{"id":835,"date":"2016-11-04T16:56:40","date_gmt":"2016-11-04T16:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ccmpucminas.com\/?page_id=835"},"modified":"2016-11-04T16:56:40","modified_gmt":"2016-11-04T16:56:40","slug":"rap-de-um-cotidiano-renegado","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/rap-de-um-cotidiano-renegado\/","title":{"rendered":"Rap de um cotidiano (re)negado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Por Juliana Gusman<\/strong>. Fl\u00e1vio de Abreu Louren\u00e7o \u00e9 o segundo dos tr\u00eas filhos de Dona Regina, nascido no Alto Vera Cruz, bairro popular situado na regi\u00e3o Leste da capital mineira. Foi rebatizado Renegado na rua. O fervoroso atleticano se apresentou em rima para os alunos do Curso de Comunica\u00e7\u00e3o Social da PUC Minas, em uma palestra-show, realizada no dia 20 de outubro. <em>Rapper<\/em> e ativista social, Renegado \u00e9 militante da cultura marginal. Trouxe o morro para o palco do asfalto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A capoeira foi seu primeiro contato com cultura, com arte e com quest\u00f5es sobre as quais n\u00e3o refletia at\u00e9 ent\u00e3o. \u201cEu sabia que era preto, n\u00e9? Mas n\u00e3o entendia a quest\u00e3o de classe, n\u00e3o entendia a quest\u00e3o racial, social, que a gente vive. A capoeira me mostrou isso. Me ensinou a ter esse tipo de olhar. Me ensinou sobre disciplina e hierarquia, sobre o que \u00e9 ser negro, o porqu\u00ea de eu ser de uma comunidade economicamente pobre. A maioria das pessoas que estavam naquele lugar tamb\u00e9m tinha a minha cor e uma estrutura familiar bem parecida com a minha\u201d.<\/p>\n<blockquote><p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=1cfLLU7Mnwc&amp;list=PL3dSVumrMBgLXvc_Spj2ys6TfA6qcDDPy&amp;index=12\"><em>N\u00e3o, malandro, aqui o papo \u00e9 diferente<\/em><em><br \/>\nPois personifico o que o inimigo teme<br \/>\nNegro, pobre, bem informando<br \/>\nFui Renegado, mas o passaporte t\u00e1 carimbado<\/em><\/a><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Aos 14 anos, deixou o som do berimbau. Escutou o <em>rap<\/em> atrav\u00e9s do Racionais MC\u2019s, enquanto ouvia r\u00e1dio comunit\u00e1ria pela primeira vez, na casa de um amigo. \u201cPensei: \u2018Esse cara t\u00e1 falando uns bagulhos iguaizinhos a minha vida, n\u00e9 mano? Essa parada era muito doida, queria fazer essa parada tamb\u00e9m\u2019\u201d. Sendo parte de uma gera\u00e7\u00e3o sem as \u00a0facilidades do Google, as letras das m\u00fasicas e a curiosidade nata o encaminharam para uma biblioteca pela primeira vez para entender o que era a cultura <em>hip hop<\/em>. Descobriu-se.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Na busca de oportunidades para o grupo de <em>rap<\/em> formado com amigos, descobriu, tamb\u00e9m, a dona Valdete, mulher negra, de cabelo curtinho, que andava sempre de vestido. \u201cDepois da minha m\u00e3e, a pessoa que mais me ensinou coisa na vida foi Dona Valdete\u201d. Ela estava \u00e0 frente do grupo Meninas de Sinh\u00e1, formado por meninas de 54 a 95 anos, reconhecido pela a\u00e7\u00e3o na periferia de Belo Horizonte. \u00c9 refer\u00eancia nacional em transforma\u00e7\u00e3o social por meio da cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fl\u00e1vio encontrou uma das primeiras oportunidades em evento promovido pelo grupo de Dona Valdete: a comemora\u00e7\u00e3o do Dia Internacional da Mulher. Deram-lhes um voto de confian\u00e7a. Deveriam criar uma m\u00fasica sobre o tema, do qual, at\u00e9 ent\u00e3o, nada sabiam. Se ficasse boa, poderiam tocar. \u201cO que aconteceu? Entrei na biblioteca pela segunda vez na minha vida\u201d. E cantaram.