{"id":1419,"date":"2017-12-01T15:44:38","date_gmt":"2017-12-01T17:44:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www1.fca.pucminas.br\/ccm\/?page_id=1419"},"modified":"2017-12-01T15:44:38","modified_gmt":"2017-12-01T17:44:38","slug":"caso-eloa-a-violencia-transformada-em-romance-para-entreter","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/caso-eloa-a-violencia-transformada-em-romance-para-entreter\/","title":{"rendered":"Caso Elo\u00e1: a viol\u00eancia transformada em romance para entreter"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\">No dia 13 de outubro de 2008, Lindemberg Fernandes Alves de 22 anos invadiu o apartamento da ex-namorada Elo\u00e1 Cristina Pimentel de 15 anos armado e fazendo-a ref\u00e9m juntamente com sua melhor amiga, Nayara Rodrigues da Silva, e dois rapazes, que estavam ali para realizar um trabalho de escola. Este seria apenas mais um entre os diversos crimes de viol\u00eancia contra a mulher a entrar para as estat\u00edsticas do Brasil que ocupa o quinto lugar no ranking de pa\u00edses que mais matam mulheres no mundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, apesar de se tratar de um sequestro, que convencionalmente n\u00e3o \u00e9 divulgado na imprensa antes de sua resolu\u00e7\u00e3o para preservar as negocia\u00e7\u00f5es, o crime foi amplamente divulgado pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e o dram\u00e1tico c\u00e1rcere de Elo\u00e1 foi acompanhado por telespectadores do Brasil inteiro &#8211; e at\u00e9 pela imprensa internacional &#8211; durante cinco dias.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sequestro se arrastou por mais de 100 horas que foram transmitidas por diversos canais da tev\u00ea aberta, em tempo real. Havia uma televis\u00e3o inclusive dentro do cativeiro onde o sequestrador e as ref\u00e9ns tamb\u00e9m acompanharam a transmiss\u00e3o do crime que protagonizavam. O sequestrador foi entrevistado in\u00fameras vezes, um delas ao vivo, ao lado de Elo\u00e1. Uma apresentadora que se dizia bem intencionada tentou fazer as vezes de negociadora e convenc\u00ea-lo a libertar as ref\u00e9ns. O \u00fanico feito que conseguiu foi ocupar a linha telef\u00f4nica atrapalhando a comunica\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia com criminoso no cativeiro. Em 17 de outubro, policiais do GATE (Grupo de A\u00e7\u00f5es T\u00e1ticas Especiais) da Pol\u00edcia Militar do Estado de S\u00e3o Paulo invadiram o apartamento. Lindemberg disparou contra Elo\u00e1 e Nayara. Elo\u00e1 foi baleada na virilha e na cabe\u00e7a e n\u00e3o resistiu ao ferimentos, vindo a falecer no dia seguinte. Nayara levou um tiro no rosto, mas sobreviveu. Sem ferimentos, Lindemberg foi detido e posteriormente condenado, conforme informa mat\u00e9ria do Portal Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para especialistas em viol\u00eancia de g\u00eanero e feministas o desfecho tr\u00e1gico e a tipifica\u00e7\u00e3o do crime como viol\u00eancia contra a mulher e feminic\u00eddio era mais do que \u00f3bvio j\u00e1 nos primeiros dias de c\u00e1rcere. [1] Caso n\u00e3o houvesse interven\u00e7\u00e3o severa, Elo\u00e1, v\u00edtima de um relacionamento abusivo com relatos de agress\u00e3o, seria morta pelo ex-namorado Lindemberg que n\u00e3o aceitava o fim do namoro que ele mesmo terminara. No entanto, n\u00e3o foi desta forma que a m\u00eddia brasileira, a pol\u00edcia e parte da sociedade brasileira entenderam o caso. No narrativa criada e difundida pela m\u00eddia, aceita pela pol\u00edcia e por parte da sociedade Lindemberg, um jovem apaixonado, trabalhador de apenas 22 anos, sofria de amor por Elo\u00e1 e, por isso a mantinha ref\u00e9m. Ou seja, ignorou-se completamente a natureza prim\u00e1ria do crime &#8211; viol\u00eancia contra a mulher, feminic\u00eddio &#8211; e mais grave, aceitou-se a inaceit\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o discursiva de causa e consequ\u00eancia em que um jovem sofrendo dores de amor tem o direito de prender, violentar e at\u00e9 matar sua exnamorada, reduzindo um caso cl\u00e1ssico de viol\u00eancia contra a mulher ao velho conceito de \u2018crime passional.