{"id":20052,"date":"2024-12-20T08:00:00","date_gmt":"2024-12-20T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=20052"},"modified":"2024-12-21T09:58:40","modified_gmt":"2024-12-21T12:58:40","slug":"contornando-a-maldicao-de-babel-a-traducao-e-seus-desafios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/contornando-a-maldicao-de-babel-a-traducao-e-seus-desafios\/","title":{"rendered":"Contornando a maldi\u00e7\u00e3o de Babel: a tradu\u00e7\u00e3o e seus desafios"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cUma tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma sa\u00edda contra Babel\u201d, escreveu Guimar\u00e3es Rosa. Segundo a hist\u00f3ria mitol\u00f3gica, o Deus hebraico ficou furioso com a arrog\u00e2ncia humana de construir uma torre para alcan\u00e7ar os c\u00e9us. Por isso, criou l\u00ednguas diferentes para que os construtores n\u00e3o pudessem se comunicar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Converter palavras de um idioma para outro n\u00e3o \u00e9 tarefa simples. Para superar as barreiras lingu\u00edsticas, o tradutor precisa de habilidades que v\u00e3o al\u00e9m do dom\u00ednio de regras lingu\u00edsticas: s\u00e3o necess\u00e1rias tamb\u00e9m compet\u00eancias culturais, t\u00e9cnicas e, principalmente, um conhecimento profundo dos idiomas envolvidos. Isso porque traduzir significa compreender n\u00e3o apenas o sentido literal das palavras, mas tamb\u00e9m o contexto cultural que as envolve.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O tradutor atua como um mediador contra a \u201cTorre de Babel\u201d moderna, ou seja, contra as barreiras impostas pela diversidade lingu\u00edstica que dificultam o entendimento entre os povos. O trabalho requer estudo rigoroso, mas tamb\u00e9m sensibilidade e aten\u00e7\u00e3o aos detalhes. Jos\u00e9 Saramago j\u00e1 dizia que \u201csem os tradutores, os escritores n\u00e3o seriam nada\u201d, pois estariam \u201ccondenados a viver encerrados na nossa l\u00edngua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Exatamente por ser um processo t\u00e3o complexo, a tradu\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 bem-sucedida. H\u00e1 momentos em que nuances culturais, jogos de palavras ou refer\u00eancias espec\u00edficas de contextos locais se perdem no caminho. Mesmo os tradutores mais experientes enfrentam desafios ao tentar equilibrar a fidelidade ao texto com a fluidez e naturalidade no idioma de chegada. Isso pode resultar em interpreta\u00e7\u00f5es que, embora v\u00e1lidas, n\u00e3o capturam os sentidos presentes na l\u00edngua original, evidenciando as limita\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis .<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos desafios lingu\u00edsticos, a tradu\u00e7\u00e3o enfrenta a invisibilidade no meio liter\u00e1rio, falta de reconhecimento da profiss\u00e3o e m\u00e1 remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A profiss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Para que uma pessoa se torne tradutora, n\u00e3o h\u00e1 um roteiro a ser seguido. Transportar um texto de uma l\u00edngua para a outra, mesmo que de maneira profissional, n\u00e3o requer nenhum diploma ou regulamenta\u00e7\u00e3o, como afirma<a href=\"https:\/\/www.companhiadasletras.com.br\/BlogPost\/4219\/semana-dos-tradutores-regiane-winarski?srsltid=AfmBOooeoL5zJSm784htgCNcZBR4EwCHwCgWw0Q_bt0MsYkD6uMAPzN3\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> Regiane Winarski<\/a>, tradutora do ingl\u00eas para o portugu\u00eas brasileiro atuante no mercado editorial h\u00e1 16 anos.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A profissional, que possui uma extensa lista de livros no portf\u00f3lio \u2013 incluindo mais de 20 obras do mundialmente renomado Stephen King \u2013, afirma que a tradu\u00e7\u00e3o exige um preparo consider\u00e1vel, que vai al\u00e9m da flu\u00eancia em mais de um idioma. Antes de se profissionalizar, Regiane se preparou por meio de cursos e livros, mesmo sendo professora de ingl\u00eas na \u00e9poca e ter o portugu\u00eas como l\u00edngua materna. \u201cQuando voc\u00ea fala em tradu\u00e7\u00e3o, as pessoas t\u00eam a tend\u00eancia em pensar que \u2018tem que ser muito fera em outro idioma\u2019, e esquecem que voc\u00ea tamb\u00e9m tem que ser muito fera em portugu\u00eas, porque o que eu vou vender para o p\u00fablico \u00e9 um texto escrito em portugu\u00eas\u201d, salienta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entrar no mercado editorial liter\u00e1rio como profissional