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dona Valdete percebeu o interesse de Fl\u00e1vio e o convidou para participar da Associa\u00e7\u00e3o de Moradores do bairro. Aos 15 anos, tornou-se presidente. Ajudou a fundar o Grupo Cultural Negros da Unidade Consciente (NUC). Foi respons\u00e1vel, tamb\u00e9m, por criar o Centro Cultural de Vilas e Favelas Alto Vera Cruz, o primeiro de Belo Horizonte. \u201cJuntava toda a rapaziada do <em>rap<\/em>. Ia l\u00e1, no final de semana, para debater, cantar, ensaiar. Era ficar ali ou era ficar na boca, n\u00e9? Ent\u00e3o, a gente ficava ali pra n\u00e3o ficar na boca. E arquitetamos v\u00e1rios sonhos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Fl\u00e1vio tornou-se arquiteto, engenheiro e m\u00e3o-de-obra de seu pr\u00f3prio futuro. Aprendeu mais pela curiosidade do que pela escola. \u201cEu tinha uma professora de portugu\u00eas que falava: \u2018vamos estudar literatura hoje\u2019. A\u00ed eu falava que tinha uma parada legal pra caramba, os Racionais. E ela: \u2018N\u00e3o, Machado de Assis, Castro Alves\u2019. Porra, bicho.\u00a0 Ficava em m\u00f3 debate com a professora porque a educa\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 uma parada que n\u00e3o interage em nada com a vida real das pessoas. Fico l\u00e1 estudando biologia, geometria. Na vida pr\u00e1tica do dia a dia voc\u00ea tem que somar, fazer conta, pra n\u00e3o perder dinheiro, e se dedicar ao que voc\u00ea gosta de verdade. Eu ficava debatendo com ela direto e ela nem \u2018tchum\u2019 pra mim. A\u00ed eu desisti dela e fui buscar minhas paradas. Eu descobri um cara. Foi o primeiro livro que li inteiro na minha vida. Um cara l\u00e1 de S\u00e3o Paulo, da periferia, chamado Ferr\u00e9z. Ele fez um livro que chama <a href=\"http:\/\/ferrez.blogspot.com.br\/\"><em>Cap\u00e3o Pecado<\/em><\/a>. \u00c9 um conto lindo que fala de um romance que acontece dentro da periferia. E n\u00e3o era esses romances bonitinhos, n\u00e3o. Era romance do gueto: pega\u00e7\u00e3o, funk, drogas, pol\u00edcia. E aquilo me prendeu de uma forma muito doida. Comecei a ler mais livros e estudar um pouco mais sobre literatura marginal. E at\u00e9 voltei ao Castro Alves por causa disso. Naquele primeiro momento n\u00e3o era aquilo. A professora n\u00e3o teve a sacada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u201cA gente \u00e9 treinado pra ser m\u00e3o de obra o tempo inteiro, e n\u00e3o para ser o cara que exerce opini\u00e3o. E nem sonha. Voc\u00ea vira m\u00e1quina. A gente conquista outra perspectiva quando come\u00e7a a sonhar. O cara muda quando tem um caminho poss\u00edvel\u201d. Na periferia, afirma, tem um caldeir\u00e3o de gente fervendo para fazer alguma coisa. \u201cMas precisa conduzir essa energia para algum lugar\u201d. Que n\u00e3o seja a boca, a cela, a cova, a estat\u00edstica.<\/p>\n<blockquote><p>O primeiro livro que li inteiro foi <em>Cap\u00e3o pecado<\/em>, de Ferr\u00e9z. \u00c9 um romance do gueto, pega\u00e7\u00e3o, funk, drogas e pol\u00edcia. Comecei a ler mais e estudar sobre literatura marginal. Por causa disso, voltei ao Castro Alves, que a professora de portugu\u00eas indicava na escola, mas que, antes, em outro contexto, parecia fora.