{"id":12266,"date":"2022-12-13T18:45:56","date_gmt":"2022-12-13T21:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/?p=12266"},"modified":"2022-12-23T14:11:23","modified_gmt":"2022-12-23T17:11:23","slug":"brasil-um-pais-de-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/brasil-um-pais-de-todos\/","title":{"rendered":"Brasil: um pa\u00eds de todos?"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Apesar de ser conhecido como acolhedor, o pa\u00eds n\u00e3o abra\u00e7a imigrantes<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A responsabilidade que o governo e a sociedade civil t\u00eam para com os 1,3 milh\u00f5es de imigrantes que escolheram vir para c\u00e1 \u00e9 enorme. S\u00e3o hist\u00f3rias que foram interrompidas nos seus territ\u00f3rios e que podem ter a chance de ganhar continuidade aqui. Mas, para isso ser poss\u00edvel, os imigrantes e refugiados precisam ser inclu\u00eddos nas pol\u00edticas p\u00fablicas para haver uma verdadeira integra\u00e7\u00e3o na sociedade, o que nem sempre acontece. Junto da burocracia para efetivar as documenta\u00e7\u00f5es e da exclus\u00e3o do processo eleitoral, os imigrantes sofrem com a dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o pois encontram resist\u00eancia dos brasileiros nativos. A liberdade de escolha de um refugiado \u00e9 posta em cheque no momento em que a sobreviv\u00eancia dele depende de fugir do seu pa\u00eds para continuar sobrevivendo. Ainda assim, a coragem inerente a essa mudan\u00e7a brusca deve ser reconhecida para que as respostas aos desafios sejam \u00e0 altura.<\/p>\n\n\n\n<p>Mo\u00efse Kabamgabe trabalhava como atendente em um quiosque na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Em janeiro de 2022, ao ficar dois dias sem pagamento, o congol\u00eas foi at\u00e9 o propriet\u00e1rio do estabelecimento cobrar o valor que lhe era devido, por\u00e9m, nunca chegou a receb\u00ea-lo. Ao inv\u00e9s disso, Mo\u00efse foi imobilizado e espancado com 40 pauladas por tr\u00eas homens, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2022\/01\/29\/policia-investiga-morte-de-congoles-em-quiosque-na-barra-da-tijuca.ghtml\">at\u00e9 falecer<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso teve grande repercuss\u00e3o na imprensa nacional e internacional. Pol\u00edticos como o governador do Rio de Janeiro, Cl\u00e1udio Castro, e o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes, solidarizaram-se com a fam\u00edlia e cobraram das autoridades policiais a investiga\u00e7\u00e3o do caso. J\u00e1 a <a href=\"https:\/\/anistia.org.br\/\">Anistia Internacional<\/a> reiterou o problema da xenofobia e do <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/observatorio-da-discriminacao-racial\/\">racismo<\/a> no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil, apesar de ser um dos signat\u00e1rios da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas relativa ao Estatuto dos Refugiados em 1951, que compeliu os pa\u00edses participantes a receberem refugiados, <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-60267870\">somente os abriga, mas n\u00e3o acolhe<\/a>. A realidade prova que apenas assumir compromissos institucionais pode n\u00e3o ser suficiente. S\u00e3o muitos os problemas que imigrantes enfrentam ao se instalar no pa\u00eds, e grande parte destes desafios est\u00e3o diretamente relacionados com a xenofobia.<\/p>\n\n\n\n<p>Etimologicamente, a palavra \u2018xenofobia\u2019 \u00e9 composta pelo prefixo <em>xeno<\/em>, do grego <em>x\u00e9nos<\/em>, que significa estrangeiro, e do sufixo fobia, que significa medo.&nbsp; Segundo o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (<a href=\"https:\/\/www.acnur.org\/portugues\/\">Acnur<\/a>), xenofobia \u00e9 o \u201csentimento de avers\u00e3o, desconfian\u00e7a, medo, antipatia, rejei\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao estrangeiro, ao que vem de outro pa\u00eds, ao que vem de fora. O sentimento de xenofobia se manifesta em atitudes discriminat\u00f3rias e, muitas vezes, violentas, tanto verbais como f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas contra migrantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-1024x576.png\" alt=\"Palavra Xenofobia em branco com fundo roxo: L\u00ea-se o texto Desconfian\u00e7a, temor ou antipatia por pessoas estranhas ao meio daquele que as aju\u00edza, ou pelo que \u00e9 incomum ou vem de fora do pa\u00eds. Abaixo, a palavra Racismo em branco com fundo laranja: L\u00ea-se o texto Teoria ou cren\u00e7a que estabelece uma hierarquia entre as ra\u00e7as (etnias); Preconceito exagerado contra pessoas pertencentes a uma ra\u00e7a (etnia) diferente, geralmente considerada inferior. \n\" class=\"wp-image-12268\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-1024x576.png 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-300x169.