\u2019<\/p>\n<p align=\"justify\">Este tipo de abordagem do crime de viol\u00eancia dom\u00e9stica pela m\u00eddia, espetacularizante e ao mesmo tempo silenciadora, permite, portanto, refletir sobre como os jornalistas entendem o que \u00e9 agress\u00e3o contra a mulher e sobre a sociedade que assiste a esse notici\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Invisibilidade<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Apesar da intensa cobertura midi\u00e1tica, com mat\u00e9rias di\u00e1rias nos principais jornais impressos, reportagens audiovisuais extensas e coment\u00e1rios de \u00e2ncoras verifica-se a aus\u00eancia da express\u00e3o \u201cviol\u00eancia contra a mulher\u201d e, portanto da problematiza\u00e7\u00e3o do caso nesta perspectiva. Sendo o Brasil um pa\u00eds onde 13 mulheres s\u00e3o mortas por dia, \u00e9 no m\u00ednimo intrigante que nenhum ou nenhuma jornalista tenha tido a ideia de relacionar o caso com as horr\u00edveis estat\u00edsticas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nestas condi\u00e7\u00f5es a aus\u00eancia da express\u00e3o \u2018viol\u00eancia contra a mulher\u2019 gera uma contradi\u00e7\u00e3o latente na qual se explora amplamente o crime com uma cobertura praticamente ao vivo e horas nas programa\u00e7\u00f5es dedicadas ao caso mas n\u00e3o se explicita sua natureza mais prim\u00e1ria, o fato de se tratar de viol\u00eancia contra a mulher. O crime \u00e9 ent\u00e3o tratado como algo isolado e \u00fanico, quando na verdade a viol\u00eancia dom\u00e9stica, um tipo de crime que acontece dentro da casa das pr\u00f3prias v\u00edtimas, cometido por algu\u00e9m pr\u00f3ximo, normalmente algum ex companheiro, \u00e9 a realidade de uma em cada cinco mulheres brasileiras segundo o Mapa da Viol\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Outro ponto que denota a invisibilidade da natureza do crime crime \u00e9 a forma incisiva como a imprensa aborda o caso. Jornalistas atravessaram as negocia\u00e7\u00f5es, conversaram com o sequestrador, fizeram pedidos e insuflaram toda a situa\u00e7\u00e3o (Lindemberg orgulhava-se da aten\u00e7\u00e3o que recebia) resguardando esta \u2018ampla cobertura\u2019 sob o manto da \u00e9tica e<br \/>\nda imparcialidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto um crime estava em curso, duas garotas eram feitas ref\u00e9ns sob a mira de um rev\u00f3lver calibre 32, uma delas sofria viol\u00eancia f\u00edsica di\u00e1ria no cativeiro. Para garantir o isolamento doa \u00e1rea, o conjunto habitacional que foi evacuado. A comunica\u00e7\u00e3o entre a pol\u00edcia e o sequestrador era feita por telefone. O n\u00famero deste telefone foi obtido pela produ\u00e7\u00e3o das televis\u00f5es e por jornalistas, o que fez com que a linha permanecesse muitas vezes indispon\u00edvel para os negociadores da pol\u00edcia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ignorar este dado, mesmo em nome da imparcialidade, e buscar incessantemente contato com o sequestrador dentro do cativeiro para produzir um furo de reportagem \u00e9 tamb\u00e9m ignorar a gravidade do crime que acontecia e consequentemente a viol\u00eancia da qual Elo\u00e1 estava sendo v\u00edtima.