{"id":16398,"date":"2024-05-27T14:19:00","date_gmt":"2024-05-27T17:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=16398"},"modified":"2024-05-29T14:15:10","modified_gmt":"2024-05-29T17:15:10","slug":"tradicoes-de-parteiras-indigenas-para-adiar-o-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/tradicoes-de-parteiras-indigenas-para-adiar-o-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Patrim\u00f4nio do Brasil: as tradi\u00e7\u00f5es das parteiras ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"217\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-1024x217.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-16421\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-1024x217.png 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-300x64.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-768x163.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-370x78.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-270x57.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-570x121.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-740x157.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto-150x32.png 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/2024S01-SELOS_IPAFM_ML_IdeiasPAFM-preto.png 1080w\" \/><\/figure>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>Tu n\u00e3o imagina a emo\u00e7\u00e3o que \u00e9 quando um beb\u00ea cai nas tuas m\u00e3os, ali, saud\u00e1vel, chorando forte. Acredita que tem crian\u00e7a que quando nasce eu at\u00e9 choro junto?<\/em> <em>\u00c9 um grande privil\u00e9gio. Pra mim eu fui iluminada por Deus, n\u00e3o tem explica\u00e7\u00e3o. Na hora do servi\u00e7o a gente t\u00e1 conectada com Deus, primeiramente, e deixa a natureza fazer a parte dela. Quando a mulher precisa de ajuda a gente diz: \u2018faz assim\u201d. Mas tem que deixar a natureza trabalhar primeiro. Em cada parto eu ganho mais conhecimento. Eu digo que parteira \u00e9 sempre uma aprendiz. A gente n\u00e3o deixa de ser aprendiz\u201d&nbsp;<\/em><\/p>\n<cite>M\u00e3e D\u00f4ra Pankararu, parteira ind\u00edgena<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignleft size-medium\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"300\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-200x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16417\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-684x1024.jpg 684w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-768x1150.jpg 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-1026x1536.jpg 1026w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-370x554.jpg 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-270x404.jpg 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-570x854.jpg 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-740x1108.jpg 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596-150x225.jpg 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3596.jpg 1335w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Eduardo Queiroga \/ Museu da Parteira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Maria das Dores Silva Nascimento (59) \u00e9 parteira h\u00e1 mais de 40 anos. Entre os ind\u00edgenas Pankararu, cujas terras est\u00e3o no sert\u00e3o pernambucano, pr\u00f3ximo ao vale do rio S\u00e3o Francisco, \u00e9 conhecida como M\u00e3e D\u00f4ra. Al\u00e9m de exercer um importante papel de lideran\u00e7a comunit\u00e1ria e espiritual, foi reconhecida como Patrim\u00f4nio Vivo do estado de Pernambuco em 2022, pela atua\u00e7\u00e3o na manuten\u00e7\u00e3o da cultura e tradi\u00e7\u00e3o de seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Vinda de uma fam\u00edlia de parteiras (sua av\u00f3, m\u00e3e e tias exerciam o of\u00edcio), D\u00f4ra conta que n\u00e3o tinha pretens\u00f5es de seguir por esse caminho. At\u00e9 que, aos 18 anos, acompanhou pela primeira vez o parto da pr\u00f3pria cunhada. \u201cFoi por acaso, eu estava na casa dela, a parteira me chamou para o quarto, para levar um len\u00e7ol, e eu acabei ajudando\u201d. A partir dali n\u00e3o parou mais. J\u00e1 perdeu as contas de quantas crian\u00e7as ajudou a trazer ao mundo, mas sabe que o n\u00famero est\u00e1 pr\u00f3ximo de 1200.