{"id":19803,"date":"2024-12-19T10:05:01","date_gmt":"2024-12-19T13:05:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=19803"},"modified":"2024-12-21T10:05:52","modified_gmt":"2024-12-21T13:05:52","slug":"os-segredos-por-tras-da-producao-do-pao-de-queijo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/os-segredos-por-tras-da-producao-do-pao-de-queijo\/","title":{"rendered":"Os segredos por tr\u00e1s da produ\u00e7\u00e3o do p\u00e3o de queijo"},"content":{"rendered":"\n<p>H\u00e1 quase 25 anos, Arlindo Divino Macedo, mais conhecido como \u201cAri\u201d, mant\u00e9m viva a tradi\u00e7\u00e3o de produzir polvilho artesanal, ingrediente essencial para o preparo do p\u00e3o de queijo, s\u00edmbolo maior da identidade mineira. Em sua pequena f\u00e1brica na regi\u00e3o de Pedras do Indai\u00e1, ele transforma a mandioca brava em polvilho doce e azedo, um processo que exige t\u00e9cnica e paci\u00eancia. \u201cIsso aqui come\u00e7ou quando eu tinha uns parentes que faziam polvilho. Resolvi montar minha pr\u00f3pria f\u00e1brica, e com o tempo fui aperfei\u00e7oando o polvilho. Cada ano ficava melhor\u201d, conta Ari. Mas, hoje, ele enfrenta desafios crescentes: falta de m\u00e3o de obra, aumento dos custos e a concorr\u00eancia com produtos industrializados.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta de Arlindo Macedo reflete mudan\u00e7as profundas no campo e nas mesas mineiras. O p\u00e3o de queijo, presente nos lares de Minas desde o s\u00e9culo XVII, carrega mais do que sabor. Ele simboliza a transmiss\u00e3o de mem\u00f3rias e afetos atrav\u00e9s de gera\u00e7\u00f5es. Em muitas fam\u00edlias, a receita \u00e9 uma heran\u00e7a cultural, mantida como segredo entre m\u00e3es e filhas, av\u00f3s e netos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o caso de L\u00facia Policarpo, de 68 anos, que foi criada em&nbsp; uma propriedade rural em Congonhas. Aposentada, ela afirma que o p\u00e3o de queijo tradicional \u00e9 um peda\u00e7o de sua hist\u00f3ria. \u201cMinha fam\u00edlia sempre fez o pr\u00f3prio queijo, mas, com o tempo, foi ficando mais dif\u00edcil. As pessoas que sabiam fazer envelheceram, e faltava m\u00e3o de obra para continuar o trabalho na ro\u00e7a\u201d, relembra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paulo Lassi, o \u201cPaulinho\u201d, dono da \u201cA P\u00e3o de Queijaria\u201d, refor\u00e7a essa liga\u00e7\u00e3o entre o p\u00e3o de queijo e a identidade mineira ao explicar sua inspira\u00e7\u00e3o para abrir o neg\u00f3cio: \u201cA ideia veio da necessidade de resgatar a receita tradicional, que, acredito, ficou um pouco esquecida. Escolhemos pequenos produtores de queijo minas artesanal, parceiros desde 2014, para fazer parte dessa redescoberta. Isso nos permite preservar o sabor aut\u00eantico enquanto trazemos inova\u00e7\u00f5es, como o uso de recheios contempor\u00e2neos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro <em>A comida como cultura<\/em>, o historiador da alimenta\u00e7\u00e3o italiano Massimo Montanari explica que o alimento carrega n\u00e3o apenas sabores, mas tamb\u00e9m narrativas que exprimem as transforma\u00e7\u00f5es sociais e culturais de uma comunidade. Em Minas Gerais, o p\u00e3o de queijo \u00e9 hoje um s\u00edmbolo da resist\u00eancia de uma tradi\u00e7\u00e3o diante de mudan\u00e7as impostas pelo tempo e pela urbaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo Gir\u00e3o, jornalista e especialista em queijos, tamb\u00e9m analisa os impactos da industrializa\u00e7\u00e3o: \u201cNa minha vis\u00e3o, a tradi\u00e7\u00e3o est\u00e1 de p\u00e9, pois o p\u00e3o de queijo segue sendo amplamente produzido, consumido e discutido. No entanto, o que entra em pauta s\u00e3o quest\u00f5es de t\u00e9cnica e ingredientes que afetam a qualidade do produto final. Por exemplo, processos industrializados que pioram sua consist\u00eancia e queijos sem proced\u00eancia que tornam sua f\u00f3rmula mais pobre. Esses s\u00e3o os verdadeiros desafios\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O polvilho<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.conab.gov.br\/info-agro\/analises-do-mercado-agropecuario-e-extrativista\/analises-do-mercado\/historico-mensal-de-mandioca\/item\/download\/15104_87ab84e372faa534fa097d39adcb71c5\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Brasil se destaca no cen\u00e1rio agr\u00edcola global como o quarto maior produtor de mandioca<\/a>, um alimento essencial na mesa de milh\u00f5es de brasileiros e mat\u00e9ria-prima