“Não bastava competência, era preciso estar dentro de um padrão de aparência”, relata a jornalista esportiva Janice de Castro, em entrevista ao podcast Futeboteco.
É esse o dilema enfrentado por muitas telejornalistas em seu âmbito profissional. Enquanto o homem costuma ser avaliado por seu profissionalismo, seriedade e conhecimento, a mulher precisa corresponder a todas essas exigências e, ainda, atender aos padrões estéticos de sua época.
A pressão estética no meio televisivo, de acordo com a jornalista Aline Scarponi, é “real e histórica”, uma vez que a exigência de padrões de beleza, jovialidade e adequação física “esteve muito presente na construção do telejornalismo”.
Ao longo da história, a qualidade da mulher como profissional permaneceu diretamente atrelada à sua aparência, tornando essa uma disputa desigual. Para a mulher, a beleza deixa de ser apenas um atributo e passa a funcionar como condição para avançar profissionalmente.
No entanto, a lógica que permeia o telejornalismo brasileiro apenas reflete um sistema de opressão e desigualdade que já opera na sociedade e se impõe às mulheres em diferentes esferas de suas vidas. Essas profissionais apenas vivenciam, diante das câmeras, uma manifestação de um problema mais amplo, enraizado na própria construção histórica e social da sociedade. Nesse sentido, Aline Scarponi observa: “Nós, mulheres, acabamos cobrando mais de nós mesmas, internalizando padrões e pressões”.
Ao homem é permitido manifestar traços considerados diferentes ou mesmo incompatíveis com os padrões estéticos dominantes, uma vez que sua identidade não está essencialmente ancorada em sua aparência. Ao homem é permitido ser apenas inteligente, incisivo, dedicado e competente, nada mais. Ele é aquilo que faz de si mesmo, não importando a forma que se apresenta.
À mulher não é concedida a mesma liberdade. Sua beleza e sua juventude são tratadas como elementos fundadores de sua identidade, e tais características se apresentam como fundamentais para a maneira como ela é vista e imaginada socialmente. Os traços do rosto, o peso, as curvas, a cor do cabelo, a pele, as roupas que veste e até mesmo o tom de voz – tudo isso é enxergado pela sociedade como parte inseparável de quem ela é. E, por isso, é constantemente julgada a partir desses atributos.
Esse sistema faz com que a sociedade perceba de maneira profundamente distinta os profissionais do telejornalismo que desempenham a mesma função. Sobre o homem e a mulher recaem pressões e expectativas diferentes, especialmente quando se trata da aparência física e do envelhecimento.
Atualmente, o padrão estético feminino está cada vez mais associado à realização de procedimentos estéticos. O envelhecimento natural da mulher tende a ser encarado como algo a ser corrigido e disfarçado. “Agora, observo uma cultura onde os procedimentos estéticos são mais populares, e a mulher é muito julgada caso decida assumir o próprio envelhecimento natural, como rugas e cabelos brancos”, afirma Aline Scarponi.
A repórter e jornalista Patrícia Luz também relata sentir os efeitos dessa pressão em sua própria rotina. Segundo ela, “hoje em dia, com rede social, a pressão que sinto é de ter que fazer botox, bioestimulador de colágeno, preenchimento do bigode chinês e olheiras”.
Porém, antes mesmo de falar de pressões estéticas sobre as mulheres no cenário do telejornalismo, cabe ressaltar que a presença feminina nas bancadas dos telejornais do país é um fenômeno relativamente recente.
A reportagem analisa a trajetória dos três principais telejornais brasileiros, observando a composição de suas bancadas ao longo dos anos e o processo gradual das mulheres nesses espaços de destaque.
Jornal Nacional
No Jornal Nacional, da Rede Globo, apenas homens ocuparam a bancada principal entre 1969 a 1996. Nesse período, destacaram-se os jornalistas Cid Moreira, que apresentou o
telejornal de 1969 a 1996, Hilton Gomes, de 1969 a 1970, e Sérgio Chapelin, que integrou a bancada em diferentes momentos entre 1972 e 1996.
A primeira mulher a apresentar o telejornal foi Valéria Monteiro, em 1992. Mais tarde, a primeira mulher a assumir o telejornal de forma fixa foi Lillian Witte Fibe, entre 1996 e 1998, formando dupla com William Bonner.