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho \u00e9 volunt\u00e1rio e ela atende todas as aldeias ao redor. Na maioria das ocasi\u00f5es, leva alguma aprendiz: \u201cElas acompanham a gente nos partos, n\u00e3o s\u00f3 eu como as outras parteiras. A&nbsp; gente bota elas para fazer e fica do lado delas. \u00c9 um respeito muito grande que o povo Pankararu tem pela figura da parteira, dando continuidade pra que essa tradi\u00e7\u00e3o nunca morra\u201d, conta. D\u00f4ra transmite seu conhecimento \u00e0 nova gera\u00e7\u00e3o mas, no que depender dela, ainda seguir\u00e1 ativa por muitos anos: \u201cEnquanto tiver bem, tiver coragem, sa\u00fade, e for\u00e7as nas minhas pernas, eu vou estar partejando\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No territ\u00f3rio Pankararu, os partos costumam acontecer nas casas, de forma natural. As idas para o hospital acontecem apenas quando a gravidez envolve riscos, como diabetes e press\u00e3o alta. Sobre essas situa\u00e7\u00f5es, M\u00e3e D\u00f4ra diz que costuma ter seu trabalho respeitado. Assim como ocorre no territ\u00f3rio ind\u00edgena, ela pode acompanhar todo o processo na sala de parto. A \u00fanica ressalva \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o aos procedimentos: \u201cNo hospital eles n\u00e3o deixam a gente usar nossas ervas. Aqui na \u00e1rea a gente usa no antes, durante e p\u00f3s parto. L\u00e1 eles n\u00e3o deixam, porque j\u00e1 tem outro m\u00e9todo de trabalhar, mas ia ajudar muito\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de abril de 2024, M\u00e3e D\u00f4ra recebeu o t\u00edtulo de Not\u00f3rio Saber pela Universidade de Pernambuco. \u201cEu chorei do come\u00e7o ao fim. Fiquei muito feliz em saber que o meu trabalho \u00e9 reconhecido. Queria que todas as parteiras tivessem o que eu tive esse dia\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16403\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-370x246.jpg 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-270x179.jpg 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-570x379.jpg 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-740x492.jpg 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849-150x100.jpg 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_1849.jpg 2000w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e3e D\u00f4ra Pankararu. Foto: Eduardo Queiroga \/ Museu da Parteira<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reconhecimento pelo IPHAN<\/h2>\n\n\n\n<p>O termo \u201cparto tradicional\u201d se refere \u00e0s pr\u00e1ticas historicamente desempenhadas por mulheres, a partir dos saberes tradicionais dos povos. Assim como D\u00f4ra Pankararu, milhares de parteiras espalhadas pelo pa\u00eds exercem esse trabalho em suas comunidades. Em 9 de maio de 2024, o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/iphan\/pt-br\/assuntos\/noticias\/oficio-saberes-e-praticas-das-parteiras-sao-patrimonio-do-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN) reconheceu \u201cOf\u00edcio, Saberes e Pr\u00e1ticas das Parteiras Tradicionais\u201d como Patrim\u00f4nio Cultural do Brasil<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Mar\u00edlia Nepomuceno, antrop\u00f3loga pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), esse reconhecimento \u00e9 fundamental. Racializada e lida como parda no Brasil, a pesquisadora \u00e9 de ascend\u00eancia afroind\u00edgena e coordenou o \u201cCartografia de Parteiras Ind\u00edgenas\u201d, programa de salvaguarda das parteiras ind\u00edgenas nordestinas realizado por pesquisadoras da UFPE.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u00c9 um of\u00edcio de cuidado, de grande expertise, que sustenta a vida, literalmente, em muitos territ\u00f3rios. Reconhecer isso como um elemento importante para a constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 uma repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Produz visibilidade, ajuda a n\u00e3o criminalizar e a legitimar a pr\u00e1tica dessas mulheres, gera autonomia para elas. Ent\u00e3o, \u00e9 muito importante que as institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos comecem a fazer essas reflex\u00f5es\u201d.<\/p>\n<cite>Mar\u00edlia Nepomuceno, coordenadora do projeto Cartografia das Parteiras Ind\u00edgenas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"alignright size-medium\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"300\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-200x300.