{"id":25369,"date":"2025-11-10T18:40:28","date_gmt":"2025-11-10T21:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=25369"},"modified":"2025-11-12T17:37:53","modified_gmt":"2025-11-12T20:37:53","slug":"mulher-da-casa-abandonada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/mulher-da-casa-abandonada\/","title":{"rendered":"Chico Felitti: muito al\u00e9m da Mulher da Casa Abandonada"},"content":{"rendered":"\n<p>Na manh\u00e3 de uma segunda-feira (6\/10), Chico Felitti estava em Belo Horizonte para investigar o caso \u201cA S\u00edndica do JK\u201d. Uma hist\u00f3ria inacredit\u00e1vel: a s\u00edndica que transformou um pr\u00e9dio no centro de BH em uma peda\u00e7o da Coreia do Norte. Ela \u00e9 conhecida como \u201cprocessona, processa todo mundo e ganha muitas vezes\u201d e, segundo Chico,&nbsp; \u201cabriu-se uma brecha para contar essa hist\u00f3ria sem o risco de perder um processo de 300, 400 mil reais\u201d. Aproveitando a passagem pela capital mineira, aceitou o convite de vir at\u00e9 a PUC Minas conceder uma entrevista para o Colab. Pela primeira vez no Campus Cora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstico, ap\u00f3s a entrevista, surpreendeu os alunos de comunica\u00e7\u00e3o conduzindo um bate papo, com os estudantes da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o e Artes (FCA) . Chegou usando uma camisa azul petr\u00f3leo, uma cal\u00e7a preta, um par de all star e uma bolsa tiracolo. Seu estilo era despojado que reafirmava a liberdade de seu trabalho. J\u00e1 na chegada, ao cumprimentar os estudantes e professores, mostrou quem \u00e9 fora dos bastidores: n\u00e3o s\u00f3 um jornalista investigativo como tamb\u00e9m uma pessoa carism\u00e1tica, acess\u00edvel e espont\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma \u00e9poca em que se apoiar apenas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais se torna insustent\u00e1vel e os profissionais do jornalismo s\u00e3o for\u00e7ados a sair da zona de conforto, Chico Felitti transita entre as m\u00eddias com maestria. \u201cEu sou um jornalista que mudou conforme o jornalismo mudava [&#8230;]. Sa\u00ed (da Folha de S. Paulo) para escrever um livro &#8211; numa \u00e9poca em que livro n\u00e3o vendia &#8211; e fazer podcast &#8211; numa \u00e9poca em que ningu\u00e9m ouvia podcast.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecido pelo sucesso do podcast <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>A Mulher da Casa Abandonada<\/em><\/a>, que, conforme a Folha de S. Paulo, registrou mais de 11 milh\u00f5es de downloads e liderou os <em>rankings <\/em>de audi\u00eancia em 2022, Chico, como prefere ser chamado, vai bem al\u00e9m dessa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Natural de Jundia\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo, Chico, aos 39 anos, afirma nunca ter sido um bom aluno. Mas sofria com a cl\u00e1ssica press\u00e3o de ter que fazer uma gradua\u00e7\u00e3o, como jovem de classe m\u00e9dia e sendo da segunda gera\u00e7\u00e3o que teve acesso ao ensino superior na fam\u00edlia. Ele conta que ao concluir o ensino m\u00e9dio n\u00e3o tinha ideia de qual carreira seguir e teve que escolher \u201cde olhos fechados\u201d o que iria cursar. Atribui ao acaso e \u00e0 \u201calta probabilidade de passar\u201d a entrada nas Ci\u00eancias Sociais. Al\u00e9m da Sociologia, optou tamb\u00e9m&nbsp; pelo Jornalismo,&nbsp; que era o que mais se aproximava de seus gostos pessoais e \u201cn\u00e3o parecia uma ideia horr\u00edvel&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mudou-se para a capital S\u00e3o Paulo para cursar concomitantemente Jornalismo na PUC-SP e Ci\u00eancias Sociais na USP. Como ainda precisava trabalhar enquanto fazia as duas faculdades, afirma n\u00e3o ter aproveitado nenhum dos cursos completamente. \u201cEu me formei fora da sala de aula\u201d, dispara Chico. Apesar das condi\u00e7\u00f5es adversas, encontrou na comunica\u00e7\u00e3o uma paix\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como entrou muito cedo no mercado de trabalho, teve experi\u00eancias pr\u00e1ticas que moldaram seu trabalho muito mais profundamente que a vida acad\u00eamica, tendo assim a oportunidade de se encantar pelo