da tradu\u00e7\u00e3o, o processo \u00e9 diferente da busca por vaga CLT, por exemplo, uma vez que o tradutor costuma trabalhar em regime de terceiriza\u00e7\u00e3o, em estilo <em>freelancer. <\/em>\u00c9 preciso enviar curr\u00edculo e pedir testes, que \u00e9 \u201cuma tradu\u00e7\u00e3o que voc\u00ea vai fazer para a editora avaliar se voc\u00ea est\u00e1 apto a fazer determinado trabalho\u201d, explica Winarski. Os testes costumam ser em cima do pr\u00f3prio livro que a editora quer publicar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cCom o tempo, conforme voc\u00ea vai se estabelecendo e conquistando seu espa\u00e7o no mercado editorial, voc\u00ea precisa fazer cada vez menos isso [testes]\u201d, diz a tradutora, que realiza esse tipo de busca cada vez menos. Com a consolida\u00e7\u00e3o do profissional no cen\u00e1rio, transforma-se a rela\u00e7\u00e3o com as editoras, que passam a conhecer o trabalho do tradutor e ofertar obras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na procura por um profissional que possa transportar um texto de uma l\u00edngua para a outra, as editoras podem levar em considera\u00e7\u00e3o as experi\u00eancias anteriores do tradutor, como conta Regiane: \u201cO fato de eu ter uma vasta experi\u00eancia em algumas \u00e1reas tamb\u00e9m \u00e9 um chamariz\u201d. No entanto, ela afirma que isso n\u00e3o significa que h\u00e1 uma garantia que a mesma pessoa v\u00e1, por exemplo, traduzir todos os livros de uma saga ou que ela s\u00f3 v\u00e1 trabalhar um g\u00eanero liter\u00e1rio espec\u00edfico. \u201c\u00c9 legal que o tradutor esteja apto a fazer de tudo um pouco porque a gente precisa \u00e9 de trabalho mesmo, precisamos ganhar dinheiro, e o que aparece nem sempre \u00e9 o que gostar\u00edamos\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhando com os mais variados g\u00eaneros, Regiane afirma gostar de sair do t\u00e9dio da \u2018mesmice\u2019. No entanto, a tradutora destaca que gosta muito de traduzir Stephen King: \u201cEu entrei no King e fiquei \u2013 para a minha felicidade, eu adoro. Eu gosto muito dos livros dele, gosto do g\u00eanero, do estilo dele, j\u00e1 estou acostumada, o que torna o trabalho mais f\u00e1cil. Eu conhe\u00e7o a voz dele, os recursos que ele escolhe usar, isso facilita minha vida\u201d. Al\u00e9m do cl\u00e1ssico do horror, Regiane tamb\u00e9m \u00e9 conhecida por traduzir obras recentes de Rick Riordan, autor da saga <em>Percy Jackson e os Olimpianos<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"b7a38a\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #b7a38a;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"707\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-1024x707.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-20558 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-1024x707.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-300x207.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-768x530.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-370x255.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-435x300.webp 435w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-270x186.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-570x393.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-740x511.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31-150x104.webp 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/WhatsApp-Image-2024-12-15-at-19.46.31.webp 1492w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Regiane Winarski traduziu o ic\u00f4nico It: a Coisa, de Stephen King<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Morto bem vivo<\/h2>\n\n\n\n<p>Nem s\u00f3 de idiomas vivos vive a tradu\u00e7\u00e3o. Carlos Eduardo Barbosa \u00e9 fundador do site <a href=\"https:\/\/sanskritforum.org\/?srsltid=AfmBOoqi-cxhOf4kWOtUUNdrsYcrFZHwThoEXGFm8_AtkhEYIoHHOXL7\">Sansk<\/a><a href=\"https:\/\/sanskritforum.org\/?srsltid=AfmBOoqi-cxhOf4kWOtUUNdrsYcrFZHwThoEXGFm8_AtkhEYIoHHOXL7\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">r<\/a><a href=\"https:\/\/sanskritforum.org\/?srsltid=AfmBOoqi-cxhOf4kWOtUUNdrsYcrFZHwThoEXGFm8_AtkhEYIoHHOXL7\">it F\u00f3rum<\/a>, que oferta cursos de s\u00e2nscrito, al\u00e9m de ser tradutor da vers\u00e3o bil\u00edngue do cl\u00e1ssico hindu <em>Bhagavad Gita<\/em>, pela editora Mantra. A l\u00edngua s\u00e2nscrita utiliza o alfabeto Devan\u0101gar\u012b, bem diferente do latino, usado no Ocidente. Esse alfabeto \u00e9 utilizado por muitas l\u00ednguas, como o hindi, prakrit e santali, embora apenas o idioma s\u00e2nscrito seja considerado uma l\u00edngua morta.