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16416\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-684x1024.jpg 684w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-768x1150.jpg 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-1026x1536.jpg 1026w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-370x554.jpg 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-270x404.jpg 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-570x854.jpg 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-740x1108.jpg 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373-150x225.jpg 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/foto_eduardo_queirogaIMG_3373.jpg 1335w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Eduardo Queiroga \/ Museu da Parteira<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>A pesquisadora explica que o projeto surgiu da necessidade de visibilizar as parteiras ind\u00edgenas dentro do universo das parteiras tradicionais, &#8220;porque elas t\u00eam contextos, comportamentos \u00e9tnicos, rituais e cosmovis\u00f5es particulares\u201d. De acordo com ela, \u201clan\u00e7ar luz sobre os saberes e pr\u00e1ticas das parteiras ind\u00edgenas\u201d, \u00e9 fundamental para a preserva\u00e7\u00e3o de seus of\u00edcios, al\u00e9m de ser um instrumento para facilitar o acesso a pol\u00edticas que as fortale\u00e7am e gerem uma vida com respeito p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar\u00edlia Nepomuceno ressalta que os ind\u00edgenas, em geral, ainda s\u00e3o lidos de maneira equivocada. \u201cMuita gente acha que h\u00e1 um fen\u00f3tipo cl\u00e1ssico, que eles est\u00e3o concentrados no norte do pa\u00eds, possuem tra\u00e7os e modos de viver espec\u00edficos. Mas a diversidade do ser ind\u00edgena no Brasil \u00e9 muito grande\u201d. Segundo ela, isso se estende aos conhecimentos do parto. \u201cAs parteiras ind\u00edgenas t\u00eam um conhecimento espec\u00edfico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas e ervas medicinais que v\u00e3o ser usadas no parto e assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, t\u00eam entendimento sobre posturas, t\u00e9cnicas e manobras que dizem respeito \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o delas. A maneira de lidar com o parto, com aquele rito de passagem, tem uma especificidade a partir de cada grupo \u00e9tnico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Temos uma hist\u00f3ria de apagamento e genoc\u00eddio do saber e das pr\u00e1ticas ind\u00edgenas no Brasil. E no Nordeste, sobretudo, porque foi na costa litor\u00e2nea que a hibrida\u00e7\u00e3o violenta entre povos e culturas se imp\u00f4s, desde 1500, e se alastrou intensa e sistematicamente pelo resto do pa\u00eds. Ent\u00e3o, as sabedorias que resistiram e&nbsp; se reinventaram s\u00e3o precios\u00edssimas, porque elas atravessaram desafios sobrenaturais para chegarem at\u00e9 aqui. N\u00e3o s\u00e3o os pressupostos ocidentais que est\u00e3o guiando essa m\u00e9trica, mas h\u00e1 um repert\u00f3rio acumulado para entender porque se deve fazer tal manobra, usar tal planta, fazer tal ritual, se alimentar de tal coisa. H\u00e1 uma expertise  impressionante das mem\u00f3rias alimentares, do cuidado e de sa\u00fade sendo fomentada at\u00e9 os dias de hoje. Existe um conhecimento espec\u00edfico sendo produzido ali, entre as parteiras ind\u00edgenas, que vem sendo passado de gera\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da oralidade\u201d.<\/p>\n<cite>Mar\u00edlia Nepomuceno, coordenadora do projeto Cartografia das Parteiras Ind\u00edgenas<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A antrop\u00f3loga, que tamb\u00e9m integra a equipe do <a href=\"https:\/\/museudaparteira.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Museu da Parteira<\/a>, afirma que a atua\u00e7\u00e3o das parteiras extrapola o momento do parto. <strong>\u201c<\/strong>As parteiras acabam se tornando, nas comunidades que s\u00e3o refer\u00eancia, delegadas, assistentes sociais, cuidadoras. Elas desempenham essa fun\u00e7\u00e3o de cuidado comunit\u00e1rio. S\u00e3o muito mais do que pessoas que acompanham as mulheres na hora que elas est\u00e3o dando \u00e0 luz. Elas s\u00e3o, de fato, mestras detentoras de saber, cuidado e auto-aten\u00e7\u00e3o comunit\u00e1rias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a recep\u00e7\u00e3o das parteiras no sistema de sa\u00fade, Mar\u00edlia afirma que ainda h\u00e1 muito a ser trabalhado. \u201cElas vivem situa\u00e7\u00f5es constrangedoras, muitas chegam ao hospital amparando uma mulher e s\u00e3o destratadas. Algumas parteiras, como M\u00e3e D\u00f4ra, que tamb\u00e9m tem forma\u00e7\u00e3o como agente de sa\u00fade e t\u00e9cnica de enfermagem, s\u00e3o respeitadas quando precisam ir para os hospitais em territ\u00f3rios n\u00e3o ind\u00edgenas, mas esse respeito foi constru\u00eddo com o tempo. O acolhimento que o Estado articula para as