{"id":6808,"date":"2026-09-09T07:21:12","date_gmt":"2026-09-09T10:21:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/?p=6808"},"modified":"2026-09-08T18:24:16","modified_gmt":"2026-09-08T21:24:16","slug":"elitizacao-do-futebol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/elitizacao-do-futebol\/","title":{"rendered":"Elitiza\u00e7\u00e3o do Futebol"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6813 aligncenter\" src=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG-20260908-WA0002.jpg\" alt=\"\" width=\"837\" height=\"672\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG-20260908-WA0002.jpg 837w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG-20260908-WA0002-300x241.jpg 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/IMG-20260908-WA0002-768x617.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 837px) 100vw, 837px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por Jo\u00e3o Pedro Diniz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A compara\u00e7\u00e3o entre a mat\u00e9ria do Brasil de Fato, intitulada \u201cO futebol est\u00e1 cada vez mais excludente e intolerante aos pobres\u201d, e a cobertura da m\u00eddia comercial e de massa sobre o acesso dos torcedores ao futebol permite observar uma diferen\u00e7a importante de enquadramento jornal\u00edstico. O tema dos pre\u00e7os dos ingressos e do encarecimento da experi\u00eancia de acompanhar uma partida aparece tamb\u00e9m em ve\u00edculos comerciais, mas \u00e9 normalmente apresentado de maneira mais factual, econ\u00f4mica ou circunstancial. No Brasil de Fato, a quest\u00e3o \u00e9 transformada em um problema social e de classe, colocando no centro do debate a exclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de menor renda do futebol.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A mat\u00e9ria do Brasil de Fato parte de uma ideia bastante expl\u00edcita: o futebol brasileiro, historicamente associado \u00e0s classes populares, estaria se tornando cada vez menos acess\u00edvel justamente para aqueles que tradicionalmente formaram sua principal base de torcedores. O t\u00edtulo\u00a0 \u201cO futebol est\u00e1 cada vez mais excludente e intolerante aos pobres\u201d\u00a0 j\u00e1 estabelece um posicionamento. N\u00e3o se trata apenas de informar que os ingressos est\u00e3o caros, mas de interpretar o aumento dos pre\u00e7os como parte de um processo de exclus\u00e3o social. A escolha das palavras \u201cexcludente\u201d, \u201cintolerante\u201d e \u201cpobres\u201d demonstra que a reportagem pretende discutir as consequ\u00eancias sociais da transforma\u00e7\u00e3o do futebol em um produto cada vez mais caro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esse aspecto diferencia a abordagem do Brasil de Fato daquela encontrada com frequ\u00eancia na m\u00eddia comercial. Um exemplo interessante \u00e9 uma reportagem do ge, intitulada \u201cPre\u00e7os din\u00e2micos de ingressos e transporte caro: quanto custa ver a Copa do Mundo de 2026?\u201d. O texto apresenta dados sobre os pre\u00e7os dos ingressos da Copa e mostra que os valores poderiam chegar a dezenas de milhares de reais. A mat\u00e9ria tamb\u00e9m registra que cr\u00edticos consideravam o modelo de pre\u00e7os capaz de afastar torcedores comuns.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de existir uma aproxima\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica, o enquadramento \u00e9 diferente. O ge procura responder principalmente \u00e0 pergunta \u201cquanto custa acompanhar a Copa?\u201d. A reportagem apresenta pre\u00e7os, compara valores, explica o funcionamento da precifica\u00e7\u00e3o din\u00e2mica e contextualiza a expectativa de receitas da FIFA. O problema \u00e9 apresentado a partir de n\u00fameros e informa\u00e7\u00f5es sobre o mercado de ingressos. J\u00e1 o Brasil de Fato parte de uma pergunta mais ampla: \u201cquem ainda consegue ter acesso ao futebol?