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enquanto o discurso de \u00f3dio e machismo de Lindemberg, proferido durante as in\u00fameras entrevistas que concedeu aos canais de televis\u00e3o era reproduzido \u00e0 exaust\u00e3o nos programas, a imagem que se reproduzia incessantemente era a de Elo\u00e1 chorando na janela de seu apartamento, novamente violando a privacidade e expondo a situa\u00e7\u00e3o de sofrimento da menor de 15 anos. A vida de Elo\u00e1 era o que menos parecia importar.<\/p>\n<p><strong>Narrativa Rom\u00e2ntica<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Para al\u00e9m da aus\u00eancia da express\u00e3o viol\u00eancia contra a mulher e da subestima\u00e7\u00e3o da natureza criminal do caso pela m\u00eddia podemos perceber que outro grande artif\u00edcio que contribuiu para a invisibilidade da natureza do crime e refor\u00e7ou estigmas contra os quais as mulheres e o movimento feminista vem tentando se liberar desde o assassinato de \u00c2ngela Diniz foi a romantiza\u00e7\u00e3o do crime. [2]<\/p>\n<p align=\"justify\">Durante os cinco dias de sequestro promoveu-se a constru\u00e7\u00e3o e a difus\u00e3o de uma narrativa rom\u00e2ntica que naturalizou atos de viol\u00eancia, com o \u00fanico prop\u00f3sito de manter a audi\u00eancia no acompanhamento do \u2018caso Elo\u00e1\u2019.<\/p>\n<p align=\"justify\">Esta narrativa se inicia com a defini\u00e7\u00e3o de dois personagens. Lindemberg, no papel de protagonista, inclusive do ponto de vista do espa\u00e7o e tempo ocupado nas reportagens, tem a constru\u00e7\u00e3o de seu perfil como um jovem que est\u00e1 sofrendo uma decep\u00e7\u00e3o amorosa, digno de pena. Completam seu perfil o fato dele ser um jovem trabalhador, n\u00e3o ter antecedentes criminais, ser amigo de todos e, pasmem, jogar bem futebol. Elo\u00e1 \u00e9 retratada como a jovem \u2018mais bonita da escola\u2019 e apenas isso. Nenhuma complexidade \u00e9 atribu\u00edda a ela apesar de sua imagem ilustrar exaustivamente as reportagens, seja nas fotos em que aparece sorridente ao lado da amiga Nayara, seja chorando na janela de seu apartamento transformado em cativeiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Definidas as personagens inicia-se a constru\u00e7\u00e3o da \u2018suposta\u2019 hist\u00f3ria de amor entre Lindemberg e Elo\u00e1. No lugar das agress\u00f5es f\u00edsicas praticadas por Lindemberg contra Elo\u00e1 dias antes num ponto de \u00f4nibus, enaltece-se a personalidade daquele jovem apaixonado que quer a todo custo reatar o namoro. Um advogado, num programa de audit\u00f3rio da tarde, diz estar torcendo por um \u2018final feliz, e um casamento futuro entre ele (Lindemberg) e a apaixonada dele (Elo\u00e1)\u2019.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta forma, a potencial den\u00fancia de um relacionamento abusivo com agress\u00f5es psicol\u00f3gicas e f\u00edsicas, e at\u00e9 seu car\u00e1ter ped\u00f3filo, visto que Elo\u00e1 tinha 12 anos e Lindemberg 19 anos quando come\u00e7aram a se relacionar, d\u00e1 lugar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria de amor idealizada na qual se reconheceu \u201ca leg\u00edtima dor de amor dele por Elo\u00e1\u201d e que se desenrola tal qual uma novela nas redes de televis\u00e3o de todo o pa\u00eds ao longo da semana.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nas conversas entre os negociadores da pol\u00edcia e Elo\u00e1, e o depoimento de Nayara, e do irm\u00e3o de Elo\u00e1 fica claro que a jovem n\u00e3o queria mais estar naquele relacionamento. Em um dos \u00e1udios Lindemberg amea\u00e7a o negociador dizendo que est\u00e1 agredindo sua namorada, Elo\u00e1 o corrige: \u201cEu n\u00e3o sou sua namorada\u201d e \u00e9 agredida.