of\u00edcio muito antes de se encantar pelo estudo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"171613\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #171613;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"657\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-1024x657.webp\" alt=\"Em um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o, o entrevistado fala sobre o processo de apura\u00e7\u00e3o e os bastidores de suas reportagens. A cena \u00e9 iluminada por refletores e acompanhada de equipamentos profissionais de som, revelando o clima de concentra\u00e7\u00e3o e cuidado caracter\u00edstico de produ\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas que buscam contar hist\u00f3rias reais com profundidade.\" class=\"wp-image-25377 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-1024x657.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-300x192.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-768x493.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-1536x985.webp 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-2048x1314.webp 2048w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-370x237.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-270x173.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-570x366.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-740x475.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-3-150x96.webp 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Momento durante entrevista para o Colab com Chico Felitti  \/ Foto: Vict\u00f3ria Barros<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O primeiro contato com o jornalismo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A ess\u00eancia de Chico fica evidente desde os primeiros trabalhos, sendo sempre atra\u00eddo para empregos que envolviam o contato com pessoas e o frenesi das rotinas produtivas. Em entrevista ao Colab ele conta: \u201ceu nunca trabalhei numa firma. Aceitei um emprego uma vez em que eu fiquei 72 horas, no terceiro dia eu me levantei e falei: \u2018Gente, n\u00e3o \u00e9 pra mim, n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00eas. Muito obrigado pela tentativa, sorte e sucesso.\u2019 E fui embora, porque era isso, ficar sentado numa cadeira fazendo reuni\u00e3o \u00e9 a minha criptonita. Eu acho que \u00e9 literalmente isso, eu n\u00e3o duraria seis meses vivo num emprego em que eu tivesse que ficar sentado numa cadeira, com ar-condicionado, fazendo reuni\u00e3o.\u201d Essa dificuldade em se adaptar a rotinas engessadas fez com que buscasse, desde cedo, experi\u00eancias que o mantivessem em movimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ciceroneando Naomi Campbell<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Aos 19 anos, j\u00e1 era guiado pela curiosidade, que mais tarde definiria a carreira. Depois de cobrir m\u00fasica eletr\u00f4nica, mergulhou no mundo da moda, trabalhando em uma ag\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o que atendia a atriz e modelo brit\u00e2nica Naomi Campbell. Esse foi seu primeiro trabalho. Chico tinha como fun\u00e7\u00e3o acompanh\u00e1-la de um lado para o outro no Brasil &#8211; como uma esp\u00e9cie de \u201cbab\u00e1\u201d improvisada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto outros viam o trabalho como insalubre, ele via como uma grande aventura: \u201catender telefonemas \u00e0s tr\u00eas horas da manh\u00e3 para encontrar um cookie red velvet, lidar com o temperamento de Naomi, e, sobretudo, testemunhar um universo inacess\u00edvel para a maioria.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho que para muitos era indesej\u00e1vel, deu a Chico acesso a um universo de personalidades ilustres e lugares que nunca imaginou conhecer. Para ele, \u201cisso \u00e9 o resumo do jornalismo, ver e viver coisas que jamais teria vivido se n\u00e3o fosse pelo of\u00edcio\u201d. Foi essa mesma disposi\u00e7\u00e3o que, depois, o levou \u00e0 Folha de S. Paulo, marcando o in\u00edcio de uma nova fase: o mergulho no jornalismo \u201cs\u00e9rio\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da reda\u00e7\u00e3o \u00e0 reinven\u00e7\u00e3o profissional<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Durante os quatro