para uma vasta gama de produtos. Apesar de seu importante papel nas culturas alimentares do Brasil, a produ\u00e7\u00e3o de mandioca enfrenta desafios que podem comprometer sua sustentabilidade no futuro. Entre eles, est\u00e1 a escassez de m\u00e3o de obra no agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ingrediente utilizado no preparo do p\u00e3o de queijo, o polvilho possui uma hist\u00f3ria ligada \u00e0 cultura e \u00e0s cozinhas de Minas Gerais. Sua origem remonta ao per\u00edodo colonial, quando os escravizados utilizavam t\u00e9cnicas rudimentares para processar a mandioca, transformando-a em farinha e polvilho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"292929\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #292929;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" data-id=\"19817\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1002-683x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19817 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1002-683x1024.webp 683w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1002-200x300.webp 200w, 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Sem produzir desde agosto do ano passado, ele explica que a melhor \u00e9poca para a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de maio a agosto, quando a mandioca mant\u00e9m a qualidade necess\u00e1ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O polvilheiro relata que, ap\u00f3s o cunhado deixar o of\u00edcio, decidiu montar a pr\u00f3pria f\u00e1brica: \u201cEle me ajudou bastante. Foi com ele que aprendi a fazer e a aperfei\u00e7oar a produ\u00e7\u00e3o. Trabalhamos juntos por cerca de dois anos, depois fiquei sozinho\u201d. Com o tempo, ele foi aprimorando a fabrica\u00e7\u00e3o e adaptando o processo. \u201cNo come\u00e7o, eu fazia do jeito que meu cunhado me ensinou. Por exemplo, antigamente, n\u00e3o us\u00e1vamos tanques para bater o polvilho. Depois que implementei isso, a qualidade melhorou bastante\u201d, relata. Mas o in\u00edcio n\u00e3o foi f\u00e1cil: \u201cPerdi bastante, principalmente no come\u00e7o. \u00c9 um processo que exige muita pr\u00e1tica e paci\u00eancia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Com o processo consolidado, Ari explica o passo a passo da produ\u00e7\u00e3o de polvilho:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Produ\u00e7\u00e3o artesanal de Polvilho -- por Arlindo Macedo\" width=\"770\" height=\"433\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZRwBQoaeY2c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Produ\u00e7\u00e3o artesanal de polvilho explicado por Arlindo Macedo \/ Produ\u00e7\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1via Miranda<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os processos de produ\u00e7\u00e3o variam entre o polvilho doce e o azedo: \u201cO doce tem que ser seco em at\u00e9 15 dias, enquanto o azedo precisa de 60 dias para fermentar antes de secar. \u00c9 um trabalho que exige t\u00e9cnica e paci\u00eancia\u201d. J\u00e1 a mat\u00e9ria-prima, a mandioca brava, passa por um demorado processo de colheita e processamento. Ela precisa ser plantada, arrancada, transportada e processada, o que exige muita m\u00e3o de obra, que, segundo Ari, est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil de encontrar: \u201cA planta\u00e7\u00e3o e a colheita da mandioca s\u00e3o as partes mais dif\u00edceis. Para colher, usamos enxad\u00e3o, porque \u00e9 um trabalho pesado, e geralmente \u00e9 feito manualmente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A dificuldade de encontrar trabalhadores para atividades agr\u00edcolas tradicionais n\u00e3o \u00e9 recente, mas vem se agravando. <a href=\"https:\/\/www.comprerural.com\/vai-faltar-mao-de-obra-na-pecuaria-ate-2040-preve-a-embrapa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Segundo dados da Embrapa, a escassez de m\u00e3o de obra pode atingir n\u00edveis cr\u00edticos em setores como a pecu\u00e1ria at\u00e9 2040<\/a>. No caso de Ari, a escassez de m\u00e3o de obra e o aumento nos custos inviabilizaram a continuidade da produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ele relata que, durante a \u00e9poca da colheita, \u00e9 preciso contar com o trabalho de seis a oito pessoas. Por isso, o custo para colher a mandioca \u00e9 o maior na produ\u00e7\u00e3o do polvilho. \u201cPara produzir cinquenta quilos de polvilho, gasto cerca de trezentos e sessenta quilos de mandioca. Normalmente, produzo at\u00e9 oito toneladas