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre l\u00ednguas mortas e l\u00ednguas extintas. A l\u00edngua extinta n\u00e3o \u00e9 mais utilizada e n\u00e3o possui registros escritos que possibilitem seu aprendizado. J\u00e1 o \u201catestado de \u00f3bito\u201d de uma l\u00edngua \u00e9 dado quando ela n\u00e3o possui mais falantes nativos, mas apresenta gram\u00e1tica e registros em textos antigos que possibilitam seu estudo, ainda que a pron\u00fancia seja desconhecida, como \u00e9 o caso, por exemplo, do grego antigo, acadiano e sum\u00e9rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Barbosa questiona veementemente o status de s\u00e2nscrito como l\u00edngua morta, j\u00e1 que o idioma carrega uma cultura viva: \u201cTratar o S\u00e2nscrito como \u2018l\u00edngua morta\u2019 foi uma parte da estrat\u00e9gia brit\u00e2nica para ferir o orgulho dos povos indianos, quando a \u00cdndia havia se tornado apenas uma col\u00f4nia do Reino Unido. Em contradi\u00e7\u00e3o a esse \u2018status\u2019, os pr\u00f3prios censos promovidos pela Inglaterra testemunharam a presen\u00e7a de uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o que usava o S\u00e2nscrito como primeira l\u00edngua\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O tradutor afirma que existem programas de r\u00e1dio e TV transmitidos em escala nacional na l\u00edngua s\u00e2nscrita. Al\u00e9m disso, a Universidade Hindu de Varanasi oferece mais de 600 cursos ministrados integralmente nesse idioma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, a barreira cultural pode estar presente e \u201cmatar\u201d a tradu\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre o contexto cultural dentro do qual foram compostos os textos s\u00e2nscritos e o contexto cultural da l\u00edngua portuguesa. Quando lemos um texto s\u00e2nscrito, \u00e9 forte a tenta\u00e7\u00e3o de reinterpret\u00e1-lo em conformidade com o momento hist\u00f3rico presente, levando em conta acontecimentos e valores que pertencem ao presente, e n\u00e3o ao passado\u201d, explica Carlos Barbosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo disso estaria na tradu\u00e7\u00e3o do \u00e9pico <em>Mah\u0101bh\u0101ratam<\/em>, produzido parcialmente na \u00cdndia ap\u00f3s a Segunda Guerra mundial, que Carlos considera quase perfeita. \u201cEntre as altera\u00e7\u00f5es introduzidas na nova vers\u00e3o, estava a substitui\u00e7\u00e3o de \u2018brahm\u0101stra\u2019 [uma poderosa arma m\u00edtica] por \u2018bomba at\u00f4mica\u2019\u201d. Para traduzir, \u00e9 necess\u00e1rio analisar o texto original e fazer escolhas dentre as numerosas possibilidades de tradu\u00e7\u00e3o que a l\u00edngua permite.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA depender do contexto cultural de uma determinada \u00e9poca, o recorte sem\u00e2ntico do tradutor talvez d\u00ea \u00e0s palavras novas significa\u00e7\u00f5es, que podem alterar o pr\u00f3prio sentido do que est\u00e1 sendo dito\u201d, afirma. Carlos Barbosa conta que escolheu traduzir o texto como se estivesse ao lado de Arjuna, um dos personagens principais do \u00e9pico: \u201cO esfor\u00e7o de tradu\u00e7\u00e3o, de tentar compreender cada verso em sua inteireza, d\u00e1 ao tradutor a sensa\u00e7\u00e3o de ter um benef\u00edcio especial, uma verdadeira gra\u00e7a divina\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios <\/h2>\n\n\n\n<p>Entre os desafios da profiss\u00e3o, Regiane Winarski destaca a incerteza financeira, uma vez que a disponibilidade de trabalho \u00e9 vari\u00e1vel, e a invisibilidade do trabalho do tradutor. \u201c\u00c9 uma luta constante de n\u00f3s tradutores o reconhecimento n\u00e3o s\u00f3 de cr\u00e9ditos na capa ou nome citado quando tem a divulga\u00e7\u00e3o, mas de reconhecimento financeiro\u201d, afirma a tradutora. Ela considera a remunera\u00e7\u00e3o para esse of\u00edcio ruim, o que explica o fato de muitos tradutores liter\u00e1rios possu\u00edrem outras atividades remuneradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da import\u00e2ncia do reconhecimento e valoriza\u00e7\u00e3o do nome do tradutor na divulga\u00e7\u00e3o das obras, Regiane cita a legisla\u00e7\u00e3o brasileira de direitos autorais, que considera esse profissional como autor do livro no idioma para o qual ele foi traduzido. Diante da condi\u00e7\u00e3o de invisibilidade, a tradutora conta sobre a cria\u00e7\u00e3o do coletivo Quem Traduziu, criado por tradutoras com o objetivo de \u201clutar