primeiros meses na <em>Folha de S. Paulo<\/em>, Chico atuou como <em>trainee, <\/em>sem nenhum ganho financeiro, apenas colecionando experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando foi efetivado na <em>Folha<\/em>, passou por diversas editorias, cobrindo desde temas de grande impacto internacional, como a crise dos refugiados da S\u00edria, e at\u00e9 pautas&nbsp; culturais, como a semana de moda. Para ele, a reda\u00e7\u00e3o funcionava como um verdadeiro <em>playground<\/em>, um espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o, em que era poss\u00edvel transitar livremente entre formatos, linguagens e temas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma d\u00e9cada na Folha, percebeu que era o momento de mudar de rumo. Recebeu uma proposta de emprego da Empresa Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o (EBC) e, ao pedir demiss\u00e3o, acreditava estar se despedindo do jornalismo, sem acreditar que esse caminho voltaria por outras vias. Pouco tempo depois, foi surpreendido com a dispensa da EBC, sem aviso pr\u00e9vio,&nbsp; antes mesmo de iniciar o novo trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Roteirista autoral e conectado \u00e0s ruas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo diante do contratempo, n\u00e3o ficou parado. \u201cDei meus pulos\u201d, dispara. Passou a escrever para pessoas que admirava, enviando e-mails e propostas para colabora\u00e7\u00e3o. Algumas delas responderam positivamente, o que abriu novas portas. Assim, come\u00e7ou a elaborar projetos em parceria, como o que desenvolveu com a escritora Fernanda Young e com roteiristas de humor no Multishow.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afastou-se momentaneamente do jornalismo di\u00e1rio e passou a atuar como assistente de roteiro para televis\u00e3o e cinema. Essa experi\u00eancia representou n\u00e3o apenas uma transi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m uma reinven\u00e7\u00e3o: o contato com outras linguagens narrativas ampliou a vis\u00e3o de como contar hist\u00f3rias, preparando o terreno para o retorno posterior ao jornalismo, mais autoral e conectado \u00e0s ruas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre roteiro e realidade: quando a rua chama<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Foi assim que come\u00e7ou a se dedicar a outro tipo de narrativa: hist\u00f3rias reais, mais longas e humanas. \u201cSempre tive vontade de contar a hist\u00f3ria de pessoas que est\u00e3o \u00e0 margem da sociedade\u201d, explica. O ritmo acelerado do jornal di\u00e1rio, segundo ele, n\u00e3o permitia \u201cmergulhos\u201d t\u00e3o profundos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira experi\u00eancia marcante foi a hist\u00f3ria sobre o artista conhecido como <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/episode\/2uHBq8bTS21x7duoL1YJGk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Fof\u00e3o da Augusta<\/em><\/a>, em S\u00e3o Paulo. A hist\u00f3ria de grande repercuss\u00e3o n\u00e3o apenas chamou a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, mas tamb\u00e9m simbolizou a virada na trajet\u00f3ria profissional.<\/p>\n\n\n\n<p>O contador de hist\u00f3rias refor\u00e7a que muitas narrativas nascem do conv\u00edvio cotidiano, do acaso das ruas. \u201cAcho que os personagens me escolhem um pouco\u201d, assegura. A ess\u00eancia est\u00e1 no h\u00e1bito de estar entre desconhecidos, observando gestos, conversas e detalhes.\u00a0<br><strong>\u201cMeu trabalho \u00e9 a rua, sem a rua eu morro\u201d<\/strong>, resume Chico Felitti, deixando claro que \u00e9 no contato direto com as pessoas que encontra mat\u00e9ria-prima para as narrativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo em per\u00edodos de trabalho intenso na <em>Folha de S. Paulo<\/em>, quando viajou para diferentes lugares, inclusive a China, nunca perdeu a sensa\u00e7\u00e3o de ser, acima de tudo, um rep\u00f3rter de campo. \u201cSempre tive o privil\u00e9gio de n\u00e3o ficar dentro de um escrit\u00f3rio\u201d, conta, ressaltando que \u00e9 a rua, com seus personagens, hist\u00f3rias e imprevistos, que sustenta seu olhar