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Do campo à COP: como a crise climática transforma a agropecuária

Área experimental da UFSJ Sete Lagoas - Foto de Ivo Moreira

As mudanças climáticas afetam a produtividade das colheitas e o rendimento da pecuária, o que pode afetar a disponibilidade de alimentos no mundo. Outra preocupação é que essas mudanças podem causar danos hidrológicos, levando a perdas de biodiversidade, e a possível propagação de vetores de novos patógenos e pandemias. Outro fator preocupante é a participação das ações antropogênicas, que referem-se a como o ser humano tem agido diretamente no aquecimento global impactando o meio ambiente e a natureza e com isso, é preciso parar, refletir e agir sobre o que tem sido feito para mitigar os efeitos dessas ações.

Os impactos climáticos no agronegócio são inevitáveis, entretanto, mudanças constantes estão sendo aplicadas no setor a fim de minimizar os principais efeitos dessa situação. A busca por segurança ambiental tem se tornado um eixo central nas discussões do setor, impulsionada pela urgência de proteger os ecossistemas e garantir a continuidade da produção de alimentos.

Os extremos do clima têm forçado o campo a acelerar a adoção dessas estratégias de segurança, não apenas por conscientização, mas por exigência de mercados investidores e consumidores cada vez mais restritivos. Essa transição deixa de ser conceitual e ganha escala prática por meio de investimentos em agricultura de baixa emissão de carbono, recuperação de pastagens degradadas, sistemas de plantio direto e o uso crescente de bioinsumos. São mecanismos que tentam blindar a produtividade nacional contra as incertezas do tempo e, ao mesmo tempo, frear o passivo ecológico da atividade.

Essas tecnologias, que incluem a agricultura regenerativa voltada para recuperar e revitalizar o solo e restaurar a biodiversidade, além da adoção de práticas agroecológicas que priorizam a produção de alimentos com o mínimo impacto ambiental, já estão sendo adotadas em todo o país. Além de proteger o ecossistema, o ganho financeiro é expressivo: de acordo com estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a maior aplicação dessas inovações no campo tem capacidade de gerar até R$ 94,8 bilhões no Brasil. 

O desafio do século: crescimento econômico vs. emissões 

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, em matéria publicada em 02/09/2025, com base em uma pesquisa realizada pelo IBGE, o agro teve um crescimento de 10,1% no segundo trimestre de 2025, no comparativo ao igual período de 2024. Em matéria publicada pela Secretaria de Comunicação Social, no dia 13/02/2026 em janeiro de  2026, as exportações chegaram a US$10,8 bilhões. Já as importações de produtos do agronegócio somaram US$ 1,7 bilhão, um decréscimo de 11,2%, resultando em superávit de US$ 9,2 bilhões (-0,4%). O crescimento comercial é notável, no entanto, com o aumento da produção, vem o aumento da emissão de gases de efeito estufa (GEE), o que nos direciona ao Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) que, por sua vez, é responsável por estabelecer o marco regulatório do mercado de carbono no Brasil, instituído pela Lei nº 15.042, de 11 de dezembro de 2024. 

Esse sistema é um pilar do Novo Brasil, Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, que tem como principal objetivo promover uma transição econômica, tecnológica e cultural rumo a um modelo de desenvolvimento sustentável. O plano procura melhorar a qualidade de vida das gerações atuais e futuras, e posicionar o Brasil como protagonista na agenda climática global. Em 2024, na COP 29, no Azerbaijão, o Brasil entregou o seu NDC, plano de ação climática, com metas de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa (GEE), para 2035 com corte entre 59% e 67% em relação a 2005.  Essa meta é  uma estratégia mais ampla para reposicionar o Brasil no cenário climático global, recuperando a ambição inicial assumida no Artigo 6º do Acordo de Paris. 

Novo marco da descarbonização e da soberania alimentar 

A busca pelo papel de protagonista na transição para uma economia verde coloca o agronegócio brasileiro sob pressão para alinhar o discurso diplomático às práticas de campo. O desafio do setor reside em cumprir as metas da agenda climática global e acelerar a descarbonização sem comprometer a soberania alimentar e o desenvolvimento econômico nacional. Essa transição envolve a validação, por meio de indicadores técnicos, de que inovações como a agropecuária regenerativa e o manejo sustentável podem atuar diretamente na mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEE).