<\/p>\n<p align=\"justify\">A insist\u00eancia dos canais de tv numa narrativa rom\u00e2ntica onde \u201co ci\u00fame, a posse e a honra ganham o nome de \u201camor\u201d e de decep\u00e7\u00e3o amorosa\u201d3 sustentou o argumento de jovem apaixonado para enaltecer a personalidade do agressor Lindemberg e para promover uma expectativa de reconcilia\u00e7\u00e3o na qual Elo\u00e1 foi lan\u00e7ada de sua condi\u00e7\u00e3o de v\u00edtima a quase algoz e que portanto deve ser recriminada, culpabilizada e ignorada por \u2018n\u00e3o aceitar dialogar\u2019.<\/p>\n<p align=\"justify\">A situa\u00e7\u00e3o se intensifica a ponto dos pr\u00f3prios jornalistas e apresentadores de programas policialescos e criminais utilizarem termos relativos ao universo das novelas e confundirem conceitos aplicados \u00e0 fic\u00e7\u00e3o para se referirem ao crime. \u201cEpis\u00f3dio\u201d, \u201cdesfecho\u201d e \u201cfinal feliz\u201d foram algumas das palavras utilizadas. \u00c9 sintom\u00e1tico que o desfecho dram\u00e1tico que coroa essa \u00e2nsia pela narrativa rom\u00e2ntica ficcionalizada venha acontecer justamente no hor\u00e1rio de maior audi\u00eancia dos programas policialescos do fim da tarde. No momento da invas\u00e3o o local era filmado e transmitido ao vivo por estes programas e num deles o comentarista dizia \u201cN\u00f3s estamos assistindo um ritual, o ritual final deste epis\u00f3dio que precede a liberta\u00e7\u00e3o das ref\u00e9ns&#8230;\u201d quando \u00e9 interrompido pelao barulho da explos\u00e3o feita pelos policiais.<\/p>\n<p align=\"justify\">A tentativa de adequa\u00e7\u00e3o deste caso cl\u00e1ssico de viol\u00eancia contra a mulher contradiz a Lei n\u00ba 11.340 de 07 de Agosto de 2006 (LEI MARIA DA PENHA) que prev\u00ea:<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201co respeito, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, dos valores \u00e9ticos e sociais da pessoa e da fam\u00edlia, de forma a coibir os pap\u00e9is estereotipados que legitimem ou exacerbem a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, de acordo com o estabelecido no inciso III do art. 1o, no inciso IV do art. 3o e no inciso IV do art. 221 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal\u201d<\/p>\n<p align=\"justify\">O arco dram\u00e1tico \u00e9 encerrado com a tentativa de se transformar Elo\u00e1 em Santa ap\u00f3s sua morte numa campanha agressiva pela doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os na qual os meios de comunica\u00e7\u00e3o blindados por argumentos no estilo de \u2018conscientiza\u00e7\u00e3o pela doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os\u2019 chegam a revelar informa\u00e7\u00f5es dos pacientes como o fato do cora\u00e7\u00e3o da menina ter sido doado para uma mulher 39 anos (o que \u00e9 proibido pela Constitui\u00e7\u00e3o salvo autoriza\u00e7\u00e3o expressa do doador e do receptor.)<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim, entende-se que durante a cobertura do caso houve uma invers\u00e3o de valores muito danosa para o combate \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher e tudo isso perpetrado por empresas e grupos que operam em concess\u00f5es p\u00fablicas como \u00e9 o caso das TVs abertas.