{"id":25604,"date":"2025-12-05T20:07:52","date_gmt":"2025-12-05T23:07:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=25604"},"modified":"2025-12-09T18:24:59","modified_gmt":"2025-12-09T21:24:59","slug":"quanto-vale-a-vida-no-vale","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/quanto-vale-a-vida-no-vale\/","title":{"rendered":"Quanto vale a vida no Vale?"},"content":{"rendered":"\n<p>No Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a promessa de desenvolvimento pela explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio cai em contradi\u00e7\u00f5es. Enquanto o lado empresarial e governamental celebra investimentos bilion\u00e1rios e fala em desenvolvimento sustent\u00e1vel, comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e rurais denunciam viola\u00e7\u00f5es de direitos, falta de consulta pr\u00e9via e impactos ambientais que afetam diretamente a \u00e1gua, o ar e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>N\u00f3s sofremos os impactos da minera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem di\u00e1logo, e eles n\u00e3o consideram que aqui tem ind\u00edgenas e povos quilombolas. Na verdade, eles querem que as pessoas achem que n\u00f3s somos empecilho para o desenvolvimento.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o depoimento de Uakyr\u00ea Pankararu Braz, uma pesquisadora ind\u00edgena da Aldeia Cinta Vermelha de Jundiba, em Ara\u00e7ua\u00ed, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Em entrevista, ela relatou os problemas que vivencia na comunidade em que reside e nas comunidades pr\u00f3ximas ao local onde acontece a explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio no Vale do Jequitinhonha.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O metal que move a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), o <a href=\"http:\/\/recursomineralmg.codemge.com.br\/substancias-minerais\/litio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">l\u00edtio<\/a> \u00e9 um mineral met\u00e1lico, pertencente \u00e0 fam\u00edlia dos alcalinos (grupo 1 da tabela peri\u00f3dica), sendo considerado o metal mais leve e menos denso dentre todos. Segundo Elaine Santos, soci\u00f3loga e pesquisadora p\u00f3s-doutoral no Programa USP Cidades Globais (IEA), no artigo <a href=\"https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/seminasoc\/article\/view\/51229\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u201cO l\u00edtio no Brasil: hist\u00f3ria, pol\u00edticas e desafios industriais\u201d<\/a>, o elemento foi descoberto em 1817, na Su\u00e9cia, quando o qu\u00edmico Johan August Arfwedson o identificou ao analisar a petalita, mineral que havia sido catalogado anteriormente pelo mineralogista brasileiro Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, que foi um dos l\u00edderes da Independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>No pa\u00eds, as primeiras ocorr\u00eancias registradas de minerais litin\u00edferos (aqueles que possuem l\u00edtio em sua composi\u00e7\u00e3o) s\u00e3o de&nbsp;1882, quando o ge\u00f3logo e pol\u00edtico brasileiro Joaquim C\u00e2ndido da Costa Sena registrou a presen\u00e7a de espodum\u00eanio no Vale do Jequitinhonha, especialmente em cidades como Ara\u00e7ua\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"968d8b\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #968d8b;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" data-id=\"26518\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS.webp\" alt=\"Uma fotografia capta uma m\u00e3o de pele clara estendida, segurando um punhado de fragmentos de min\u00e9rio de l\u00edtio (provavelmente espodum\u00eanio). O material consiste em pedras pequenas, angulares e de cor predominante verde-claro a cinza-azulado p\u00e1lido, algumas delas semitransparentes e misturadas com alguns peda\u00e7os escuros e opacos. O fundo da imagem est\u00e1 desfocado, mas coberto pelo mesmo material mineral, indicando que a foto foi tirada em uma pilha, no ch\u00e3o de uma mina ou em uma \u00e1rea de processamento.\" class=\"wp-image-26518 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS.webp 754w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS-300x200.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS-370x247.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS-270x180.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS-570x380.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS-740x494.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-FONTE-GIL-LEONARDI-IMPRENSAMINAS-150x100.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O &#8216;ouro branco&#8217; do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais \/ Gil Leonard &#8211; Imprensa MG<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX, esses minerais foram utilizados de forma limitada, sendo explorados por garimpeiros em escala artesanal. Portanto, nesse per\u00edodo, n\u00e3o houve explora\u00e7\u00e3o comercial nem aplica\u00e7\u00e3o industrial do l\u00edtio. O cen\u00e1rio mudou no s\u00e9culo XXI e, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, passou a ocupar o centro das aten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas de Minas Gerais. Com a promessa de desenvolvimento econ\u00f4mico, gera\u00e7\u00e3o de empregos e melhorias na regi\u00e3o do Jequitinhonha, o l\u00edtio vem promovendo no Estado uma nova corrida do ouro, em busca do chamado ouro branco.