jornal\u00edstico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-dominant-color=\"776f60\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #776f60;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"906\" height=\"509\" sizes=\"auto, (max-width: 906px) 100vw, 906px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2-.webp\" alt=\"A imagem mostra uma resid\u00eancia de arquitetura cl\u00e1ssica, com paredes de tijolos aparentes e janelas verdes, parcialmente encoberta por \u00e1rvores. O im\u00f3vel, marcado pelo abandono e pelo mist\u00e9rio, ganhou notoriedade ap\u00f3s ser tema de uma investiga\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica sobre um caso que misturava crime, fuga e reclus\u00e3o. O contraste entre o passado luxuoso da constru\u00e7\u00e3o e seu estado atual refor\u00e7a o tom de decad\u00eancia e mist\u00e9rio que cerca a narrativa.\" class=\"wp-image-25379 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2-.webp 906w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--300x169.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--768x431.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--370x208.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--270x152.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--570x320.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--740x416.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Casa-Abandonada-2--150x84.webp 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Casar\u00e3o em S\u00e3o Paulo virou ponto tur\u00edstico ap\u00f3s a hist\u00f3ria viralizar\/Reprodu\u00e7\u00e3o: Instagram.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A Mulher da Casa Abandonada: fen\u00f4meno que ningu\u00e9m queria ouvir<\/strong><strong>&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Quando <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/show\/0xyzsMcSzudBIen2Ki2dqV\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>A<\/em> <em>Mulher da Casa Abandonada<\/em><\/a> estreou em 2022, ningu\u00e9m, tampouco o pr\u00f3prio Chico Felitti, imaginava a propor\u00e7\u00e3o que o projeto alcan\u00e7aria. O podcast, lan\u00e7ado pela <em>Folha de S. Paulo<\/em>, rapidamente deixou de ser apenas mais uma produ\u00e7\u00e3o para se tornar um fen\u00f4meno cultural. Durante v\u00e1rias semanas, ocupou o topo das paradas de \u00e1udio do Brasil, ganhou destaque internacional e se espalhou pelas redes sociais, pelas rodas de conversa e at\u00e9 pelas ruas de Higien\u00f3polis, bairro nobre de S\u00e3o Paulo onde a hist\u00f3ria se desenrola.<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto de partida, no entanto, nasceu do acaso. Como o pr\u00f3prio jornalista costuma dizer, tudo nasceu de \u201cuma caminhada curiosa\u201d. Em um dos seus passeios com os seus cachorros, deparou-se com uma mans\u00e3o em ru\u00ednas, coberta de limo e cercada de mist\u00e9rio. Movido pela curiosidade e por sua vontade de descobrir e contar hist\u00f3rias inusitadas,&nbsp; decidiu investigar quem vivia ali.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que come\u00e7ou como a ideia de uma simples cr\u00f4nica sobre uma casa abandonada, logo se transformou em algo muito maior: a revela\u00e7\u00e3o de que a moradora era uma mulher procurada pelo FBI, acusada de manter uma empregada dom\u00e9stica em regime de escravid\u00e3o nos Estados Unidos. Uma trama que unia crime, ex\u00edlio, nega\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria, mas tamb\u00e9m colocava Chico no centro de uma investiga\u00e7\u00e3o de alcance inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi a coisa mais f\u00e1cil que eu j\u00e1 escrevi\u201d, admite. Isso porque, segundo ele, \u201c tudo aconteceu de forma cronol\u00f3gica\u201d. Ele revela que optou por contar a hist\u00f3ria em primeira pessoa e conforme ela se desenrolava. \u201cEstava narrando a busca conforme ela acontecia &#8211; era um fluxo de rio. Primeiro dia, segundo dia, terceiro dia.\u201d A cronologia na perspectiva dele, que n\u00e3o representava a cronologia dos acontecimentos, representa um diferencial do podcast, do trabalho de Chico e elemento de curiosidade para o p\u00fablico, que, ao ouvir, deseja acompanhar e descobrir os fatos junto com o rep\u00f3rter.