\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa diferen\u00e7a \u00e9 importante para compreender o funcionamento de cada modelo de m\u00eddia. Na m\u00eddia comercial, o pre\u00e7o do ingresso pode aparecer como uma informa\u00e7\u00e3o relevante para o consumidor. O leitor quer saber quanto ter\u00e1 que pagar para assistir a determinado jogo, quais s\u00e3o os setores dispon\u00edveis ou quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es mais baratas. O Brasil de Fato, por outro lado, desloca a discuss\u00e3o do consumidor para o cidad\u00e3o. O problema deixa de ser simplesmente o pre\u00e7o de uma entrada e passa a ser a possibilidade de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o ser afastada de um espa\u00e7o cultural e esportivo que historicamente lhe pertence.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00f3pria cobertura do ge demonstra que a quest\u00e3o econ\u00f4mica pode ser abordada de maneira bastante objetiva. Em outra reportagem, o ve\u00edculo mostrou que o Remo tinha o segundo maior ticket m\u00e9dio entre os clubes da S\u00e9rie A de 2026, atr\u00e1s apenas do Flamengo. O levantamento apresentou os valores m\u00e9dios pagos pelos torcedores e organizou os clubes em um ranking, permitindo visualizar as diferen\u00e7as de pre\u00e7o entre as equipes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse caso, o foco principal \u00e9 informativo e estat\u00edstico. O leitor consegue identificar quanto custa, em m\u00e9dia, assistir a uma partida de cada clube. A quest\u00e3o social existe implicitamente, porque um ingresso de R$ 70, R$ 80 ou R$ 100 possui impactos diferentes para pessoas com rendas diferentes, mas a reportagem n\u00e3o necessariamente transforma essa diferen\u00e7a econ\u00f4mica em uma discuss\u00e3o sobre desigualdade social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil de Fato realiza justamente esse deslocamento. Em vez de observar somente o valor absoluto do ingresso, a abordagem procura considerar o peso desse valor na renda do torcedor. Um ingresso que pode ser considerado acess\u00edvel para algu\u00e9m de alta renda pode representar uma parcela significativa do or\u00e7amento de uma fam\u00edlia de baixa renda. Dessa maneira, a discuss\u00e3o sobre pre\u00e7o passa a estar diretamente relacionada \u00e0 desigualdade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Outro exemplo da cobertura comercial \u00e9 a reportagem do ge sobre o Corinthians x Remo, que apresenta ingressos entre R$ 80 e R$ 270, al\u00e9m de descontos para membros do programa de s\u00f3cio-torcedor. O texto explica os setores, os valores, as condi\u00e7\u00f5es de compra e as prioridades estabelecidas pelo clube. Mais uma vez, trata-se de uma informa\u00e7\u00e3o extremamente \u00fatil para o torcedor, mas a mat\u00e9ria n\u00e3o tem como objetivo central discutir a transforma\u00e7\u00e3o do futebol em um produto de consumo inacess\u00edvel \u00e0s classes populares.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Isso n\u00e3o significa que a m\u00eddia comercial ignore completamente a quest\u00e3o da desigualdade. Um exemplo particularmente importante \u00e9 a reportagem do ge sobre o Atl\u00e9tico-MG, que criou um plano de s\u00f3cio-torcedor destinado a pessoas de baixa renda e em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social. A mat\u00e9ria informa que o programa pretende proporcionar acesso a ingressos sociais para esse p\u00fablico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Esse caso mostra que a m\u00eddia comercial pode, sim, abordar iniciativas relacionadas \u00e0 inclus\u00e3o de pessoas de baixa renda. Entretanto, o enquadramento novamente \u00e9 diferente: o destaque est\u00e1 na iniciativa espec\u00edfica de um clube, e n\u00e3o necessariamente em uma cr\u00edtica estrutural ao modelo econ\u00f4mico do futebol brasileiro. O problema aparece como algo que pode ser amenizado por meio de uma a\u00e7\u00e3o institucional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No Brasil de Fato, a perspectiva \u00e9 mais ampla. O acesso dos pobres ao futebol \u00e9 apresentado como uma quest\u00e3o relacionada \u00e0 pr\u00f3pria transforma\u00e7\u00e3o da modalidade. O ve\u00edculo questiona, em ess\u00eancia, o processo de elitiza\u00e7\u00e3o das arquibancadas e a transforma\u00e7\u00e3o do torcedor em consumidor. Nesse enquadramento, a valoriza\u00e7\u00e3o comercial dos est\u00e1dios, os pre\u00e7os dos ingressos, os programas de s\u00f3cio-torcedor, os setores VIP e a transforma\u00e7\u00e3o das arenas fazem parte de um mesmo processo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa diferen\u00e7a tamb\u00e9m aparece na forma como os torcedores s\u00e3o representados. Na m\u00eddia comercial, o torcedor costuma ser apresentado como cliente, consumidor ou p\u00fablico. As mat\u00e9rias sobre ingressos precisam responder \u00e0s necessidades pr\u00e1ticas de quem pretende ir ao est\u00e1dio. No enquadramento do Brasil de Fato, o torcedor \u00e9 apresentado principalmente como sujeito social, pertencente a uma determinada realidade econ\u00f4mica e afetado pelas transforma\u00e7\u00f5es do futebol.