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-768x432.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-1536x864.png 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-370x208.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-270x152.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-570x321.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-740x416.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico-150x84.png 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-2-infografico.png 1920w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Significado de xenofobia e racismo \/ Arte: Maria Eduarda Oliveira \/ Fonte: Dicion\u00e1rio Oxford\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Para Augusto Veloso, pesquisador&nbsp; de pol\u00edticas locais de imigra\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neas no Brasil do Grupo de Estudo sobre Distribui\u00e7\u00e3o Espacial da Popula\u00e7\u00e3o (GEDEP) da PUC Minas, \u00e9 importante fazer essa diferencia\u00e7\u00e3o entre viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica.&nbsp; Enquanto uma atua diretamente sobre o corpo, a outra causa danos emocionais \u00e0s v\u00edtimas, expressas por meio de insultos, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra esses grupos \u00e9 frequentemente estimulada por um sentimento de superioridade, como se os imigrantes valessem menos, segundo Augusto. O pesquisador corrobora a vis\u00e3o de especialistas que admitem a dupla viol\u00eancia sofrida pelo congol\u00eas Moise. Isso porque \u201cpessoas negras e pardas v\u00e3o experimentar mais esses preconceitos do que pessoas que s\u00e3o brancas\u201d na vis\u00e3o dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a xenofobia tamb\u00e9m se relaciona com a\u00e7\u00f5es governamentais, que s\u00e3o menos percept\u00edveis \u00e0 primeira vista. Um exemplo \u00e9 o controle burocr\u00e1tico contra imigrantes. \u201cS\u00e3o pessoas que t\u00eam que comparecer constantemente nas for\u00e7as de seguran\u00e7a \u00e0s vezes para renovar o seu registro\u201d, destaca Augusto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Acnur, h\u00e1 um trip\u00e9 dos meios de vida para imigrantes: <strong>integra\u00e7\u00e3o local<\/strong>, <strong>reassentamento<\/strong> e <strong>repatria\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria<\/strong>. Dentre os projetos existentes que contribuem para a obten\u00e7\u00e3o desses direitos, est\u00e3o 35 unidades da <a href=\"https:\/\/www.pucminas.br\/ics\/Paginas\/Catedra-SVM.aspx\">C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello (CSVM)<\/a>, que servem como promotoras do acesso a direitos e servi\u00e7os no Brasil para os refugiados. Em uma parceria cooperativa com as universidades, surgiram iniciativas como fomento ao acesso e perman\u00eancia \u00e0 educa\u00e7\u00e3o,<a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/pessoas-refugiadas-enfrentam-dificuldade\/\"> revalida\u00e7\u00e3o de diplomas <\/a>e ensino da l\u00edngua portuguesa. A PUC Minas foi a primeira universidade de Minas Gerais a <a href=\"https:\/\/www.pucminas.br\/ics\/Paginas\/Catedra-SVM.aspx\">fazer parte dessa coopera\u00e7\u00e3o<\/a>. Outro exemplo que pode ser citado para ajudar nessa miss\u00e3o \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.aldeiasinfantis.org.br\/conheca\/quem-somos\">Aldeias Infantis SOS<\/a>, que lidera o apoio \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Em setembro deste ano, inclusive, essa organiza\u00e7\u00e3o fez uma parceria com a Acnur para acolher fam\u00edlias afeg\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator importante para assegurar a integra\u00e7\u00e3o dos refugiados na sociedade \u00e9 a garantia de sua <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/pessoas-refugiadas-enfrentam-dificuldade\/\">inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho<\/a>. A ONG Estou Refugiado realizou uma <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/pesquisa-conseguir-emprego-e-a-maior-dificuldade-de-refugiados-no-brasil\/\">pesquisa que revela o desemprego<\/a> e a dificuldade de conseguir trabalho como os maiores desafios dos refugiados. Com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica debilitada, \u00e9 prov\u00e1vel que essas pessoas acabem procurando casas com alugu\u00e9is baixos, que quase sempre est\u00e3o localizadas em \u00e1reas perif\u00e9ricas e violentas, deixando-as vulner\u00e1veis. Nesse sentido, o <a href=\"https:\/\/www.refugiadosnobrasil.org\/\">Programa de Apoio para a Recoloca\u00e7\u00e3o dos Refugiados (PARR<\/a>) \u00e9 crucial para promover a inser\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-1024x576.png\" alt=\"Cinco semic\u00edrculos um ao lado do outro. O primeiro \u00e9 laranja, e tem no seu interior um s\u00edmbolo de aperto de m\u00e3os. Acima est\u00e1 o t\u00edtulo Integra\u00e7\u00e3o Local, e abaixo h\u00e1 o texto Nos casos em que a repatria\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o, encontrar uma casa no pa\u00eds anfitri\u00e3o e integrar-se \u00e0 comunidade local pode representar uma solu\u00e7\u00e3o duradoura \u00e0 situa\u00e7\u00e3o e a chance de construir uma nova vida. O segundo semic\u00edrculo \u00e9 lil\u00e1s e tem no seu interior o s\u00edmbolo de uma casa. Acima est\u00e1 o t\u00edtulo Reassentamento, e abaixo h\u00e1 o texto O reassentamento \u00e9 a transfer\u00eancia de refugiados de um pa\u00eds anfitri\u00e3o para outro Estado que concordou em admiti-los e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, conceder-lhes assentamento permanente. O terceiro semic\u00edrculo \u00e9 roxo e dentro tem o s\u00edmbolo de duas m\u00e3os segurando o globo terrestre. Acima est\u00e1 o t\u00edtulo Repatria\u00e7\u00e3o Volunt\u00e1ria, e abaixo h\u00e1 o texto As prioridades da Acnur s\u00e3o promover condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a repatria\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, garantir o exerc\u00edcio de uma escolha livre e informada e mobilizar apoio para os repatriados. O quarto semic\u00edrculo \u00e9 lil\u00e1s e dentro tem o s\u00edmbolo de quatro pessoas de tamanhos diferentes e um cora\u00e7\u00e3o. Acima est\u00e1 o t\u00edtulo Reuni\u00e3o Familiar, e abaixo h\u00e1 o texto A separa\u00e7\u00e3o familiar acidental geralmente \u00e9 uma consequ\u00eancia direta da fam\u00edlia que foge de um conflito. O quinto semic\u00edrculo \u00e9 laranja e tem no seu interior um s\u00edmbolo de moedas empilhadas com com um cifr\u00e3o no topo, e uma moeda na frente, tamb\u00e9m com um cifr\u00e3o. Acima est\u00e1 o t\u00edtulo Assist\u00eancia em Dinheiro, e abaixo h\u00e1 o texto A Acnur utiliza a assist\u00eancia em dinheiro e vouchers para fornecer prote\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia e servi\u00e7os aos mais vulner\u00e1veis.\n\" class=\"wp-image-12269\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-1024x576.png 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-300x169.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-768x432.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-1536x864.png 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-370x208.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-270x152.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-570x321.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-740x416.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico-150x84.png 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-3-infografico.png 1920w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"> Defini\u00e7\u00e3o das Solu\u00e7\u00f5es Duradouras pela Acnur \/ Arte: Maria Eduarda Oliveira \/ Fonte: Acnur<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em que pese as importantes iniciativas citadas, os imigrantes ainda permanecem isolados de quest\u00f5es relevantes que ajudariam a garantir sua inclus\u00e3o no pa\u00eds, como, por exemplo, o processo eleitoral. Pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, os estrangeiros n\u00e3o possuem o direito de votar para qualquer cargo. Dado o