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que revelar uma personagem, o projeto mostrou tamb\u00e9m a capacidade de Chico transformar o acaso em narrativa, aproximando o jornalismo investigativo e o <em>storytelling<\/em> liter\u00e1rio, sempre com olhar atento para os detalhes, para as pessoas \u00e0 margem, mas que pode, de repente, mobilizar a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A hist\u00f3ria que saiu do podcast<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A narrativa, marcada pela espontaneidade e pela sensa\u00e7\u00e3o de descoberta em tempo real, deu ao p\u00fablico a impress\u00e3o de estar acompanhando a hist\u00f3ria, passo a passo. Essa imers\u00e3o fez com que<em> A Mulher da Casa Abandonada<\/em> ultrapassasse a barreira do jornalismo tradicional e se transformasse em evento cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso, por\u00e9m, trouxe muito mais do que n\u00fameros de audi\u00eancia. A s\u00e9rie levantou <a href=\"https:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/jornalismo\/o-podcast-da-etica-abandonada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">debates sobre \u00e9tica jornal\u00edstica<\/a>, o impacto da exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica e o limite entre informa\u00e7\u00e3o e espet\u00e1culo. \u201cNingu\u00e9m esperava que fosse explodir daquele jeito\u201d, revela Chico. \u201cDe repente, pessoas acampavam na frente da casa. Era como se o p\u00fablico tivesse assumido o papel de investigador, e isso me fez repensar o alcance do jornalismo narrativo em \u00e1udio.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O barulho em torno do podcast mostrou que o p\u00fablico estava disposto a ouvir muito mais do que um caso curioso em Higien\u00f3polis: havia fome por hist\u00f3rias reais, urgentes e humanas. \u00c9 justamente nesse espa\u00e7o, entre o jornalismo narrativo e o impacto social, que o trabalho de Chico se consolida como uma forma de narrar o que parece invis\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Narrativa como forma de den\u00fancia<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As hist\u00f3rias contadas por Chico buscam relatar um acontecimento inesperado que muitas vezes est\u00e1 relacionado a quest\u00f5es humanit\u00e1rias. O podcast vai muito al\u00e9m de apenas entreter o p\u00fablico ou manter a audi\u00eancia, \u00e9 sobre compartilhar uma narrativa e denunciar diferentes realidades. Cada relato traz consigo a luta de um grupo, e, como declara o pr\u00f3prio Chico:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>A hist\u00f3ria de uma pessoa \u00e9 a hist\u00f3ria de um mundo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-gridlove-txt-color has-text-color has-link-color has-normal-font-size wp-elements-96e05fc2267456693a192994363c5435\">Chico Felitti<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Tudo se inicia a partir de um acontecimento interessante, curioso ou absurdo, que desperta no jornalista essa sede por entender e compartilhar uma hist\u00f3ria. Como, por exemplo, o caso do s\u00edndico que quebra o carro de um dos moradores do pr\u00e9dio em que mora e amea\u00e7a atirar no vizinho, ou da mulher que mora em uma casa aparentemente abandonada na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo e, quando aparecia na janela, estava sempre com o rosto coberto com um creme branco. S\u00e3o hist\u00f3rias que v\u00e3o se revelar surpreendentes e que carregam consigo um subtexto muito mais profundo, que podem abordar desde gentrifica\u00e7\u00e3o e crise imobili\u00e1ria at\u00e9 escravid\u00e3o contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se perguntar se \u00e9 justo algu\u00e9m n\u00e3o ter direito a um nome de verdade, como foi o caso de Ricardo, conhecido como o <em>Fof\u00e3o da Augusta<\/em>, ou se \u00e9 normal considerar <em>A Mulher da Casa Abandonada <\/em>apenas como uma senhora \u201clouquinha\u201d que escravizou sua empregada dom\u00e9stica, Chico humaniza essas figuras e convida os ouvintes a fazerem o mesmo, refletindo sobre realidades invisibilizadas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"4b4d50\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #4b4d50;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"645\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-1024x645.webp\" alt=\"A fotografia captura o clima leve dos bastidores de uma produ\u00e7\u00e3o audiovisual. No monitor da c\u00e2mera, o entrevistado surge relaxado,se ajustando e sorrindo. O registro mostra um raro instante de pausa durante uma grava\u00e7\u00e3o marcada por conversas intensas sobre jornalismo e narrativa.