<\/p>\n\n\n\n<p>Luciano Andrey Montoro, professor do Departamento de Qu\u00edmica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que a import\u00e2ncia do l\u00edtio se d\u00e1 por ser um elemento qu\u00edmico leve: \u201cQuando a gente olha na tabela peri\u00f3dica, v\u00ea que ele est\u00e1 l\u00e1 em cima, no topo, \u00e0 esquerda. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o que mostra que ele \u00e9 um elemento bastante leve. O fato de ser leve \u00e9 uma coisa importante porque faz com que os materiais das baterias sejam mais leves em termos de massa\u201d. Luciano explica as principais formas que o l\u00edtio \u00e9 encontrado na natureza:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Professor de Qu\u00edmica da UFMG, explica as principais formas que o L\u00edtio \u00e9 encontrado na natureza\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/up6sIpexyTk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A leveza, juntamente com o seu potencial eletroqu\u00edmico e sua capacidade de armazenar energia, o transformaram em um dos insumos mais valiosos e estrat\u00e9gicos da atualidade. Luciano Montoro explica que o l\u00edtio \u00e9 um \u00edon e forma uma esp\u00e9cie de carga muito pequena, que tem a capacidade de entrar na estrutura de outros materiais e se acomodar em posi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas. Por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o de baterias recarreg\u00e1veis utilizadas em carros el\u00e9tricos, celulares, notebooks, tablets e sistemas de energia solar e e\u00f3lica. Al\u00e9m disso, o l\u00edtio \u00e9 importante na ind\u00fastria de vidros e cer\u00e2micas, na fabrica\u00e7\u00e3o de graxas e lubrificantes, e na \u00e1rea farmac\u00eautica, onde \u00e9 utilizado como estabilizador de humor em tratamentos psiqui\u00e1tricos. Ele tamb\u00e9m \u00e9 considerado pe\u00e7a-chave da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, um processo que promete substituir o petr\u00f3leo por fontes limpas e sustent\u00e1veis. No entanto, essa promessa n\u00e3o \u00e9 neutra, uma vez que, por tr\u00e1s desse discurso, o avan\u00e7o da minera\u00e7\u00e3o traz \u00e0 tona velhas disputas por territ\u00f3rio, riqueza e soberania.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Elaine Santos explica que o l\u00edtio passou a ocupar esse papel estrat\u00e9gico por causa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e da corrida tecnol\u00f3gica mundial dos \u00faltimos anos. Ela lembra que, embora exista um artigo da d\u00e9cada de 1970 que j\u00e1 apontava o l\u00edtio como futuro componente das baterias e das tecnologias de energia, foi a pandemia de Covid-19 que gerou uma verdadeira reviravolta no debate. Segundo ela, esse per\u00edodo escancarou como v\u00e1rios pa\u00edses haviam perdido suas cadeias de produ\u00e7\u00e3o e passaram a depender quase totalmente de fornecedores externos. A interrup\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas, o fechamento de fronteiras e a falta de equipamentos b\u00e1sicos mostraram que economias como de pa\u00edses europeus e Estados Unidos n\u00e3o tinham autonomia nem para produzir itens simples, como m\u00e1scaras, muito menos para manter setores tecnol\u00f3gicos funcionando. A crise tamb\u00e9m deixou evidente o peso da China, que domina grande parte das cadeias mais tecnol\u00f3gicas e concentra a produ\u00e7\u00e3o de insumos necess\u00e1rios para baterias, eletr\u00f4nicos e energias renov\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade industrial e depend\u00eancia internacional fez o tema ganhar espa\u00e7o no notici\u00e1rio e na pol\u00edtica. Para Elaine Santos, a pandemia n\u00e3o criou o debate, mas tornou imposs\u00edvel ignor\u00e1-lo. Ao expor falhas e desigualdades nas cadeias globais, ela transformou o l\u00edtio, que antes aparecia mais em relat\u00f3rios t\u00e9cnicos, em um assunto discutido publicamente, impulsionando pesquisas, planos estrat\u00e9gicos e disputas por minerais considerados essenciais para o futuro energ\u00e9tico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Elaine Santos explica como o Litio se tornou o centro das aten\u00e7\u00f5es politicas e econ\u00f4micas do planeta\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ziSDUBXjQ7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do subsolo \u00e0s disputas de poder&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do l\u00edtio no Brasil teve in\u00edcio apenas no s\u00e9culo XX, quando ganhou relev\u00e2ncia internacional em raz\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o e do contexto geopol\u00edtico da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e da Guerra Fria (1947-1991). Durante esse per\u00edodo, as pot\u00eancias buscavam minerais estrat\u00e9gicos para ind\u00fastrias qu\u00edmicas, tecnol\u00f3gicas e militares. Nesse cen\u00e1rio, o <a href=\"https:\/\/antigo.mme.gov.br\/web\/guest\/secretarias\/geologia-mineracao-e-transformacao-mineral\/entidades-vinculadas\/dnpm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Departamento Nacional da Produ\u00e7\u00e3o Mineral (DNPM)<\/a> iniciou nos anos 1940 levantamentos geol\u00f3gicos em Minas Gerais, com o apoio de