A partir do final da década de 1990, tornou-se comum no Jornal Nacional a formação de duplas compostas por um homem e uma mulher – modelo que permanece até os dias atuais.
Em 1998, Fátima Bernardes substituiu Lillian Witte Fibe e permaneceu ao lado de Bonner até 2011. Entre 2011 e 2014, a bancada foi ocupada por Patrícia Poeta e Bonner. Em 2014, Renata Vasconcellos assumiu a apresentação do telejornal, posição que ocupa até hoje.
William Bonner permaneceu como âncora do Jornal Nacional de 1996 até 2025, quando foi substituído por César Tralli.
Jornal da Band
No Jornal da Band, da Rede Bandeirantes, Salomão Ésper foi o principal âncora entre 1977 e 1980. Ao longo da década de 1980, o telejornal contou com nomes como Ferreira Martins, Ronaldo Rosas, Geraldo Ribeiro, Joelmir Beting e Luiz Santoro.
A jornalista Marília Gabriela passou a integrar a bancada em 1988, ao lado de Ferreira Martins, tornando-se a primeira mulher a apresentar o telejornal da emissora. A dupla permaneceu até 1991. Posteriormente, Chico Pinheiro assumiu a bancada, permanecendo até 1995.
Em 1995, Carla Vilhena passou a integrar a apresentação do Jornal da Band, onde permaneceu até 1997. No mesmo ano, Paulo Henrique Amorim assumiu o telejornal e permaneceu à frente do programa até 1999. Em seguida, a dupla Marcos Hummel e Janine Borba assumiu a bancada, permanecendo no comando até 2004.
Em 2004, Carlos Nascimento tornou-se âncora do telejornal, função que exerceu até 2006. Neste ano, Ricardo Boechat assumiu a apresentação do Jornal da Band ao lado de Mariana Ferrão e Joelmir Beting. Dois anos depois, Ticiana Villas Boas entrou para o trio de apresentadores e substituiu Mariana Ferrão. Posteriormente, também dividiram a apresentação com Boechat as jornalistas Paloma Tocci e Lana Canepa
Em 2019, após o falecimento de Ricardo Boechat, Eduardo Oinegue passou a assumir o programa como titular ao lado de Lana Canepa. No ano seguinte, Joana Treptow também passou a integrar a bancada.
Em 2023, o Jornal da Band passou a ser apresentado definitivamente pelos jornalistas Eduardo Oinegue e Adriana Araújo.
Jornal da Record
O Jornal da Record, da Rede Record, foi ao ar pela primeira vez em setembro de 1974, e teve como âncora principal o jornalista Hélio Ansaldo. Durante a transição para a década de 1980 e até 1990, o Jornal teve em sua bancada nomes como José Nello Marques, Ricardo Carvalho e Carlos Nascimento.
A primeira mulher a apresentar o Jornal da Record foi a jornalista Maria Lydia Flandoli. Ela assumiu o comando da bancada principal do telejornal de maneira fixa em 1990, logo após a saída de Carlos Nascimento.
Antes disso, durante a década de 1980, mulheres já participavam do programa, porém com outras funções, como, por exemplo a jornalista Sílvia Poppovic, que fazia reportagens especiais e quadros para o jornal a partir de 1985, e outras jornalistas que cobriam folgas ou faziam a previsão do tempo.
Logo no ano seguinte, em 1991, Lydia ganhou a companhia de Sandra Annenberg, formando a primeira dupla feminina da história do Jornal da Record.
Em 1992, Adriana de Castro assumiu o posto de titular. Ela permaneceu como a grande referência feminina da bancada até o final da década de 1990, dividindo o jornal com diferentes nomes masculinos.
Contratada para reestruturar o horário nobre no início dos anos 2000 ao lado de Celso Freitas, Adriana Araújo se tornou um dos rostos mais marcantes do telejornalismo da Record. Ficou no posto até 2009, quando passou a atuar como correspondente internacional em Nova York e Paris.