<\/p>\n<p><strong>Resson\u00e2ncias<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Na coletiva de imprensa da pol\u00edcia ap\u00f3s o crime, o discurso de que Lindemberg seria um jovem apaixonado, sofrendo de uma decep\u00e7\u00e3o amorosa, \u00e9 recuperado pelo comandante da Tropa de Choque para justificar o fato de n\u00e3o terem recorrido a um tiro de comprometimento durante a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 interessante notar que este discurso vem potencializado pelo fator da idade. Lindemberg, um homem de 22 anos \u00e9 tratado como um rapaz, jovem, imaturo, que apaixonado teria suas atitudes inconsequentes justificadas enquanto Elo\u00e1, por sua vez, apesar de ter apenas 15 anos, \u00e9 tratada como uma mulher que \u2018n\u00e3o aceitou dialogar\u2019. Surgem ent\u00e3o na m\u00eddia especialistas especulando sobre uma certa \u2018patologia\u2019 do assassino. Como bem contra argumentou a militante feminista Analba Teixeira: \u201cPatologia? Ou ele n\u00e3o ag\u00fcentou \u201cperder\u201d o controle que queria ter da vida de Elo\u00e1? Ou sentiu a sua \u201chonra maculada\u201d por que Elo\u00e1,n\u00e3o queria continuar o namoro que ele pr\u00f3prio terminara?\u201d [4]<\/p>\n<p align=\"justify\">Por fim, o vel\u00f3rio e enterro de Elo\u00e1 levam mais de 30 mil pessoas ao cemit\u00e9rio, em sua maioria, espectadores que sequer conheciam a jovem mas foram instigados pelas televis\u00f5es a ver o \u00faltimo epis\u00f3dio deste triste crime de viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n<p align=\"justify\">Diante de toda a repercuss\u00e3o do caso alguns profissionais do jornalismo levantaram o debate sobre a atua\u00e7\u00e3o da m\u00eddia na cobertura de um crime principalmente sobre a quais seriam os limites para os meios de comunica\u00e7\u00e3o. A Rede TV foi alvo de uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico que entendeu que as entrevistas interferiram na atividade policial em curso e colocaram a vida da adolescente e dos envolvidos na opera\u00e7\u00e3o em risco.<\/p>\n<p align=\"justify\">Ambas as iniciativas, no entanto, n\u00e3o consideram a especificidade de g\u00eanero no crime pois, n\u00e3o problematizam diretamente a romantiza\u00e7\u00e3o do ato criminoso e do agressor, nem refletem sobre a invisibilidade da viol\u00eancia dom\u00e9stica e do feminic\u00eddio, dois aspectos que s\u00e3o cruciais no combate da viol\u00eancia contra a mulher e que foram centrais nas viola\u00e7\u00f5es cometidas pela imprensa.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim \u00e9 importante destacar que \u201cque quem torceu pelo amor de Lindemberg, quem acreditou que ele pudesse sair daquele pr\u00e9dio de m\u00e3os dadas com a ex-namorada &#8211; seja a m\u00eddia, a pol\u00edcia ou a sociedade &#8211; esqueceu ou refor\u00e7ou o tipo de cultura em que vivemos. Quem tratou aquele drama passional como se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos, neste pa\u00eds, de forma gritante, e em todo planeta, uma numerosa estat\u00edstica de crimes de honra ajudou a puxar o gatilho.\u201d [5]<\/p>\n<p><strong>Regular a m\u00eddia<\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo o dossi\u00ea Dossi\u00ea Viol\u00eancia contra as Mulheres. \u201cFeminic\u00eddio \u00e9 o assassinato de uma mulher pela condi\u00e7\u00e3o de ser mulher. Suas motiva\u00e7\u00f5es mais usuais s\u00e3o o \u00f3dio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associa\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is discriminat\u00f3rios ao feminino, como \u00e9 o caso brasileiro.