t\u00e9cnicos norte-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com artigo \u201c<a href=\"https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/seminasoc\/article\/view\/51229\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O l\u00edtio no Brasil: hist\u00f3ria, pol\u00edticas e desafios industriais<\/a>\u201d, como resultado, no ano de 1959 aconteceu a primeira exporta\u00e7\u00e3o de l\u00edtio brasileiro: toneladas de lepidolita, extra\u00edda no Vale do Jequitinhonha, foram enviadas ao Jap\u00e3o. Ainda na segunda metade do s\u00e9culo XX, surgiram iniciativas industriais voltadas ao manuseio do l\u00edtio como a Organiza\u00e7\u00e3o Qu\u00edmica Industrial de Metais e Min\u00e9rios Ltda (Orquima), que teve suas atividades integradas \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.inb.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ind\u00fastrias Nucleares do Brasil (INB)<\/a> a <a href=\"https:\/\/cesbra.com.br\/empresa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Companhia Estan\u00edfera do Brasil (CESBRA)<\/a> e a Arqueana de Min\u00e9rios e Metais, em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<p>A grande virada de chave ocorreu em 1985, com a funda\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.cblitio.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Companhia Brasileira de L\u00edtio (CBL)<\/a>, instalada entre Ara\u00e7ua\u00ed e Itinga, no Norte de Minas. A empresa, que se consolidou como refer\u00eancia nacional e internacional, iniciou suas opera\u00e7\u00f5es em 1991 e come\u00e7ou a explorar o l\u00edtio com o objetivo de abastecer o mercado interno de medicamentos, vidros, cer\u00e2micas e graxas. Esse movimento acabou transformando Minas Gerais no n\u00facleo da produ\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o industrial de l\u00edtio no Brasil, protegida por legisla\u00e7\u00f5es que reconheciam o seu valor estrat\u00e9gico, como o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/D2413.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;Decreto 2.413\/1997<\/a>, que atribuiu \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnen\/pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN)<\/a> a regula\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio do l\u00edtio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, o <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2022\/decreto\/d11120.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decreto 11.120\/2022<\/a> revogou essas restri\u00e7\u00f5es que limitavam \u00e0 CNEN as responsabilidades de controle do l\u00edtio, liberando seu com\u00e9rcio exterior.\u00a0 Ap\u00f3s essa medida, empresas multinacionais passaram a atuar com mais agressividade e em maior escala em Minas Gerais, sendo a mais emblem\u00e1tica delas a Sigma Lithium, instalada em Itinga no ano de 2018, que rapidamente se tornou uma das maiores produtoras globais de concentrado de l\u00edtio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento foi celebrado por governos como s\u00edmbolo de moderniza\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel. A Sigma, por exemplo, se apresenta como produtora de \u201cl\u00edtio verde\u201d, um termo que, segundo a empresa, reflete processos mais limpos, sem o uso de reagentes qu\u00edmicos e com menor impacto ambiental. Mas Elaine Santos v\u00ea esse discurso com desconfian\u00e7a. &#8220;Nem sempre elas t\u00e3o contando essa hist\u00f3ria para quem est\u00e1 no territ\u00f3rio, elas est\u00e3o contando essa hist\u00f3ria para investidores&#8221;, afirma. &#8220;Ent\u00e3o, \u00f3bvio que para quem t\u00e1 no territ\u00f3rio tem que lidar com as explos\u00f5es, tem que lidar com a fuma\u00e7a e essa poeira. N\u00e3o, aquilo n\u00e3o \u00e9 verde&#8221;. Para ela, o r\u00f3tulo \u00e9 menos sobre sustentabilidade e mais sobre legitima\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A soci\u00f3loga Elaine Santos explica a express\u00e3o &quot;l\u00edtio verde&quot; e como esse discurso afeta a popula\u00e7\u00e3o\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FuXJp15aCak?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O processo de extra\u00e7\u00e3o do l\u00edtio apresenta riscos significativos, incluindo polui\u00e7\u00e3o e esgotamento da \u00e1gua, perda de biodiversidade e emiss\u00f5es de carbono. Cada tonelada de l\u00edtio extra\u00edda resulta em <a href=\"https:\/\/earth.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">15 toneladas de emiss\u00f5es de CO2<\/a> no meio ambiente. O impacto ambiental, leva \u00e0 escassez de \u00e1gua em regi\u00f5es j\u00e1 \u00e1ridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Luciano Montoro, o termo \u201cmineral verde\u201d, muito usado para se referir \u00e0 uma forma de extra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, depende de como se d\u00e1 o processamento e o manejo dos elementos. O Brasil, apesar de possuir a oitava maior reserva mundial, demorou a perceber o potencial desse mercado. Historicamente, o pa\u00eds teve experi\u00eancias isoladas, como a j\u00e1 citada CBL, que abastecia setores como o farmac\u00eautico, o cer\u00e2mico e o de lubrificantes, mas sua atua\u00e7\u00e3o foi reduzida e ofuscada nas d\u00e9cadas seguintes pela falta de incentivos e pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quando o mundo descobriu o l\u00edtio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para Elaine Santos, pa\u00edses como a Bol\u00edvia foram pioneiros na industrializa\u00e7\u00e3o estatal do l\u00edtio no s\u00e9culo XXI, assim como o Chile, o que deixa o Brasil em status secund\u00e1rio dentro da pr\u00f3pria Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<p>Muito antes, ainda em 1990, a Sony, empresa japonesa na \u00e1rea de fabrica\u00e7\u00e3o de aparelhos eletr\u00f4nicos usou o l\u00edtio na fabrica\u00e7\u00e3o da primeira bateria recarreg\u00e1vel de i\u00f5es de l\u00edtio, para sua nova c\u00e2mera filmadora (que mais tarde seria conhecida como Handycam). Comparadas com as baterias tradicionais, as de \u00edon de l\u00edtio carregavam mais r\u00e1pido, duravam mais e tinham maior densidade de carga, aumentando a vida \u00fatil da bateria mesmo em uma estrutura menor. Desde ent\u00e3o, os olhos de todas as fabricantes de equipamentos eletr\u00f4nicos voltaram-se para o elemento.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico no s\u00e9culo XXI, a produ\u00e7\u00e3o de telefones celulares, notebooks, tablets, al\u00e9m de bicicletas e carros el\u00e9tricos ficou cada vez mais dependente do l\u00edtio para a produ\u00e7\u00e3o de baterias. Esse processo coincidiu com a consolida\u00e7\u00e3o do metal como um pilar da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica global, j\u00e1 que as baterias de \u00edon-l\u00edtio se tornaram a tecnologia essencial para o armazenamento de energia em um cen\u00e1rio de descarboniza\u00e7\u00e3o. Com a expans\u00e3o de fontes renov\u00e1veis, como solar e e\u00f3lica, que s\u00e3o intermitentes, tornou-se fundamental armazenar a energia gerada, e as propriedades \u00fanicas do l\u00edtio (leveza, alta densidade energ\u00e9tica e reatividade) o colocaram no centro dessa demanda mundial.&nbsp; Com a necessidade global voltada para um desenvolvimento sustent\u00e1vel, com foco na descarboniza\u00e7\u00e3o, o l\u00edtio passou a ser n\u00e3o somente um material rent\u00e1vel e eficiente para a produ\u00e7\u00e3o de baterias, mas tamb\u00e9m uma fonte de disputa comercial em que na\u00e7\u00f5es \u201cbrigam\u201d para tomar o controle mundial da produ\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas de armazenamento (baterias).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como o elemento n\u00e3o \u00e9 igualmente distribu\u00eddo em todos os lugares do planeta, alguns pa\u00edses, como Argentina, Bol\u00edvia, Chile, M\u00e9xico e Brasil, todos na Am\u00e9rica Latina, det\u00e9m cerca de 2\/3 de toda reserva do mineral. Grande parte do l\u00edtio est\u00e1 distribu\u00eddo em pa\u00edses latinos, fragilizados com pol\u00edticas de prioriza\u00e7\u00e3o da busca por renda em detrimento do desenvolvimento de vantagens competitivas baseadas em tecnologia. Isso beneficia diretamente os pa\u00edses desenvolvidos que conseguem produzir bateria e comercializar mundialmente, aumentando sua rentabilidade em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses explorados. Dessa forma, o l\u00edtio \u00e9 parte de uma das principais disputas geopol\u00edticas de na\u00e7\u00f5es globais, causando ainda mais a desigualdade entre pa\u00edses desenvolvidos e subdesenvolvidos, j\u00e1 que os pa\u00edses onde o l\u00edtio \u00e9 explorado compram mais caro o produto final (como celulares, notebooks e carros el\u00e9tricos) do que vendem seu recurso natural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A explora\u00e7\u00e3o no Vale do Jequitinhonha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" frameborder=\"0\" class=\"juxtapose\" width=\"100%\" height=\"250\" src=\"https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/juxtapose\/latest\/embed\/index.html?uid=f5b75668-cb26-11f0-ba1b-0e6f42328d7d\"><\/iframe>\n\n\n\n<p>O Vale do Jequitinhonha, no Norte de Minas Gerais, \u00e9 uma das principais fontes de extra\u00e7\u00e3o de l\u00edtio do pa\u00eds. Por isso, o governo estadual defende o <a href=\"https:\/\/www.agenciaminas.mg.gov.br\/noticia\/vale-do-litio-projeto-estrategico-do-governo-de-minas-celebra-dois-anos-transformando-vidas-na-regiao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Projeto Vale do L\u00edtio<\/a> como um motor de desenvolvimento econ\u00f4mico, respons\u00e1vel por atrair bilh\u00f5es em investimentos, gerar empregos e impulsionar pol\u00edticas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e infraestrutura. Segundo dados do <a href=\"https:\/\/www.agenciaminas.mg.gov.br\/noticia\/atracao-bilionaria-de-investimentos-pelo-vale-do-litio-impulsiona-arrecadacao-revertida-em-melhorias-para-a-populacao\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Governo de Minas<\/a>, mais de 5,5 bilh\u00f5es j\u00e1 foram investidos na regi\u00e3o. A promessa \u00e9 transformar o Jequitinhonha em um polo global do l\u00edtio e inserir Minas Gerais no mapa da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Segundo Priscilla Sette, Analista Ambiental da FIEMG, na regi\u00e3o do Vale do Jequitinhonha, a possibilidade de desenvolvimento regional \u00e9 muito grande. \u201cA explora\u00e7\u00e3o do l\u00edtio j\u00e1 existe na regi\u00e3o h\u00e1 mais de 30 anos, e h\u00e1 a possibilidade de criar um polo de explora\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 uma regi\u00e3o carente de infraestrutura. Criar um &#8220;vale do l\u00edtio&#8221; fortifica a regi\u00e3o e, se bem engajado com as pol\u00edticas p\u00fablicas, possibilita a implanta\u00e7\u00e3o da infraestrutura que a comunidade necessita\u201d, afirma a analista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large wp-duotone-unset-2\"><img data-dominant-color=\"babaa6\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #babaa6;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"676\" data-id=\"26521\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-26521 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL.webp 800w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-300x254.