expressivo n\u00famero &#8211;&nbsp; 1,3 milh\u00e3o &#8211; de imigrantes morando no Brasil, a falta desse direito compromete a participa\u00e7\u00e3o deles numa democracia representativa, refletindo, assim, nas decis\u00f5es pol\u00edticas. Segundo <a href=\"https:\/\/migramundo.com\/apenas-15-das-candidaturas-a-governos-estaduais-citam-politicas-publicas-para-imigrantes\/\">levantamento de dados<\/a> do portal de not\u00edcias <a href=\"https:\/\/migramundo.com\/\">Migramundo<\/a>, apenas 15% das candidaturas a governos estaduais citaram pol\u00edticas p\u00fablicas para imigrantes nas elei\u00e7\u00f5es de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os pa\u00edses com maior fluxo de imigra\u00e7\u00e3o est\u00e1 a Venezuela. Segundo o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/crise-migratoria-venezuelana-no-brasil\">Unicef<\/a>), somente entre 2015 e maio de 2019, foram registradas mais de 178 mil solicita\u00e7\u00f5es de ref\u00fagio e resid\u00eancia tempor\u00e1ria. Isso se deve \u00e0 crise humanit\u00e1ria em curso no pa\u00eds. Abalada social e economicamente, a Venezuela sofre com a falta de alimentos, fazendo com que a popula\u00e7\u00e3o seja obrigada a emigrar para os pa\u00edses vizinhos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um recome\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico militar Jos\u00e9 Gon\u00e7alves Gonzalez foi um dos afetados pela crise. Em 2019, \u201ccom a m\u00e3o para tr\u00e1s e nada na m\u00e3o\u201d, ele chegou ao Brasil pela cidade de Roraima. A prestigiosa patente de capit\u00e3o que ele conquistou na Venezuela talvez tenha perdido o valor com sua chegada, porque a vida n\u00e3o foi f\u00e1cil. Ele relata com pesar que no Brasil \u201ctem um povo fazendo <em>fobia<\/em> com muitas pessoas\u201d. Essa forma reduzida de se referir ao termo xenofobia configura em parte um dos maiores problemas que ele teve por aqui. Antes de aprender o portugu\u00eas, sofreu com o preconceito lingu\u00edstico, ou com a \u201cm\u00e1 l\u00edngua\u201d, como ele define. A <a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/racismo-na-linguagem-revela-resquicios-da-escravidao-no-brasil\/\">falta de dom\u00ednio da l\u00edngua<\/a> costuma ser um indicador social devido a um pensamento elitista. Uma das frentes xenof\u00f3bicas \u00e9 justamente o apego \u00e0 cultura, dessa maneira, falar ou escrever errado pressup\u00f5e uma deturpa\u00e7\u00e3o dos costumes locais.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de Elio Mustiola na Venezuela ficou insustent\u00e1vel durante uma opera\u00e7\u00e3o contra o narcotr\u00e1fico que ele participou. Elio tem 31 anos e \u00e9 comandante das for\u00e7as especiais venezuelanas, com mais de 14 anos de carreira. Em abril deste ano, seu grupo recebeu uma ordem para confiscar drogas em uma \u00e1rea na fronteira com a Col\u00f4mbia. As circunst\u00e2ncias da opera\u00e7\u00e3o mudariam sua vida para sempre e custariam sua carreira. No local havia mulheres e crian\u00e7as, e a ordem do alto comando era clara: \u201celimine todos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Ap\u00f3s persegui\u00e7\u00e3o e tortura, comandante na Venezuela \u00e9 obrigado a se refugiar no Brasil por se negar a eliminar mulheres e crian\u00e7as em regi\u00e3o de tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A recusa de Elio em acatar as ordens resultou em um julgamento contra ele e seu grupo. Sua disposi\u00e7\u00e3o em manter os princ\u00edpios humanit\u00e1rios n\u00e3o foi suficiente para impedir que ele fosse detido, transferido para um interrogat\u00f3rio e permanecesse sob tortura por 30 dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado a fugir da Venezuela, Elio escolheu o Brasil. Por ser o pa\u00eds mais pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira e onde ele tinha mais amigos. O militar chegou pelo munic\u00edpio de Roraima, Pacaraima. Depois, veio para Minas Gerais encontrar um colega venezuelano, mas n\u00e3o conseguiu manter a amizade por problemas de conviv\u00eancia. \u201cMe viraram as costas\u201d, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do cen\u00e1rio s\u00f3cio-pol\u00edtico inst\u00e1vel da Venezuela, os motivos que fizeram Ciro Casique vir ao Brasil foram outros. Graduado em arquitetura pela Universidade Bolivariana da Venezuela, a primeira coisa que fez brilhar seus olhos foi uma participa\u00e7\u00e3o no <a href=\"https:\/\/eneds.org.br\/\">Encontro Nacional de Engenharia e Desenvolvimento Social (Eneds)<\/a>, ocorrido na Bahia em 2018. Dado seu hist\u00f3rico de milit\u00e2ncia pol\u00edtica, o evento que se propunha a discutir o papel da engenharia no desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualit\u00e1ria foi um prato cheio para Ciro.