 Essa atitude visa mostrar, por meio de práticas sustentáveis, inovações tecnológicas e agropecuária regenerativa, que o agro brasileiro não é o problema, mas, sim, a solução para a mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEE). 

Para Daniela Pedroza, membra do GT do Clima e Carbono do IBRAM, a sustentabilidade e o setor agropecuário assumiram de forma definitiva o protagonismo diante das pressões climáticas. Em debate recente no programa Conexão ESG, a especialista destacou que a COP30 exigiu ações práticas imediatas e transparência na cadeia de alimentação. Em suas palavras: “O foco não é mais prometer, mas agora implementar. Isso significa uma descarbonização mais acelerada, uma adaptação obrigatória, governança climática e créditos de carbono regulados. Mas, sobretudo, acredito muito que isso vai trazer novas oportunidades econômicas, maior participação social e proteção da nossa Amazônia”.

COP 30, em belém do Pará – Foto de Alexandre Mello

Alexandre Mello, Diretor de ESG e Assuntos Estratégicos na empresa Clam, participou presencialmente da COP 30 e esteve presente em outras doze COPs. Segundo o especialista em agenda climática, a COP de 2025 teve uma participação popular muito grande, pelo evento ter acontecido na Amazônia, e principalmente, por ser no Brasil. De acordo com ele, “O Brasil foi um dos países que implementou vários requisitos do Protocolo de Kyoto, que por sua vez, foi ratificado e várias modalidades previstas nele, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, permitiam que empresas utilizassem projetos de redução de gases de efeito estufa e, com isso, ganhassem créditos de carbono. Inclusive, essa foi uma proposta brasileira”.

O Protocolo de Kyoto foi o primeiro grande acordo internacional, assinado em 1997, e em vigor desde 2005, com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa (GEE) para combater o aquecimento global. Depois desse acordo, outros foram estabelecidos, como o Acordo de Copenhague (2009) e o Acordo de Paris (2015). Todos com metas focadas no compromisso universal e voluntário de reduzir as emissões de gases estufa, fortalecer ações de mitigação e promover medidas de adaptação às mudanças climáticas. 

Em entrevista, Alexandre Mello explicou que existem duas vertentes nessa agenda: mitigação e adaptação, e que acha muito positivo esses dois assuntos estarem presentes neste evento de proporção mundial. Em suas palavras: 

Agora, o que a gente precisa observar é a adaptação, porque a mudança climática já chegou há muito tempo”. 

Ao ser perguntado se o setor privado também deveria assumir responsabilidade diante das mudanças climáticas, ele respondeu que o setor já assume seu papel em relação à agenda climática, principalmente por estar entre os maiores emissores. No entanto, ressaltou que as empresas não podem ser tratadas como “as vilãs da história”, como muitas vezes são retratadas pela imprensa e em diferentes fóruns de debate. Ele afirmou que os setores de óleo, gás, siderúrgico, além do setor de energia fóssil são os maiores emissores, no entanto, estão trabalhando para reduzir as emissões. “O empresário que quer manter o seu negócio prosperando precisa contribuir, de alguma forma, para a redução das emissões. E é isso que eu prego há 27 anos porque, além de reduzir as emissões e ajudar o planeta, você também reduz custos. Você passa a ter ganhos econômicos, evita desperdícios de recursos e reduz a necessidade de novos investimentos quando otimiza seus processos”.

Soluções práticas: rotação de culturas e controle biológico

O Analista Ambiental, técnico em mineração e formando em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Ivo Moreira, contou sobre suas experiências em campo e abordou a questão climática. 

Querendo ou não, os proprietários rurais, em sua maioria, buscam ao máximo cumprir a legislação. Eu tenho visto que quase todos têm buscado novas inovações, novos meios, porque isso aí é benéfico até para a propriedade. E, pelo menos o que eu tenho percebido nos clientes, que dos mais antigos, que eram mais resistentes, aos mais novos que estão chegando, existe uma abertura maior para entender que eles podem se beneficiar no meio ambiente, isso traz um retorno”. 