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-768x649.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-370x313.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-270x228.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-570x482.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-740x625.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/IMG-VALE-DO-LITIO-BRASIL-MINERAL-150x127.webp 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Mapa de minas Geras com destaque para os munic\u00edpios que h\u00e1 projetos de explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio \/ Gil Leonard<\/pre>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a explora\u00e7\u00e3o mineral tamb\u00e9m traz tens\u00f5es: comunidades ind\u00edgenas, quilombolas e rurais relatam viola\u00e7\u00f5es de direitos, impactos ambientais (como poeira, doen\u00e7as respirat\u00f3rias, contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e rachaduras em casas) e aus\u00eancia de consulta pr\u00e9via, que \u00e9 um direito garantido pela <a href=\"https:\/\/www.oas.org\/dil\/port\/1989%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20Povos%20Ind%C3%ADgenas%20e%20Tribais%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20OIT%20n%20%C2%BA%20169.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT<\/a>). Movimentos sociais como o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pesquisadores como Elaine Santos questionam se o modelo de minera\u00e7\u00e3o em curso repete um padr\u00e3o de extrativismo dependente, em que os benef\u00edcios econ\u00f4micos ficam concentrados enquanto os custos sociais e ambientais recaem sobre os territ\u00f3rios explorados. A chegada da minera\u00e7\u00e3o de l\u00edtio mudou o cotidiano de comunidades inteiras. A regi\u00e3o, historicamente marcada pela seca, pela pobreza e pela aus\u00eancia do Estado, vive agora uma nova corrida por riqueza e poder.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em processos que envolvem n\u00e3o s\u00f3 empresas, mas tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o, como nos casos da explora\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o popular \u00e9 fundamental. Segundo&nbsp; a Analista Ambiental, Priscilla Sette: \u201cEla (a participa\u00e7\u00e3o popular) promove mais \u00eanfase na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no controle social, e traz perspectivas diferentes da comunidade, com um olhar diferenciado para as suas reais necessidades. A participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica j\u00e1 \u00e9 um instrumento utilizado nos processos de licen\u00e7a, e dependendo do porte do empreendimento (como na minera\u00e7\u00e3o), s\u00e3o solicitadas audi\u00eancias e reuni\u00f5es p\u00fablicas onde todos os estudos ambientais s\u00e3o apresentados, com escuta ativa da comunidade. Essa escuta ativa \u00e9 uma importante ferramenta de decis\u00e3o para os \u00f3rg\u00e3os ambientais na etapa do licenciamento.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m o discurso de desenvolvimento e sustentabilidade contrasta com a sensa\u00e7\u00e3o de abandono e inseguran\u00e7a sentida por quem mora ali. A militante Joyce Silva, que integra a coordena\u00e7\u00e3o regional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) , afirma que a chegada das mineradoras escancara desigualdades hist\u00f3ricas. \u201cQuando chegam esses grandes empreendimentos, j\u00e1 s\u00e3o automaticamente 16 direitos violados. Tem comunidades que, por exemplo, est\u00e3o h\u00e1 30 anos tentando ter acesso a \u00e1gua e n\u00e3o t\u00eam. A\u00ed chega o empreendimento como a Sigma e consegue uma outorga de \u00e1gua em menos de dois anos\u2019\u2019, critica. Segundo Joyce Silva, decis\u00f5es importantes foram tomadas sem a participa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o. \u201cQuando a mineradora chegou, ela passava a lista de presen\u00e7a sem cabe\u00e7\u00e1rio. Ent\u00e3o, os moradores pensaram: &#8216;lista de presen\u00e7a eu vou assinar, estou aqui&#8217; e atrav\u00e9s dessa lista de presen\u00e7a eles utilizaram para mudar uma estrada centen\u00e1ria\u201d, den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Joyce Silva, militante do MAB, explica que as mineradoras violam os direitos da popula\u00e7\u00e3o\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qK8EbtoXgvg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Joyce Silva considera o nome \u201cVale do L\u00edtio\u201d um s\u00edmbolo de apagamento. \u201cA gente foi considerado anos e anos como o Vale da Mis\u00e9ria. O MAB reafirma que aqui a gente n\u00e3o tem s\u00f3 l\u00edtio. Aqui a gente, antes do l\u00edtio, aqui tem povo, aqui tem ind\u00edgena, tem quilombola, tem cultura, tem resist\u00eancia. Modificar esse sentimento da gente com o territ\u00f3rio \u00e9 apagar nossa cultura e nos vender como apenas um mineral.