza\u00e7\u00e3o, em <a href=\"https:\/\/www.agenciaprimaz.com.br\/2021\/07\/31\/atingidos-de-antonio-pereira-aguardam-ha-mais-de-um-ano-pagamento-de-indenizacoes-prometidas-pela-vale\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ant\u00f4nio Pereira o processo j\u00e1 ultrapassa cinco anos<\/a>, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/meio-ambiente\/noticia\/2025-12\/sete-anos-depois-brumadinho-ainda-vive-adoecimento-e-inseguranca\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">assim como em Brumadinho<\/a>. Para ele, s\u00e3o processos muito lentos e complexos, que acabam afetando profundamente a sa\u00fade das popula\u00e7\u00f5es atingidas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed alignleft is-type-wp-embed is-provider-datawrapper wp-block-embed-datawrapper\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" title=\"Popula\u00e7\u00e3o residente no munic\u00edpio de Ouro Preto\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/SWWWL\/1\/#?secret=u3tOGpzhh7\" data-secret=\"u3tOGpzhh7\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" height=\"503\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Antes de entender o impacto da minera\u00e7\u00e3o sobre a rotina de bairros e distritos, \u00e9 importante observar quem ocupa o territ\u00f3rio atingido. Ouro Preto \u00e9 um munic\u00edpio extenso e diverso, com concentra\u00e7\u00f5es populacionais que ajudam a explicar por que determinadas \u00e1reas sentem mais intensamente os efeitos das opera\u00e7\u00f5es miner\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>A sobreposi\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas habitadas e frentes miner\u00e1rias ajuda a entender por que relatos como o de Shirley n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00e3o \u2014 eles revelam uma din\u00e2mica espacial em que a minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a sobre zonas sens\u00edveis, onde a vida cotidiana j\u00e1 est\u00e1 estabelecida. Essa \u00e9 tamb\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o do professor Alberto Fonseca, do Departamento de Engenharia Ambiental da UFOP. Ele explica que os riscos sobre Ouro Preto variam de acordo com o tipo de minera\u00e7\u00e3o, mas todos t\u00eam algo em comum: a impossibilidade de deslocar o empreendimento. \u201cA cava \u00e9 onde o min\u00e9rio est\u00e1\u201d, resume, o que significa que comunidades, nascentes, encostas e at\u00e9 s\u00edtios arqueol\u00f3gicos acabam no raio direto dos impactos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonseca explica que qualquer atividade humana altera o territ\u00f3rio, mas no caso da minera\u00e7\u00e3o esses efeitos s\u00e3o potencializados porque estruturas como cavas, pilhas de est\u00e9ril e vias de acesso podem ser instaladas justamente em \u00e1reas com potencial arqueol\u00f3gico ou ambientalmente fr\u00e1geis. Por isso, afirma, seria necess\u00e1rio um planejamento territorial capaz de direcionar a atividade para zonas menos sens\u00edveis. \u201cN\u00e3o temos visto um movimento harm\u00f4nico nesse sentido no Brasil\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O licenciamento ambiental, segundo o pesquisador, at\u00e9 prev\u00ea an\u00e1lise de impactos arqueol\u00f3gicos e imp\u00f5e medidas de mitiga\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o. Mas, na pr\u00e1tica, o Estado raramente nega licen\u00e7as: prefere autoriza\u00e7\u00f5es condicionadas, o que resulta em um territ\u00f3rio \u201ccada vez mais minerado e cada vez mais impactado\u201d. Ele critica a aus\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o cumulativa dos impactos e afirma que o patrim\u00f4nio natural, social e arqueol\u00f3gico vem sendo degradado com o aval do poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, Fonseca ressalta que a minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9, por defini\u00e7\u00e3o, incompat\u00edvel com preserva\u00e7\u00e3o ambiental ou desenvolvimento. A atividade viabiliza desde energias renov\u00e1veis at\u00e9 tecnologias m\u00e9dicas e infraestrutura b\u00e1sica. O problema, diz, est\u00e1 na gest\u00e3o: embora mineradoras possam recuperar \u00e1reas degradadas, desassorear rios e criar unidades de conserva\u00e7\u00e3o, a escala real dessas contrapartidas \u00e9 pouco conhecida. \u201cFalta avalia\u00e7\u00e3o, falta controle do Estado\u201d, resume, apontando que o debate p\u00fablico se mant\u00e9m \u201cdesqualificado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao explicar a recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas mineradas, o professor descreve processos de reconforma\u00e7\u00e3o do relevo, corre\u00e7\u00e3o de solo e reflorestamento \u2014 e, em alguns casos, a transforma\u00e7\u00e3o de cavas em lagos ou outros usos definidos com a comunidade. Ele refor\u00e7a que existem diferentes