{"id":166,"date":"2016-07-04T20:04:25","date_gmt":"2016-07-04T20:04:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www1.fca.pucminas.br\/ccm\/?page_id=166"},"modified":"2016-07-04T20:04:25","modified_gmt":"2016-07-04T20:04:25","slug":"a-sobrevivencia-do-broadcast-tv-aberta-democracia-e-cultura-no-brasil","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/a-sobrevivencia-do-broadcast-tv-aberta-democracia-e-cultura-no-brasil\/","title":{"rendered":"A sobreviv\u00eancia do broadcast: TV aberta, democracia  e cultura no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Felipe Muanis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A televis\u00e3o aberta tem sofrido ao longo dos anos com a concorr\u00eancia das mais variadas formas e m\u00eddias, que a obrigam a se reinventar e tecer estrat\u00e9gias de autoafirma\u00e7\u00e3o tanto no campo dos neg\u00f3cios como do imagin\u00e1rio, demonstrando a necessidade de validar sua import\u00e2ncia diante do p\u00fablico e da cr\u00edtica. O importante papel generalista do <em>broadcast<\/em>, ainda incompreendido por muitos,\u00a0 faz com que o sistema goze de vitalidade, a despeito da prolifera\u00e7\u00e3o de discursos que atestam sua decad\u00eancia ou mesmo extin\u00e7\u00e3o. Mas seriam acertadas essas previs\u00f5es sobre seu fim?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Apesar de ser dif\u00edcil falar de uma televis\u00e3o <em>broadcast<\/em> como algo \u00fanico, j\u00e1 que existem in\u00fameras televisiografias, em lugares distintos, que atestam singularidades das emissoras, \u00e9 poss\u00edvel esbo\u00e7ar aqui algumas perspectivas tanto em um sentido mais amplo como em estrat\u00e9gias locais, especialmente no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O primeiro aspecto a ser considerado nessa discuss\u00e3o \u00e9 a necessidade metodol\u00f3gica de sempre levar em considera\u00e7\u00e3o os distintos espectros da TV p\u00fablica e da TV comercial, na medida em que agregam organiza\u00e7\u00f5es, objetivos e resultados distintos. S\u00e3o estrat\u00e9gias inaugurais e opostas de <em>broadcast<\/em>, adotadas em diversos pa\u00edses que asseguraram, assim, distintos modelos e trajet\u00f3rias televisivas. Ainda que existam pa\u00edses que iniciaram suas transmiss\u00f5es de televis\u00e3o atrav\u00e9s de canais p\u00fablicos \u2013 como na Europa \u2013 e que tenham paulatinamente aberto o mercado ao longo do tempo para canais privados tanto de <em>broadcast<\/em> quanto de <em>narrowcast<\/em>, a inaugura\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o como um servi\u00e7o p\u00fablico ou privado criou toda uma l\u00f3gica de rela\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o com seus espectadores que, a partir dessa experi\u00eancia, desenvolveram percep\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do que \u00e9 televis\u00e3o. Desse modo, pode-se constatar um entendimento distinto de televis\u00e3o em pa\u00edses europeus e em um pa\u00eds como Brasil, por exemplo. Enquanto na Europa h\u00e1 uma no\u00e7\u00e3o do protagonismo de uma TV p\u00fablica, que vem perdendo for\u00e7a para uma TV privada, mas que gera uma percep\u00e7\u00e3o de complementaridade entre os servi\u00e7os, no Brasil, a TV p\u00fablica \u00e9 uma experi\u00eancia sempre incompleta e h\u00edbrida. Ela \u00e9 entendida equivocada ou oportunamente pelos seus gestores pol\u00edticos e cr\u00edticos apenas como um modelo de TV estatal. O problema \u00e9 a quem interessaria uma TV realmente p\u00fablica e aberta no Brasil? Algo para ser aprofundado, posteriormente, em outro estudo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Esse \u00e9 um dos pontos que sugerem a grande dificuldade de uma democratiza\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es no Brasil, visando especialmente a televis\u00e3o aberta. \u00c9 preciso vencer a percep\u00e7\u00e3o, difundida de maneira irrespons\u00e1vel, que uma TV p\u00fablica \u00e9 desnecess\u00e1ria e que qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o na TV aberta representa retrocesso e censura. A origem desse discurso est\u00e1 na pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o que o grande p\u00fablico tem da televis\u00e3o, insuflado por notici\u00e1rios um tanto criminosos e corporativistas que se apressam em atacar e desmobilizar qualquer a\u00e7\u00e3o que pretenda, de fato, tornar a televis\u00e3o mais democr\u00e1tica. Mas essa percep\u00e7\u00e3o vem da g\u00eanese de nossa televis\u00e3o. O fato de ter nascido aberta e privada no Brasil, ter alcan\u00e7ado sucesso e ganhado a ades\u00e3o popular e relev\u00e2ncia cultural para o pa\u00eds durante esse tempo, em que pese as frequentes cr\u00edticas sobre ela vindas de analistas, acad\u00eamicos, intelectuais e pol\u00edticos dos mais variados espectros, fez com que a nossa televis\u00e3o seja entendida essencialmente n\u00e3o como <em>um modelo<\/em>, mas como <em>o modelo<\/em>. Dessa maneira, a complementaridade seria desnecess\u00e1ria e a demanda por ela, a ser assegurada por lei (lembrando que a que vigora hoje no Brasil data de 1962, portanto antes mesmo do surgimento da TV em cores) \u00e9 facilmente entendida como uma interven\u00e7\u00e3o inoportuna \u2013 quando n\u00e3o como autorit\u00e1ria.