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m do encanto com o evento, foi uma pessoa \u2014 mais especificamente seu companheiro, Leonardo \u2014 que influenciou sua decis\u00e3o de mudan\u00e7a. Amigos de milit\u00e2ncia, conheceram-se na Venezuela e come\u00e7aram a planejar a vida quando estavam em S\u00e3o Paulo, meses depois do congresso. O que resultou em planos para se casarem e viverem juntos. As expectativas no in\u00edcio eram limitadas, n\u00e3o tanto por esperar uma vida dif\u00edcil no Brasil, mas pela incerteza de que ele ficaria aqui de vez.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 tr\u00eas anos no Brasil, Andris de Sales Hurtado tamb\u00e9m chegou pelo estado de Roraima. Acompanhada de sua grande fam\u00edlia, composta pela irm\u00e3, tr\u00eas sobrinhos, os filhos e o marido. Mais tarde escolheu a cidade de Belo Horizonte justamente por ser mais afastada da fronteira. O medo era de que nos arredores da Venezuela existissem maiores chances de enfrentar o preconceito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chegou com \u201cmalas e a vontade de trabalhar\u201d, mas conta que na capital mineira n\u00e3o havia parentes para acolh\u00ea-la. O in\u00edcio foi dif\u00edcil, ela resume a frustra\u00e7\u00e3o de chegar em um outro pa\u00eds cheio de expectativas e n\u00e3o conseguir correspond\u00ea-las. Mesmo sabendo que est\u00e1 em um pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 seu, a frustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o a impede de \u201ctentar dar o seu melhor todos os dias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobrevivendo no Brasil<\/h2>\n\n\n\n<p>Para conseguir se manter, o m\u00e9dico Jos\u00e9 se desdobrou em v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es, todas elas muito distantes da carreira m\u00e9dica. Trabalhou como jardineiro, pintor, e at\u00e9 mesmo capinando terrenos. Posteriormente, conseguiu emprego como balconista em uma drogaria, mas como n\u00e3o gostou da pol\u00edtica do local resolveu pedir conta e, assim, passou a trabalhar em outra drogaria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>M\u00e9dico venezuelano trabalhou como jardineiro e pintor no Brasil at\u00e9 conseguir vaga em farm\u00e1cia.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Ciro conseguiu um emprego de professor de ingl\u00eas em Belo Horizonte. O baque veio ap\u00f3s ele ter passado dez meses lecionando e n\u00e3o ter recebido nenhum pagamento pelo seu trabalho. Ele reconhece que esse n\u00e3o \u00e9 um problema exclusivo de estrangeiros. \u201cN\u00e3o sei se acontece com brasileiros, imagino que sim.\u201d Ele lamenta o fato de n\u00e3o existirem meios jur\u00eddicos que previnam esse tipo de injusti\u00e7a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSem nenhum tipo de seguran\u00e7a financeira&#8221;, Ciro atualmente continua aproveitando sua experi\u00eancia com a l\u00edngua inglesa e trabalha como tradutor do <a href=\"https:\/\/mab.org.br\/\">Movimento dos Atingidos por Barragens<\/a>. Ele salienta que n\u00e3o faz pelo dinheiro, uma vez que a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 baixa. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 colaborar com o movimento que, para um militante como ele, possui grande valor.