por dia\u201d. O quilo do polvilho \u00e9 vendido a quinze reais, pre\u00e7o que, segundo Ari, n\u00e3o cobre o esfor\u00e7o e os desafios envolvidos no processo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"979592\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #979592;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" data-id=\"19826\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1008-683x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19826 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1008-683x1024.webp 683w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1008-200x300.webp 200w, 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No passado, a produ\u00e7\u00e3o de polvilho era comum em pequenas propriedades rurais, onde o trabalho era realizado em comunidade, com cada fam\u00edlia contribuindo em uma etapa. No entanto, a urbaniza\u00e7\u00e3o e a migra\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es para as cidades fizeram com que muitos polvilheiros abandonassem o of\u00edcio. \u201cHoje \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir m\u00e3o de obra. Os mais velhos j\u00e1 pararam de trabalhar, e os mais novos n\u00e3o querem saber desse tipo de servi\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, uma nova tend\u00eancia come\u00e7a a despontar no agroneg\u00f3cio: <a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/consumo-da-geracao-z-impacta-o-agro_486613.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">ao mesmo tempo que os jovens rejeitam pr\u00e1ticas agr\u00edcolas manuais, alguns expressam interesse em carreiras ligadas \u00e0s inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas no setor.<\/a>\u00a0 Cursos t\u00e9cnicos e gradua\u00e7\u00f5es com foco em agricultura de precis\u00e3o, tecnologia de alimentos e gest\u00e3o de recursos naturais t\u00eam atra\u00eddo jovens interessados em fazer parte da transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do agroneg\u00f3cio. Paralelamente, iniciativas p\u00fablicas e privadas v\u00eam investindo em programas que conectam tecnologia e pr\u00e1ticas agr\u00edcolas, incentivando os jovens a permanecerem nas \u00e1reas rurais.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <a href=\"https:\/\/exame.com\/inteligencia-artificial\/escassez-de-mao-de-obra-no-agronegocio-pode-ter-solucao-inteligencia-artificial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">a intelig\u00eancia artificial (IA) surge como uma ferramenta estrat\u00e9gica para superar a falta de m\u00e3o de obra e aumentar a efici\u00eancia nas propriedades rurais<\/a>. Solu\u00e7\u00f5es de IA est\u00e3o sendo aplicadas no monitoramento de planta\u00e7\u00f5es, no gerenciamento de colheitas e na otimiza\u00e7\u00e3o do uso de recursos, al\u00e9m de tornarem o ambiente agr\u00edcola mais atrativo para os jovens. <a href=\"https:\/\/exame.com\/agro\/opiniao-o-crescimento-do-agronegocio-e-a-demanda-por-profissionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Alexandre Benedetti, diretor geral da Talenses e cofundador do Talenses Grouplistas,<\/a> destaca que a digitaliza\u00e7\u00e3o no agroneg\u00f3cio n\u00e3o apenas mitiga problemas de m\u00e3o de obra, mas tamb\u00e9m eleva a competitividade brasileira no mercado global.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"5b6054\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #5b6054;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-id=\"19840\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-1024x683.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19840 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-1024x683.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-300x200.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-768x512.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-2048x1365.webp 2048w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-370x247.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-270x180.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-570x380.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-740x493.