\" class=\"wp-image-25382 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-1024x645.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-300x189.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-768x484.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-370x233.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-270x170.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-570x359.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-740x466.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1-150x94.webp 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-4-1.webp 1280w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Momento durante entrevista com Chico Felitti para o Colab \/ Foto: Luiza Barroso<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A forma como essas hist\u00f3rias s\u00e3o contadas impacta diretamente na maneira que os ouvintes observam a sociedade e as situa\u00e7\u00f5es cotidianas que normalmente passariam despercebidas. Quando Chico traz esse olhar cuidadoso, n\u00e3o est\u00e1 apenas informando, mas tamb\u00e9m criando conex\u00f5es. Fazer com que o p\u00fablico deixe de enxergar o outro como uma manchete ou um caso estranho e passe a enxergar como algu\u00e9m que sente, sofre, resiste ou age fora da lei. Isso desperta tanto empatia quanto revolta e provoca reflex\u00e3o sobre quest\u00f5es sociais mais amplas, como desigualdade, viol\u00eancia e preconceito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Quem inspirou Chico Felitti<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Chico Felitti \u00e9 inspira\u00e7\u00e3o para muitas pessoas, principalmente no ramo do jornalismo investigativo. Mas ele tamb\u00e9m tem inspira\u00e7\u00f5es e revela: \u201cNossa, loucamente. <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/daniela-arbex-filha-do-papel-e-voz-da-resistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Daniela Arbex<\/a>. Inclusive, fruto da terra, assim, eu n\u00e3o consigo falar com ela de tanto que eu admiro ela.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Daniela \u00e9 uma jornalista e documentarista mineira dedicada \u00e0 defesa dos direitos humanos que ficou mais conhecida ap\u00f3s o lan\u00e7amento do livro <a href=\"https:\/\/editoraflutuante.com.br\/livraria\/holocausto-brasileiro-genocidio-60-mil-mortos-no-maior-hospicio-do-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Holocausto Brasileiro<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da renomada jornalista, Dr\u00e1uzio Varella, Eliane Brum e M\u00f4nica Bergamo tamb\u00e9m foram grandes inspira\u00e7\u00f5es para Chico. Sobre M\u00f4nica, ele conta: \u201cFaz um jornalismo di\u00e1rio, mas \u00e9 uma aula de investiga\u00e7\u00e3o e de apura\u00e7\u00e3o, e de \u00e9tica e de trabalho, ela trabalha muito. \u00c9 inacredit\u00e1vel. Bicho, se eu acho que trabalho muito, eu n\u00e3o chego aos p\u00e9s [de M\u00f4nica], n\u00e3o fa\u00e7o nem c\u00f3cegas.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas refer\u00eancias, segundo ele, contribu\u00edram para a vis\u00e3o que ele tem sobre o papel do jornalista na sociedade. Chico acredita que observar o trabalho de profissionais t\u00e3o comprometidos o ajudou a entender que o jornalismo vai muito al\u00e9m da not\u00edcia: \u00e9 sobre responsabilidade, empatia e busca constante pela verdade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muito mais do que A Mulher da Casa Abandonada&nbsp;<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Mais do que autor de <em>A Mulher da Casa Abandonada<\/em>, Chico \u00e9 um contador de hist\u00f3rias movido pela curiosidade e pelo desejo de enxergar o invis\u00edvel. Quem o conhece de perto percebe um sujeito espont\u00e2neo, de riso f\u00e1cil, apaixonado por cachorros e caf\u00e9, que v\u00ea no cotidiano um