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O edif\u00edcio Renegado foi se erguendo. \u201cQuando comecei a cantar <em>rap,<\/em> eu achei que era o Malcom X em pessoa. Eu tinha toda convic\u00e7\u00e3o do mundo que eu ia fazer uma revolu\u00e7\u00e3o, mudar o mundo, meu pa\u00eds. Tinha um grupo de <em>rap<\/em>. Quando a gente ia fazer o show, eu subia no palco, cheio de mim, e falava: \u2018represento minha comunidade\u2019, e n\u00e3o sei o qu\u00ea. E minha comunidade n\u00e3o ia ao show. Antes de eu lan\u00e7ar meu primeiro disco, fiz um show solo, e a Rede Minas transmitiu. Eu lembro que um dia eu estava no ponto de \u00f4nibus, l\u00e1 no Alto, sentado, esperando o bus\u00e3o. E a\u00ed passou uma tiazinha. Ela olhou assim pra mim e p\u00e1: \u2018menino, voc\u00ea estava na televis\u00e3o, cantando <em>rap<\/em>? \u2019 Peguei e falei que era eu mesmo, e ela: \u2018\u00c9 muito legal o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo, precisa de mais gente como voc\u00ea\u2019. Foi a primeira vez que eu me senti representante da minha comunidade. Antes de eu falar que sou refer\u00eancia, as pessoas que v\u00e3o falar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Em 2008, quem falou foi o mundo. Lan\u00e7ou o primeiro disco solo, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=A7mqVfnyc28\"><em>Do Oiapoque a Nova York<\/em><\/a><em>. <\/em>\u201cMudou minha vida, literalmente. Me permitiu conhecer minha cidade, conhecer meu estado, conhecer meu pa\u00eds e conhecer o mundo.\u00a0 Foram 170 shows: Londres, Paris, Nottingham, Holanda, Austr\u00e1lia, Cuba, Venezuela, at\u00e9 chegar a Nova York mesmo\u201d. Dividiu palco no Central Park com Criolo e Bebel Gilberto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ooD5-PjkYo0\"><em>Minha Tribo \u00c9 o Mundo<\/em><\/a>, de 2011, apresentou uma sonoridade mais urbana, trazendo influ\u00eancias de outros ritmos contempor\u00e2neos. Renegado participou de importantes festivais, como o Back2Black e o Rock in Rio, em 2013. Em 2014, lan\u00e7ou o CD e o DVD <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OtDOrae9JZE&amp;list=RDOtDOrae9JZE#t=12\">Suave ao Vivo<\/a>. No ano seguinte, lan\u00e7ou o EP \u201cRelatos de um Conflito Particular\u201d, que aborda os sete pecados capitais, estabelecendo parcerias com Alexandre Carlo, do Natiruts, e Samuel Rosa, do Skank. O mais recente trabalho \u00e9 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5KqYiAgTFHg\">Outono Selvagem<\/a>, que re\u00fane can\u00e7\u00f5es do EP e outras sete faixas in\u00e9ditas, em uma esp\u00e9cie de autorrelato cantado. Renegado tornou-se arranha-c\u00e9u. \u201cO <em>rap<\/em> j\u00e1 contribui muito porque \u00e9 a voz de quem n\u00e3o tem voz. S\u00f3 que hoje sofisticou: <em>live<\/em>, <em>Facebook<\/em>, <em>Youtube<\/em>, a gente mesmo faz, tudo certo. O acesso \u00e0 tecnologia mudou, mas tem que saber o que fazer com tanta informa\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 continuar caminhando. De toda forma, se minha arte j\u00e1 salvou a minha vida t\u00e1 bom, n\u00e9? J\u00e1 sou um preto a menos na <a href=\"http:\/\/infogbucket.s3.amazonaws.com\/arquivos\/2016\/03\/22\/atlas_da_violencia_2016.pdf\">estat\u00edstica<\/a>. J\u00e1 come\u00e7ou bem. Se eu puder salvar mais uns 10 no caminho, j\u00e1 estou