{"id":291,"date":"2016-08-20T01:49:14","date_gmt":"2016-08-20T01:49:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www1.fca.pucminas.br\/ccm\/?page_id=291"},"modified":"2016-08-20T01:49:14","modified_gmt":"2016-08-20T01:49:14","slug":"nao-e-so-uma-piada-talk-show-e-o-cinismo-na-tv-aberta","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/nao-e-so-uma-piada-talk-show-e-o-cinismo-na-tv-aberta\/","title":{"rendered":"N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma piada: talk show e o cinismo na TV aberta"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Julia Lery<\/strong><\/p>\n<p><em>Falei como um palha\u00e7o, mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria.<\/em><\/p>\n<p><em>Charles Chaplin<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Talvez uma boa meton\u00edmia da maneira como os discursos e engajamentos do <em>talk show<\/em> se colocam frente ao espectador seja um jogo de improviso proposto por Rafinha Bastos a Greg\u00f3rio Duvivier, no programa <em>Agora \u00e9 Tarde<\/em><a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[1]<\/a>. O apresentador explica as regras: seria uma competi\u00e7\u00e3o entre Marco Gon\u00e7alves e Greg\u00f3rio Duvivier. Rafinha determina um tema e cada improvisador precisa fazer um discurso se posicionando de maneira favor\u00e1vel a esse tema. Quando Rafinha tocar uma campainha, o improvisador deve mudar de posicionamento e falar contra aquele tema. Quando a campainha soar novamente, o participante volta a defender o posicionamento inicial. \u201cAt\u00e9 o c\u00e9rebro fundir\u201d, diz Marco Gon\u00e7alves. \u201cAt\u00e9 voc\u00ea ter um derrame cerebral\u201d, concorda Rafinha Bastos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Depois de Marco Gon\u00e7alves discutir sobre calcinhas, Greg\u00f3rio Duvivier recebe o tema nariz. A transcri\u00e7\u00e3o do momento vem a seguir: Duvivier diz que \u201co nariz do Rafinha&#8230; [Rafinha protesta, dizendo \u2018ai!\u2019] \u00e9 o nariz mais bonito que eu j\u00e1 vi, ele \u00e9 aquilino, ele \u00e9&#8230;\u201d [Rafinha toca a campainha.] \u201cHorroroso, ele \u00e9 um nariz disforme, ele \u00e9 um nariz que mostra na verdade o car\u00e1ter p\u00e9ssimo que ele tem, ele tem&#8230;\u201d [Rafinha, encenando ter sido desagradado, diz \u201cN\u00e3o, pelo amor de Deus!\u201d e toca novamente a campainha] \u201cuma beleza de um ser humano, de um humorista talentos\u00edssimo, nascido no&#8230;\u201d [campainha] \u201cRio Grande do Sul, ou seja, horroroso, porque \u00e9 um estado separatista que quer sair do Brasil\u201d [campainha] \u201capesar de ser a coisa mais bonita que eu j\u00e1 vi na minha vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Quando analisada em falas sobre calcinhas e o nariz de Rafinha Bastos, a duplicidade de engajamentos pode parecer inofensiva no discurso proferido pelos <em>talk shows<\/em>. Mas a blindagem ideol\u00f3gica promovida pelo jogo, pela ironia e pelos engajamentos contradit\u00f3rios presentes nesses programas passa por temas muito maiores. Ela permite, por exemplo, que Rafinha Bastos alterne posturas, ao entrevistar Larissa Riquelme, a \u201cmusa das Copas do Mundo\u201d, que variam entre interesse jornal\u00edstico e ass\u00e9dio sexual<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[2]<\/a>. Que ao entrevistar o deputado Jair Bolsonaro, Rafinha possa se dizer defensor da liberdade dos homossexuais e, no momento seguinte, fazer uma piada homof\u00f3bica com os integrantes da banda<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[3]<\/a>. Que Danilo Gentili, apresentador do concorrente <em>The Noite<\/em>, possa encenar um linchamento, diminuindo, de maneira \u201chumor\u00edstica\u201d e sat\u00edrica, a gravidade do ocorrido, para que Rachel Sheherazade, entrevistada e colega de emissora, se justifique, rindo, pelo posicionamento favor\u00e1vel a justiceiros que expressou no telejornal que apresentava<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[4]<\/a>. Ou ainda que Gentili possa, em um mon\u00f3logo em que fala sobre o aumento do \u00edndice de desemprego <em>para <\/em>8%, passar a informa\u00e7\u00e3o errada, de que o \u00edndice