Em uma das contratações mais comentadas da época, Ana Paula Padrão assumiu a bancada do Jornal da Record em 2009, ao lado de Celso Freitas. Ela liderou grandes coberturas institucionais, como os Jogos Olímpicos de Londres em 2012 e eleições presidenciais.
Após o término do contrato de Ana Paula Padrão, Adriana Araújo reassumiu o seu posto de titular ao lado de Celso Freitas. Essa foi a fase de maior estabilidade e longevidade de uma mulher na história do programa.
Especialista em política e economia com décadas de reportagem em Brasília, Christina Lemos assumiu oficialmente a cadeira de âncora titular em junho de 2020, substituindo Adriana Araújo, permanecendo até 2025, ano em que Mariana Godoy assumiu a bancada e segue como âncora oficial até os dias atuais.
Padrões estéticos e estereótipos
A composição das bancadas dos telejornais apresenta uma lógica que se assemelha às dinâmicas sociais da época. Ela reflete, para as mulheres, as tendências do período e os padrões dominantes. O tamanho do cabelo, a cor de pele, a cor e o formato dos óculos, a roupa utilizada, a maquiagem.
Essa padronização estética não é por acaso, afinal, se apoia nas mesmas estruturas que regem o mercado de trabalho tradicional, o que faz com que o jornalismo não esteja imune às amarras do patriarcado. Desde as suas origens, essa estrutura se mantém atrativa e funcional à custa de um discurso econômico que sustenta o poder familiar e político dos homens, ditando também os corpos e as imagens que possuem permissão para ocupar os espaços de prestígio e visibilidade.
Por mais que a entrada e a consolidação das mulheres no ambiente profissional tenham sido impulsionadas pela urgência de sobrevivência e pelas transformações profundas no desenho das famílias, ocupar esses espaços ainda cobra um preço alto. O cotidiano do trabalho feminino permanece marcado por desigualdades e preconceitos de gênero, uma realidade complexa que já era mapeada em relatórios globais da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em meados da década passada. No telejornalismo, essa disparidade se manifesta de forma cruel: enquanto aos homens é permitido o envelhecimento e a estabilidade estética, as mulheres possuem sua competência profissional frequentemente condicionadas a vigilância de sua juventude e de uma imagem milimetricamente moldada.
Ao observar os padrões estéticos de âncoras dos telejornais, é possível perceber que existe uma repetição constante da mesma imagem feminina: pele branca, cabelos lisos e médios e corpo médio ou magro. Essa imagem reforça o estereótipo da mulher considerada bela e simboliza e reproduz o padrão estético feminino.
A jornalista Janice de Castro, em entrevista ao podcast Futeboteco, relata ter vivenciado essa realidade de forma direta: “Trabalhei numa emissora que tirava do vídeo a repórter que engordasse. É triste isso”.
Essa cobrança estética não é partilhada de maneira proporcional. Do outro lado da bancada, o perfil exigido dos homens no telejornalismo é construído sob uma lógica oposta: para eles, os sinais do tempo não são imperfeições a serem corrigidas e cobertas, mas sim atributos que conferem respeito, sabedoria e autoridade. A televisão vê o homem maduro como a voz definitiva da informação, isentando-o dessa vigilância corporal imposta às mulheres da profissão.
Janice de Castro também resume bem essa lógica: “Ligue um telejornal e você verá homens mais velhos, de cabelos brancos, mas dificilmente verá uma repórter mulher mais velha no ar. Existe um etarismo. Os homens continuam, as mulheres desaparecem”.
A imagem do homem mais velho – grisalho e com rugas – sentado ao lado de uma colega mais jovem e cuidadosamente maquiada reforça papéis tradicionais de gênero. Diferentemente do cenário masculino, o envelhecimento feminino parece ser um obstáculo à permanência e à visibilidade profissional.
“Homens podem ser calvos, gordinhos… Mulheres sempre são mais cobradas e julgadas. O próprio envelhecimento natural passa a ser alvo de atenção desigual entre os gêneros”, ressalta Aline Scarponi.
A reportagem analisou os principais âncoras dos três telejornais mais assistidos do país: Jornal Nacional, Jornal da Band e Jornal da Record – ao longo de suas trajetórias. A partir de pesquisa própria e da análise de dados públicos, informações relativas à idade de cada apresentador quando assumiu a bancada foram cruzadas com a idade em que deixou o cargo e o tempo de permanência na função.