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A cobertura da Copa do Mundo de 2026 pelo ge ajuda a demonstrar essa diferen\u00e7a. Em uma reportagem sobre os custos para acompanhar o Mundial, o ve\u00edculo contou a hist\u00f3ria de um torcedor que vendeu o pr\u00f3prio carro e arriscava voltar desempregado para acompanhar a competi\u00e7\u00e3o. A mat\u00e9ria mostra que ele gastaria aproximadamente R$ 24,5 mil, dividindo hospedagem com outras 17 pessoas e utilizando ingressos promocionais de US$ 60.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa mat\u00e9ria possui uma dimens\u00e3o social bastante evidente e se aproxima do problema discutido pelo Brasil de Fato. Por\u00e9m, a narrativa \u00e9 constru\u00edda principalmente como hist\u00f3ria individual. O personagem permite mostrar concretamente quanto custa acompanhar a Copa e quais sacrif\u00edcios um torcedor est\u00e1 disposto a fazer para realizar seu sonho. O Brasil de Fato, em contraste, procura transformar experi\u00eancias desse tipo em uma discuss\u00e3o mais ampla sobre classe social, acesso e exclus\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Essa distin\u00e7\u00e3o pode ser explicada pela diferen\u00e7a entre humaniza\u00e7\u00e3o e problematiza\u00e7\u00e3o estrutural. A m\u00eddia comercial frequentemente humaniza um problema por meio de personagens. O leitor conhece o torcedor, acompanha sua hist\u00f3ria e entende suas dificuldades. A m\u00eddia alternativa, sem necessariamente abandonar hist\u00f3rias individuais, tende a utilizar o caso para discutir as estruturas que produzem aquele problema.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Assim, enquanto uma reportagem pode dizer que um torcedor precisou gastar R$ 20 mil ou R$ 30 mil para acompanhar seu time, o Brasil de Fato pergunta o que significa para o futebol quando apenas pessoas com determinado poder aquisitivo conseguem continuar frequentando os est\u00e1dios.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Outro ponto relevante \u00e9 a quest\u00e3o da mercantiliza\u00e7\u00e3o do futebol. Na cobertura comercial, o aumento dos pre\u00e7os pode ser explicado por fatores como custos de opera\u00e7\u00e3o, demanda, tamanho da partida, localiza\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio, qualidade do espet\u00e1culo ou mecanismos de precifica\u00e7\u00e3o din\u00e2mica. Na Copa de 2026, por exemplo, o ge explicou que a FIFA adotou um modelo de pre\u00e7os que varia de acordo com a procura e destacou a possibilidade de ingressos alcan\u00e7arem valores muito elevados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O Brasil de Fato, entretanto, permite uma interpreta\u00e7\u00e3o mais cr\u00edtica desse processo. A quest\u00e3o deixa de ser apenas \u201cpor que o ingresso est\u00e1 caro?\u201d e passa a ser \u201cquem ganha e quem perde com um futebol cada vez mais comercializado?\u201d. Essa pergunta introduz uma dimens\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica que n\u00e3o ocupa necessariamente o mesmo espa\u00e7o na m\u00eddia comercial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 importante destacar, entretanto, que essa compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa afirmar que a m\u00eddia comercial seja necessariamente \u201cneutra\u201d e que o Brasil de Fato seja simplesmente \u201ccr\u00edtico\u201d. Os dois modelos fazem escolhas editoriais diferentes. A m\u00eddia comercial tamb\u00e9m pode produzir reportagens investigativas e cr\u00edticas, enquanto ve\u00edculos alternativos tamb\u00e9m podem publicar not\u00edcias factuais. A diferen\u00e7a est\u00e1 