havia subido <em>mais<\/em> 8%, e ainda assim continuar a piada sem ser questionado<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[5]<\/a>, afinal, tudo aquilo n\u00e3o passa de um jogo e, apesar de tratar de informa\u00e7\u00f5es do mundo real, o <em>talk show<\/em> n\u00e3o assume compromissos para com esse mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0As formas humor\u00edsticas atrav\u00e9s das quais os <em>talk shows<\/em> se sustentam e expressam seus posicionamentos s\u00e3o as mais variadas. O uso humor\u00edstico da ironia \u00e9 comum, bem como do sarcasmo, mas tamb\u00e9m se fazem presentes um tipo de humor buf\u00e3o e s\u00e1tiras de derris\u00e3o expl\u00edcita, baseadas na simples ridiculariza\u00e7\u00e3o. Essa heterogeneidade se v\u00ea tanto em diversos momentos de um mesmo programa quanto quando contrastamos programas diversos. O estilo de Rafinha Bastos, apresentador de <em>Agora \u00e9 Tarde<\/em>, tende a ser mais ir\u00f4nico e perspicaz, e o de Danilo Gentili, em <em>The Noite<\/em>, mais buf\u00e3o e sat\u00edrico. Mas mesmo nos momentos em que os programas n\u00e3o fazem uso de um humor baseado em ironias c\u00f4micas, mas em s\u00e1tiras de derris\u00e3o expl\u00edcita, eles adotam uma postura ir\u00f4nica quando se colocam perante o p\u00fablico. Tudo o que \u00e9 afirmado ali \u00e9, quando conveniente, relativizado, por se tratar de um espa\u00e7o onde as regras do entretenimento podem prevalecer sobre uma responsabilidade para com o real.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A media\u00e7\u00e3o estabelecida por esse tipo de entretenimento televisivo \u00e9 entendida, conforme apontado por Silverstone (2002), como um jogo, comprometido apenas com regras pr\u00f3prias. O espectador, na rela\u00e7\u00e3o que estabelece com aquele conte\u00fado, busca o cumprimento de algumas regras, que passam pelo entretenimento e pelo humor. Ele n\u00e3o busca, portanto, o compromisso do programa para com uma realidade extratelevisiva, mas apenas o cumprimento das promessas de show e riso. Cria-se, assim, uma rela\u00e7\u00e3o de cumplicidade entre espectador e programa, gerando ainda um problema de representa\u00e7\u00e3o da alteridade e uma perda do senso de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o ao outro e ao mundo que nos cerca. \u00c9 esse modo ir\u00f4nico de se colocar do <em>talk show<\/em>, que se declara \u201capenas um jogo\u201d que permite a conviv\u00eancia entre um engajamento com not\u00edcias do dia e, ao mesmo tempo, com piadas que distorcem propositalmente fatos desse real noticioso; entre um discurso de defesa do interesse p\u00fablico e, ao mesmo tempo, piadas que t\u00eam minorias como alvos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A an\u00e1lise dos <em>talk shows The Noite<\/em> e <em>Agora \u00e9 Tarde<\/em> est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a afirma\u00e7\u00e3o de Vladmir Safatle (2008) de que a televis\u00e3o contempor\u00e2nea leva at\u00e9 seu p\u00fablico um conte\u00fado <em>previamente ironizado<\/em>, ou seja, que est\u00e1 em constante autonega\u00e7\u00e3o. Esta autonega\u00e7\u00e3o seria uma resposta ao distanciamento que o pr\u00f3prio espectador estabelece do conte\u00fado midi\u00e1tico. Ele \u00e9 capaz de se entreter com um programa televisivo, e at\u00e9 mesmo aceitar seu conte\u00fado pol\u00edtico, mas \u00e9 uma cren\u00e7a ir\u00f4nica, distante, que o autor chama de \u201ccren\u00e7a desprovida de cren\u00e7a\u201d. Em outras palavras, \u00e9 atrav\u00e9s da ironia e da autonega\u00e7\u00e3o que a sociedade contempor\u00e2nea perpetua suas rela\u00e7\u00f5es de poder. Essa rela\u00e7\u00e3o nos leva a pensar em uma dificuldade ou, como chega a afirmar o autor, na fal\u00eancia dos modelos de cr\u00edtica em uma sociedade em que cinismo e ironia s\u00e3o generalizados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Longe da concep\u00e7\u00e3o usualmente conhecida, o cinismo tratado por Safatle n\u00e3o passa por um problema de ordem moral, e n\u00e3o \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o proposital de discursos para a justifica\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o. O