Ao ser indagado sobre os efeitos da crise climática sobre as produções, ele usou como exemplo as chuvas no Rio Grande do Sul, que causaram grandes impactos às áreas urbanas e rurais em 2024. Segundo ele, os prejuízos ao agronegócio não são sentidos imediatamente, mas refletem ao longo dos meses e até anos seguintes, afetando diretamente a economia e o preço dos produtos. Ele informou, ainda, que a falta da soja, que, por sinal, é a base da alimentação da maioria dos animais, e constantemente utilizada na produção de óleo, influencia diversos setores, fazendo com que alterações em sua produção impactem toda a cadeia de consumo. 

Essa reação em cadeia mencionada pelo especialista não se restringe às grandes commodities e já se reflete de forma severa no prato dos brasileiros. Segundo o levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Belo Horizonte figurou entre as capitais com alta no preço da cesta básica entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, atingindo o valor de R$ 737,86. O impacto das chuvas na produção agrícola reduziu a oferta de alimentos e fez o preço do tomate saltar 49,29%, sendo o principal vilão do mês. Por outro lado, o mesmo clima acabou favorecendo a colheita de itens como a banana, que registrou queda de 16,73%.

O peso desse orçamento é sentido direto no bolso do consumidor urbano: em janeiro de 2026, um trabalhador de Belo Horizonte que recebe o salário mínimo de R$ 1.621,00 precisou comprometer 49,21% de sua renda líquida e trabalhar mais de 100 horas apenas para garantir os alimentos básicos. Essa perda do poder aquisitivo gera um efeito dominó imediato, limitando o consumo de outros bens e serviços no comércio local.

Área experimental da UFSJ Sete Lagoas – Foto de Ivo Moreira

O analista Ivo pontuou também sobre as cobranças quanto aos processos de licenciamento ambiental:

A questão do licenciamento impacta bastante. O que eu tenho percebido no nosso país é que a lei é cobrada de um jeito, tanto para o grande, quanto para o pequeno produtor. E acaba que o pequeno produtor é mais impactado pelas exigências do que o grande produtor. Então, o que a gente está vendo também, principalmente em Minas Gerais, é que muitos pequenos produtores estão vendendo a terra porque não dão conta de cobrir as exigências ambientais”.

Segundo ele, as mudanças climáticas também estão impactando:“Quando vamos fazer um pequeno licenciamento, fazemos um estudo de clima da região. Apresentamos para o órgão ambiental que vai fiscalizar. Ele analisa o documento de licenciamento ambiental daqui a um ano, por exemplo. Aí já mudou tudo. O clima já é outro. Aí a gente tem que refazer todos os estudos”.

Ao ser perguntado sobre as técnicas que considera mais eficazes em relação às soluções ambientais, explicou: “Por exemplo, não plantar a mesma cultura todo ano. Esse ano eu plantei milho nessa área, ano que vem eu vou plantar outra cultura. Aí tem essa rotação de culturas na área”. Citou, ainda, a prática do plantio direto, ao explicar que, antigamente, o produtor plantava, colhia, tirava todos os resíduos daquela plantação do solo, passava o maquinário no solo, para, em seguida, começar o processo todo de novo.

Hoje, pelo processo do plantio direto, depois de colher, o produtor deixa os restos vegetais (palhada) da cultura anterior no solo, o que forma uma camada que, por sua vez, protege o solo, conservando sua umidade e os micro-organismos que viviam ali, não causando, assim, a degradação do solo, pois não expõe o solo ao sol. Outra forma também utilizada é o controle biológico. Nesse caso, o método usado é a vespa parasitoide que, de acordo com o analista, coloca seus ovos dentro ou sobre a lagarta, e as larvas acabam se desenvolvendo ali, controlando a praga naturalmente. Isso reduz o uso de agrotóxicos.