modalidades de minera\u00e7\u00e3o, como opera\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas ou profundas, e alerta que reduzir toda a discuss\u00e3o \u00e0 extra\u00e7\u00e3o de ferro da Vale \u201ctorna o debate desqualificado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed alignright is-type-wp-embed is-provider-datawrapper wp-block-embed-datawrapper\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" title=\"N\u00edvel de risco de barragens de Ouro Preto\" src=\"https:\/\/datawrapper.dwcdn.net\/aO4rA\/2\/#?secret=ezoYlvTiFl\" data-secret=\"ezoYlvTiFl\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" height=\"455\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Fonseca, at\u00e9 a educa\u00e7\u00e3o ambiental, embora relevante, n\u00e3o alcan\u00e7a o problema estrutural. Os programas existentes tendem a ser superficiais e n\u00e3o enfrentam o que ele chama de \u201chipervaloriza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico de baixa qualidade\u201d. Antes de educar as comunidades, diz, \u00e9 o pr\u00f3prio poder p\u00fablico \u2014 gestores, legisladores e empresas \u2014 que precisa compreender o territ\u00f3rio que administra. S\u00f3 ent\u00e3o hist\u00f3rias como a de Shirley deixar\u00e3o de ser tratadas como casos isolados e passar\u00e3o a orientar decis\u00f5es de futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>As cr\u00edticas de Fonseca ao enfraquecimento do Estado e \u00e0 fragilidade dos processos de licenciamento encontram eco direto na situa\u00e7\u00e3o que hoje envolve a Patrim\u00f4nio Minera\u00e7\u00e3o. Um dos casos mais emblem\u00e1ticos dessa disputa em Ouro Preto ganhou novo cap\u00edtulo ap\u00f3s a <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/mg\/minas-gerais\/noticia\/2025\/10\/31\/justica-anula-acordo-entre-mineradora-e-orgaos-publicos-por-suspeita-de-fraude-ambiental.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Justi\u00e7a mineira anular um acordo firmado entre o Minist\u00e9rio P\u00fablico, \u00f3rg\u00e3os ambientais do Estado e a pr\u00f3pria empresa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O caso de Patrim\u00f4nio Minera\u00e7\u00e3o LTDA<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/pje-consulta-publica.tjmg.jus.br\/pje\/login.seam?cid=702169\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A decis\u00e3o da 2\u00aa Vara C\u00edvel da Comarca de Ouro Preto<\/a> considerou nulo o termo que havia autorizado a retomada das atividades da mineradora em Botafogo, justamente a regi\u00e3o onde vivem moradores como Shirley. O juiz apontou \u201csevera suspeita de fraude\u201d na obten\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a ambiental \u2014 irregularidades reveladas por <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/14Kt61S-aSXrUpr0K3J-Kndsm4nxLE0Rh\/view?usp=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">documentos da Pol\u00edcia Federal<\/a> no \u00e2mbito da <a href=\"https:\/\/ofator.com.br\/informacao\/operacao-rejeito-prefeitura-de-ouro-preto-atuou-por-agilidade-em-processo-de-licenciamento-investigado-pela-pf\/\">Opera\u00e7\u00e3o Rejeito<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A A\u00e7\u00e3o Civil P\u00fablica foi iniciada pelo MPMG ap\u00f3s a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (SEMAD) constatar, em 24 de mar\u00e7o de 2025, a supress\u00e3o n\u00e3o autorizada de uma cavidade natural subterr\u00e2nea na \u00c1rea Diretamente Afetada (ADA) da atividade miner\u00e1ria na localidade Botafogo, em Ouro Preto.<\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, a Justi\u00e7a concedeu tutela de urg\u00eancia, determinando a suspens\u00e3o imediata de todas as atividades miner\u00e1rias da Patrim\u00f4nio Minera\u00e7\u00e3o na ADA, sob pena de multa di\u00e1ria de R$50.000,00.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, homologou um <a href=\"https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/tj-mg\/4350855929\/inteiro-teor-4377996169\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Termo de Compromisso (ID 10494257533)<\/a>. Este acordo, al\u00e9m de prever medidas de compensa\u00e7\u00e3o, inclu\u00eda uma cl\u00e1usula onde a FEAM reconhecia a &#8220;higidez do licenciamento ambiental&#8221; (SLA n\u00ba 4682\/2021) e previa a cessa\u00e7\u00e3o dos efeitos das san\u00e7\u00f5es (embargo\/suspens\u00e3o), viabilizando a &#8220;imediata retomada das atividades&#8221; da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o que anulou o acordo baseou-se em documentos remetidos pela Pol\u00edcia Federal no contexto da &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Rejeito&#8221;, que apontaram irregularidades e ind\u00edcios de fraude e corrup\u00e7\u00e3o na concess\u00e3o do licenciamento ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o tamb\u00e9m aponta ind\u00edcios de