\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Joyce Silva, integrante do MAB, afirma porque discorda da express\u00e3o &quot;Vale do l\u00edtio&quot;\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3Rh6Mke-3ao?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>A pesquisadora indigena Uakyr\u00ea Pankararu, da Aldeia Cinta Vermelha de Jundiba, em Ara\u00e7ua\u00ed, no Vale do Jequitinhonha, conta que a vida na regi\u00e3o sempre foi muito dif\u00edcil por ser uma regi\u00e3o semi\u00e1rida e que j\u00e1 teve v\u00e1rias outras explora\u00e7\u00f5es. Dentre os impactos sofridos, especialmente, pela\u00a0 explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio, a pesquisadora destaca, o preconceito e a seguran\u00e7a, principalmente para as mulheres, por terem diversas pessoas desconhecidas na regi\u00e3o, que trabalham na explora\u00e7\u00e3o de L\u00edtio: &#8220;Eu vivo numa comunidade em que pessoas desconhecidas est\u00e3o entrando sem autoriza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. <\/p>\n\n\n\n<p>Uakyr\u00ea Pankararu afirma que a fam\u00edlia v\u00eam de uma base de movimento ind\u00edgena e tem conhecimentos sobre os direitos, mas que h\u00e1 falta de di\u00e1logo com a empresa \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos di\u00e1logo nenhum com a empresa, a empresa nunca procurou a gente para consulta e nenhum consentimento, nem com n\u00f3s, nem com nenhum, na verdade eles fazem audi\u00eancia p\u00fablica e a gente tem diferen\u00e7a de audi\u00eancia p\u00fablica para consulta e consentimento livre e pr\u00e9-informado, que \u00e9 garantido pela Conven\u00e7\u00e3o 169\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00edgena cr\u00edtica a falta de di\u00e1logo entre popula\u00e7\u00e3o e empresa: \u201cEla come\u00e7ou a operar, creio que em 2022, se eu n\u00e3o me engano, mas n\u00f3s n\u00e3o ficamos sabendo nem da instala\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ficamos sabendo de nada. Ent\u00e3o, isso \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o de direitos, n\u00e9? N\u00f3s vivemos porque n\u00e3o tem di\u00e1logo.\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Uakyr\u00ea explica como \u00e9 o di\u00e1logo das comunidades com as empresas exploradoras de l\u00edtio\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aF4PLFmBjqQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Geopol\u00edtica do l\u00edtio<\/h2>\n\n\n\n<p>O l\u00edtio no Jequitinhonha n\u00e3o \u00e9 apenas um debate local, mas parte de uma disputa geopol\u00edtica maior, marcada pela corrida internacional por minerais estrat\u00e9gicos, pela vulnerabilidade das regi\u00f5es produtoras diante das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e pelas contradi\u00e7\u00f5es entre desenvolvimento sustent\u00e1vel e explora\u00e7\u00e3o intensiva de recursos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 justamente nesse ponto em que a &#8220;corrida pelo l\u00edtio&#8221; se relaciona com as discuss\u00f5es internacionais sobre clima e energia, j\u00e1 que a explora\u00e7\u00e3o desse metal no Brasil est\u00e1 intrinsecamente ligada a agendas globais de sustentabilidade, justi\u00e7a social e responsabilidade clim\u00e1tica. A COP30, que ocorre em Bel\u00e9m, representa uma oportunidade hist\u00f3rica para o pa\u00eds reafirmar seu papel de lideran\u00e7a nas negocia\u00e7\u00f5es sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sustentabilidade global. O evento permitir\u00e1 ao pa\u00eds demonstrar seus esfor\u00e7os em \u00e1reas como energias renov\u00e1veis, biocombust\u00edveis e agricultura de baixo carbono, al\u00e9m de refor\u00e7ar sua atua\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em processos multilaterais, como na Eco-92 e na Rio+20.<\/p>\n\n\n\n<p>A COP-30 reflete a ansiedade da sociedade, com uma necess\u00e1ria mudan\u00e7a na estrat\u00e9gia global de elimina\u00e7\u00e3o da extra\u00e7\u00e3o e uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis e com a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.&nbsp; \u00c9 um marco importante, pois nele se estabelece n\u00e3o apenas as diretrizes para redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa, mas tamb\u00e9m se examina o impacto de tecnologias limpas e sustent\u00e1veis, que desempenham um papel fundamental em um futuro mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, por enquanto, o processo de extra\u00e7\u00e3o de algo que promete ser sustent\u00e1vel, tem impactos negativos em diferentes aspectos na regi\u00e3o do Vale do Jequitinhonha. Uakyr\u00ea destaca a boa rela\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas com a natureza e denuncia que percebeu, por exemplo, abelhas \u201cdesorientadas\u201d na regi\u00e3o e morcegos adentrando \u00e0s casas dos moradores, por consequ\u00eancia dos impactos no ar, deixados pela minera\u00e7\u00e3o. A ind\u00edgena cita tamb\u00e9m a dificuldade de acesso a \u00e1gua \u201cE a