\u201d E no Brasil, o que mais preocupa \u00e9 o feminic\u00eddio cometido por parceiro \u00edntimo. Da\u00ed a import\u00e2ncia de pensar sobre como esses casos s\u00e3o tratados e difundidos pela m\u00eddia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Normalmente a imprensa perde a oportunidade, como perdeu no sequestro e assassinato de Elo\u00e1, de fazer uma discuss\u00e3o sobre a viol\u00eancia contra mulher, mostrar como acontece o ciclo da viol\u00eancia, falar sobre a real gravidade deste problema no Brasil e instruir a popula\u00e7\u00e3o no combate desde tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Diante disto, a op\u00e7\u00e3o ideal para evitar situa\u00e7\u00f5es de abuso seria a regula\u00e7\u00e3o da m\u00eddia. Por\u00e9m, na iniciativa mais recente de debate sobre este tema, durante a gest\u00e3o do ministro Gilberto Gil no Minist\u00e9rio da Cultura, acusa\u00e7\u00f5es de censura foram lan\u00e7adas numa campanha contr\u00e1ria no m\u00ednimo perversa por usar uma palavra t\u00e3o carregada de significados herdados de nosso passado ditatorial.<\/p>\n<p align=\"justify\">Enquanto a regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece, podemos tentar avan\u00e7ar neste debate e algumas medidas podem ser adotadas como forma de combater a viol\u00eancia contra a mulher e as altas taxas de feminic\u00eddio do Brasil.<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m de atentar para o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o presente no C\u00f3digo Brasileiro de Telecomunica\u00e7\u00f5es e no artigo 8.\u00ba, inciso III, da Lei Maria da Penha que prev\u00ea a responsabilidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o para a erradica\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, seria oportuno uma revis\u00e3o sem\u00e2ntica e gramatical no momento de se reportar os crimes. Isso significa, antes de mais nada, reconhecer os casos em que h\u00e1 viol\u00eancia contra a mulher, reconhecer que este \u00e9 um problema grave no Brasil e evitar qualquer tipo de romantiza\u00e7\u00e3o destes crimes.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para tanto deve-se reconhecer os agentes ativos dos crimes, principalmente no momento de elaborar t\u00edtulos e chamadas, e utilizar com aten\u00e7\u00e3o a terminologia correta para difundir os diversos tipos de crime. Evitar o uso de express\u00f5es que romantizem ou enalte\u00e7am a personalidade do criminoso, evitar o uso da palavra sexo para designar estupro e em hip\u00f3tese alguma tente justificar o crime, nem desmerecer ou julgar a v\u00edtima, divulgando dados pessoais ou informa\u00e7\u00f5es de seu cotidiano.<\/p>\n<p align=\"justify\">Por fim, a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 v\u00edtimas \u00e9 mais que bem vinda bem como a tentativa de relacionar os crimes com dados e estat\u00edsticas que mostrem a gravidade do problema de forma conscientizar a popula\u00e7\u00e3o sobre o tema da viol\u00eancia contra as mulheres. Somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel construir uma comunica\u00e7\u00e3o com mais equidade de g\u00eanero e atuante no combate direto \u00e0 viol\u00eancia contra a mulher numa sociedade t\u00e3o desigual como a nossa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1420 aligncenter\" src=\"http:\/\/www1.fca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/e\u0301loa.png\" alt=\"\" width=\"506\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/e\u0301loa.png 1000w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/e\u0301loa-300x231.png 300w, https:\/\/blogfca.pucminas.br\/ccm\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/e\u0301loa-768x591.