principalmente nas prioridades, nos enquadramentos e na maneira de interpretar os acontecimentos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No caso analisado, o contraste \u00e9 bastante claro. O Brasil de Fato transforma o pre\u00e7o do futebol em uma quest\u00e3o de desigualdade social. O ge, por sua vez, transforma frequentemente o pre\u00e7o em uma informa\u00e7\u00e3o sobre consumo: quanto custa, onde comprar, qual \u00e9 o setor mais barato, qual \u00e9 o ticket m\u00e9dio ou quanto um determinado torcedor precisar\u00e1 gastar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Isso tamb\u00e9m demonstra como a escolha do t\u00edtulo influencia a interpreta\u00e7\u00e3o do leitor. \u201cO futebol est\u00e1 cada vez mais excludente e intolerante aos pobres\u201d j\u00e1 apresenta uma conclus\u00e3o interpretativa. O leitor \u00e9 conduzido a pensar sobre exclus\u00e3o e desigualdade antes mesmo de entrar no conte\u00fado. Em contraste, t\u00edtulos como \u201cQuanto custa ver o Brasil na Copa?\u201d ou \u201cPre\u00e7os din\u00e2micos de ingressos e transporte caro: quanto custa ver a Copa do Mundo de 2026?\u201d apresentam uma pergunta pr\u00e1tica e econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, a principal diferen\u00e7a entre as abordagens est\u00e1 menos na exist\u00eancia ou n\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre pre\u00e7os e mais na dimens\u00e3o atribu\u00edda ao problema. A m\u00eddia comercial e de massa pode mostrar que o futebol est\u00e1 caro, apresentar os valores dos ingressos e at\u00e9 contar hist\u00f3rias de torcedores que enfrentam dificuldades financeiras. J\u00e1 o Brasil de Fato utiliza esse fen\u00f4meno para construir uma cr\u00edtica mais ampla \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do futebol em um espa\u00e7o cada vez mais associado ao poder de consumo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, a mat\u00e9ria analisada pode ser utilizada como um exemplo de enquadramento alternativo do futebol. Em vez de tratar a arquibancada como um mercado formado por consumidores, o Brasil de Fato a apresenta como um espa\u00e7o de pertencimento popular que estaria sendo progressivamente restringido. A discuss\u00e3o deixa de estar limitada ao pre\u00e7o de um ingresso e passa a envolver desigualdade econ\u00f4mica, elitiza\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios, mercantiliza\u00e7\u00e3o do esporte e perda do car\u00e1ter popular do futebol.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Em s\u00edntese, enquanto a m\u00eddia comercial tende a perguntar \u201cquanto custa acompanhar o futebol?\u201d, a mat\u00e9ria do Brasil de Fato prop\u00f5e uma pergunta mais profunda: \u201cquem ainda pode acompanhar o futebol?\u201d. \u00c9 justamente essa mudan\u00e7a de perspectiva que caracteriza a diferen\u00e7a entre os enquadramentos e permite compreender o papel da m\u00eddia alternativa na constru\u00e7\u00e3o de narrativas que colocam em evid\u00eancia grupos e problemas que podem receber menor centralidade na cobertura esportiva tradicional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Refer\u00eancias:<\/span><\/p>\n<p><b>BRASIL DE FATO.<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> O futebol est\u00e1 cada vez mais excludente e intolerante aos pobres. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil de Fato<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 20 jul. 2026. Dispon\u00edvel em:<\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/07\/20\/o-futebol-esta-cada-vez-mais-excludente-e-intolerante-aos-pobres\/?utm_source=chatgpt.com\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/07\/20\/o-futebol-esta-cada-vez-mais-excludente-e-intolerante-aos-pobres\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 22 ago. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>GE. <\/strong>Atl\u00e9tico-MG lan\u00e7a plano de s\u00f3cio para torcedor de baixa renda ter acesso ao est\u00e1dio; saiba detalhes. <\/span><i style=\"font-family: inherit; font-weight: inherit;\"><span style=\"font-weight: 400;\">ge<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 20 maio 2026. Dispon\u00edvel em:<\/span><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/times\/atletico-mg\/noticia\/2026\/05\/20\/atletico-mg-lanca-plano-de-socio-para-torcedor-de-baixa-renda-ter-acesso-ao-estadio-saiba-detalhes.ghtml?utm_source=chatgpt.com\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/times\/atletico-mg\/noticia\/2026\/05\/20\/atletico-mg-lanca-plano-de-socio-para-torcedor-de-baixa-renda-ter-acesso-ao-estadio-saiba-detalhes.