cinismo configura uma estrutura de racionalidade t\u00edpica das sociedades e dos tempos de crise de legitima\u00e7\u00e3o, e supre a necessidade gerada pela aus\u00eancia de substancialidade normativa da vida social. \u00c9, portanto, um regime racional contradit\u00f3rio, que se sustenta <em>a partir<\/em> e <em>apesar<\/em> de seus paradoxos.O fundamento do cinismo \u00e9 o de que uma contradi\u00e7\u00e3o posta \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o resolvida. \u00c9 uma discord\u00e2ncia validada, na qual pr\u00e1xis e cren\u00e7as apontam para lados opostos, mas continuam a sustentar uma ideologia dominante e legitimada, baseada na repeti\u00e7\u00e3o de rituais materiais, que n\u00e3o exigem uma cren\u00e7a ou uma entrega total, apenas uma cren\u00e7a c\u00ednica que permita sua repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Os <em>talk shows The Noite<\/em> e <em>Agora \u00e9 Tarde<\/em> podem ser entendidos, ent\u00e3o, como produtos c\u00ednicos, o que se tornam quando assumem posturas contradit\u00f3rias perante o p\u00fablico: eles podem, em dados momentos, tomar para si a defesa do interesse p\u00fablico e da democratiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o midi\u00e1tico como pautas \u2013 e isso pode ser exemplificado em momentos nos quais os apresentadores questionam personalidades pol\u00edticas e mostram posicionamento enf\u00e1tico. Em outros momentos, os <em>talk shows <\/em>t\u00eam a liberdade de apresentar conte\u00fados que nada t\u00eam a ver com a informa\u00e7\u00e3o, e ainda menos com a defesa do interesse p\u00fablico: suas piadas podem ser excludentes, e seu humor repleto de entretenimento ideol\u00f3gico que se coloca de forma <em>politicamente incorreta<\/em>, ofensiva e at\u00e9 reacion\u00e1ria. Esses dois posicionamentos, embora pare\u00e7am contr\u00e1rios, s\u00e3o complementares na l\u00f3gica c\u00ednica do programa. O hibridismo entre entretenimento e informa\u00e7\u00e3o \u00e9 feito de modo a se sustentar na ideia de que os discursos que apontam para lados opostos podem ser aceitos como complementares, e n\u00e3o como uma simples contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O uso indiscriminado da ironia est\u00e1 intimamente ligado ao exerc\u00edcio do poder na sociedade c\u00ednica. A ironia, usada neste contexto, funciona como uma maneira de perpetuar valores e, ao mesmo tempo, apontar para sua inadequa\u00e7\u00e3o, criando os enunciados aparentemente contradit\u00f3rios que, por sua impot\u00eancia, esvaziam as cr\u00edticas e d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 hegem\u00f4nico na contemporaneidade. Ou, com as palavras de Georges Minois (2003, p. 593), \u201ca zombaria pol\u00edtica generalizada, longe de desembocar na subvers\u00e3o, acaba contribuindo para banalizar as pr\u00e1ticas de den\u00fancia\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Se a ironia j\u00e1 foi tida como subversiva e contr\u00e1ria ao poder por sua insol\u00eancia, hoje \u00e9 poss\u00edvel compreend\u00ea-la como um sintoma do esvaziamento da cr\u00edtica ideol\u00f3gica. Esse recurso de linguagem, que consiste em dizer algo de forma a ativar uma s\u00e9rie de interpreta\u00e7\u00f5es subjetivas (sem invalidar nenhum de seus significados, mas apenas sobrepondo-os, mesmo que pare\u00e7am contradit\u00f3rios) funciona, ainda, como uma maneira de eximir o falante de responsabilidade pelo que diz. Para Linda Hutcheon (1994), a ironia pode ser usada para dar o <em>benef\u00edcio da d\u00favida <\/em>a qualquer texto. Isso significa que, por n\u00e3o haver um meio de se julgar o que o autor realmente quis dizer (se \u00e9 que o autor realmente quis dizer alguma coisa, e n\u00e3o apenas deixar o texto em aberto e atribuir a responsabilidade ao leitor), torna-se imposs\u00edvel responsabiliz\u00e1-lo pelo que diz. Por outro lado, a reivindica\u00e7\u00e3o da ironia tamb\u00e9m pode ser usada para reduzir o estranhamento e os pontos que discordamos de um texto. Para isso, basta que chamemos esses discursos de ir\u00f4nicos, assim, fazemos com que confirmem, e n\u00e3o refutem nossas expectativas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Com