quest\u00e3o tamb\u00e9m da \u00e1gua que foi muito dif\u00edcil tamb\u00e9m o acesso \u00e0 \u00e1gua atrav\u00e9s dos carros-pipa, porque a empresa estava tendo muita demanda de \u00e1gua na cidade e a\u00ed n\u00f3s temos abastecimento de \u00e1gua com carro-pipa e isso dificultou, porque a gente estava procurando carro-pipa e estava dif\u00edcil achar por causa dessa demanda que tinha por causa dessas empresas\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Uakyr\u00ea explica que a comunidade Po\u00e7o Dantas, perto de onde ela mora, fica ao lado de onde a empresa Sigma Lithium atua. Segundo ela, a popula\u00e7\u00e3o local fazia o uso da \u00e1gua do chamado Ribeir\u00e3o Piau\u00ed, para beber e para pescar e que hoje eles n\u00e3o podem fazer mais o uso da \u00e1gua do ribeir\u00e3o porque a pilha de rejeito da empresa fica em cima do ribeir\u00e3o que consequentemente \u00e9 impactado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela o que a empresa faz \u00e9 uma falta de respeito com a popula\u00e7\u00e3o: \u201cO Ribeir\u00e3o Piau\u00ed des\u00e1gua no Rio Jequitinhonha. E para a gente o Rio Jequitinhonha \u00e9 um lugar sagrado, n\u00e9? Um lugar que tem v\u00e1rias vidas tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, n\u00f3s vemos que essas empresas, elas n\u00e3o olham para essas quest\u00f5es e n\u00e3o teve a consulta e o consentimento das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e do povo quilombola, n\u00e9, para poder operar na regi\u00e3o.\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A indigena Uakyr\u00ea Pankararu explica boa rela\u00e7\u00e3o com a natureza e a interfer\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ejW8ogN1NSk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote\"><blockquote><p>Em 2024, comunidades e povos tradicionais do Vale do Jequitinhonha afetadas, foram \u00e0 Assembleia Legislativa para tratar do assunto. <a href=\"https:\/\/www.almg.gov.br\/comunicacao\/noticias\/arquivos\/Povos-do-Jequitinhonha-denunciam-impactos-por-exploracao-do-litio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acesse aqui<\/a>.\u00a0<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"6f7170\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #6f7170;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-id=\"26517\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-1024x681.webp\" alt=\"Uma fotografia em \u00e2ngulo aberto e n\u00edvel dos olhos capta um grupo de pessoas em p\u00e9, lotando as primeiras filas de cadeiras de um audit\u00f3rio que parece ser uma sala de reuni\u00f5es ou c\u00e2mara municipal.\n\nA maioria das pessoas est\u00e1 virada para a frente da sala, embora algumas estejam viradas para os lados ou para tr\u00e1s. Muitos est\u00e3o usando camisetas brancas, algumas delas com uma estampa verde na frente (parecendo um s\u00edmbolo ou mapa), e v\u00e1rios indiv\u00edduos, especialmente nas filas da frente, est\u00e3o usando babadores ou coletes brancos sobre a camiseta com uma estampa semelhante ou id\u00eantica.\" class=\"wp-image-26517 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-1024x681.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-300x200.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-768x511.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-370x246.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-270x180.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-570x379.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-740x492.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707-150x100.webp 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/2144707.webp 1400w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Protesto de moradores de comunidades atingidas pelos danos da minera\u00e7\u00e3o durante a audi\u00eancia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais \/ Luiz Santana &#8211; ALMG<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2025, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal chegou a recomendar a suspens\u00e3o de atividades e pediu que a empresa apresentasse novos estudos de impacto ambiental, mas, na pr\u00e1tica, pouco mudou. A press\u00e3o sobre as comunidades continua, e muitas fam\u00edlias relatam medo de se opor ao empreendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Uakyr\u00ea explica que todo esse processo de explora\u00e7\u00e3o afeta diretamente a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o local. \u201cO pessoal do Po\u00e7o Dantas, que vive ao lado da mineradora, onde eles vivem cotidianamente com explos\u00f5es, rachaduras das casas, noites sem dormir, e nenhuma perspectiva para o futuro, porque eles j\u00e1 est\u00e3o, n\u00f3s, n\u00e9, estamos totalmente sendo mapeados por essas empresas, n\u00e3o estamos sabendo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cL\u00e1 no Po\u00e7o Dantas algumas pessoas est\u00e3o tomando rem\u00e9dio para dormir, est\u00e3o tomando rem\u00e9dio para ansiedade. Na aldeia tamb\u00e9m a gente tem casos de pessoas que est\u00e3o tomando rem\u00e9dio para a ansiedade tamb\u00e9m, porque a vida aqui mudou drasticamente.