Aplicação de Sistema de Plantio Direto – Área experimental da UFSJ Sete Lagoas – Foto de Ivo Moreira

Produção resiliente é garantia de um futuro para agronegócio

O produtor rural e engenheiro metalurgista Ricardo Coelho Guedes, de 66 anos, atua há 32 anos na atividade agropecuária em Monjolos (MG), onde trabalha com bovinocultura de corte. Formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ricardo também tem trajetória no setor guseiro de Sete Lagoas e mantém uma empresa voltada à mineração de dolomita para corretivo de solo. Sua propriedade rural, adquirida em 1994, foi estruturada com foco na produção e no uso de tecnologias voltadas à sustentabilidade, como pastagem irrigada por energia potencial hidráulica e geração de energia fotovoltaica.

Antes mesmo de intensificar a produção, Ricardo conta que o processo de regularização ambiental foi uma das primeiras etapas na construção da propriedade.

Desde o início, eu coloquei um pivô central e fiz os licenciamentos ambientais. Foi a minha primeira providência, além de estruturar a fazenda. Sempre tive a preocupação de manter uma fazenda sustentável. A fazenda possui licença ambiental e licença operacional válidas, já renovadas”.

O produtor relatou que, durante o processo de licenciamento, precisou realizar estudos e adequações para atender às exigências ambientais, mas que conduziu todas as etapas conforme o que foi solicitado. Ricardo entende a legislação não como um limite para a produção, mas como uma base para desenvolver uma atividade mais responsável, destacando que “o que a gente procura como produtor rural é seguir as legislações em primeira mão e fazer algo mais do que a legislação”.

Na prática, ele explica que busca seguir as normas ambientais em diferentes etapas da atividade, como na captação de água, que exige controle e respeito aos limites estabelecidos.

Na minha produção rural, eu sempre procurei estar seguindo as legislações. Para fazer a captação, eu tenho que colocar hidrômetro, orifício, e eu não posso captar mais água do que eu devo. Se o nível de água cair por ser uma época de muita seca, eu tenho que respeitar a legislação. Eu tenho que respeitar que a água primeiro é para a dessedentação humana, depois vem para os animais e, depois, para a irrigação. Existe uma prioridade, e ela está nas licenças. E isso, a gente pode chamar de sustentabilidade”. – Ricardo Guedes, Produtor rural e engenheiro metalurgista formado pela UFMG.

Ricardo destaca, ainda, que o cumprimento das exigências ambientais faz parte da própria sustentabilidade da propriedade. Para ele, seguir as normas é o primeiro passo para reduzir impactos e garantir uma produção mais responsável. “Falar em sustentabilidade significa produzir gerando o menor impacto possível.”

Além de cumprir as exigências previstas na legislação ambiental, Ricardo afirma que algumas iniciativas adotadas na fazenda foram realizadas por decisão própria, com o objetivo de fortalecer a preservação dos recursos naturais. Segundo ele, a legislação determina a proteção das nascentes existentes, mas não exige a recuperação de áreas onde elas já existiram no passado. “A legislação não fala que você tem que recuperar esse ambiente. A recuperação da nascente, o aumento da nascente, o lugar onde já teve uma nascente alguma época, que às vezes dá para perceber e tentar recuperar, isso já via de regra vai além da regulação. A ação técnica para você proteger ela e dar novas áreas de proteção.”

Para o produtor, investir na recuperação dessas áreas representa uma forma de ampliar a conservação ambiental da propriedade. As ações incluem intervenções técnicas voltadas à proteção das nascentes e à criação de novas áreas de preservação, contribuindo para a manutenção dos recursos hídricos e para a sustentabilidade da fazenda. Dessa forma, a propriedade busca ir além do que é exigido pela legislação, adotando práticas que reforçam seu compromisso com a preservação ambiental.

Além de preservar o meio ambiente, a propriedade ainda investe em soluções tecnológicas que contribuem para uma produção mais sustentável, como a utilização de um sistema de irrigação movido a energia hidráulica, que reduz a dependência de fontes mais convencionais, o que minimiza os impactos ambientais da atividade agrícola. De acordo com ele, o projeto aproveita a própria força da água para operar o sistema de irrigação, tornando o processo mais eficiente e ambientalmente responsável. “Essa água é injetada no pivô, é um projeto muito bacana, porque eu não gasto energia elétrica. Não tem energia elétrica. É extremamente viável para o meio ambiente porque não tem nenhuma emissão de CO₂.”. Essa iniciativa demonstra como a adoção de tecnologias pode ser aliada da sustentabilidade no agronegócio. Ao utilizar fontes de energias renováveis, a produção reduz custos operacionais e evita a emissão de gases de efeito estufa, conciliando inovação, eficiência produtiva e responsabilidade ambiental.