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 preciso vencer a percep\u00e7\u00e3o, difundida de maneira irrespons\u00e1vel no Brasil, de que uma TV p\u00fablica \u00e9 desnecess\u00e1ria e de que qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o na TV aberta representa retrocesso e censura.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, o primeiro passo para o fortalecimento da TV aberta \u00e9 garantir essa complementaridade, democratiz\u00e1-la, tornando seu espa\u00e7o gratuito em uma importante arena de discursos plurais e de diversas origens, contextos, t\u00e9cnicas e po\u00e9ticas. Se a ess\u00eancia do <em>broadcast<\/em> \u00e9 o <em>grande p\u00fablico<\/em>, como observa Dominique Wolton, ainda que este p\u00fablico seja uma proje\u00e7\u00e3o, a TV aberta tem que absorver essa variedade e cumprir o seu papel com a participa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o independente na constru\u00e7\u00e3o e veicula\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios<\/p>\n<blockquote><p>Se a ess\u00eancia do <em>broadcast<\/em> \u00e9 o <em>grande p\u00fablico<\/em>, como observa Dominique Wolton, ainda que este p\u00fablico seja uma proje\u00e7\u00e3o, a TV aberta tem que absorver essa variedade e cumprir o seu papel com a participa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o independente na constru\u00e7\u00e3o e veicula\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rios.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ao mesmo tempo, uma TV aberta que cumpra esse papel, seja ela p\u00fablica ou privada, n\u00e3o pode se limitar \u00e0s tradicionais assimetrias nos vetores de produ\u00e7\u00e3o de discursos. O que se observa historicamente na televis\u00e3o brasileira n\u00e3o \u00e9 nada muito diferente do que se reclama ainda hoje em rela\u00e7\u00e3o ao desequil\u00edbrio que h\u00e1 na importa\u00e7\u00e3o de conte\u00fados audiovisuais majoritariamente provenientes dos Estados Unidos, ocupando telas e programa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas diminuindo o espa\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o local, mas impedindo que programas feitos aqui ganhem o mercado externo, como j\u00e1 sinalizara o Relat\u00f3rio MacBride em 1980. Ou seja, h\u00e1 uma centralidade da produ\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o sudeste do Brasil e na distribui\u00e7\u00e3o desses conte\u00fados para o resto do pa\u00eds, enquanto as outras regi\u00f5es produzem pouco porque s\u00e3o prioritariamente afiliadas das grandes emissoras e tampouco oferecem produ\u00e7\u00f5es locais competitivas que tenham a possibilidade de ganhar espectro nacional atrav\u00e9s das cabe\u00e7as de rede das grandes emissoras nacionais. Estas poderiam transmitir nacionalmente tamb\u00e9m produ\u00e7\u00f5es locais, pluralizando mais uma vez os discursos e desenvolvendo a ind\u00fastria televisiva brasileira. Tal estrat\u00e9gia \u00e9 danosa tanto para o p\u00fablico, que tem uma percep\u00e7\u00e3o do pa\u00eds muito centrada no que os autores de televis\u00e3o do sudeste urbano priorizam, quanto para a atividade econ\u00f4mica da televis\u00e3o, que se enfraquece no interior, gerando menos programas, consequentemente menos empregos. Sem demanda, pouco se oferece em forma\u00e7\u00e3o por meio de cursos profissionalizantes para esse fim e em universidades com cursos de comunica\u00e7\u00e3o e pesquisa em televis\u00e3o.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">Existe uma centralidade na regi\u00e3o sudeste do Brasil, que distribui seus conte\u00fados para o resto do pa\u00eds, enquanto as outras regi\u00f5es produzem pouco porque s\u00e3o, prioritariamente, afiliadas das grandes emissoras. Tal estrat\u00e9gia \u00e9 danosa tanto para o p\u00fablico, que tem uma percep\u00e7\u00e3o do pa\u00eds muito centrada no que os autores de televis\u00e3o do sudeste urbano privilegiam, quanto para a atividade econ\u00f4mica da televis\u00e3o, que se enfraquece no interior.