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1119-1-150x100.webp 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Polvilheiro Ari diante de sua f\u00e1brica desativada: retrato de uma hist\u00f3ria de trabalho e tradi\u00e7\u00e3o  \/Foto: Fl\u00e1via Miranda<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Diante das inova\u00e7\u00f5es e dos desafios, Ari relembra com orgulho o auge de sua atividade, quando produzia at\u00e9 oitocentos sacos de cinquenta quilos por m\u00eas. \u201cEra s\u00f3 produzir que vendia tudo; ainda tem gente que procura, porque \u00e9 um produto natural e muito puro\u201d, afirma. Mesmo diante das adversidades que enfrentou ao longo dos anos, Ari valoriza o legado que construiu e mant\u00e9m a esperan\u00e7a de voltar \u00e0 ativa: \u201cSe voltar a ter m\u00e3o de obra, eu volto a produzir. Ainda tem clientela\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O queijo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como o polvilho, o queijo artesanal \u00e9 um dos ingredientes da receita tradicional de p\u00e3o de queijo, contribuindo para seu sabor inconfund\u00edvel. Produzido em pequenas propriedades rurais, o queijo \u00e9 o resultado de uma combina\u00e7\u00e3o entre tradi\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnica apurada e cuidado minucioso em cada etapa do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o come\u00e7a com o manejo do gado leiteiro, frequentemente realizado por fam\u00edlias que seguem pr\u00e1ticas transmitidas ao longo de gera\u00e7\u00f5es. O leite fresco, coletado no pr\u00f3prio dia, \u00e9 a base para o queijo, que passa por um cuidadoso processo de coalhada e matura\u00e7\u00e3o. Dependendo do tipo de queijo desejado, o per\u00edodo de matura\u00e7\u00e3o pode variar, permitindo o desenvolvimento de aromas e sabores \u00fanicos que refletem o <a href=\"https:\/\/blog.sonoma.com.br\/afinal-o-que-e-terroir\/#:~:text=S%C3%A3o%20os%20chamados%20produtos%20de%20terroir%2C\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">terroir da regi\u00e3o <\/a>\u2013 o termo se refere a qualidade do produto de acordo com sua origem, sendo reconhecido por sua singularidade e qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a fabrica\u00e7\u00e3o artesanal muitas vezes envolve a utiliza\u00e7\u00e3o de utens\u00edlios e m\u00e9todos tradicionais, como o uso de peneiras manuais e prensas de madeira, que conferem ao queijo caracter\u00edsticas espec\u00edficas, dif\u00edceis de reproduzir em larga escala. No entanto, como tamb\u00e9m ocorre com o polvilho, a produ\u00e7\u00e3o de queijo fora das grandes ind\u00fastrias enfrenta desafios. A crescente urbaniza\u00e7\u00e3o e as mudan\u00e7as nas din\u00e2micas do campo t\u00eam levado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de produtores, enquanto a competi\u00e7\u00e3o com queijos industrializados pressiona os pre\u00e7os. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"71706e\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #71706e;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-id=\"19839\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-1024x683.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19839 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-1024x683.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-300x200.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-768x512.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-1536x1024.webp 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-2048x1365.webp 2048w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-370x247.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-270x180.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-570x380.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-740x493.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1166-150x100.webp 150w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Prato t\u00edpico mineiro, o queijo Minas frescal reflete a rica cultura alimentar do estado \/ Foto: Fl\u00e1via Miranda<br><\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Os ovos e leite<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Assim como o polvilho e o queijo, protagonistas no preparo tradicional do p\u00e3o de queijo, os ovos e o leite s\u00e3o personagens importantes na receita e tamb\u00e9m possuem forte liga\u00e7\u00e3o com pr\u00e1ticas agr\u00edcolas tradicionais de Minas Gerais. Frequentemente provenientes de pequenos produtores locais, esses ingredientes refletem um modo de vida rural que prioriza o cuidado com a terra e os animais. Muitos de seus produtores adotam pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, como o manejo respons\u00e1vel de pastagens e o uso de m\u00e9todos naturais na alimenta\u00e7\u00e3o das galinhas e do gado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os ovos, por exemplo, s\u00e3o elemento comum em cria\u00e7\u00f5es realizadas em quintais, onde as galinhas s\u00e3o criadas soltas, preservando n\u00e3o apenas a qualidade do alimento, mas tamb\u00e9m os saberes transmitidos de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. O leite, por sua vez, quando produzido de forma artesanal, \u00e9 extra\u00eddo por ordenha manual e processado em pequenas propriedades familiares, garantindo um produto fresco e com sabor diferenciado. A produ\u00e7\u00e3o em pequena escala n\u00e3o apenas valoriza a tradi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m fomenta a economia local, criando uma cadeia produtiva que conecta os campos mineiros \u00e0s mesas das cidades.