dolo, ao considerar que a transa\u00e7\u00e3o judicial teria sido utilizada para conferir apar\u00eancia de legalidade a uma atividade irregular, com poss\u00edvel omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es relevantes por parte da mineradora e envolvimento de agentes p\u00fablicos. As investiga\u00e7\u00f5es policiais refor\u00e7am esse entendimento ao indicar suspeitas de pagamentos indevidos a servidores, al\u00e9m de intercepta\u00e7\u00f5es que sugerem tratativas financeiras ligadas ao \u00eaxito da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Decis\u00e3o final<\/h3>\n\n\n\n<p>Ao declarar a nulidade do acordo e da senten\u00e7a homologat\u00f3ria, a decis\u00e3o judicial revogou o efeito suspensivo das atividades. Com isso, a tutela de urg\u00eancia inicialmente concedida, que determina a suspens\u00e3o imediata de todas as atividades miner\u00e1rias na ADA, voltou a ser considerada.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo foi suspenso at\u00e9 que haja uma decis\u00e3o definitiva no \u00e2mbito administrativo sobre a retomada do licenciamento ambiental suspenso da Patrim\u00f4nio Minera\u00e7\u00e3o LTDA, j\u00e1 que a continuidade da a\u00e7\u00e3o depende intrinsecamente da regulariza\u00e7\u00e3o administrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre investiga\u00e7\u00f5es em curso, licen\u00e7as sob suspeita e tentativas de ordenamento que ainda n\u00e3o se concretizam, permanece a quest\u00e3o central: qual \u00e9 o limite poss\u00edvel \u2014 e aceit\u00e1vel \u2014 entre desenvolvimento econ\u00f4mico e prote\u00e7\u00e3o de um territ\u00f3rio hist\u00f3rico e habitado? Ouro Preto se v\u00ea no centro desse debate.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Reportagem desenvolvida por Rayssa Moura, Gabriela Roque e Beatriz Marques para a disciplina Laborat\u00f3rio de Jornalismo Digital no campus Cora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstico  sob a supervis\u00e3o da professora Nara Scabin, no semestre 2025\/2.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com acordos anulados, den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e territ\u00f3rios pressionados, atividade miner\u00e1ria redefine rela\u00e7\u00f5es de poder e vida cotidiana a menos de 100 km de Belo Horizonte<\/p>\n","protected":false},"author":38,"featured_media":27052,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1469,1319],"tags":[703,2843,2842,241,2823,2567],"class_list":["post-26917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-lab-jor-digi","category-meio-ambiente","tag-comunidade","tag-desenvolvimento-economico","tag-instituto-guaicuy","tag-mineracao","tag-ouro-preto","tag-ufop"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Os impactos da minera\u00e7\u00e3o que redesenham Ouro Preto - Colab<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Minera\u00e7\u00e3o exp\u00f5e fraudes, acordos anulados e impactos no cotidiano, reacendendo o debate entre desenvolvimento e prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Os impactos da minera\u00e7\u00e3o que redesenham Ouro Preto - Colab\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Minera\u00e7\u00e3o exp\u00f5e fraudes, acordos anulados e impactos no cotidiano, reacendendo o debate entre desenvolvimento e prote\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Colab\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/colabpucminas\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-12-14T17:33:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-04-14T17:34:32+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/FotoJet2.webp\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"700\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Colab Disciplinas\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@colabpucminas\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@colabpucminas\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Colab Disciplinas\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Colab Disciplinas\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/bdce4f2e6a742577053f7a88170a0796\"},\"headline\":\"Os impactos da minera\u00e7\u00e3o que redesenham Ouro Preto\",\"datePublished\":\"2025-12-14T17:33:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-04-14T17:34:32+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\\\/\"},\"wordCount\":2996,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/os-impactos-da-mineracao-que-redesenham-ouro-preto\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/blogfca.pucminas.br\\\/colab\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2025\\\/12\\\/FotoJet2.webp\",\"keywords\":[\"comunidade\",\"desenvolvimento ec\u00f4nomico\",\"instituto guaicuy\",\"minera\u00e7\u00e3o\",\"ouro preto\",\"ufop\"],\"articleSection\":[\"Lab. 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