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align:justify;\">E tampouco a TV p\u00fablica deve repetir essas estrat\u00e9gias assim\u00e9tricas, devendo obrigatoriamente se constituir a partir de um modelo de m\u00faltiplos vetores discursivos que sejam distribu\u00eddos nacionalmente. No Brasil, essa ainda \u00e9 uma experi\u00eancia t\u00edmida para uma televis\u00e3o que, sendo p\u00fablica, deveria repensar e n\u00e3o simplesmente reproduzir o mesmo modelo dos canais abertos comerciais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Deve-se lembrar, contudo, que \u00e9 ineg\u00e1vel uma particularidade muito positiva da televis\u00e3o aberta brasileira. Ao contr\u00e1rio de muitos pa\u00edses em que o hor\u00e1rio nobre \u00e9 preenchido justamente por filmes dos Estados Unidos ou formatos de <em>reality shows<\/em> europeus e norte-americanos, deixando pouco espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o local, o Brasil ocupa boa parte desse tempo com produ\u00e7\u00f5es nacionais, as telenovelas, que se asseguraram como uma forte express\u00e3o cultural brasileira e que se tornou a refer\u00eancia de modelo a ser seguido por emissoras que perseguem a l\u00edder no pa\u00eds. Ainda que haja muitas cr\u00edticas sobre as telenovelas e suas formas de representa\u00e7\u00e3o da diversidade de g\u00eanero e dos estratos sociais brasileiros, entre outras (o que poderia ser corrigido com a variedade de discursos e fortalecimento de produ\u00e7\u00f5es locais), elas s\u00e3o importantes como uma bem-sucedida reserva de mercado de produto brasileiro nas telas. Mas para considerarmos que a televis\u00e3o brasileira mostra o seu povo na tela, tal como afirma, ela n\u00e3o pode se restringir a apenas um produtor, um canal, um discurso, \u00e9 necess\u00e1rio que se d\u00ea um passo adiante na ocupa\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os com produ\u00e7\u00f5es nacionais. Se <em>a gente se v\u00ea por aqui<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/em>, \u00e9 importante que o grande p\u00fablico veja mais do que apenas a pr\u00f3pria emissora de televis\u00e3o que veicula sua vis\u00e3o de mundo particular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A competi\u00e7\u00e3o e o medo de perder territ\u00f3rio junto \u00e0 audi\u00eancia trazem historicamente benef\u00edcios para a TV aberta brasileira. No fim da d\u00e9cada de 1970, antes de sua crise e de entrar em decad\u00eancia, a extinta Embrafilme percebeu a import\u00e2ncia de ampliar a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado nacional para a esfera eletr\u00f4nica e criou um programa de pilotos para s\u00e9ries de televis\u00e3o que, de acordo com o professor Tunico Am\u00e2ncio, n\u00e3o colheu os frutos esperados. A TV Globo respondeu, \u00e0 \u00e9poca, com as s\u00e9ries brasileiras: <em>Aplauso<\/em>, <em>Plant\u00e3o de Pol\u00edcia<\/em>, <em>Carga Pesada<\/em> e <em>Malu Mulher<\/em>, programas de ineg\u00e1vel qualidade e atualidade social, que ainda hoje se mant\u00eam relevantes e se destacam na televisiografia brasileira. Mais recentemente, com a lei de obrigatoriedade de conte\u00fado nacional nos canais de <em>narrowcast<\/em> brasileiros, novos programas televisivos de qualidade foram produzidos por produtoras independentes e exibidos pelos canais de assinatura, dialogando com uma po\u00e9tica e um texto mais \u00e1geis que o das habituais telenovelas. Feito por uma nova gera\u00e7\u00e3o de autores televisivos, essas s\u00e9ries dialogam com o ritmo de s\u00e9ries estrangeiras e com a televisualidade tribut\u00e1ria do cinema, resultando em produtos considerados diferenciados na televis\u00e3o. N\u00e3o por coincid\u00eancia, a TV Globo reinaugurou, pela mesma \u00e9poca, a faixa de hor\u00e1rio de miniss\u00e9ries \u00e0s 23 horas, em que tem\u00e1ticas e abordagens mais sens\u00edveis recebem tratamento cinematogr\u00e1fico da imagem, com bons resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ainda \u00e9 pouco. Esses produtos inovadores surgem na esteira de amea\u00e7as externas que p\u00f5em em risco o modelo de neg\u00f3cios de uma TV aberta, mas, no fundo, excludente. O mesmo acontece no telejornalismo, quando a maior interfer\u00eancia aos discursos nos programas de telejornais v\u00eam, n\u00e3o de dentro, mas de fora, da internet. Esta se torna uma esp\u00e9cie de \u00e1gora virtual onde as mais distintas vers\u00f5es e discursos proliferam, for\u00e7ando tamb\u00e9m uma resposta