pelos nossos direitos, pela melhoria da situa\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cS\u00e3o coisas importantes na quest\u00e3o do reconhecimento pelos leitores, mas tamb\u00e9m de quem contrata a gente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/br.linkedin.com\/in\/leonardo-camargo-41353a47\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Leonardo Camargo<\/a>, dublador e tradutor baseado em S\u00e3o Paulo, aponta outro desafio para os profissionais do ramo: o mercado paralelo de tradu\u00e7\u00f5es n\u00e3o oficiais. \u201cKitsune\u201d, apelido pelo qual ele \u00e9 conhecido na internet, argumenta que, como as tradu\u00e7\u00f5es n\u00e3o oficiais n\u00e3o precisam passar por etapas legais e nem demandam pagamentos por direitos, acabam saindo muito mais r\u00e1pido que as oficiais. \u201cO p\u00fablico tem acesso ao original, em outra l\u00edngua, antes mesmo de haver o licenciamento, ent\u00e3o o tradutor oficial est\u00e1 sempre correndo atr\u00e1s do p\u00fablico\u201d, diz Kitsune. Na vis\u00e3o dele, isso implica, para o profissional, menos liberdade para tomar decis\u00f5es criativas pr\u00f3prias, j\u00e1 que a tradu\u00e7\u00e3o \u201cj\u00e1 est\u00e1 decidida pelo p\u00fablico, sendo aquela decis\u00e3o a mais apropriada ou n\u00e3o, explica.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Esses e outros desafios perpassam a vida de Kitsune desde 2015, ano em que ele come\u00e7ou a trabalhar na editora brasileira Mythos e quando teve o primeiro contato com a tradu\u00e7\u00e3o de gibis da Marvel e DC. A tradu\u00e7\u00e3o de quadrinhos possui ainda outras particularidades muito pr\u00f3prias em rela\u00e7\u00e3o a outros g\u00eaneros liter\u00e1rios. Para o tradutor paulista, uma delas \u00e9 que os bal\u00f5es de fala devem ser pensados como di\u00e1logos orais, e n\u00e3o como texto escrito. \u201cMuito texto traduzido de<a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/quadrinho-independente-brasileiro\/\"> HQ<\/a>s n\u00e3o se atenta a isso\u201d, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Kitsune defende que, como existem muitos estilos autorais distintos, o mais importante \u00e9 que a obra traduzida acompanhe o tom do do original, seja ele mais conversacional ou l\u00edrico. Ao mesmo tempo, como os bal\u00f5es de fala s\u00e3o uma simula\u00e7\u00e3o de pessoas conversando em voz alta, \u201cn\u00e3o h\u00e1 a necessidade de deixar o texto dos bal\u00f5es parecido com texto de romance liter\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um aspecto particular dos quadrinhos, mas que diz respeito \u2013 em maior ou menor medida \u2013 ao rol das dif\u00edceis escolhas que um tradutor profissional precisa fazer cotidianamente. Um antigo ditado italiano, por exemplo, sugere que toda tradu\u00e7\u00e3o sempre trai o texto original \u2013 o que Kitsune acredita fazer sentido. Segundo ele, o movimento natural de algu\u00e9m que se debru\u00e7a sobre um texto \u00e9 perceber que \u201csua tradu\u00e7\u00e3o nunca vai ter o mesmo impacto como o original\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente na editora Axios, que presta servi\u00e7os para gigantes como a Panini, Kitsune segue firme e forte em meio a discuss\u00f5es nebulosas e escolhas dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Acesso \u00e0 cultura<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Na falta de tradu\u00e7\u00e3o oficial, leitores recorrem a outros meios para n\u00e3o ficarem s\u00f3 na vontade de lerem as obras que desejam. Por quaisquer que sejam os motivos que levam \u00e0 n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o autorizada \u2013 editora n\u00e3o faz a tradu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o quer negociar os direitos autorais, etc. \u2013, f\u00e3s n\u00e3o se contentam com o \u201cn\u00e3o\u201d. Em resposta, criam-se comunidades e, na grande maioria das vezes no anonimato, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 feita e compartilhada. Por eles mesmos, com pouca ou nenhuma experi\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o assunto \u00e9 esse, a Biblioteca de D\u00e9dalo serve como exemplo de sucesso entre leitores brasileiros na \u00e9poca de 2019 a 2023. Durante 4 anos, o dono do site, que desejou manter o anonimato, revisava e disponibilizava de forma gratuita as obras de Rick Riordan, autor de <em>Percy Jackson e os Olimpianos<\/em>. Todo o universo que engloba as obras \u00e9 chamado carinhosamente pelos f\u00e3s de \u201cRiordanverso\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, a popularidade de s\u00e9ries como <em>Percy Jackson e os Olimpianos<\/em> e outras cria\u00e7\u00f5es do \u201cRiordanverso\u201d foi reconhecida pelo pr\u00f3prio autor, chamado de Tio Rick pelos f\u00e3s, em entrevistas e em plataformas de m\u00eddias sociais. Muitas dessas obras demoraram a ter tradu\u00e7\u00f5es oficiais em portugu\u00eas ou, quando lan\u00e7adas, enfrentaram problemas de distribui\u00e7\u00e3o, o que motivou projetos como a Biblioteca de D\u00e9dalo a atuarem em resposta \u00e0 falta de acessibilidade imediata para leitores de l\u00edngua portuguesa. Uma \u00fanica pessoa an\u00f4nima assumiu voluntariamente a tarefa de traduzir as hist\u00f3rias, oferecendo acesso r\u00e1pido e gratuito para os f\u00e3s. Esse trabalho era realizado sem fins lucrativos e ajudou a manter o interesse e a paix\u00e3o pela literatura fant\u00e1stica de Riordan.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de disponibilizar gratuitamente obras do autor, que contam com tradu\u00e7\u00e3o oficial pela editora Intr\u00ednseca, a Biblioteca D\u00e9dalo traduzia obras de escritores do Selo Rick Riordan Apresenta, criado pelo autor para divulgar obras de literatos que tamb\u00e9m escrevem livros de fantasia com tem\u00e1tica de mitologias diversas para o p\u00fablico infantojuvenil, como Roshani Chokshi. Um exemplo \u00e9 a saga <em>P\u00e2ndav<\/em>a, de Chokshi, sobre mitologia hindu\u00edsta. A s\u00e9rie, que tem cinco livros, contou com a tradu\u00e7\u00e3o oficial somente dos dois primeiros, pela editora Plataforma21, deixando os f\u00e3s sem continua\u00e7\u00e3o. A revista <em>Times <\/em>listou A<em>ru Shah e o fim dos tempos<\/em>, o primeiro livro da saga, entre os cem <a href=\"https:\/\/www.amorporlivros.com.br\/revista-time-100-melhores-livros-fantasia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">melhores livros de fantasia de 2019<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Gabriel Santos, de 21 anos, adquiriu h\u00e1bito de leitura com as hist\u00f3rias disponibilizadas pela Biblioteca D\u00e9dalo. \u201cS\u00e3o universos vastos e ricos, mas, \u00e0s vezes n\u00e3o est\u00e3o acess\u00edveis em portugu\u00eas numa perspectiva longe da pirataria. Como acontece com Aru Shah. Acredito que exista preconceito das editoras envolvido em n\u00e3o traduzir obras do [selo] Rick Riordan Apresenta, por serem sobre mitologias de povos marginalizados e minorizados no Ocidente, escritos por autores dessas culturas, como a pr\u00f3pria Chokshi, que \u00e9 indiana e filipina, e escreve sobre mitologia hindu\u201d. Santos tamb\u00e9m destaca que \u201ccom mitologia grega e n\u00f3rdica, que s\u00e3o europeias, a gente n\u00e3o v\u00ea esse desinteresse das editoras\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico nem sempre \u00e9 positiva, como conta a <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/livros-como-ferramenta-terapeutica-narrativas-contribuem-para-processo-de-autotransformacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">leitora ass\u00eddua<\/a> de livros e mang\u00e1s Rafaela Sampaio Amorim, de\u00a0 24 anos: \u201cTradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o oficial n\u00e3o \u00e9 muito legal. \u00c0s vezes, algumas palavras n\u00e3o s\u00e3o traduzidas muito bem, com um significado certinho. At\u00e9 porque, muitas vezes a pessoa n\u00e3o \u00e9 formada para traduzir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Josefina Coelho, de 27 anos, estudante de letras pela Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e leitora de livros e mang\u00e1s, diz preferir a tradu\u00e7\u00e3o feita por f\u00e3s \u00e0s oficiais. \u201cs\u00e3o fruto de uma comunidade. v\u00e1rias obras tem mais de uma tradu\u00e7\u00e3o feita por f\u00e3s. cada uma com seus pr\u00f3prio m\u00e9todos, individualidades, com conhecimento maior ou menor da cultura e l\u00edngua originais\u201d Segundo ela, essas tradu\u00e7\u00f5es recebem retornos da comunidade de f\u00e3s, s\u00e3o comparadas entre si e entre o texto original, o que n\u00e3o \u00e9 algo que acontece com obras com tradu\u00e7\u00f5es oficiais. \u201cElas tamb\u00e9m costumam ter muito mais notas de tradu\u00e7\u00e3o do que a tradu\u00e7\u00e3o mainstream, que costuma adaptar o texto de modo que ele fique mais pr\u00f3ximo da cultura do p\u00fablico alvo em vez de encher [sic] de nota de rodap\u00e9 explicando aspectos culturais que est\u00e3o sendo referenciados ou&nbsp; abordados no original\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ilegalidade<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00f5es judiciais por direitos autorais tiraram a Biblioteca D\u00e9dalo do ar v\u00e1rias vezes. Em 2023, por\u00e9m, o site <a href=\"https:\/\/x.com\/riordanverso\/status\/1709733260996071626\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">encerrou definitivamente suas atividades.