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><\/p>\n<p><strong>L\u00edvia Perez<\/strong> \u00e9 doutoranda em Meios e Processos Audiovisuais na ECAUSP, mestra em Multimeios pela Unicamp e graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social &#8211; habilita\u00e7\u00e3o em Midialogia pela mesma institui\u00e7\u00e3o com um ano de estudos em &#8216;Cin\u00e9ma et Audiovisuel&#8217; na Universit\u00e9 de Paris 3 &#8211; Sorbonne Nouvelle, atrav\u00e9s de interc\u00e2mbio acad\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>TEIXEIRA, Analba Elo\u00e1 &#8211; a morte anunciada.12\/11\/2008 Dispon\u00edvel em www.clam.org.br\/artigos-resenhas\/conteudo.asp?cod=4853<\/p>\n<p>WAISELFISZ, Julio Jacobo Mapa da Viol\u00eancia 2015. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.mapadaviolencia.org.br\/pdf2015\/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf<\/p>\n<p>Atlas da Viol\u00eancia 2016. F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), Instituto de P e s q u i s a E c o n \u00f4 m i c a A p l i c a d a ( I P E A ) . D i s p o n \u00ed v e l em h t t p : \/ \/<br \/>\nwww.agenciapatriciagalvao.org.br\/dossie\/pesquisas\/atlas-da-violencia-2016-ipeafbsp\/<\/p>\n<p>Caso Elo\u00e1 Pimentel. Portal Compromisso e Atitute. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.compromissoeatitude.org.br\/caso-eloa-pimentel\/<\/p>\n<p>C\u00f3digo Brasileiro de Telecomunica\u00e7\u00f5es. Dispon\u00edvel em http:\/\/planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/L4117Compilada.htm<\/p>\n<p>Dossi\u00ea Viol\u00eancia Contra as Mulheres. Instituto Patr\u00edcia Galv\u00e3o. Dispon\u00edvel em http:\/\/ www.agenciapatriciagalvao.org.br\/dossie\/violencias\/feminicidio\/<\/p>\n<p>LEI N\u00ba 11.340, DE 7 DE AGOSTO DE 2006. (LEI MARIA DA PENHA). Dispon\u00edvel em http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2006\/lei\/l11340.htm<\/p>\n<p>Mais mulheres s\u00e3o assassinadas por ano no Brasil do que na S\u00edria. El pa\u00eds Brasil. 09\/11\/2015 dispon\u00edvel em http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/06\/politica\/1446826193_178862.html<\/p>\n<p>Rede TV! \u00e9 processada por causa de entrevista com Elo\u00e1. 02\/12\/2008. Dispon\u00edvel em<br \/>\nhttp:\/\/www.conjur.com.br\/2008-dez-02\/mpf_indenizacao_rede_tv_entrevista_eloa<br \/>\nRefer\u00eancias Audiovisuais<\/p>\n<p>Curta-metragem Quem matou Elo\u00e1? dire\u00e7\u00e3o L\u00edvia Perez. Produ\u00e7\u00e3o Doctela. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4IqIaDR_GoQ<\/p>\n<p>Programa A Tarde \u00e9 Sua exibido pela Rede TV em 17\/10\/2008. Dispon\u00edvel em https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=CGJewjnPejA<\/p>\n<p>[1] Ver o texto Elo\u00e1 &#8211; a morte anunciada de Analba Teixeira dispon\u00edvel em http:\/\/www.clam.org.br\/artigosresenhas\/<br \/>\nconteudo.asp?cod=4853<\/p>\n<p>[2] http:\/\/agenciapatriciagalvao.org.br\/violencia\/memoria-40-anos-do-feminicidio-de-angela-diniz\/<\/p>\n<p>[3] Elo\u00e1 &#8211; a morte anunciada de Analba Teixeira dispon\u00edvel em http:\/\/www.clam.org.br\/artigos-resenhas\/<br \/>\nconteudo.asp?cod=4853<\/p>\n<p>[4] Elo\u00e1 &#8211; a morte anunciada de Analba Teixeira dispon\u00edvel em http:\/\/www.clam.org.br\/artigos-resenhas\/<br \/>\nconteudo.asp?cod=4853<\/p>\n<p>[5] Elo\u00e1 &#8211; a morte anunciada de Analba Teixeira dispon\u00edvel em http:\/\/www.clam.org.br\/artigos-resenhas\/<br \/>\nconteudo.asp?cod=4853<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 13 de outubro de 2008, Lindemberg Fernandes Alves de 22 anos invadiu o apartamento da ex-namorada Elo\u00e1 Cristina Pimentel de 15 anos armado e fazendo-a ref\u00e9m juntamente com sua melhor amiga, Nayara Rodrigues da Silva, e dois rapazes, que estavam ali para realizar um trabalho de escola. 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