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 22 ago. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>GE. <\/strong>Corinthians x Remo: veja valores e como comprar ingressos para o jogo v\u00e1lido pelo Brasileir\u00e3o. <\/span><i style=\"font-family: inherit; font-weight: inherit;\"><span style=\"font-weight: 400;\">ge<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 15 jul. 2026. Dispon\u00edvel em:<\/span><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/times\/corinthians\/noticia\/2026\/07\/15\/corinthians-x-remo-veja-valores-e-como-comprar-ingressos-para-o-jogo-valido-pelo-brasileirao.ghtml?utm_source=chatgpt.com\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/times\/corinthians\/noticia\/2026\/07\/15\/corinthians-x-remo-veja-valores-e-como-comprar-ingressos-para-o-jogo-valido-pelo-brasileirao.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 22 ago. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>GE.<\/strong> Quanto custa ver o Brasil na Copa? Torcedor vende carro e cogita voltar desempregado para ver o hexa. <\/span><i style=\"font-family: inherit; font-weight: inherit;\"><span style=\"font-weight: 400;\">ge<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 10 jun. 2026. Dispon\u00edvel em:<\/span><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/copa-do-mundo\/noticia\/2026\/06\/10\/quanto-custa-ver-o-brasil-na-copa-torcedor-vende-carro-e-cogita-voltar-desempregado-para-ver-o-hexa.ghtml?utm_source=chatgpt.com\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/copa-do-mundo\/noticia\/2026\/06\/10\/quanto-custa-ver-o-brasil-na-copa-torcedor-vende-carro-e-cogita-voltar-desempregado-para-ver-o-hexa.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 22 ago. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>GE.<\/strong> Pre\u00e7os din\u00e2micos de ingressos e transporte caro: quanto custa ver a Copa do Mundo de 2026? <\/span><i style=\"font-family: inherit; font-weight: inherit;\"><span style=\"font-weight: 400;\">ge<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 11 jun. 2026. Dispon\u00edvel em:<\/span><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/copa-do-mundo\/noticia\/2026\/06\/11\/precos-dinamicos-de-ingressos-e-transporte-caro-quanto-custa-ver-a-copa-do-mundo-de-2026.ghtml?utm_source=chatgpt.com\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/ge.globo.com\/futebol\/copa-do-mundo\/noticia\/2026\/06\/11\/precos-dinamicos-de-ingressos-e-transporte-caro-quanto-custa-ver-a-copa-do-mundo-de-2026.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 22 ago. 2026.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>GE.<\/strong> Remo tem o 2\u00ba ingresso mais caro entre os times da S\u00e9rie A de 2026. <\/span><i style=\"font-family: inherit; font-weight: inherit;\"><span style=\"font-weight: 400;\">ge<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, 29 maio 2026. Dispon\u00edvel em:<\/span><a style=\"font-size: 13px;\" href=\"https:\/\/ge.globo.com\/pa\/futebol\/times\/remo\/noticia\/2026\/05\/29\/remo-tem-segundo-ingresso-mais-caro-entre-os-times-da-serie-a-de-2026.ghtml?utm_source=chatgpt.com\"> <span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/ge.globo.com\/pa\/futebol\/times\/remo\/noticia\/2026\/05\/29\/remo-tem-segundo-ingresso-mais-caro-entre-os-times-da-serie-a-de-2026.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Acesso em: 22 ago. 2026.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jo\u00e3o Pedro Diniz. A compara\u00e7\u00e3o entre a mat\u00e9ria do Brasil de Fato, intitulada \u201cO futebol est\u00e1 cada vez mais excludente e intolerante aos pobres\u201d, e a cobertura da m\u00eddia comercial e de massa sobre o acesso dos torcedores ao futebol permite observar uma diferen\u00e7a importante de enquadramento jornal\u00edstico. 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