<\/a> Desde ent\u00e3o, quem tenta acessar o endere\u00e7o depara-se com a mensagem: \u201cInfelizmente o site foi removido do ar pelo provedor de hospedagem por conta de a\u00e7\u00e3o judicial por direitos autorais, por conta disso as atividades da Biblioteca de D\u00e9dalo est\u00e3o permanentemente encerradas\u201d.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de o trabalho de tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o oficial se basear no interesse genu\u00edno de compartilhar literatura, ele existe \u00e0 margem da legalidade. De acordo com a\u00a0 legisla\u00e7\u00e3o brasileira, a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o oficial de livros se enquadra na <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l9610.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0Lei n\u00ba 9.610\/1998. <\/a>Segundo o artigo 29 da lei, obras protegidas n\u00e3o podem ser utilizadas de forma alguma sem a autoriza\u00e7\u00e3o do autor ou do titular dos direitos. Isso inclui a tradu\u00e7\u00e3o. Na maioria dos casos, a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada \u00e9 considerada pirataria por ser compartilhada para terceiros.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s infra\u00e7\u00f5es e penalidades, o artigo 102 da mesma lei estabelece que a viola\u00e7\u00e3o dos direitos autorais sujeita o infrator a indeniza\u00e7\u00f5es por danos morais e patrimoniais. J\u00e1 o C\u00f3digo Penal Brasileiro tamb\u00e9m aborda a viola\u00e7\u00e3o de direitos autorais no <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2003\/l10.695.htm#:~:text=%22Art.,um)%20ano%2C%20ou%20multa.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo 184, <\/a>considerando crime reproduzir ou traduzir obras sem permiss\u00e3o, com pena de reclus\u00e3o e\/ou multa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esses motivos, assim como o dono do antigo site Biblioteca D\u00e9dalo, tradutores n\u00e3o oficiais preferem manter-se no anonimato. Mas seguem fazendo a alegria dos leitores, mesmo que \u201cem perigo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Direito de publica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>J\u00e1 parou para pensar por quantos processos um livro passa at\u00e9 chegar \u00e0s prateleiras das livrarias? Na verdade, antes de ser impressa, encadernada e embalada, uma obra passa pelas m\u00e3os de muita gente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o <strong>Colab<\/strong>, a editora-executiva da Record, Renata Pettengill, explica que h\u00e1\u00a0 processos diferentes para os livros que j\u00e1 foram publicados no exterior e aqueles que est\u00e3o para ser lan\u00e7ados.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Para os que ainda n\u00e3o foram lan\u00e7ados, o processo come\u00e7a com um agente liter\u00e1rio. Esse profissional \u00e9 respons\u00e1vel por representar o autor perante as editoras. Ou seja: \u00e9 ele que distribui o material desse escritor para as editoras do pa\u00eds de origem da obra e oferece os direitos de publica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSupondo que o pa\u00eds seja a Inglaterra, por exemplo, todos os editores ingleses receberam esse manuscrito desse autor e essas editoras v\u00e3o avaliar e v\u00e3o decidir se v\u00e3o querer publicar ou n\u00e3o. Nesse momento, quando h\u00e1 uma contrata\u00e7\u00e3o da editora original, os agentes liter\u00e1rios oferecem essa obra para o resto do mundo\u201d, explica Pettengill.