O mercado de vestuário infantil em Minas Gerais prova que o setor é um dos pilares mais sólidos da economia mineira. Em pleno domingo, antes mesmo de o sol nascer, a movimentação na Feira Hippie, em Belo Horizonte, já revela o motor dessa engrenagem: pequenos empreendedores que sustentam, na prática, uma cadeia produtiva bilionária. Minas é o segundo estado com maior número de empresas de moda no Brasil e responde por mais de 10% dos empregos do setor no país com 225 mil postos de trabalho (6% do total estadual).
Para os empresários e feirantes Carol Matozinhos e Thales Linhares, que comandam a marca Lugar do Bebê (@lugardobebe.babyclothes no Instagram) há dois anos, o negócio vai além das métricas. Embora o desafio de levar a produção para outros estados seja grande, como em feiras e exposições, eles destacam o entusiasmo de fortalecer o mercado “em casa”. Esse sentimento é o que sustenta milhares de expositores que, todos os domingos, fazem da capital mineira um polo de referência nacional. “Somos gratos a Deus, acima de qualquer coisa. Somos gratos pelos nossos colaboradores, por toda dedicação. Somos gratos pelos nossos clientes, por confiarem em nosso trabalho”.
O cenário vivido por empreendedores como Carol e Thales reflete a força do setor em Minas Gerais. A moda representa 17,6% da produção industrial do estado e movimenta mais de R$ 17,2 bilhões em receita anual, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG), por meio da Subsecretaria de Liberdade Econômica e Empreendedorismo.
Ao todo, Minas possui mais de 272 mil empreendimentos de moda e gera 225 mil empregos, cerca de 6% do total estadual. Micro e pequenas empresas responderam por 47% da geração de empregos na indústria da moda, com participação de 70% no setor.
No cenário nacional, o segmento infantil também se destaca: movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano no Brasil, segundo estimativas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Esse desempenho contribui para que o país ocupe a posição de quinto maior produtor têxtil do mundo, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).
Os números de Minas Gerais
- Faturamento: O setor de moda movimenta R$ 17,2 bilhões em receita anual no estado
- Indústria: Representa 17,6% de toda a produção industrial mineira.
- Empregos: São 225 mil postos de trabalho (6% do total estadual), distribuídos em mais de 272 mil empreendimentos.
- Protagonismo: Minas é o segundo estado com maior número de empresas de moda no Brasil e responde por mais de 10% dos empregos do setor no país.
Fonte: Sede MG
A estrutura do setor é majoritariamente composta por pequenos negócios. Em Minas, as micro e pequenas empresas são responsáveis por 47% dos empregos industriais da moda. Nacionalmente, a tendência se repete: 99% dos negócios de moda no Brasil são de pequeno porte. No Brasil, o segmento infantil movimenta mais de R$ 50 bilhões por ano, ajudando o país a ocupar o posto de 5º maior produtor têxtil do mundo.
Segundo a Abit, o faturamento da cadeia produtiva chegou a R$ 193,2 bilhões em 2022. Dentro da indústria de transformação, a moda é o segundo maior empregador, atrás apenas do setor alimentício. Em 2022, o Brasil contabilizou 52,79 milhões de trabalhadores com vínculo ativo, sendo 84,1% concentrados em micro, pequenas e médias empresas.
Levantamento baseado em dados dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do Trabalho e Emprego indica que, em 2021, o país contava com 56.990 empresas do setor e 1.128.174 trabalhadores.
A força da moda em Minas Gerais
Em Minas Gerais, o setor também apresenta forte presença. O estado é o segundo com maior número de empresas de moda e gera mais de 10% dos empregos do setor no Brasil, segundo levantamento feito por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede-MG).
O estado também registrou crescimento nas exportações, passando de 4,2% em 2012 para 5,0% em 2021. De acordo com a secretaria, a atuação busca ampliar a representatividade dos polos produtivos e estruturar políticas de apoio ao desenvolvimento econômico.
Ainda segundo a Sede-MG, Minas Gerais conta atualmente com 77 Arranjos Produtivos Locais (APLs) reconhecidos em diferentes setores. Desses, 17 estão ligados à moda e, dentro desse grupo, 12 são voltados especificamente ao vestuário, distribuídos em 81 municípios. Esses polos reúnem 18.987 empresas, 33.650 microempreendedores individuais (MEIs) e somam 59.367 empregos, conforme dados do Caged, segundo a Sede-MG
Desafios para pequenos empreendedores
Apesar do potencial, pequenos empreendedores ainda enfrentam desafios estruturais. Entre as principais dificuldades estão a concorrência com produtos importados, a informalidade, os altos custos de produção, a falta de capacitação empresarial, a dificuldade de acesso ao crédito, além de entraves relacionados ao marketing digital, vendas online e planejamento financeiro, explica a secretaria responsável pelo Governo de Minas.
Essas barreiras impactam diretamente a sustentabilidade dos negócios: três em cada dez marcas de moda fecham em até cinco anos, e 89% dos empreendedores têm pouca formação em gestão, segundo levantamento do Sebrae de 2016.
Diante desse cenário, o governo estadual, por meio da Sede-MG, promove e apoia eventos como o Minas Trend (realizado duas vezes ao ano), além de programas como o Integra Moda, o Minas Moda Autoral e feiras regionais em polos produtivos. Também estão disponíveis instrumentos de incentivo, como capacitações do Sebrae Minas, programas de formalização, ações voltadas aos APLs e linhas de microcrédito oferecidas pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).