O gráfico compara a trajetória de grandes nomes do telejornalismo brasileiro divididos por gênero (mulheres em vermelho na parte superior; homens em azul na parte inferior), tendo a idade como base. Cada linha representa o período de permanência ou daquela pessoa como âncora na bancada dos telejornais (da bolinha clara à bolinha escura).
Analisando o gráfico das mulheres, a imensa maioria das trajetórias concentra-se entre os 25 e os 45 anos. São raríssimas as mulheres que ultrapassam a barreira dos 50 anos no ar (como Christiane Pelajo ou Renata Vasconcellos, que chegam perto dos 55-60 anos). O gráfico mostra um apagamento nítido à medida que a idade avança para a direita.
Já no gráfico dos homens, a realidade é oposta. O gráfico começa a ficar “cheio” precisamente onde o das mulheres começa a esvaziar. Percebe-se uma quantidade massiva de jornalistas homens que consolidam as suas trajetórias entre os 50 e os 70 anos (ou até mais, como Joelmir Beting, Cid Moreira, Ricardo Boechat, Celso Freitas e Hélio Ansaldo).
No gráfico das mulheres, é possível notar várias carreiras que começam muito cedo, na casa dos 23 a 30 anos (como Sandra Annenberg, Adriana de Castro, Carla Vilhena, Ticiana Villas Boas). Isto reforça o argumento de que a juventude é um critério quase obrigatório para a entrada de mulheres nas bancadas.
Com os homens, embora alguns comecem por volta dos 30 anos (Sérgio Chapelin, William Bonner), as suas linhas estendem-se por décadas. Outros entram ou ganham destaque na TV já mais velhos, na casa dos 40 ou 50 anos, fato que não acontece no gráfico feminino.
Com base nos dados apresentados, o telejornalismo parece aceitar a imagem da mulher apenas enquanto ela atende a um padrão muito específico – jovem, magra e branca –, mas a afasta das telas assim que os primeiros sinais do tempo começam a aparecer. Essa diferença de tratamento entre âncoras homens e mulheres escancara que, na televisão, a bagagem e a experiência das jornalistas acabam valendo menos do que a sua juventude, transformando o envelhecimento feminino em um obstáculo para a carreira, e não em um motivo de orgulho.
Nesse gráfico de dispersão, a diferença fica bastante clara. Os pontos vermelhos (mulheres) estão concentrados mais à esquerda e os pontos azuis (homens) aparecem em idades mais altas, à direita. Exemplos como Sandra Annenberg (23 anos), Adriana de Castro (25 anos), Carla Vilhena (28 anos), Mariana Ferrão (28 anos) e Ticiana Villas Boas (28 anos), mostram que as mulheres foram escolhidas para integrarem as bancadas dos telejornais mais cedo – devido à imagem que representam. Já os nomes masculinos como Ricardo Boechat, Carlos Nascimento e Paulo Henrique Amorim chegam mais tarde, depois de uma longa trajetória como repórteres, correspondentes ou editores.
Representatividade em frente às câmeras
Se os dados de gênero e idade revelam uma barreira estrutural para as mulheres, o recorte racial expõe um bloqueio ainda mais profundo. Embora mais da metade da população brasileira se declare preta ou parda, as bancadas dos principais telejornais do país permanecem majoritariamente brancas. Essa falta de representatividade faz com que a televisão acabe ignorando o perfil da própria audiência. Ocupar esse espaço, portanto, deixa de ser apenas uma conquista profissional e se torna um ato político de reparação e representatividade. A jornalista Aline Midlej, âncora da TV Globo e da GloboNews, trouxe uma reflexão acerca da discussão sobre representatividade e a responsabilidade de quem ocupa a bancada em uma entrevista para o UOL em 2021.