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O livro tamb\u00e9m chega \u00e0s editoras brasileiras atrav\u00e9s dos agentes liter\u00e1rios, que enviam e-mails para essas empresas com um breve resumo do livro, informando sobre a contrata\u00e7\u00e3o da obra pelas editoras \u201cgringas\u201d e oferecendo-a para leitura e avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sobre os livros in\u00e9ditos, h\u00e1 mais uma figura importante no processo de curadoria: o <em>scout<\/em> liter\u00e1rio. Esse profissional \u00e9 contratado por editoras para realizar pr\u00e9-triagens de conte\u00fados potencialmente interessantes dispon\u00edveis em seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que esses \u201colheiros de livro\u201d saibam por onde come\u00e7ar, as editoras apresentam suas expectativas. \u201cA gente diz para eles o que estamos procurando. Ent\u00e3o, eu digo \u2018olha, pra 2025, eu gostaria de contratar um livro para atender uma demanda do p\u00fablico leitor brasileiro de livros mais liter\u00e1rios. Que t\u00eam potencial para ganhar um pr\u00eamio Nobel, para ganhar o <a href=\"https:\/\/www.pulitzer.org\/\">Pulitzer,<\/a> ou qualquer outro Pr\u00eamio Liter\u00e1rio\u2019. Com isso na cabe\u00e7a, os scouts liter\u00e1rios v\u00e3o ver tudo que est\u00e1 no radar deles\u201d, explica Renata. Com a apura\u00e7\u00e3o feita, a editora seleciona quais obras realmente \u201cvalem a pena\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora, o que j\u00e1 foi lan\u00e7ado \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 infinito, n\u00e9? Porque a quantidade de livros que j\u00e1 foram lan\u00e7ados na vida no exterior e que n\u00e3o foram publicados no Brasil \u00e9 imensa\u201d, diz Renata, sobre a defini\u00e7\u00e3o de quais obras j\u00e1 publicadas ser\u00e3o traduzidas para o portugu\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a editora, escolher o que vai ser traduzido n\u00e3o \u00e9 uma tarefa simples, mas h\u00e1 alguns crit\u00e9rios que funcionam como guias, como demanda de mercado, pedidos enviados diretamente pelos leitores e at\u00e9 gosto pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 um compartilhamento de uma <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/habitos-de-leitura\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">paix\u00e3o<\/a> pessoal que \u00e9 uma coisa bem subjetiva que vai depender de cada editora. Por exemplo, sou muito apaixonada por um autor, por um livro e eu de repente me dou conta de que n\u00e3o foi publicado no Brasil ainda e eu penso \u2018meu Deus, eu gosto tanto desse livro, eu vou querer que mais pessoas leiam esse livro\u2019. Eu acho que o editor de aquisi\u00e7\u00e3o se sente como um curador do que as pessoas precisariam ler por qualquer que seja a natureza\u201d, relata.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Outro crit\u00e9rio \u00e9 a demanda de mercado, at\u00e9 porque, se \u00e9 o p\u00fablico que compra os livros, a opini\u00e3o dele \u00e9 muito&nbsp; importante. Renata conta que, na Record, \u00e9 realizada uma pesquisa de demanda e leitura de pedidos de leitores nas redes sociais, atrav\u00e9s de e-mails e at\u00e9 conversas em grupos.&nbsp; \u201cO que as pessoas est\u00e3o me dizendo, me mostrando que querem ler e n\u00e3o t\u00eam como porque n\u00e3o tem portugu\u00eas e elas n\u00e3o leem no ingl\u00eas ou qualquer que seja a l\u00edngua original\u2026 A gente vai ouvir o p\u00fablico leitor\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Renata conta que o trabalho de sele\u00e7\u00e3o \u00e9 muito gratificante. Para ela, na mesma medida em que \u00e9 bom ver um livro \u201ccaindo nas gra\u00e7as do p\u00fablico\u201d, ter&nbsp; que deixar algum t\u00edtulo de fora pode gerar frustra\u00e7\u00e3o: \u201c\u00c9 um trabalho muito legal de fazer . \u00c9 frustrante ter que fazer essa escolha entre tudo de maravilhoso que existe por a\u00ed e de tudo isso quais posso escolher para ocupar o espa\u00e7o da minha programa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Escolhendo o tradutor<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>No caso da editora Record, grupo entrevistado pela reportagem, n\u00e3o h\u00e1 um setor pr\u00f3prio de tradutores. Por isso, os profissionais que atuam nessa frente s\u00e3o contratados como <em>freelancers.<\/em> Para entender como essas pessoas s\u00e3o selecionadas, entre outros aspectos do processo de tradu\u00e7\u00e3o, d\u00ea o play e confira a explica\u00e7\u00e3o da editora Renata Pettengill.