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"685e61\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #685e61;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" data-id=\"19837\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1351-683x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19837 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1351-683x1024.webp 683w, 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\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"94938d\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #94938d;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" data-id=\"19833\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1529-683x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19833 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1529-683x1024.webp 683w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1529-200x300.webp 200w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1529-768x1152.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1529-1024x1536.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/IMG_1529-1365x2048.webp 1365w, 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Os pontos determinantes s\u00e3o a escolha de bons ingredientes, a propor\u00e7\u00e3o adequada entre eles e o dom\u00ednio t\u00e9cnico para assar corretamente, obtendo um p\u00e3o de queijo bonito por fora, bem desenvolvido por dentro, com bom aroma e sabor equilibrado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Inova\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Enquanto artes\u00e3os como Ari e L\u00facia lutam para manter viva a tradi\u00e7\u00e3o do p\u00e3o de queijo, empreendedores como <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/apaodequeijaria?utm_source=ig_web_button_share_sheet&amp;igsh=ZDNlZDc0MzIxNw==\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Paulinho, da P\u00e3o de Queijaria<\/a>, defendem que \u00e9 poss\u00edvel inovar sem perder a ess\u00eancia. Desde 2014, sua loja em Belo Horizonte oferece vers\u00f5es contempor\u00e2neas do p\u00e3o de queijo, combinando a receita tradicional com recheios criativos, como costelinha de porco e bacon.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A nossa ideia foi trazer o p\u00e3o de queijo feito em nossas casas, acompanhado de recheios contempor\u00e2neos, para mostrar que era (e ainda \u00e9) poss\u00edvel trazer esses dois elementos, que se parecem em oposi\u00e7\u00e3o. Pudemos associar a tradicional receita mineira do p\u00e3o de queijo com a inova\u00e7\u00e3o (\u00e0s vezes ousadia) de fazer acompanhar com outros recheios, mas sempre sem perder o foco na culin\u00e1ria mineira.\u201d explica Paulinho, e prossegue \u201cO nosso sandu\u00edche mais consumido nas lojas \u00e9 recheado com costelinha de porco desfiada, bacon, couve frita e queijo minas derretido, o Chovinista. Costumo dizer que Minas est\u00e1 inteira dentro dele&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O surgimento do p\u00e3o de queijo <em>gourmet<\/em> sintetiza um momento de busca por novas experi\u00eancias gastron\u00f4micas. Em Belo Horizonte, casas especializadas oferecem combina\u00e7\u00f5es inusitadas, como p\u00e3o de queijo recheado com doce de leite ou goiabada. Essas releituras ajudam a expandir a visibilidade do quitute, atraindo novos p\u00fablicos. Paulinho refor\u00e7a que o respeito \u00e0s origens \u00e9 parte do sucesso: &#8220;Sabemos da import\u00e2ncia da presen\u00e7a da gordura na massa. Por isso, escolhemos pequenos produtores de queijo minas artesanal, que s\u00e3o nossos parceiros desde o in\u00edcio, para fazer parte dessa redescoberta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Empreender nesse ramo, por\u00e9m, traz muitos desafios: &#8220;Todo mineiro sabe (ou sabe quem sabe) fazer p\u00e3o de queijo. Isso nos traz uma responsabilidade enorme para a produ\u00e7\u00e3o do nosso produto. \u00c9 muito comum os clientes dizerem que o nosso p\u00e3o de queijo faz lembrar aqueles que comiam na casa dos pais ou av\u00f3s, e isso nos enche de orgulho&#8221;, afirma Paulinho.