parteiras ainda \u00e9 muito desafiador&#8221;, lamenta. Segundo ela, na maioria das vezes, o que a equipe m\u00e9dica pensa \u00e9 que os partos que chegam ao hospital tendem a ser mais complicados, &#8220;Eles acham que a parteira n\u00e3o deu conta, tem alguma intercorr\u00eancia\u201d, explica Mar\u00edlia Nepomuceno. &#8220;Ent\u00e3o, isso acaba gerando uma leitura ruim das parteiras quando elas chegam nos hospitais. Eles n\u00e3o veem pelo lado de que a parteira foi l\u00facida, entendeu que teria limites para manejar aquela assist\u00eancia e decidiu partir para uma assist\u00eancia hospitalar\u201d, completa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade<\/h2>\n\n\n\n<p>Para \u00c9rica Dumont, professora de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora em sa\u00fade ind\u00edgena, os saberes tradicionais podem colaborar em diversas fases da vida, principalmente no nascimento. \u201cTemos v\u00e1rios estudos hoje que indicam que as mulheres, no contexto do parto e do p\u00f3s parto, se sentem muito seguras com as orienta\u00e7\u00f5es das parteiras tradicionais e sentem maior conforto em aderir ao cuidado delas. Ent\u00e3o, mesmo que a assist\u00eancia seja feita na unidade de sa\u00fade, quando elas est\u00e3o acompanhadas por uma parteira, o pr\u00e9-natal \u00e9 mais tranquilo\u201d. Ela acrescenta que esse tipo de pr\u00e9-natal costuma envolver outras dimens\u00f5es como a espiritualidade, a rela\u00e7\u00e3o com a ancestralidade, a terra e o territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora, dados atualizados mostram que na maioria dos casos \u00e9 poss\u00edvel viver a gesta\u00e7\u00e3o e os partos nas aldeias, sem a necessidade de encaminhamento para uma cesariana ou interven\u00e7\u00f5es fora do territ\u00f3rio. Al\u00e9m disso, os conhecimentos das parteiras s\u00e3o not\u00f3rios nos cuidados. \u201cElas t\u00eam v\u00e1rias ervas e rezas que contribuem para reduzir a infec\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-parto e p\u00f3s-parto. H\u00e1 tamb\u00e9m um cuidado com a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, fortalecedora da m\u00e3e e do beb\u00ea. Tudo isso contribui para a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade infantil e para a melhoria da sa\u00fade materna, sem d\u00favida\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores da \u00e1rea, \u00e9 importante que exista um di\u00e1logo horizontal entre os saberes tradicionais em torno do partejo e os saberes da medicina moderna. \u201cEsse di\u00e1logo est\u00e1 previsto na Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Ind\u00edgena, mas ainda h\u00e1&nbsp; muitas lacunas. Nem sempre os sistemas tradicionais ind\u00edgenas, os saberes relacionados \u00e0s ervas e aos cuidados no parto s\u00e3o incorporados nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade. Ainda temos um longo percurso para que as parteiras, os paj\u00e9s, as rezadeiras e as benzedeiras, sejam incorporadas de fato ao sistema, mas v\u00e1rios di\u00e1logos t\u00eam sido feitos nesse sentido\u201d, afirma \u00c9rica Dumont.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Eu tive experi\u00eancias muito bonitas de encontro com parteiras Patax\u00f3s, Xakriab\u00e1s, que me ensinaram muito. Aprendi a pensar o parto pensando na terra, nas \u00e1rvores, em como a natureza ajuda no algod\u00e3o que vai ser usado, nas ervas que v\u00e3o ser colocadas para macerar, para fazer as encerga\u00e7\u00f5es ou os banhos. Aprendi sobre a m\u00fasica que precisa ser cantada, as rezas. Mas tamb\u00e9m tenho experi\u00eancias duras, como as que tenho observado agora no territ\u00f3rio ind\u00edgena Yanomami. \u00c9 um contexto em que as gesta\u00e7\u00f5es e os nascimentos s\u00e3o muito atravessados pela viol\u00eancia vivida, pelo <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/por-que-a-mineracao-em-terras-indigenas-e-preocupante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">garimpo<\/a>, pelo racismo das institui\u00e7\u00f5es que deveriam acolher essas mulheres, mas s\u00e3o marcadas por muito desrespeito \u00e0s viv\u00eancias e aos modos de vida&#8221;<\/p>\n<cite>\u00c9rica Dumont, enfermeira e pesquisadora em sa\u00fade ind\u00edgena na UFMG<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Assista ao document\u00e1rio sobre as parteiras Pankararu:<\/h2>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zSIqUT5GsYw?si=vupzLwJ6qk5tOooI\" title=\"YouTube video player\" frameborder=\"0\" 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