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" allow=\"autoplay\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/1980485711&#038;color=%23ff5500&#038;auto_play=false&#038;hide_related=false&#038;show_comments=true&#038;show_user=true&#038;show_reposts=false&#038;show_teaser=true\"><\/iframe><div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc;line-break: anywhere;word-break: normal;overflow: hidden;white-space: nowrap;text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif;font-weight: 100;\"><a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/colabpucminas\" title=\"Colab PUC Minas\" target=\"_blank\" style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\">Colab PUC Minas<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/colabpucminas\/nova-versao-audio\" title=\"Renata Pettengill, editora executiva do Grupo Record, explica como tradutores s\u00e3o escolhidos\" target=\"_blank\" style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\">Renata Pettengill, editora executiva do Grupo Record, explica como tradutores s\u00e3o escolhidos<\/a><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u2018Vil\u00e3o da hist\u00f3ria\u2019<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos crit\u00e9rios de curadoria das obras, a saga da escolha dos t\u00edtulos para lan\u00e7amento tamb\u00e9m tem um antagonista. O \u201cvil\u00e3o\u201d dessa hist\u00f3ria \u00e9 o limite de publica\u00e7\u00e3o que toda editora possui. Com isso, nem todas as tradu\u00e7\u00f5es que os profissionais gostariam de produzir podem ser publicadas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o limita\u00e7\u00f5es de tempo, de espa\u00e7o, at\u00e9 na programa\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o. Porque voc\u00ea tem que limitar o seu ano a uma quantidade X de lan\u00e7amentos que a sua editora consegue administrar. Precisa saber quantos livros voc\u00ea \u00e9 capaz de colocar no mercado para que ele tenha capacidade de absorver aquela quantidade de t\u00edtulos&#8221;, explica Renata.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es \u00e9 definido pela estrutura da editora. Por exemplo, todas as obras t\u00eam um planejamento de lan\u00e7amento que envolve quantidade de funcion\u00e1rios, investimentos em divulga\u00e7\u00e3o para imprensa,&nbsp; marketing e estrat\u00e9gia de distribui\u00e7\u00e3o. Com esse planejamento feito, a empresa consegue calcular com anteced\u00eancia quantos livros podem ser publicados no ano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Original x Google Tradutor x IA<\/h2>\n\n\n\n<p>Em alguns casos, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria at\u00e9 mesmo para a compreens\u00e3o plena do que o texto diz. Nesse trecho o autor faz uma refer\u00eancia \u00e0 plataforma &#8220;Venmo&#8221;, que \u00e9 utilizada nos Estados Unidos para realizar pagamento. Como no Brasil n\u00e3o se usa Venmo, a tradutora substituiu pelo &#8220;Pix&#8221;, que expressa o mesmo sentido do original, mas de forma familiar ao leitor.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"166\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" allow=\"autoplay\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?url=https%3A\/\/api.soundcloud.com\/tracks\/1980530843&#038;color=%23ff5500&#038;auto_play=false&#038;hide_related=false&#038;show_comments=true&#038;show_user=true&#038;show_reposts=false&#038;show_teaser=true\"><\/iframe><div style=\"font-size: 10px; color: #cccccc;line-break: anywhere;word-break: normal;overflow: hidden;white-space: nowrap;text-overflow: ellipsis; font-family: Interstate,Lucida Grande,Lucida Sans Unicode,Lucida Sans,Garuda,Verdana,Tahoma,sans-serif;font-weight: 100;\"><a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/colabpucminas\" title=\"Colab PUC Minas\" target=\"_blank\" style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\">Colab PUC Minas<\/a> \u00b7 <a href=\"https:\/\/soundcloud.com\/colabpucminas\/comparacao-entre-traducao\" title=\"Compara\u00e7\u00e3o entre tradu\u00e7\u00e3o original x Google Tradutor x Chat GPT\" target=\"_blank\" style=\"color: #cccccc; text-decoration: none;\">Compara\u00e7\u00e3o entre tradu\u00e7\u00e3o original x Google Tradutor x Chat GPT<\/a><\/div>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Reportagem desenvolvida por Ana Brisa Reis, Ana Maria Pardinho, Arthur Camarano, Gabriela Paiva, Laura Scardua e Tain\u00e1 Lopes para a disciplina de Laborat\u00f3rio de Jornalismo Digital no semestre 2024\/2 sob a supervis\u00e3o da prof\u00aa Nara Lya Cabral Scabin.<\/pre>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradutores revelam o \u00e1rduo e delicado trabalho de converter n\u00e3o apenas palavras, como tamb\u00e9m suas diversas interpreta\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":20078,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[22,1469],"tags":[174,2429,2430,2428],"class_list":["post-20052","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-lab-jor-digi","tag-cultura","tag-idiomas","tag-torre-de-babel","tag-traducao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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