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"A indigena Uakyr\u00ea Pankararu detalha os impactos da explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio no Vale do Jequitinhonha\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/B1UDRsvTPbY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Uakyr\u00ea explica que os povos ind\u00edgenas s\u00e3o colocados como empecilio para o desenvolvimento da regi\u00e3o, mas que n\u00e3o verdade n\u00e3o s\u00e3o contra e s\u00f3 est\u00e3o defendendo o que \u00e9 de direito: \u201cA gente est\u00e1 l\u00e1 defendendo o Rio Jequitinhonha, as mulheres tamb\u00e9m e para dizer que n\u00f3s n\u00e3o somos contra o desenvolvimento, mas de como ele \u00e9 feito. O Vale do Jequitinhonha \u00e9 muito rico, mas essas riquezas est\u00e3o sendo levadas para fora, n\u00e3o tem nada ficando para a cidade, para as comunidades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a Semana do Clima, que ocorreu entre 21 e 28 de setembro, em Nova York, Uakyr\u00ea foi \u00e0 cidade norte-americana para debater sobre a import\u00e2ncia da visibilidade no tema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. Segundo ela, foi uma boa oportunidade de conhecer e fazer estrat\u00e9gia de luta com outras pessoas,&nbsp; de outros lugares.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Foi uma oportunidade muito grande de conhecer e fazer estrat\u00e9gia de luta com outras pessoas de outros lugares. Foi muito importante a presen\u00e7a das mulheres ind\u00edgenas nesses espa\u00e7os, principalmente aqui do Vale do Jequitinhonha, onde est\u00e3o acontecendo esses impactos, mas eu fiquei um pouco triste. Porque havia poucos ind\u00edgenas no local de bastante discuss\u00e3o, e para falar sobre clima tem que ter presen\u00e7a de ind\u00edgenas para falar sobre esse tema t\u00e3o importante, porque n\u00f3s somos os primeiros impactados por grandes empreendimentos. E tamb\u00e9m que o nosso povo tem que estar a par do que est\u00e1 acontecendo e decidir sobre nossas vidas e nosso territ\u00f3rio. Falar sobre clima \u00e9 falar sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas e esses territ\u00f3rios ind\u00edgenas \u00e9 que est\u00e3o sendo alvo de grandes empresas e empreendimentos<\/p>\n<cite>Uakyr\u00ea Pankararu, pesquisadora ind\u00edgena<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos danos ambientais, os efeitos econ\u00f4micos e sociais s\u00e3o vis\u00edveis. Por exemplo, o pre\u00e7o dos alugu\u00e9is dobrou em pouco tempo, e o custo de vida aumentou consideravelmente. \u201cO aluguel de uma casa antes custava menos de R$ 500, hoje em dia t\u00e1 mais de R$ 1.000. Ent\u00e3o imagina uma m\u00e3e solteira com mais de tr\u00eas filhos e tem que pagar um aluguel com mais de R$ 1.000. Al\u00e9m disso, a sobrecarga dos hospitais e o aumento da presen\u00e7a de trabalhadores homens vindos de fora tamb\u00e9m trazem novas preocupa\u00e7\u00f5es, principalmente entre as mulheres das comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo diante desse cen\u00e1rio, o MAB aposta na organiza\u00e7\u00e3o popular e na busca por alternativas que garantam soberania, sustentabilidade e participa\u00e7\u00e3o social. Uma das iniciativas \u00e9 o Projeto Veredas, que implantou a maior usina fotovoltaica flutuante da Am\u00e9rica Latina, localizada em Gr\u00e3o Mogol (MG). \u201cN\u00e3o \u00e9 que a gente \u00e9 contra as barragens e a minera\u00e7\u00e3o, mas a gente \u00e9 contra esse modelo que chega aqui para o territ\u00f3rio, que \u00e9 um modelo que n\u00e3o \u00e9 de desenvolvimento para o povo, porque realmente n\u00e3o fica para o povo realmente os benef\u00edcios\u2019\u2019, defende.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Joyce Silva, integrante do MAB, afirma que os moradores n\u00e3o s\u00e3o contra a minera\u00e7\u00e3o\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J-GoyZ_yBUo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Joyce, o que est\u00e1 em disputa no Vale do Jequitinhonha vai muito al\u00e9m do l\u00edtio. \u00c9 uma disputa por direitos, por reconhecimento e por futuro. \u201cPor isso que o MAB puxa: Desenvolvimento para quem?\u201d, resume.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"O Vale do Jequitinhonha vai al\u00e9m do l\u00edtio, diz Joyce Silva, militante do MAB\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FwSFocTCuoU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Reportagem desenvolvida por Hadriann Oliveira, Jo\u00e3o Augusto, Leonardo Rezende e Lucas Rodrigues para a disciplina Laborat\u00f3rio de Jornalismo Digital no campus S\u00e3o Gabriel sob a supervis\u00e3o da professora Ver\u00f4nica Soares, no semestre 2025\/2.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre expectativas de desenvolvimento e den\u00fancias de viola\u00e7\u00e3o, o Vale do Jequitinhonha vive a tens\u00e3o do \u201couro branco\u201d, que amea\u00e7a a regi\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":26800,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[375,1469,1319],"tags":[695,2822,26,2821,380,1037,241,2638],"class_list":["post-25604","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-lab-jor-digi","category-meio-ambiente","tag-economia","tag-exploracao-de-lito","tag-jornalismo","tag-litio","tag-meio-ambiente","tag-minas-gerais","tag-mineracao","tag-vale-do-jequitinhonha"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Quanto vale a vida no Vale? 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