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do p\u00e3o de queijo \u00e9 a hist\u00f3ria de Minas Gerais: um relato de criatividade, resist\u00eancia e identidade cultural. Enquanto Ari e L\u00facia representam a luta para preservar as tradi\u00e7\u00f5es artesanais, Paulinho demonstra como a inova\u00e7\u00e3o pode dialogar com o passado para garantir um futuro pr\u00f3spero: &#8220;A tend\u00eancia do mercado de p\u00e3o de queijo, que j\u00e1 \u00e9 muito grande em Minas, \u00e9 se expandir para todo o Brasil e o mundo. Minas est\u00e1 na moda, e sabemos a riqueza da nossa gastronomia, que vai muito al\u00e9m do nosso p\u00e3o de queijo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionado sobre as releituras da receita, seja com novas f\u00f3rmulas ou ingredientes, como em vers\u00f5es veganas e sem lactose, o especialista em queijos Eduardo Gir\u00e3o observa que a evolu\u00e7\u00e3o faz parte da hist\u00f3ria: \u201cMudan\u00e7as fazem parte. Novos formatos, tamanhos, formula\u00e7\u00f5es. Isso tudo faz parte das din\u00e2micas gastron\u00f4micas. Quando surgiu, seja l\u00e1 onde e quando, o p\u00e3o de queijo certamente n\u00e3o era igual ao de hoje. O pr\u00f3prio conceito de tradi\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e mudan\u00e7a, uma vez que estamos a falar de pr\u00e1ticas que atravessam o tempo, mantidas por pessoas diferentes em \u00e9pocas e contextos diferentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Caderno de receitas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Maria Catarina Delfino, mais conhecida como Dona Kate, \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o e a alma de sua fam\u00edlia. Aos 76 anos, sua hist\u00f3ria \u00e9 o reflexo de uma vida marcada por simplicidade, resili\u00eancia e muito amor, expressos em um lugar especial: a cozinha. Av\u00f3 de uma das autoras desta reportagem, ela \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o de um caderno de receitas que vai muito al\u00e9m de ingredientes e modos de preparo.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-dominant-color=\"965f5f\" data-has-transparency=\"false\" style=\"--dominant-color: #965f5f;\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"1024\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" data-id=\"19883\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-1024x1024.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-19883 not-transparent\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-1024x1024.webp 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-300x300.webp 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-150x150.webp 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-768x768.webp 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-370x370.webp 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-270x270.webp 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-570x570.webp 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-740x740.webp 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-96x96.webp 96w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/Design-sem-nome-43-png.webp 1080w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Dona Kate produzindo p\u00e3es de queijo \/ Foto: Fl\u00e1via Miranda<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Nascida e criada na zona rural de Lagoa da Prata, ela viveu uma inf\u00e2ncia marcada pela dureza da vida no campo. Crescer na ro\u00e7a significava acordar cedo e assumir tarefas que exigiam for\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o, mesmo na inf\u00e2ncia. Ela cuidava dos irm\u00e3os e, desde cedo, aprendeu a cozinhar grandes quantidades de comida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, casou-se e come\u00e7ou uma nova jornada, em que a responsabilidade e o trabalho \u00e1rduo, em casa e na cria\u00e7\u00e3o dos filhos, continuaram a moldar seu caminho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo dos anos, cozinhar deixou de ser apenas uma necessidade e tornou-se parte de sua identidade. Apesar da simplicidade dos ingredientes, suas refei\u00e7\u00f5es sempre tiveram o poder de reunir e acolher. As receitas de Dona Kate passaram a ser o centro das comemora\u00e7\u00f5es familiares, um s\u00edmbolo de uni\u00e3o que atravessa gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, sua comida \u00e9 considerada um patrim\u00f4nio afetivo da fam\u00edlia. N\u00e3o h\u00e1 celebra\u00e7\u00e3o que n\u00e3o inclua ao menos um dos pratos que ela ensinou. \u00c9 por meio da comida que ela mostra \u00e0 fam\u00edlia as boas coisas da vida, mesmo em meio a adversidades Sua cozinha tornou-se um lugar de mem\u00f3ria e de pertencimento para todos que a conhecem. Um exemplo de que o amor pode ser transmitido pelas coisas mais cotidianas, como um prato de comida.