convite constante \u00e0 escuta. Para ele, o mundo n\u00e3o cabe em r\u00f3tulos, cren\u00e7as ou preconceitos: cabe em narrativas, feitas de fragmentos humanos, que, quando reunidos, revelam algo maior sobre a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"272727\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #272727;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"838\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 838px) 100vw, 838px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--838x1024.webp\" alt=\"Foto em preto e branco com Chico Felitti em primeiro plano de corpo inteiro acompanhado de dois cachorros. Ele est\u00e1 sentado em um plano mais elevado que os cachorros com uma postura relaxada por\u00e9m uma express\u00e3o firme. Ele usa uma regata de cor branca, saia longa e estampada, e coturnos escuros. Os dois cachorros est\u00e3o no ch\u00e3o deitados, um de pelo branco olha para a c\u00e2mera e o outro de pelo mais escuro olha para o lado. \" class=\"wp-image-25384 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--838x1024.webp 838w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--246x300.webp 246w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--768x938.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--370x452.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--270x330.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--570x696.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--740x904.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5--150x183.webp 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/CHICO-5-.webp 1170w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">\u201cEu gosto de cachorro, minha miss\u00e3o na vida \u00e9 essa\u201d.\/ Ana Weber<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse olhar ultrapassa os limites do jornalismo tradicional. Chico conta que \u201ca hist\u00f3ria de uma pessoa \u00e9 a hist\u00f3ria de um mundo\u201d, e talvez por isso transite com tanta naturalidade entre editorias, linguagens e formatos. Sua ess\u00eancia est\u00e1 em buscar conhecer o outro antes de julgar, em se colocar no lugar das pessoas, sejam elas modelos internacionais, sejam refugiados ou figuras esquecidas pela sociedade. E o que Chico diria a quem sonha em seguir o caminho do jornalismo investigativo?&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>\u201cTente, tenha cara de pau.\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-gridlove-txt-color has-text-color has-link-color has-normal-font-size wp-elements-96e05fc2267456693a192994363c5435\">Chico Felitti<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O conselho, simples e direto, reflete a trajet\u00f3ria do jornalista: algu\u00e9m que se arriscou a sair da reda\u00e7\u00e3o, atravessou ruas, bateu em portas, fez perguntas improv\u00e1veis, acreditou que cada vida tem uma hist\u00f3ria digna de ser contada e, assim, transformou o acaso em narrativa.&nbsp;<br><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Conte\u00fado produzido por Anna Clara Nerys, Giulia Guglielmelli, Larissa do Carmo, Luiza Barroso, Luiza Freitas, Mariana Schneider, Vict\u00f3ria Barros, sob a supervis\u00e3o da professora e jornalista Fernanda Sanglard na disciplina Apura\u00e7\u00e3o, Reda\u00e7\u00e3o e Entrevista. O monitor Wallison Gois contribuiu com a edi\u00e7\u00e3o digital.<\/pre>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>Paulo Motoryn: a metamorfose de um jornalista independente. <\/strong><\/strong><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1HiPh_F91_NEaKjg8ibwZIRSLzUuSopCnb9d9j49BP4s\/edit?tab=t.0#heading=h.vkc6o0hgg7n4\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/daniela-arbex-filha-do-papel-e-voz-da-resistencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Daniela Arbex: filha do papel e voz da resist\u00eancia<\/strong><\/a><\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 de uma segunda-feira (6\/10), Chico Felitti estava em Belo Horizonte para investigar o caso \u201cA S\u00edndica do JK\u201d. Uma hist\u00f3ria inacredit\u00e1vel: a s\u00edndica que transformou um pr\u00e9dio no centro de BH em uma peda\u00e7o da Coreia do Norte. 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