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um m\u00eas de aluguel pago, a fam\u00edlia de Andris precisava de uma fonte de renda. T\u00e3o logo o marido e o cunhado de Andris aceitaram trabalhar em uma fazenda. Embora reconhe\u00e7a a explora\u00e7\u00e3o, pois as condi\u00e7\u00f5es em que os dois foram submetidos configuram factualmente trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o. Segundo seus relatos, eles n\u00e3o foram pagos e precisaram fugir para reencontrar suas esposas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Refugiados passam dificuldades que v\u00e3o da n\u00e3o remunera\u00e7\u00e3o pelo servi\u00e7o prestado ao trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O ocorrido preocupou muito a refugiada, que tinha cinco crian\u00e7as em casa \u2014 dois eram seus filhos, e tr\u00eas da irm\u00e3. Ela conta que Deus colocou no caminho dela um colega venezuelano que a convidou para trabalhar durante 15 dias como auxiliar de cozinha no posto de uma funcion\u00e1ria que iria entrar de f\u00e9rias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-1024x576.png\" alt=\": Duas figuras no formato de caixa de di\u00e1logo uma ao lado da outra. A \u00e0 esquerda \u00e9 roxa e tem o t\u00edtulo, em branco, Imigrante e Migrante. A caixa roxa \u00e9 sobreposta por outra caixa de di\u00e1logo branca com o seguinte texto em letra roxa: Dizemos \u2018refugiados\u2019 quando nos referimos a pessoas que fugiram da guerra ou persegui\u00e7\u00e3o e cruzaram uma fronteira internacional. Aos refugiados aplica-se normas sobre ref\u00fagio e a prote\u00e7\u00e3o dos refugiados - definidas tanto em leis nacionais como no direito internacional. \u00c9 muito perigoso para um refugiado voltar ao seu pa\u00eds, por isso necessitam de ref\u00fagio em algum outro lugar.  A caixa de di\u00e1logo \u00e0 direita \u00e9 lil\u00e1s e apresenta o t\u00edtulo Refugiado em branco. A caixa lil\u00e1s \u00e9 sobreposta por outra caixa de di\u00e1logo branca com o seguinte texto em letra lil\u00e1s: Dizemos \u2018migrantes\u2019 quando nos referimos a pessoas que se deslocaram por raz\u00f5es que n\u00e3o se encaixam na defini\u00e7\u00e3o legal de refugiado. Os migrantes continuam recebendo a prote\u00e7\u00e3o do governo de seu pa\u00eds de origem e, caso retorne, n\u00e3o costumam sentir amea\u00e7a por parte do governo. Aos migrantes aplica-se sua pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o e procedimentos em mat\u00e9ria de imigra\u00e7\u00e3o.\n\" class=\"wp-image-12270\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-1024x576.png 1024w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-300x169.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-768x432.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-1536x864.png 1536w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-370x208.png 370w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-270x152.png 270w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-570x321.png 570w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-740x416.png 740w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico-150x84.png 150w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/imagem-4-infografico.png 1920w\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Defini\u00e7\u00e3o e situa\u00e7\u00e3o de imigrante, migrante e refugiado. \/ Arte: Maria Eduarda Oliveira \/ Fonte: Acnur\n<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os desafios da adapta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A realidade confrontou as expectativas que Jos\u00e9 idealizou sobre o Brasil &#8211; um dos grandes fatores foi a<a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/como-funciona-a-legalizacao-dos-refugiados-no-brasil\/\"> burocracia para conseguir a documenta\u00e7\u00e3o<\/a> para fins de trabalho. O processo costuma ser desnecessariamente longo e demorado, atrasando a vida de quem pretende se instalar de vez no pa\u00eds. Jos\u00e9 estava munido com todos os documentos trazidos da Venezuela, dentre notas certificadas e o <a href=\"https:\/\/www.cnj.jus.br\/poder-judiciario\/relacoes-internacionais\/apostila-da-haia\/#:~:text=Apostila%20da%20Haia%20no%20Brasil&amp;text=O%20tratado%2C%20assinado%20no%20segundo,de%20documentos%20estrangeiros%20no%20Brasil.