feliz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Sonhar, para Renegado, \u00e9 essencial. S\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais importante que acordar para fazer o sonho virar realidade. \u201cO <em>rap <\/em>me ensinou de verdade, foi muito generoso comigo, me permitiu transformar a vida de outras pessoas tamb\u00e9m A gente sabe dessa exclus\u00e3o social que existe, n\u00e9? Dessa linha imagin\u00e1ria que separa o morro do asfalto. Ela \u00e9 uma linha densa. Tem v\u00e1rias coisas em jogo, a\u00ed: a quest\u00e3o social, econ\u00f4mica, cultural, de acesso. E ter acesso \u00e9 o que transforma a vida das pessoas de verdade. Voc\u00ea n\u00e3o sente falta do que voc\u00ea n\u00e3o conhece. A possibilidade de acesso transforma\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">O <em>rap<\/em> j\u00e1 contribui muito porque \u00e9 a voz de quem n\u00e3o tem voz. Hoje sofisticou: <em>live<\/em>, <em>Facebook<\/em>, <em>Youtube<\/em>, a gente mesmo faz, tudo certo. O acesso \u00e0 tecnologia mudou, mas \u00e9 preciso saber o que fazer com tanta informa\u00e7\u00e3o. De toda forma, se minha arte j\u00e1 salvou a minha vida t\u00e1 bom, n\u00e9? J\u00e1 sou um preto a menos na <a href=\"http:\/\/infogbucket.s3.amazonaws.com\/arquivos\/2016\/03\/22\/atlas_da_violencia_2016.pdf\">estat\u00edstica<\/a>. J\u00e1 come\u00e7ou bem. Se eu puder salvar mais uns 10 no caminho, estou feliz.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas estamos em uma sociedade em que a conta n\u00e3o fecha. \u201cAlgu\u00e9m tem que ser explorado pra algu\u00e9m se dar bem. N\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de todo mundo ter acesso \u00e0s mesmas coisas de forma igualit\u00e1ria. Capitalismo n\u00e3o prega isso. Prega que voc\u00ea tem que explorar o outro pra se dar bem. A mis\u00e9ria \u00e9 lucrativa. A morte da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 lucrativa. Isso acontece desde que a gente \u00e9 col\u00f4nia. Desde sempre isso aconteceu no Brasil; essa juventude sendo exterminada nas comunidades. Em 500 anos, a gente viveu 400 praticamente com o povo sendo escravizado. N\u00e3o teve nenhum programa de repara\u00e7\u00e3o de danos pra popula\u00e7\u00e3o negra. A \u00fanica medida que se teve at\u00e9 hoje pra poder reparar esses danos causados foi a cota, que eu considero uma medida-merda, de verdade. Mas \u00e9 a \u00fanica medida que se tem. Se eu acho que \u00e9 uma medida avan\u00e7ada para poder retribui os danos causados a popula\u00e7\u00e3o negra? N\u00e3o. Est\u00e1 longe de ser. N\u00f3s somos 55 % da popula\u00e7\u00e3o e estamos discutindo cota de 20%, n\u00e3o \u00e9 nem meio a meio. Estamos discutindo 20%. E 20% de cota no Brasil mudou e estrutura do pa\u00eds completamente. Eles est\u00e3o desorientados por que n\u00e3o aguentam ver preto e pobre alcan\u00e7ando acesso informa\u00e7\u00e3o. Isso desestrutura o pais porque eles acham que preto e pobre tem que estar na senzala at\u00e9 hoje. S\u00f3 que a gente est\u00e1 a\u00ed, n\u00e9?<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Algu\u00e9m tem que ser explorado pra algu\u00e9m se dar bem. N\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de todo mundo ter acesso \u00e0s mesmas coisas de forma igualit\u00e1ria. Capitalismo n\u00e3o prega isso. Prega que voc\u00ea tem que explorar o outro pra se dar bem. A mis\u00e9ria \u00e9 lucrativa. A morte da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 lucrativa. Isso acontece desde que a gente \u00e9 col\u00f4nia. Desde sempre isso aconteceu no Brasil; essa juventude sendo exterminada nas comunidades.