Embora nomes históricos como Glória Maria tenham aberto caminhos na reportagem, a chegada de mulheres negras como titulares fixas e diárias na bancada dos principais telejornais de rede do país é um fenômeno recente na história da televisão brasileira. Apenas em 2019, por exemplo, o Jornal Nacional – noticiário de maior alcance na TV brasileira – teve sua primeira mulher negra, Maria Júlia Coutinho, integrando o rodízio fixo de âncoras, 50 anos depois da estreia do Jornal. Essa decisão abriu espaço para que profissionais como a própria Aline Midlej, Maju Coutinho e Joyce Ribeiro, por exemplo, consolidassem suas carreiras em posições de liderança na TV aberta e fechada.
No entanto, os avanços pontuais dessas profissionais de destaque contrastam com a dura realidade estatística das redações. De acordo com o estudo Perfil Racial da Imprensa Brasileira, apenas cerca de 20% dos profissionais de jornalismo no país se declaram pretos ou pardos, um número drasticamente abaixo dos mais de 55% que compõem a população brasileira. Além disso, a pesquisa revela uma clara barreira de ascensão: enquanto jornalistas brancos dominam os cargos altos e posições de prestígio na tela (61,8%), os profissionais negros ficam majoritariamente restritos às funções operacionais dos bastidores ou de reportagens de rua (60,2%). Essa barreira fica ainda mais nítida na televisão, evidenciando que o comando dos principais telejornais do país continua ignorando a verdadeira demografia brasileira.
Evoluções e desafios da atualidade
No cenário contemporâneo, a realidade marcada pela falta de representatividade e pelas intensas pressões estéticas sobre jornalistas parece estar passando por transformações. Embora muitos desafios persistam, algumas profissionais observam avanços importantes.
Para Alice Scarponi o ambiente atual no telejornalismo já não é o mesmo das décadas anteriores. “Hoje, os cabelos não precisam estar alisados, ou escovados, a magreza não é mais vista como tanto valor. Corpos com formas diversas estão cada vez mais presentes nas telas, e isso é maravilhoso!”
Patrícia Luz também compartilha uma visão mais otimista sobre o presente.“Hoje temos representatividade significativa. Eu sempre vejo colegas com tatuagem, cabelo black power, tranças e cabelos longos. Entrei pra faculdade de jornalismo há 12 anos e percebi uma grande transição entre gerações. Acho que a internet foi muito positiva nesse ponto!”
Romper com o padrão conservador e tradicional da “mulher jovem, branca e de cabelos lisos” no telejornalismo significa deixar de definir as profissionais a partir de sua aparência e passar a reconhecê-las por sua competência, inteligência e dedicação.
Essa é uma transformação que está alinhada a uma das principais funções da televisão: atuar como um reflexo democrático da própria sociedade que ela precisa informar. Como destaca Aline Scarponi, “ o jornalismo, instrumento de defesa dos valores democráticos, não pode aceitar a ditadura dos padrões de beleza”.
A jornalista acrescenta que, com o passar do tempo, compreendeu que sua posição mais consolidada na carreira e seu maior poder de decisão lhe conferem uma responsabilidade adicional nesse processo de mudança. Segundo ela, profissionais que ocupam cargos de liderança no telejornalismo estão entre os “principais influenciadores na quebra de padrões e na valorização da diversidade como um todo”, motivo pelo qual busca atuar de forma comprometida com essa realidade.
Como exemplo desse compromisso, Aline Scarponi destaca ter sido a primeira editora-chefe de um jornal de TV aberta a elaborar e aprovar uma parceria com uma correspondente internacional transexual.
A qualidade de um bom jornalista, portanto, não está em seu rosto ou em seu corpo, mas na qualidade do trabalho que realiza. Pressões estéticas e estereótipos limitam oportunidades, reforçam desigualdades e impedem o desenvolvimento das capacidades profissionais de cada indivíduo.
Em um cenário ideal, espera-se que todas as mulheres se sintam livres dessas pressões e exerçam seu trabalho de maneira mais autêntica e segura, sendo reconhecidas pelo talento e pela credibilidade que constroem diariamente. É esse sentimento que Patrícia Luz expressa ao afirmar: “me considero uma mulher livre, na TV e fora dela.”
Reportagem produzida por Anna Cláudia Gomes, Eleonora Jaeger Sommer, Iara Solo Lessa e Maria Fernanda Schofield na disciplina Apuração, Redação e Entrevista, sob a supervisão do professor e jornalista Vinícius Borges Gomes.