\">apostilamento concedido pela Haia<\/a>. Al\u00e9m disso, fez a inscri\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/carolinabori.mec.gov.br\/\">plataforma Carolina Bori<\/a> para conseguir a revalida\u00e7\u00e3o do diploma. Mas nada disso foi suficiente para aliviar sua espera, que j\u00e1 dura tr\u00eas anos e meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ciro explica que o choque cultural \u00e9 um processo dif\u00edcil de se dimensionar, pois n\u00e3o acontece do dia pra noite: \u00e9 cont\u00ednuo. A pandemia jogou um banho de \u00e1gua fria no processo de adapta\u00e7\u00e3o do venezuelano. Com o surto da Covid-19, as coisas ficaram ainda mais complexas, porque ele perdeu a oportunidade de formar rela\u00e7\u00f5es. Por ter trabalhado em <em>home office<\/em> durante o tempo que esteve aqui, suas op\u00e7\u00f5es para firmar la\u00e7os eram limitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja agradecido a Deus por estar vivo, Elio confessa a dura realidade de quem antes tinha tudo, e que agora ficou sem nada. Teve que enfrentar noites frias morando na rua at\u00e9 conhecer um amigo que lhe ofereceu um emprego de gar\u00e7om. Fora a esperan\u00e7a e um colch\u00e3o com len\u00e7ol, Elio vive e sobrevive sem itens b\u00e1sicos na sua atual resid\u00eancia, como geladeira e fog\u00e3o. Mas mant\u00e9m um item raro essencial para perseverar, a for\u00e7a de vontade, ele garante que \u00e9 \u201ca \u00fanica coisa que nunca ser\u00e1 jogada fora por mim\u201d.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><strong>N\u00e3o tenho amigos para me ajudar. Eu s\u00f3 tenho que lutar e viver dia a dia at\u00e9 conseguir algo\u201d<\/strong><\/p>\n<cite>Elio Mustiola<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Pr\u00f3ximo de completar quatro meses morando em Minas Gerais, os maiores desafios de Elio s\u00e3o a flu\u00eancia na l\u00edngua e a solid\u00e3o. \u201cN\u00e3o tenho amigos para me ajudar. Eu s\u00f3 tenho que lutar e viver dia a dia at\u00e9 conseguir algo\u201d, desabafa. Se dependesse apenas da sua for\u00e7a de vontade, a espera por esse dia poderia acabar em breve. Ele tra\u00e7a objetivos claros, e, mesmo com todos os obst\u00e1culos no caminho, deseja ingressar em uma empresa de seguran\u00e7a e posteriormente atuar como escolta, at\u00e9 que em algum momento consiga um \u201cemprego decente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Apoio volunt\u00e1rio das igrejas<\/h2>\n\n\n\n<p>Como crist\u00e3o, Jos\u00e9 procurou o acolhimento em igrejas. No Brasil, essas institui\u00e7\u00f5es costumam desempenhar um papel importante junto aos refugiados. \u201cContribuir para a supera\u00e7\u00e3o da xenofobia, racismo e fundamentalismo religioso nas comunidades religiosas e na sociedade brasileira em geral\u201d \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.conic.org.br\/portal\/fe-na-vida-publica\/imigrantes-e-refugiadas-desafios-da-casa-comum\">objetivo do projeto<\/a> Tecendo Sororidades, encampado pelo Conselho Nacional de Igrejas Crist\u00e3s do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a igreja que livrou Jos\u00e9 de um \u201cpesadelo total\u201d logo que ele se instalou em uma casa de apoio. Certo dia, um membro do grupo o encontrou no local e prometeu ajuda, disponibilizou a pr\u00f3pria casa sem cobrar nada e pediu apenas uma lista com tudo que ele precisava. Com uma f\u00e9 inabal\u00e1vel mesmo diante de todos os percal\u00e7os, Jos\u00e9 respondeu convicto: \u201c\u00f4 irm\u00e3o, o Deus que eu acredito \u00e9 um Deus todo poderoso, e eu n\u00e3o vou precisar de lista, porque ele sabe que eu preciso e ele vai trazer\u201d. A rela\u00e7\u00e3o entre os dois se manteve. Certo dia, o homem foi visitar Jos\u00e9 e se surpreendeu com a casa, havia geladeira, fog\u00e3o, cama e televis\u00e3o. Perguntou perplexo: \u201c\u00d4 Gonzales, o que voc\u00ea fez? Roubou um banco?\u201d, ao que ele respondeu prontamente \u201cfoi Deus que roubou o banco e enviou para n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Guerra na Ucr\u00e2nia impacta ref\u00fagio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pastor h\u00e1 mais de dez anos e convertido aos 19, Br\u00e1ulio Moura Porcaro destacou a mobiliza\u00e7\u00e3o da Igreja Batista Central para receber refugiados ucranianos. O \u00faltimo ano foi marcado por uma guerra de grandes propor\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, e a alarmante estimativa da ag\u00eancia de not\u00edcias <a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/\">Reuters<\/a> j\u00e1 contabiliza 40.295 mortes e mais de 14 milh\u00f5es de desalojados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desde maio de 2021, os ucranianos recebem apoio da Igreja, que ajuda no custeio do aluguel e verba para alimenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, quase todos est\u00e3o empregados atualmente. De acordo com