do telejornalismo das emissoras abertas tradicionais. Se, durante muito tempo, fechar-se em seus discursos era uma caracter\u00edstica da TV aberta no Brasil, cada vez mais se observa a cobran\u00e7a para que haja abertura de fato, por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, sob pena de perder a competitividade e credibilidade. Sua abertura deixa de se limitar a uma figura ret\u00f3rica e se confirma como uma necessidade e inevitabilidade pela cada vez maior permeabilidade de discursos e concorr\u00eancia com outros meios, como a televis\u00e3o <em>stricto sensu<\/em> \u2013 o cabo e o <em>narrowcast<\/em> \u2013 \u00a0e o que podemos chamar de uma <em>televis\u00e3o expandida<\/em> \u2013 o VOD e mesmo algumas plataformas de v\u00eddeo e programa\u00e7\u00e3o na internet.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A televis\u00e3o no Brasil necessita de fato se abrir, principalmente por uma quest\u00e3o \u00e9tica, mas tamb\u00e9m por sobreviv\u00eancia e relev\u00e2ncia. Sua capacidade generalista cumpre um papel ainda essencial na sociedade, pela sua capacidade de mover os discursos terci\u00e1rios, os coment\u00e1rios, as not\u00edcias, o boca a boca, conforme afirmou John Fiske, possibilitando uma esfera p\u00fablica eletr\u00f4nica. Esta, por assim dizer, ainda potencializada pela intensidade da internet, das redes sociais e o crescente h\u00e1bito de se ver televis\u00e3o sob uma nova espectatorialidade: a de uma segunda tela complementar em que o espectador comenta, com um grande n\u00famero de pessoas, muitas vezes desconhecidas, o que acontece no ato da transmiss\u00e3o. A enorme potencialidade da TV aberta deixa claro o seu grande diferencial que garantir\u00e1 a sua sobreviv\u00eancia. \u00c9 a partir de uma inclus\u00e3o cada vez mais democr\u00e1tica em sua programa\u00e7\u00e3o, de discursos, autores e regi\u00f5es produtoras, que a TV aberta privada e p\u00fablica, especialmente no Brasil, pode dar o seu grande passo rumo \u00e0\u00a0renova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">As discuss\u00f5es pautadas na s\u00e9rie <em>Malu Mulher<\/em> sobre a condi\u00e7\u00e3o da mulher dos anos 1980 \u00a0(divorciada, que criava filhos sozinha, v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica e dona do seu pr\u00f3prio corpo e que problematizava quest\u00f5es como o aborto) continuam atuais na sociedade. Infelizmente, apesar de tantos avan\u00e7os dentro e fora da tela, mais de 30 anos depois,\u00a0<em>Malu Mulher<\/em> continua uma s\u00e9rie revolucion\u00e1ria e, talvez, imposs\u00edvel de ser produzida nos dias de hoje. Retrocedemos?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">A televis\u00e3o, em especial a aberta, precisa ser de fato livre, democr\u00e1tica, para que todos a produzam e se vejam representados nela. Em tempos de retorno de um conservadorismo sombrio em diversos pa\u00edses e inclusive no Brasil, cabe a essa televis\u00e3o ser efetivamente aberta, sob pena de perder interlocu\u00e7\u00e3o, relev\u00e2ncia e seu potencial de refletir o grande p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Slogan de chamadas da TV Globo no ano de 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-102\" src=\"http:\/\/www1.fca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/002.jpg\" alt=\"002\" width=\"5184\" height=\"3456\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Felipe Muanis \u00e9 <\/strong>professor visitante DAAD no Institut f\u00fcr Medienwissenschaft na Ruhr Universit\u00e4t Bochum, Alemanha, e do IMACS &#8211; International Master of Audiovisual and Cinema Studies. \u00c9 professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o da UFF\u00a0 e do Departamento de Cinema e V\u00eddeo da\u00a0mesma institui\u00e7\u00e3o. Coordena o ENTELAS, grupo de pesquisa em televis\u00e3o, imagem, teoria e recep\u00e7\u00e3o. Jornalista, possui gradua\u00e7\u00e3o e mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o Social pela PUC\u00a0Rio e doutorado pela UFMG. \u00a0 \u00c9 autor do livro &#8220;Audiovisual e Mundializa\u00e7\u00e3o: televis\u00e3o e cinema&#8221; (2014).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Felipe Muanis A televis\u00e3o aberta tem sofrido ao longo dos anos com a concorr\u00eancia das mais variadas formas e m\u00eddias, que a obrigam a se reinventar e tecer estrat\u00e9gias de autoafirma\u00e7\u00e3o tanto no campo dos neg\u00f3cios como do imagin\u00e1rio, demonstrando a necessidade de validar sua import\u00e2ncia diante do p\u00fablico e da cr\u00edtica. 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