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Tradicional p\u00e3o de queijo da ro\u00e7a\u00a0<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-soundcloud wp-block-embed-soundcloud\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Tradicional p\u00e3o de queijo da ro\u00e7a - por Dona Maria Catarina by Colab PUC Minas\" width=\"770\" height=\"400\" scrolling=\"no\" frameborder=\"no\" src=\"https:\/\/w.soundcloud.com\/player\/?visual=true&#038;url=https%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F1977690839&#038;show_artwork=true&#038;maxheight=1000&#038;maxwidth=770\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption class=\"wp-element-caption\">Receita do tradicional p\u00e3o de queijo da dona Kate \/ Produ\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1via Miranda e Maria Cec\u00edlia Almeida \/ Locu\u00e7\u00e3o: Maria Cec\u00edlia Almeida<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ingredientes<\/strong>:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>2 x\u00edcara (ch\u00e1) de queijo meia cura ralado<\/li>\n\n\n\n<li>4 x\u00edcara (ch\u00e1) de polvilho doce&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>1 x\u00edcara (ch\u00e1) de gordura (manteiga de porco)&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>1 e meia x\u00edcara (ch\u00e1) de leite&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>1\/2 x\u00edcara (ch\u00e1) de \u00e1gua&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>1 colher (ch\u00e1) de sal<\/li>\n\n\n\n<li>3 ovos&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Modo de preparo:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pr\u00e9-aque\u00e7a o forno a 180\u00baC.<\/li>\n\n\n\n<li>Aque\u00e7a o leite e a manteiga em uma panela pequena at\u00e9 ferver.<\/li>\n\n\n\n<li>Despeje a mistura fervente sobre o polvilho e mexa at\u00e9 formar uma massa.<\/li>\n\n\n\n<li>Adicione o queijo ralado e incorpore bem. Acrescente o ovo e misture novamente.<\/li>\n\n\n\n<li>Acerte o sal, se necess\u00e1rio.<\/li>\n\n\n\n<li>Molde os p\u00e3es (usando as m\u00e3os levemente untadas com \u00f3leo) e leve ao forno m\u00e9dio at\u00e9 que estejam dourados.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><strong>Dica:<\/strong> Certifique-se de pr\u00e9-aquecer o forno. Em um forno frio, os p\u00e3ezinhos podem perder a forma e ficar com a casca macia. N\u00e3o hesite em assar at\u00e9 que fiquem bem dourados \u2013 o p\u00e3o de queijo deve ser mais dourado do que amarelo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mais receitas, acesse o Instagram: @<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/saboresgerais\/profilecard\/?igsh=ZG1obXg4NWd6dHNs\">saboresgerais<\/a><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Reportagem desenvolvida por Fl\u00e1via Miranda, Lu\u00edsa Policarpo e Maria Cec\u00edlia Almeida para a disciplina de Laborat\u00f3rio de Jornalismo Digital no semestre 2024\/2 sob a supervis\u00e3o da prof\u00aa Nara Lya Cabral Scabin.<\/pre>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Leia tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/xeque-mate-a-bebida-de-bh\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Xeque-Mate: a bebida de BH que virou o jogo de mestre na ind\u00fastria<\/a><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradi\u00e7\u00e3o artesanal resiste a processos industriais de produ\u00e7\u00e3o alimentar e divide a mesa com releituras modernas em Minas Gerais<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":19831,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_eb_attr":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[1507,1469],"tags":[2039,1510,2431],"class_list":["post-19803","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-gastronomia","category-lab-jor-digi","tag-culinaria","tag-gastronomia","tag-pao-de-queijo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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