Br\u00e1ulio, nenhum dos refugiados tinha sequer voado de avi\u00e3o antes, moravam no interior da Ucr\u00e2nia e tinham uma vida pacata. De fato, o horror da guerra provocou uma situa\u00e7\u00e3o-limite que n\u00e3o lhes deu outra op\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado das j\u00e1 mencionadas boas pol\u00edticas de acolhimento, tanto a Receita Federal quanto a Pol\u00edcia Federal e o Governo brasileiro abriram as portas para os refugiados. A obten\u00e7\u00e3o de documentos como carteira de identidade e CPF fizeram com que eles fossem rapidamente regularizados e pudessem trabalhar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De volta pra casa ou n\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Os motivos que trouxeram esses imigrantes e refugiados divergem, assim como seus processos de adapta\u00e7\u00e3o. Alguns experienciaram relativa estabilidade, outros enfrentaram duros desafios. Sendo assim, o futuro de cada um deles \u00e9 incerto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elio carrega a dor de ter deixado sua filha de 6 anos na Venezuela, e apesar de ansiar pelo reencontro, ainda precisa conviver com o peso&nbsp; de sua desobedi\u00eancia militar. \u201cA menos que o governo Nicol\u00e1s Maduro caia, e eu seja reconhecido como her\u00f3i nacional, n\u00e3o posso retornar ao pa\u00eds, por me recusar a cumprir uma ordem arbitr\u00e1ria\u201d, desabafa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Br\u00e1ulio ressalta o acolhimento que os ucranianos tiveram atrav\u00e9s da igreja,&nbsp; al\u00e9m de compartilhar a percep\u00e7\u00e3o que eles s\u00e3o muito agradecidos. Contudo, a maioria deles n\u00e3o pretende continuar no Brasil, a preocupa\u00e7\u00e3o com os familiares que ficaram no continente europeu supera a breve estabilidade que tiveram por aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um discurso comum entre os empreendedores que refor\u00e7a insistentemente a <a href=\"https:\/\/endeavor.org.br\/desenvolvimento-pessoal\/os-perigos-da-zona-de-conforto\/\">\u201csa\u00edda da zona de conforto\u201d<\/a> como f\u00f3rmula para se reinventar na vida. Na maioria das vezes, a hist\u00f3ria dos imigrantes passa inversamente por encontrar essa zona de conforto. As condi\u00e7\u00f5es que lhes foram impostas n\u00e3o os permitiram sequer experienciar o que seria essa zona. Mas ainda que para eles a vontade de mudar de vida seja louv\u00e1vel e necess\u00e1ria, Andris reconhece que \u201cemigrar n\u00e3o \u00e9 pra todo mundo\u201d. Sair do pa\u00eds, recome\u00e7ar a vida sem ter nada, sem saber se vai ter onde dormir e ainda ter que se adaptar a uma l\u00edngua inteiramente nova de fato n\u00e3o \u00e9 pra qualquer um. &#8220;Sinto muita admira\u00e7\u00e3o pelas pessoas que saem e fazem isso. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Nem todo mundo consegue\u201d, reitera Andris.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\">Reportagem produzida por Arthur Corr\u00eaa Camarano, Giovanna Tostes Lara, Jo\u00e3o Pedro Hauck Rodrigues, Karol Rocha Noronha, Lorena Araujo Marcelino, Maria Ant\u00f4nia Rebou\u00e7as de Oliveira, Maria Eduarda Oliveira Gon\u00e7alves de Almeida e Tain\u00e1 de Freitas Lopes para o trabalho da disciplina de apura\u00e7\u00e3o, reda\u00e7\u00e3o e entrevista, sob a supervis\u00e3o da professora Fernanda Nalon Sanglard. A edi\u00e7\u00e3o foi realizada por  ngela Moreria, Lorrane Alves e Samuel Faria na disciplina Edi\u00e7\u00e3o em Jornalismo, sob a supervis\u00e3o da professora e jornalista Maiara Orlandini.\n<\/pre>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Leia mais<\/h2>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/os-dois-lados-da-imigracao\/\">Os dois lados da imigra\u00e7\u00e3o: uma den\u00fancia do descaso contra imigrantes e refugiados<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/colab\/pessoas-refugiadas-enfrentam-dificuldade\/\">Refugiados enfrentam dificuldade no mercado de trabalho brasileiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ser conhecido como acolhedor, o pa\u00eds n\u00e3o abra\u00e7a imigrantes A responsabilidade que o governo e a sociedade civil t\u00eam para com os 1,3 milh\u00f5es de imigrantes que escolheram vir para c\u00e1 \u00e9 enorme. 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