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A donzela do salgueiro

Um desenho não colorido de uma cabeça feminina com longos cabelos ondulando para a esquerda. Acima dela, a página é toda preenchida por flores diversas.

Desenho inspirado na animação da música | autoral

Um homem jovem adentrou a floresta, com seu arco e flechas para a caça. Ouviu em meio às árvores, uma voz melodiosa, jovem, feminina. Guiou-se por ela, desvirtuando-se de sua lida, até que a encontrou em um salgueiro. Já em outros intentos, diante da nudez da mulher, não considerou o que significaria sua presença. Apenas chamou por ela, de onde estava no círculo de cogumelos. “Venha comigo, minha donzela; para outro leito.” Ao vê-lo, a ninfa serenamente o negou, balançando a cabeça. Em nova cantoria, a floresta acompanhou. “Veja-me agora: um raio de luz na dança lunar; veja-me aqui: não posso deixar este lugar. Ouça-me: uma melodia na música da mata… não me peça que te acompanhe.”

Ele tomou o caminho de casa, para o dia seguinte…

O jovem retornou à floresta, em um casaco verde, com uma flor. Pretendia dá-la à sua amada: aquela que dos cabelos vermelhos nunca se despiu. Neles se enrolava, perpetuamente linda. O rapaz foi até ela e, debaixo de seu salgueiro, ofereceu seu presente. “Por capturar meu coração, aqui estou para nos desposarmos.” Promessa contrária à de sua donzela, que nunca o teria. Nem tão perto, ou em outro plano do eterno. E a floresta, para ele, cantou novamente, com ela. “Veja-me agora: um raio de luz na dança lunar; veja-me aqui: não posso deixar este lugar. Ouça-me: uma melodia na música da mata… não me peça que te acompanhe.” 

Ele tomou o caminho de casa, para o dia seguinte…

O homem voltou ao salgueiro, com seu machado no mais fino fio. “Tomarei aquela ninfa como minha esposa, que me acompanhará a vida e cuidará de meus filhos…”. Seu problema foi visto anunciando a chegada, a mulher estremeceu. Ele nunca a faria livre, mentirosas juras. Verdadeira fora apenas sua arma, “o salgueiro caiu, agora você é minha”. E a polifonia da floresta bradou.

“Veja-me agora, veja agora, me veja, agora: 
um raio de luz na dança lunar.
Veja-me aqui, me veja aqui, aqui me veja:
não posso deixar este lugar.
Ouça-me, me ouça, ouça:
uma melodia na música da mata…
não me peça que te acompanhe.”

Tomou-a pelo pulso, já frágil, condenada a segui-lo arrastada. Pouco pôde se esforçar, logo se encontrou com a terra, uma a qual não pertencia. Seu corpo metamorfoseou em uma flor, que desabrocharia apenas para os que a vissem com respeito à sua morada.

Só ele tomou o caminho de casa…

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A inspo:

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