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Apesar de ser arranha-c\u00e9u, Renegado sonha com os p\u00e9s no ch\u00e3o. Reconhece avan\u00e7os, celebra vit\u00f3rias, aponta para t\u00edmidos, mas significativos, processos de inclus\u00e3o. Mas a luta permanece. \u201cA gente est\u00e1 em tempos de guerra. E vai ficar pior, muito pior A gente est\u00e1 vendo a quest\u00e3o da recess\u00e3o chegando, e esse governo golpista a\u00ed est\u00e1 suprimindo tudo que a gente teve acesso nos \u00faltimos tempos. E todo mundo est\u00e1 achando que vai passar batido. Mas est\u00e1 deixando passar batido porque est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel, ainda. O que aconteceu: uma popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o acessava dinheiro come\u00e7ou a acessar, come\u00e7ou a ter condi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que agora, com essas medidas que est\u00e3o sendo feitas, a popula\u00e7\u00e3o vai voltar a viver em recess\u00e3o. Vai descer mais. E quando a periferia desce mais, come\u00e7a a passar fome. E quando a favela passa fome, o asfalto sangra. Sequestro rel\u00e2mpago, assalto, mais pivete no centro da cidade. S\u00e3o reflexos do que vamos enfrentar daqui para frente. A pol\u00edcia j\u00e1 est\u00e1 mais na rua com a\u00e7\u00e3o repressiva, j\u00e1 est\u00e1 chegando na comunidade. Na moral, se est\u00e1 ruim, vai ficar pior. Espero que eu esteja errado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Eu acho muito importante trazer essa consci\u00eancia negra para a faculdade. \u00c0s vezes falta isso. \u00c9 um espa\u00e7o elitizado, n\u00e3o adianta fechar os olhos e fingir que n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. Eu estudei numa escola p\u00fablica ao lado de uma favela, s\u00f3 quem vive isso sabe como \u00e9 a realidade. Trazer essa realidade aqui, para que as pessoas n\u00e3o precisem viver isso para enxergar, \u00e9 muito importante. A gente sabe que o racismo no Brasil ainda \u00e9 uma coisa gritante. Ent\u00e3o, para mim, s\u00f3 o fato de voc\u00ea estar aqui, j\u00e1 me d\u00e1 vontade de chorar. \u00c9 a quest\u00e3o da representatividade. A gente precisa ver mais pessoas negras nos lugares. E vai ter preto na faculdade sim, querendo ou n\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><em>Stephanie Reis, estudante de jornalismo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">ASSISTA TAMB\u00c9M:<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"700\" height=\"394\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NTVIoshqQuI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Juliana Gusman\u00a0<\/strong>\u00e9 graduanda do curso de jornalismo da PUC Minas. \u00c9 membro do grupo de pesquisa M\u00eddia e Narrativa e monitora do Centro de Cr\u00edtica da M\u00eddia<\/p>\n<p style=\"text-align:left;\">\n<p style=\"text-align:left;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Juliana Gusman. Fl\u00e1vio de Abreu Louren\u00e7o \u00e9 o segundo dos tr\u00eas filhos de Dona Regina, nascido no Alto Vera Cruz, bairro popular situado na regi\u00e3o Leste da capital mineira. Foi rebatizado Renegado na rua. 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