Mudanças Climáticas no campo envolvem luta contra incertezas

Ao falar sobre os impactos das mudanças climáticas na atividade rural, o produtor rural e engenheiro metalurgista Ricardo Coelho Guedes, afirma que a principal alteração percebida ao longo dos anos está relacionada ao comportamento das chuvas. Embora ressalte que não possui um controle de medição próprio para comprovar essas mudanças, ele vive o campo há 32 anos e observa que outros produtores da região também relatam alterações nos períodos de plantio devido à irregularidade do regime pluviométrico. “O que a gente percebe é uma concentração maior de chuva. Antes chovia de outubro até abril. Agora outubro não chove, novembro não chove, aí chove em dezembro. Tem dezembro que chove muito. Então tem essas mudanças.”

Segundo ele, o problema não está necessariamente na quantidade total de chuva ao longo do ano, mas na forma como ela ocorre. Quando a precipitação fica concentrada em poucos períodos, aumentam os riscos de erosão do solo e diminui a capacidade de armazenamento de água ao longo dos meses. “Não adianta chover muito numa época só. A tendência disso é ter estragos no solo e você não vai ter aquela distribuição de chuva que mantém a umidade do solo por mais tempo.” Diante desse cenário, Ricardo explica que a irrigação tem se tornado uma ferramenta cada vez mais importante para garantir a produção e reduzir os impactos causados pela irregularidade das chuvas.

Ricardo, ao ser perguntado sobre o que precisa acontecer para que essas discussões globais realmente tragam mudanças concretas para os produtores rurais, respondeu que “As discussões promovidas em eventos internacionais, como a COP30, são fundamentais para enfrentar os desafios ambientais gerados pelo crescimento da atividade humana”. Na avaliação do produtor, o aumento da população mundial e da demanda por recursos tem ampliado os impactos sobre o meio ambiente, tornando necessária a busca por soluções que conciliem desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Em sua visão, o caminho não está em interromper as atividades produtivas, mas em transformá-las, para que se tornem cada vez mais sustentáveis e compatíveis com as necessidades do meio ambiente.

Entre a lei e a consciência

Ricardo Guedes também destacou a importância dos espaços de debate sobre sustentabilidade, como a COP30. Embora reconheça que muitos produtores rurais não conseguem participar diretamente desses encontros, seja por questões de custo, tempo ou distância, ele considera fundamental que existam pessoas dedicadas a estudar os problemas ambientais e discutir soluções para eles.

A gente gostaria de participar, não só da área ambiental, mas de outras mídias, de educação, de segurança, de tudo. Mas, felizmente, nós temos pessoas estudando ali, pessoas preocupadas com isso, pessoas trabalhando isso de maneira séria. Dali sai coisas boas, pode sair coisas que não sejam tão boas, pode sair coisas irrelevantes, mas o importante é conversar. O importante é discutir, o importante é ter a visão de sustentabilidade. E como já foi falado, o respeito à legislação é algo a mais na sustentabilidade, a meu ver, gera alguns custos, é óbvio, mas eu acho que você supera isso com produtividade.”

Ricardo defendeu que a sustentabilidade começa pelo respeito às normas ambientais, mas não deve se limitar a elas. Para o produtor, as leis existem para estabelecer regras de convivência e garantir um equilíbrio entre os diferentes interesses da sociedade. “Legislação a gente não concorda, a gente obedece.” Para ele, o verdadeiro diferencial está na consciência de cada pessoa. Ela é a responsável por levar produtores e cidadãos a adotarem práticas que vão além das obrigações legais e contribuem de forma efetiva para a preservação ambiental. “A consciência que vale mais. Aí você vai além, você faz as coisas além”.

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