o esvaziamento da cr\u00edtica ideol\u00f3gica, a cumplicidade do p\u00fablico e a dificuldade de se responsabilizar o indiv\u00edduo pelo discurso que reivindica sob o r\u00f3tulo da ironia e brincadeira, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil compreender as cenas que se passam na televis\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 surpresa que Danilo Gentili satirize Juliana Oliveira, sua assistente de palco, uma mulher negra e gorda, fora dos padr\u00f5es midi\u00e1ticos de beleza. Surpreende menos ainda que ele conte com o riso e o aplauso do p\u00fablico, sob o argumento de que aquilo \u00e9 \u201cs\u00f3 uma piada\u201d. N\u00e3o parece ofensivo criticar o cabelo afro ou a forma f\u00edsica da mulher, afinal, aquele n\u00e3o \u00e9 o lugar para se pensar em opress\u00f5es estruturais \u2013 apenas no show e na brincadeira. As inadequa\u00e7\u00f5es do discurso j\u00e1 aparecem, assim, redimidas pelo lugar de proferimento.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a>RAFINHA BASTOS ENTREVISTA GREG\u00d3RIO DUVIVIER. <strong>Agora \u00e9 Tarde.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Band, 24 de dezembro de 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[2]<\/a>RAFINHA BASTOS ENTREVISTA LARISSA RIQUELME. Agora \u00e9 Tarde. S\u00e3o Paulo: Band, 04 de julho de 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[3]<\/a>RAFINHA BASTOS ENTREVISTA JAIR BOLSONARO. <strong>Agora \u00e9 Tarde.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Band, 8 de abril de 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[4]<\/a>DANILO GENTILI ENTREVISTA RACHEL SHEHERAZADE. <strong>The Noite.<\/strong> S\u00e3o Paulo, SBT, 12 de mar\u00e7o de 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[5]<\/a>DANILO GENTILI ENTREVISTA FERNANDA COLOMBO. <strong>The Noite.<\/strong> S\u00e3o Paulo, SBT, 06 de junho de 2014.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-300\" src=\"http:\/\/www1.fca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/the-noite.png\" alt=\"the-noite.png\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/the-noite.png 1280w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/the-noite-300x169.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/the-noite-768x432.png 768w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/the-noite-1024x576.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p><strong>Julia Lery \u00a0<\/strong>\u00e9 Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o Social na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais. Possui gradua\u00e7\u00e3o em Jornalismo pela mesma institui\u00e7\u00e3o (2012). Tem experi\u00eancia na \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o com \u00eanfase em Jornalismo e produ\u00e7\u00f5es audiovisuais<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>HUTCHEON, Linda. <strong>Teoria e pol\u00edtica da ironia<\/strong><em>.<\/em> Belo Horizonte: Editora UFMG, 1994.<\/p>\n<p>MINOIS, Georges. <strong>Hist\u00f3ria do riso e do esc\u00e1rnio<\/strong><em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Editora UNESP, 2003. p. 593.<\/p>\n<p>SAFATLE, Vladimir. <strong>Cinismo e fal\u00eancia da cr\u00edtica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2008.<\/p>\n<p>SILVERSTONE, Roger. <strong>Complicity and Collusion in the Mediation of Everyday Life<\/strong><em>. <\/em>New Literary History, Fall 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Julia Lery Falei como um palha\u00e7o, mas jamais duvidei da sinceridade da plateia que sorria. Charles Chaplin Talvez uma boa meton\u00edmia da maneira como os discursos e engajamentos do talk show se colocam frente ao espectador seja um jogo de improviso proposto por Rafinha Bastos a Greg\u00f3rio Duvivier, no programa Agora \u00e9 Tarde[1]. 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Charles Chaplin Talvez uma boa meton\u00edmia da maneira como os discursos e engajamentos do talk show se colocam frente ao espectador seja um jogo de improviso proposto por Rafinha Bastos a Greg\u00f3rio Duvivier, no programa Agora \u00e9 Tarde[1]. 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